A história da CCM- CASA DE CAPOEIRA MUTAÇÕES, PROJETO CAMALEÃO UMA ALTERNATIVA DE VIDA, surgiu com o bairro, só que anteriormente tinha o nome de Associação de Capoeira Contemporânea, só foi juridicamente reconhecida em 1994 quando em Assembléia Geral decidiu-se trocar o nome da entidade e elaborar um Estatuto. É um trabalho humilde, reconhecido pela comunidade, mas ainda anônimo na mídia.

O Alto do Coqueirinho surge por volta de 1979, nesta época eu (Tico Camaleão) residia no Nordeste de Amaralina nas proximidades da então famosa sede, onde o mestre Bimba realizava suas formaturas. E foi alí, naquela sede, onde o mestre germinou junto com os seus alunos, a Capoeira Regional Baiana. Foi alí também, que eu iniciei a minha vida na capoeiragem, com o Mestre Bozó Preto,Bozó Branco,Jai,Nenga,Berrou,Ninha, Manoel,Wellington e meu filho Gato Manhoso .Contibuiram também em muito na minha formação capoerística, os Mestres Nenel e Moiséis(Sucuiúba) e os seguintes graduados: Azulão, Besouro, Chita, Bagulho, Preguiça, Cuinhã,Abelhinha,Indaiá, Saguim,Macaquinho, Trovão, Pelicano,Crocodilo,Gaivota,Jorge Bregueiro, Mestre Mico e muitos outros. Em 1983 fui morar no Alto do Coqueirinho, aproximadamente a 20 km do Nordeste de Amaralina, que contava com uma população de 2.500 habitantes de cidadões brasileiros sem teto. A população foi crescendo e em pouco tempo, foi criado pelos moradores, um centro comunitário onde se realizavam assembléias, cursos de corte e costura, distribuição de cesta básica, etc.

Nessa época quem administrava esse centro era o Clube de Mães e a presidente era a Sra. Maria Genésia. Eu encaminhei a proposta de lecionar capoeira no Centro para as crianças, três aulas por semana.

Disseram-me que aguardár-se o parecer da diretoria, depois de uma semana fui buscar a resposta. Eis as palavras de D.Maria Genésia: "Bem, capoeira é bonita, é nossa cultura, mas tem muito vagabundo e marginal e nós não queremos vagabundos dentro do nosso bairro."

D.Marião! Como era conhecida dentro do bairro, por causa da sua estatura, e personalidade forte, falou em nome da diretoria: "Se o senhor quiser fazer essa coisa da capoeira aqui, só com autorização do delegado de Itapuã."

Protestei, retruquei e ela disse que não adiantava, se eu quisesse seria assim pois os capoeiristas que havia conhecido tinham envolvimento com a criminalidade. Eu fiquei numa sinuca, se não fosse falar com o delegado daria a entender que eu era mais um vagabundo e dessa forma contribuiria para confirmar a sua tese. E lá fui eu falar com o delegado, me apresentei e expus o ocorrido, que precisava de uma autorização para poder desenvolver a prática da capoeira na comunidade. Naquele momento fui tomado por uma sensação de regressão de vidas passadas, era como se estivesse no cativeiro sofrendo com meus ancestrais. Então o delegado indagou-me: “Você conhece Mestre Braz, Moisés, Ezequiel, Itapoan, etc.,” e eu respondi que sim e ele passou a contar vários acontecimentos da academia do Mestre Bimba e eu pensei: “Esse delegado é um perito em capoeira.” Era mais do que isso, ele tinha vivência, o nome dele é Carlos Ciriaco e por muito tempo praticou Capoeira Regional no Nordeste de Amaralina com o Mestre Bimba. Logo eu esquecí que estava na delegacia e falamos a linguagem da capoeira. O Sr. Ciriaco foi muito legal e a tal autorização saiu. Com esse pionerismo (pois só havia capoeira em Itapuã) a capoeira Mutações cresceu com a população e hoje o Alto do Coqueirinho tem uma populaçào de aproximadamente 20.000 habitantes.

A Casa de Capoeira Mutações é uma ONG muito respeitada na comunidade, e desenvolve projetos (financiados com recursos próprios) sociais, levando informações tais como: cidadania, racismo, controle de natalidade, drogas, primeiros socorros, ervas medicinais, naturismo, reiki, medicina popular, etc. A C.C.M. tem o reconhecimento do Conselho de Ação Comunitária, Conselho Local de Saúde e Clube das Mães.

A C.C.M. tem hoje como principal meta, lutar para conseguir uma área de 2 mil metros quadrados, onde será construída sua sede própria, com um salão de eventos, uma sala para oficinas de fabricação de instrumentos, oficinas de fotografia e serigrafia. Uma bibliioteca, videoteca, sala para vivência com medicinas alternativas (uso de plantas medicinais, hidroterapias, geoterapias, medecina indígena, popular, védica, etc.) Que são simples, baratas, e fáceis de aplicar.

Este é o projeto Camaleão (uma alternativa de vida) o projeto maior da C.C.M. idealizado para se adaptar à comunidade carente. A C.C.M. não luta capoeira, simplesmente vadiamos. Nossa luta é pelos direitos humanos e pela regulamentação da profissão. Nossa filosofia é: “A VIDA É MUTAÇÕES,VENHA DE ONDE VIER QUE VENHA EM PAZ.”


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