Mas a cidade de Salvador tem muitos mais locais interessantes e com história, como são o caso do Porto da Barra, na entrada da Baia de Todos os Santos, onde Américo Vespúcio chegou em 1 de Novembro de 1501 e onde, em 1535, Francisco Pereira Coutinho, fidalgo famoso das suas campanhas da Índia, funda a cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos.
Poucos anos depois D. João III nomeia Tomé de Sousa, fidalgo da Casa Real, para o cargo de Governador-geral do Brasil, sendo São Salvador a primeira capital deste grande país.
Também o Forte de Santo António da Barra, construído no século XVI, é a primeira construção militar da América Portuguesa e nele está hoje instalado o Museu Naútico da Marinha.
Na sua extensa baía existem mais de 30 ilhas e ilhotas, sendo a maior de todas elas, a de Itaparica, conhecida antigamente como ilha de Vera Cruz, e a ilha dos Frades, onde os escravos negros ficavam de quarentena, com a sua capelinha, agora em ruínas, e os seus 130 habitantes. A cidade de Salvador, com mais de 5 milhões, é a terceira do Brasil e a maior do imenso Nordeste. Capital do Estado Federal da Bahia, é uma cidade mágica e a mais africana de todas as grandes cidades brasileiras. Cerca de 80% da sua população é de origem negra. “O baiano quando não está em casa está ensaiando”. Tudo se resume nesta simples frase. A dança, a música, a capoeira, estão sempre presentes neste bom povo. Há uma alegria de viver que não é fácil imaginar nestes brasileiros com tantas carências. Mas o baiano é assim…
As tradições estão enraizadas neste povo onde, na Lavagem do Bonfim, perto de um milhão de pessoas, todas vestidas de branco, se dirigem em procissão até à colina sagrada onde as baianas, com as típicas vestes brancas, despejam água de cheiro no adro da igreja e sobre a cabeça dos fiéis. A festa do Iemanjá decorre a 2 de Fevereiro, data em que os fervorosos do Candomblé, a “religião” popular, prestam homenagem à Rainha do Mar, simbolizada numa sereia. Mas o Carnaval é sem dúvida o Rei das Festas. Dura sete dias e é a maior festa popular. Um Carnaval festejado nas ruas de uma forma diferente do que se passa, no também célebre, Carnaval do Rio de Janeiro. Aqui é menos sumptuoso, mas todo o povo baiano participa com a sua alegria contagiante.
A hospitalidade deste bom povo é comovedora. Cria-se uma forte empatia logo no primeiro contacto. Quando se diz, que o brasileiro é irmão do português, é uma verdade que se confirma, quando pisamos estas terras e com eles convivemos.
No último dia da nossa estada, fomos visitar a Praia do Forte, a cerca de 80 km de Salvador. Deslocámo-nos no táxi de Francisco Castanheiras. Seus avós paternos eram portugueses. Com orgulho, este brasileiro de 50 anos, quis vincar bem as suas origens. Era visível a emoção que sentiu quando nos deixou junto ao hotel.
Quando em 2001, escrevi uma crónica sobre esta viagem, em homenagem ao grande escritor Jorge Amado, na revista “Teres & Haveres”, já desaparecida das bancas há cerca de 3 anos, enviei para este bom luso-brasileiro, um exemplar da mesma. Passados alguns dias, recebi uma carta sua da qual transcrevo algumas linhas: «…Foi com muita alegria e emoção que recebi sua carta e sua revista, gostei bastante. Há alguns dias passados, eu havia pensado em vocês, fiquei feliz em ver que você não me esqueceu. Me lembro perfeitamente no dia em que peguei vocês na orla marítima, e os deixei no Marazul Hotel…Eu também não os esqueci, espero em breve poder recebê-los aqui em Salvador…Gostei muito da sua revista, lindas fotografias, e obrigado por falar de mim, fiquei emocionado, vou mostrar para meus pais, eles vão adorar, meu pai então, vai ficar curioso para ler algo de Portugal. Vou guardar sua carta e revista para meus netos, é uma agradável recordação…».
Amigo Francisco Castanheiras, eu é que hoje, passados estes 3 anos lhe agradeço as suas palavras amigas. Também não esquecerei nunca este amigo de “Sangue Português”, que nasceu nesse imenso Brasil. Talvez um dia volte a Salvador para o abraçar e para rever esse grande país, que me recebeu passados 500 anos de Cabral o descobrir.
É por estas manifestações de amizade, de alegria, de partilha com os outros, que eu escrevo. Que prazer maior posso ter, sabendo que levo aos meus leitores um pouco de felicidade, de fraternidade, de amor!!!
Por se encontrarem em obras os antigos celeiros da EPAC, a Junta de Freguesia de Assunção, não quis deixar de assinalar, um ano mais, o Dia Internacional da Mulher.
Para levar por diante este evento que se vem consolidando ao longo dos últimos anos, a Junta decidiu recorrer à montagem de uma Carpa (tenda) no recinto do Ringue Municipal.
Este ano a aposta foi forte na componente musical, já que o nome eleito foi o do consagrado cantor romântico Emanuel.
E para que o sucesso fosse total, 350 mulheres participaram no almoço de confraternização e assistiram com um entusiasmo imenso à actuação de Emanuel e das suas bailarinas.
A ampla tenda proporcionou a montagem de um não menos amplo palco, onde o artista desenvolveu o seu show com um amplo repertório, essencialmente à base de canções que levaram ao rubro a assistência composta por mulheres desde os dezoito anos (idade a que era permitida a inscrição) até às mais idosas mas, também, as não menos ruidosas.
Antes da actuação de Emanuel, o Presidente da Junta de Freguesia de Assunção, na companhia de Gil Romão, Presidente da Câmara Municipal de Arronches e demais ele-mentos do executivo camarário, fizeram a distribuição de rosas e outras lembranças a todos os participantes nesta festa comemorativa.
Quando António Mergulhão, Presidente da Junta subiu ao palco para proferir algumas palavras e anunciar o artista, foi uma “explosão” que saiu das gargantas de todas as mulheres.
A partir de então, foi o delírio com a comunicação que se estabeleceu entre Emanuel e o público.
Depois do bolo e do champanhe e terminada a actuação do artista, teve lugar uma animada sessão de autógrafos.
Há 4 anos, em Março de 2001, pisámos pela primeira vez terra brasileira. Em viagem turística fomos para lá da linha do Equador, até onde Pedro Álvares Cabral, em 1500, aportou com a sua armada. Escolhemos Salvador da Bahia, a cidade mais portuguesa do Brasil.
A terra do saudoso Jorge Amado (que viria a falecer em Agosto desse mesmo ano) e de João Ubaldo Ribeiro, Caetano Veloso, Maria Betânia, Daniela Mercury, Ivete Sangalo e tantos outros grandes das artes e das letras, está cheia de riqueza histórica e, a sua parte mais antiga, a cidade alta, denominada Pelourinho, foi classificada património mundial pela UNESCO em 1984.
A monumentalidade das suas igrejas, algumas delas já recuperadas, deve ser caso único no Mundo pela quantidade enorme de templos reunidos numa só cidade. Os portugueses deixaram aqui em Salvador um património religioso notável que será completamente preservado.
O Pelourinho é a mais importante atracção turística de Salvador, pois reúne igrejas e monumentos seculares. Datados do século XVII, os primeiros casarões eram a moradia da sociedade mais abastada da época. A seguir a aristocracia deu lugar a profissões liberais e, com a deterioração da área surgiram os postibulos e outros locais menos recomendados.
As obras de restauro que se iniciaram em 1992, dão-nos já uma imagem de como ficará, dentro de alguns anos, esta parte histórica da cidade.
Actualmente, o maior conjunto colonial da América latina, reúne dezenas de restaurantes, antiquários, museus, galerias de arte e lojas de artesanato.
Apesar das ladeiras e das calçadas estreitas, nem sempre confortáveis, para nos deslocarmos a pé, não pode deixar de ser visitado. As igrejas da Ordem Terceira de São Francisco, do Sacramento do Paço, Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, do Carmo e a Catedral Basílica, são as principais de um conjunto de muitas mais de grande interesse.
O elevador Lacerda, de setenta e dois metros de altura, interliga a praça Tomé de Sousa, na cidade alta, à praça Cayru na cidade baixa, também ela cheia de locais de grande interesse histórico. Entre eles a igreja do Bonfim, do século XVIII, um lugar sagrado para o povo. Esse templo mantém-se aberto diariamente aos devotos que pedem graças e pagam promessas ao Senhor do Bonfim, o Santo mais popular da Bahia.
O solar do Unhão, uma antiga propriedade do Senhor-de-engenho Pedro de Unhão Castelo Branco, foi erguido no século XVII, em terrenos conquistados ao mar. Possui um conjunto de características rurais formado pela casa grande em cujo subsolo supostamente era a senzala e a capela. Em meados do século XVIII teve o seu período áureo, quando a casa grande ganhou feições mais requintadas com painéis de azulejos portugueses, chafariz de mármore e capela de Nossa Senhora da Conceição. Diz-se que um escravo negro e a filha do senhor-do-engenho tiveram uma ligação amorosa. O escravo foi metido nas masmorras mas, a sua amada, que esperava um filho seu, com a ajuda do Padre, libertou-o e fugiu com ele. Quando o pai descobriu a fuga da filha com o escravo, com a conivência do Padre, mandou matar este e, em seguida, suicidou-se. Bastante abatida, com o drama que a atingiu, a matriarca da família, passou o resto dos seus dias recolhida na casa grande até à sua morte. O solar foi arrendado e foi-se degradando. Já na década de sessenta do século XX, o edifício foi adquirido pelo governo do Estado da Bahia onde hoje está sediado o Museu de Arte Moderna. Numa área anexa ao solar foi inaugurado em 1997 o Parque de Esculturas, um Museu a céu aberto, com obras de artistas contemporâneos.