QUANDO A SOLUÇÃO É PARTIR

 

Arronches, tal como a maioria das regiões do interior português, sofre, entre outros males, do problema do despovoamento, ou seja, da saída de população para as cidades litorais ou ainda para o estrangeiro. Apesar da palavra “desertificação” ser usada sistematicamente para designar este fenómeno, a verdade é que é mais uma daquelas expressões que se empregam de forma errónea, já que o termo se refere não a “pessoas” mas a “vegetação”. Significa que se dissermos, por exemplo, que o Alentejo está a ficar desertificado, estamos no fundo a referir que este está a perder vegetação e os seus solos estão a ficar mais pobres e sem água, fomentando-se a situação de avanço do deserto, o que não deixa de ser realidade.

O certo é que a nossa região padece destes dois problemas, ou seja, da desertificação (biológica) e do despovoamento (populacional), comuns às regiões do interior português. Cumulativamente, ambas as questões tendem a acentuar-se. No que concerne à desertificação, verifica-se o declínio da agricultura, seja por motivos biológicos (pobreza dos solos…) ou humanos (concorrência de produtos espanhóis e estrangeiros em geral, limitações à produção impostas pela UE…), entre outros. No que diz respeito ao despovoamento, alguns concelhos já começaram a tomar medidas para tentar manter ou até atrair população jovem, de forma a que esta se fixe nos locais deprimidos, onde permaneceram apenas os mais velhos. É o caso de Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, onde surgiu a proposta de ser concedida uma gratificação monetária (e outro tipo de regalias) a cada bebé nascido. Os pais teriam de viver no concelho há mais de um ano e mostrar vontade (e provas) de quer iriam permanecer no local por mais alguns anos. No entanto, será que um subsídio é o suficiente para melhorar a qualidade de vida de uma família? E o emprego? A habitação? O acesso aos serviços de saúde e a outro tipo de equipamentos e infra-estruturas? Não devia o desenvolvimento regional ser uma aposta a ter em conta a montante da iniciativa, de modo a que esta se tornasse mais viável e eficaz? Face à deficitária oferta de equipamentos, infra-estruturas e de perspectivas económicas (emprego, salário adequado…) muitos vêm-se obrigados a partir porque o local onde nasceram não consegue dar resposta às expectativas de qualidade de vida que propuseram para o seu projecto pessoal. Desta forma, migram para a capital e cidades mais ou menos adjacentes ou então emigram para o estrangeiro, principalmente para países europeus.

É a estes nossos conterrâneos que hoje dedicamos a nossa crónica, a todos os que tiveram de partir, de deixar Arronches, os seus familiares queridos, os amigos da vida, as casas que os viram nascer, a rua onde brincavam, os vizinhos que cumprimentavam diariamente, os Natais passados à chaminé, a Páscoa no campo, as festas de Verão, o cheiro a cereal, o som do relógio da Torre e muito mais, para procurarem melhores condições de vida para si e para os seus.

Partiram, deixando saudades. Muitos são aqueles que nos visitam no Natal ou no Verão. São caras nossas conhecidas e que vemos não mais do que uma ou duas vezes por anos, mas que deixam todos os arronchenses muito felizes, uma vez que se voltam a rever amigos e familiares, revivendo-se velhas memórias, mas olhando para o futuro de uma forma mais optimista, ou porque se conseguiram os objectivos propostos, ou ainda porque o retorno poderá estar nos planos de quem teve de partir em busca da vida.

E se a viagem à terra-natal se afigura como um processo relativamente fácil para aqueles que partiram e agora vivem na área metropolitana de Lisboa e arredores (ou até para aqueles que vivem em qualquer ponto de Portugal continental, visto que o país é relativamente pequeno), para os que vivem no estrangeiro a visita será bem mais complicada! A distância física, e os custos implicados numa deslocação deste tipo inibem muitos de voltarem a Arronches com a periodicidade desejada. No entanto, é com muita satisfação que alguns emigrantes visitam sistematicamente a nossa terra, apesar de se encontrarem a muitos quilómetros de distância, como por exemplo, em França. Nestes casos a saudade e a vontade de manter a família unida, prevalece sobre qualquer sacrifício monetário ou sinal de cansaço. E vale a pena.

A todos os arronchenses e descendentes que se encontram fora da terra, enviamos um abraço e votos de que nos visitem, agora que vem aí o Verão, o qual promete ser muito animado (já agora, não deixem de consultar o Boletim Cultural para saber mais pormenores)! Porque a verdade é que Arronches ganha mais dinamismo, mais cor e uma renovada alegria quando vê todos os seus filhos juntos. Então fica aqui um abraço a todos os que estão fora e nos lêem, e um “até ao regresso”. Arronches nunca se esquece de vocês.

 

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ACTUALIDADES – Prof. Mata Cáceres

 

FACTO I:

Tudo terminado. Assembleia da República dissolvida, eleições convocadas, acto eleitoral realizado e resultados conhecidos.

Primeiro-ministro indigitado, Governo empossado, nova Assembleia constituída e Programa do Executivo aprovado.

É assim a Democracia, com todas as suas Instituições em pleno e normal funcionamento.

De todos os maus, é o melhor dos sistemas...

Agora, é chegada a vez de meter mãos à obra, definir propostas e cumpri-las. Com clareza, competência e determinação.

Há que não vacilar.

O Povo escolheu um Partido para o Governar.

Deve-se ouvir e respeitar a oposição, mas não trabalhar a pensar nas primeiras páginas dos jornais, na televisão ou na substituição do programa próprio pelo dos Partidos vencidos.

É no justo equilíbrio entre os vencedores e os vencidos que estará o êxito de qualquer Governo, sem arrogâncias nem capitulações.

O Primeiro-ministro já demonstrou capacidade de liderança, embora em actos simbólicos.

Manteve firmeza na Campanha eleitoral, não cedendo à facilidade de alianças oportunistas.

Mostrou lucidez e sentido de estado, formando o Executivo com oito Ministros independentes.

Afirmou-se contra eventuais lobies, através do anúncio de alargar a venda de medicamentos fora das farmácias.

Três exemplos que mostram não ceder a facilidades para ganhar eleições, não confundindo o País com o seu Partido e de querer governar em nome do interesse geral e não de corporações.

Agradamos o fundamental, que é Governar.

 

FACTO II:

O significado das eleições parece-me claro. O Povo quis um Governo com condições para tirar Portugal da crise.

Por isso, deu a maioria absoluta ao PS.

Puniu os Partidos da Coligação anterior e satisfez as Forças Políticas mais à esquerda.

Quanto a mim, o voto no Partido Socialista é um acto de esperança e de confiança no futuro.

A opção pelo PPD e CDS significará, talvez, um certo desespero para salvar a situação de muitas clientelas instaladas.

O PCP recebeu o reconhecimento por muita gente com lutas duramente travadas e para evitar o afundamento de um Partido que não merecerá tão dura punição.

Quanto ao Bloco de Esquerda, entendo tratar-se de um voto de protesto, cuja leitura representa o enorme desgaste da governação anterior e em relação à qual muita gente se expressou de uma forma meramente negativa. O futuro dirá se o Bloco irá manter tal votação, quando não existir tamanha oposição a qualquer outro Governo.

 

FACTO III:

Tudo isto é bom dizer, mas, daqui para a frente, é preciso gerir um país mergulhado numa profunda crise. Com a esperança depositada no PS e em José Sócrates, todos vão agora reclamar medidas urgentes e ao gosto e interesse de cada um.

Sem meios para atender tantas e tão justas reivindicações como sairá o Governo deste “fogo”?

Com intervenções populistas da extrema-esquerda e do Partido Comunista, cujo alcance se resumiria a acabar com os ricos sem resolver os problemas dos pobres, não vamos lá.

Com programas neoliberais, no convencimento de que o Mercado tudo resolverá, seriam criadas profundas clivagens e grande agitação social na sociedade portuguesa.

Que o Governo e José Sócrates saibam encontrar o equilíbrio, a firmeza e a capacidade para servir a maioria dos cidadãos, sem ignorara as minorias que não podem ser desprezadas.

 

 

 

resolução aconselhada: 1024x768

Construida a: 24 / Fevereiro / 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ACTUALIZAÇÃO MENSAL
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