Tocandira

Filosofia

Razão

Conhecimento

Linguagem

Política


Platão

Aristóteles

Idade Média

Maquiavel

Hobbes

Locke

Karl Marx

"Filosofar é reaprender a ver o mundo"

   
"O Contrato Social" de Rousseau

 

              O homem da natureza

 

              Tendo em vista que as idéias provêm dos sentidos, Jean Jacques Rousseau poderá afirmar que também os animais possuem idéias chegando até mesmo a combiná-las. Nesse ponto o homem "só se diferencia da besta pela intensidade" de idéias que possui. Mas há outra distinção entre homem e animal, que é a "faculdade de aperfeiçoar-se". Enquanto o homem, através dessa faculdade, desenvolve durante sua vida uma série de outras, o animal, depois de alguns meses, "é o que será por toda a vida."

              Portanto, para o homem selvagem, a natureza só lhe oferecia o instinto. "Perceber e sentir será seu primeiro estado", tem conhecimento apenas de alguns bens e teme alguns males. "Os únicos bens que conhece no universo são a alimentação, uma fêmea e o repouso, os únicos males que teme, a dor e a fome." Poucas coisas ele conhece e poucos são seus desejos, por isso não tem necessidade de raciocinar. Isto é, para tanto seria necessário desejar usufruir de alguma coisa, e como poderia ele desejar se tudo o que precisava a natureza lhe oferecia? E ainda, como poderia desejar ou temer o que não conhecia? "Só se conhecia e se desejava o que se encontrasse ao alcance da mão, de tal forma que, ao invés de aproximar o homem de seu semelhante, suas carências afastavam-nos. (...) Assim, errante nas florestas, sem fala ou domicílio fixo, sem necessidade do outro e sem desejo de prejudicá-lo, o homem primitivo, sujeito a raras paixões, tinha somente 'sentimentos' e 'luzes' próprias a seu estado; sentia apenas necessidades verdadeiras, só olhava o que acreditasse ter interesse em ver e, assim, nem a inteligência nem a vaidade desenvolviam-se."

              É nesse estado que se encontrava o homem da natureza. Disperso pela floresta, não percebendo a distinção entre ele próprio e as coisas que o cercavam, não tinha consciência do próprio ser e de seu relacionamento com o mundo.

 

              O homem natural

 

              Os homens uniram-se, primeiramente, em bandos e associações livres, todavia essas associações duravam somente enquanto havia necessidade. A língua universal era composta por gritos inarticulados, muitos gestos e ruídos imitativos. Decorreram-se centenas de séculos; quanto mais o homem esclarecia o espírito, mais se aperfeiçoava. Abandonando as cavernas constróem choupanas de ramos. A convivência numa mesma habitação de homens e mulheres, pais e filhos, faz nascer no homem um sentimento de amor conjugal e amor paterno.

              Nas regiões frias os homens "reuniam-se em torno de uma fogueira comum, aí se fazem festins, aí dançam. Os agradáveis laços do hábito aí aproximam, insensivelmente, o homem de seus semelhantes e, nessa fogueira rústica, queima o fogo sagrado que leva ao fundo do coração o primeiro sentimento de humanidade." O mesmo acontece em regiões quentes, onde as fontes são pontos de encontros e reuniões. O homem, tendo contatos através da fonte, com as moças, sentiam-se atraídos um pelo outro. "Olhos habituados desde a infância aos mesmos objetos, uma atração desconhecida tornou-os menos selvagem, experimentou o prazer de não estar só (...) Acostumaram-se gradativamente uns aos outros e, esforçando-se por fazer entender-se, aprenderam a explicar-se."

 

              O homem social

 

              No estado natural a propriedade e os animais eram os únicos bens reais do homem e isto não gerava a desigualdade. A propriedade nasceu da mão-de-obra. O trabalho garantia ao agricultor o produto da terra até o final da colheita. Como as colheitas se sucediam tornava-se a terra propriedade.

              A desigualdade desenvolve-se com a produção, que no seu estado natural era para subsistência, passando depois, o excedente a ser comercializado. Isso gera os ricos e pobres, a dominação e a servidão. Os homens passam a produzir excedentes não mais para desfruta-los, mas para que isso lhes possibilite a aquisição de bens futuros.

              Esses interesses particulares formavam a essência do estado de guerra que produziu efeitos como ricos e pobres, fortes e fracos, senhores e escravos. Assim se fez necessário o surgimento da sociedade para apaziguar essas lutas, constituindo-se um interesse comum.

              Porém, serão os ricos que irão propor aos pobres uma união, pois não viam outro modo de livrar-se dos pobres, senão empregando a força deles a seu favor. Propuseram então a instituição de regulamentos de justiça e paz com os quais todos os ricos e pobres concordassem. Porém, tais regulamentos serviram apenas para oprimir ainda mais os fracos e garantir a propriedade privada. Destruiu-se a liberdade natural e fixou-se para sempre a lei da propriedade e da desigualdade; "daí por diante todo gênero humano foi sujeitado ao trabalho, à miséria e à servidão".   

 
Hosted by www.Geocities.ws

1