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Espaço
& Estímulo
Oscar Müller
O espaço que nos cerca
sempre oferece informações que captamos
com nossos sentidos. Muitas vezes óbvios
e outras, nem tanto, estes estímulos são
todavia constantes (por isso também muito
eficientes), e nos afetam durante toda nossa existência.
O ser humano está sempre submetido a esta
espécie de estimulação, raras
vezes inócua, e os habitantes das cidades,
quase que integralmente apartados do convívio
com a natureza, sofrem esta influência a
partir de fontes criadas pelo homem, 99% das vezes
de maneira aleatória, e de efeitos insuspeitos.
É inegável que o
que somos e a maneira como vivemos depende, em
grande parte, do meio ambiente no qual estamos
inseridos. O meio nos transforma e nos adaptamos
a ele para sobreviver, em algumas vezes causa
e efeito se tornam aparentes em questão
de segundos, em outras o processo é cumulativo,
gerando reações a longo prazo capazes
até de nos transformar lentamente, geração
após geração, num percurso
sem retorno, de macacos ao que somos hoje, como
é sabido por todos. Tem sido assim sempre,
durante toda a evolução do Homem,
e estamos habituados a pensar neste fato a partir
de uma escala de tempo biológica, que se
mensura em milhares ou centenas de milhares de
anos, sem nos apercebermos que este processo se
dá no dia a dia, a todo instante, com resultados
que nos transformam totalmente, em todos os aspectos
e em variadas graduações.
As transformações
acontecem com a mesma rapidez em que somos capazes
de assimilá-las, e esta velocidade é
o que possibilitou a vantagem da nossa espécie
sobre as demais. Embora a lentidão do processo
biológico torne impossível a percepção
direta das variações, numa escala
de tempo psicológica sucede o oposto, aqui
somos muitíssimo mais maleáveis
e susceptíveis a transformações,
portanto, as mudanças são instantâneas,
e o meio ambiente também é fator
determinante.
Data de Publicação:
10/05/2001
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