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C O L E T Â N E A D
E D E C L A R A Ç Õ E S
Sobre a Infância:
Minha infância não foi fácil. Ninguém aceitava meu
cabelo cumprido, meus pais se separaram e minha mão casou com outro cara que
eu não conseguia me relacionar. Eu ficava na minha, com meus discos. Até que
me mandaram para uma instituição para doentes mentais. Fiquei lá um mês.
Foram umas pequenas férias
Na clinica, conheci um cara que, como eu, era fã do
Alice Cooper. Eu tinha 18 ou 19. Fizemos uma banda glam chamada Sniper. E
tinha garotas lá também, todas querendo ir para cama. Elas eram legais. Pelo
menos até irem para o tratamento de choque.
Sobre o CBGB:
Nós que começamos na CBGB. Antes lá só tocavam bandas
de country e o Dee Dee conseguiu, através de uns amigos do dono, a marcar um
show lá. Tocamos para o barman, o cachorro dele e um ou outro bêbado. Depois
é que umas figuras exóticas pintaram por lá: o Andy Warhol, Lou Reed... até
que a imprensa descobriu a gente no lugar.
Sobre os outros Ramones:
Eu gostava muito do (batera) Ritchie, mas ele não
agüentou. já Marky, foi expulso da banda pelo Johnny porque era um bêbado.
Dee Dee teve um problema sério com heroína e (o
produtor) Ed Stasium gravou várias linhas de baixo em seu lugar porque ele
estava mal. Depois, Dee Dee se entregou à religião, depois ao rap. Mas o que
eu posso dizer? Essa é minha família.
Eu comecei a ter pesadelos com Johnny e Marky. Para
mim, eles são uns mafiosos. Eu amava tocar para os fãs, mais odiava ficar
numa van com com esses dois. Aliás, sei lá porque ainda estávamos andando de
van. O Johnny ás vezes parava para comer na estrada e jantava uma lata de
sardinha. Para ele, só o dinheiro é importante.
Johnny é um conservador de direita. Eu, não. Isso nunca
afetou a nossa música, mas sempre foi complicado. pra mim, ser punk é ser
verdadeiro sobre os meus sentimentos, para ele é só estar sempre nervoso.
Isso é ridículo.
Johnny chegou a dar em cima da minha namorada e, para
mim, isso é passar dos limites.
Sobre a vida e a doença:
Sou um otimista, mas às vezes sinto que já fiz o que tinha que fazer e está
na hora de ir.Na maior parte do tempo, acho vida é boa demais para me
preocupar em quanto ela ainda vai durar. |