S�NDROME DE DALILA

 

            Alcunha: Manezinho (azar de ter nascido Manuel). Profiss�o? N�o sei o nome da profiss�o, trabalho em um lavajato. Posses? Meu mesmo, s� o rev�lver. Quer dizer, era n�? A escrevente n�o achou gra�a.

            Prim�rio. Um ano de semi-aberto. Lavando carros ainda, outro rev�lver.

            Entrou em uma casa, achou que vazia.

            N�o, a dona l�.

 

            Inseguro, Manezinho brandia o rev�lver. Amedrontada, Dalila tentava com que o assalto fosse o mais breve poss�vel:

-          Leva o DVD, � novinho!

-                      Como � que eu vou sair com a porra de um DVD na m�o? Quero dinheiro!

-                      Eu n�o tenho dinheiro, eu juro!

-                      E esse bacana a� da foto? N�o te d� dinheiro?

-                      � meu marido, a gente n�o fica com dinheiro em casa.

-                      No banco?

-                      �. Leva o DVD! � s� sair rapidinho.

-                      Dona, eu n�o vou sair daqui, carregando um DVD, numa moto!

Dalila explodiu em raiva e desespero:

-                      Por que voc� n�o assaltou uma padaria?!

Manezinho olhou lentamente para ela, e parou de sacudir o rev�lver.

-                      Porque tem c�mera, tem seguran�a. Bem se v� que a senhora nunca assaltou!

Dalila escapou um riso nervoso.   

-          Nem voc�, n�?

-          Por qu�?

-          Por que achou que eu teria dinheiro em casa?

-          Vamos no seu banco!

-                      N�o, por favor! Leva o DVD! Leva o DVD e o meu carro. Ningu�m vai ver o DVD no carro.

-                      Dona... Dona o qu�?

-                      Da... De.. Daiane.

-                      Dona Daiane. Pega a chave do carro. Vamos no seu banco.

 

-                      Odeio dirigir, ela comenta, com o rev�lver apontado para sua barriga.

-                      A senhora n�o quer que eu dirija pra senhora, n�?

-                      Eu posso ficar apontando o rev�lver pra mim mesma, se voc� dirigir.

-                      Hahaha! A senhora t� fazendo gra�a?

-                      N�o, n�o, desculpa. Mas n�o precisa me chamar de �dona�, n�o.

-                      Se eu fosse a senhora, sabe o que eu fazia? Metia o carro em um poste, e me matava.

-                      Voc� t� de cinto de seguran�a. Pensei nisso mesmo.

Manoel retirou o cinto.

Dalila acelerou, Manoel segurou, com a m�o direita, firme no banco, fechou os olhos. Dalila olhou de relance e percebeu.

-          Abre os olhos!

Manoel abriu. Dalila:

-                      Por que voc�, ao inv�s disso, n�o me d� sua arma e deixa eu te matar?

-          N�o tenho coragem.

-          Ent�o fica de olho aberto.

Dalila acelerou, subitamente virou o volante para a direita, rumo a um poste, e ent�o para a esquerda. O carro balan�ou, ela perdeu o controle, freiou, mas bateram em um canteiro no meio da avenida. Manoel foi arremessado contra o vidro, cortou a cabe�a. Dalila gritou:

-          Seu louco!

-          Sua pu! (bufou) Sua louca!

-          Voc� que pediu!

-          E voc� faz?! E eu n�o pedi nada n�o, Daiane!

-          Meu nome � Dalila! Voc� t� sangrando. Deixa eu ver.

 

Dalila ligou para a seguradora. Enquanto isto, ficaram no carro. Ela quis descer para colocar o tri�ngulo. Manoel n�o deixou.

-          Voc� vai fugir!

-          Fugir como? Voc� sabe onde eu moro!

Pessoas come�aram a chegar perto do carro, Manoel escondeu o rev�lver sob a blusa.

 

Voltou, olhou novamente o ferimento.

-          Vai ter que dar ponto, eu acho.

-          Me deixa em um pronto-socorro.

-          E o DVD?

-          Manda entregarem l� em casa, eu te dou meu endere�o.

-          Haha. Essa � boa.

          -    Vamos passar no banco antes. � culpa minha. Voc� vai sair dessa machucado e sem dinheiro. Podia at� ter morrido. Foi culpa minha.

          -     Dona Dalila, a senhora, quer dizer, voc� � a mulher mais bonita que eu j� conheci.

          -     N�o tou te pagando pra me elogiar.

          -     Nem se pagasse. N�o fa�o servi�o honesto.

Dalila riu.

-          E voc� trabalha de qu�? N�o trabalha mesmo, s� assalta?

-          Trabalho sim, � brincadeira.

 

O guincho chegou. Dalila chamou um t�xi pelo celular.

-          Quanto vale este celular, da..., seu?

Ela disse, e ele:

-          Sou um manezinho mesmo! Vale mais que o DVD.

-          Eu tinha esquecido dele, n�o foi sacanagem.

-          Sei...

 

-          Pro Banco do Brasil, ali�s, qualquer caixa eletr�nico, por favor!

-          N�o, pro hospital!

-          N�o!

-          Pode ir, pro hospital.

O motorista olhou para Dalila.

-          Hospital.

Manoel, com o carro em movimento, pediu para o motorista ligar o r�dio, e chegou sua boca perto do ouvido de Dalila, cochichou.

          -     Olha, Dalila, vai embora. Pode ir, tou na boa, juro que n�o vou voltar na sua casa. Ainda tenho o meu rev�lver, depois eu pego outro t�xi e assalto o motorista.

Dalila cochichou tamb�m.

-          � mesmo, eles n�o t�m c�meras, n�?

Manoel riu.

 

-          Particular ou conv�nio?

-          Parti... Ih, tou sem dinheiro aqui, Manoel.

-          Hahaha. D� seu celular pra ela!

-          Vou ao banco. � particular!

 

Quando Dalila voltou, encontrou Manoel na sala de espera.

-          Fiquei com medo de n�o te achar aqui mais.

-          Tou de ref�m aqui, n�?

-          Mas voc� � louco, pra fugir n�o custava nada!

-          E minha moto t� na porta da sua casa...

 

O sr. Alessandro chegou em casa, estranhou a moto na porta, ainda mais  a porta destrancada. Gritou por Dalila, seu cora��o teve um mau press�gio, notou que o DVD tinha sumido. Ligou para o celular dela.

 

Sa�ram andando pela rua do hospital.

-          � meu marido.

-          Atende, u�.

          -    Voc� n�o tem ju�zo mesmo. Voc� acha que se eu contar esta hist�ria pra ele, o que vai acontecer?! Nem sei!

          -     E vai falar o que, quando chegar em casa?

          -     A verdade, claro. S� n�o vou falar agora porque, agora, vai dar muita confus�o.

          -     Dancei na minha moto...

          -     Por qu�?

          -     Chegar l� j� vai ter pol�cia.

          -     Dou um jeito de te devolver.

Manoel riu.

          -     A senhora n�o t� entendendo. A pol�cia vai grampear minha moto. Levar, vender as pe�as. E n�o fala, pelo amor de Deus, pra eu ir na pol�cia denunciar isto, ir na tev�...

Dalila riu.

-          Ia falando mesmo.

-          Tive uma id�ia. J� tou fudido, fudido e meio, ent�o.

-          Voc� � muito desbocado!

-          Desculpa.

- Fica naquela esquina ali.

 

          -     Minha mulher foi seq�estrada!

A Pol�cia, atrav�s da placa da moto, tinha um nome, pelo r�dio descobriu o antecedente do dono.

 

Manoel foi para a outra esquina, apontou o rev�lver para um motorista no sinal, que obedeceu a ordem e desceu. Saiu cantando pneu, parou na esquina de Dalila. Desceu do carro, apontou o rev�lver para ela e mandou que assumisse o volante.

-          Qu� isso?

-          N�o sei, um seq�estro!

-          Mas vai ficar apontando essa arma pra mim?

Manoel tirou todas as balas, menos uma, girou o tambor.

-          Pronto. Se eu atirar, voc� pode n�o morrer.

-          Voc� me mataria?

          -     Claro! Voc� quase n�o me matou no poste? Vamos pra algum hotel granfa. Tem cart�o de cr�dito a�?

-          Tenho.

-          Bora!

 

Escondeu o rev�lver, na recep��o. Olhou a tabela de pre�os. Cochichou com Dalila:

-          O povo paga com dinheiro aqui, ser�?

-          Eles t�m c�meras...

-          J� tou fu. J� tou...

-          Enrolado...

-          J� tou... �enrolado�, mesmo, n�?

-          S� se diz �foder� na cama... �Quero te foder todinha�, entende?

 

Subiram, Manoel quis tomar um banho, maravilhado com o ambiente.

          -    Seguinte, eu vou tomar banho, mas voc� vai ficar no banheiro, ainda n�o confio muito em voc�. N�o sei o que voc� t� planejnado, e tou muito confuso, preciso parar e pensar.

          -      Vou abrir um vinho. J� tomou um espumante?

O box era transparente. Manoel deixou o rev�lver na saboneteira, obviamente encharcou. O celular de Dalila ainda tocou algumas vezes.

 

Pela internet, Alessandro viu o saque na conta de Dalila. Foi retirado todo o dinheiro e ainda o cr�dito.

O agente da pol�cia:

          -     � duro dizer isto, mas em casos de seq�estro rel�mpago geralmente liberam logo a pessoa. O cara s� tem uma passagem. Inexperiente. Pode ter acontecido algo errado, j� era para ele ter liberado ela.

 

-          Voc� n�o vai tomar banho, n�o?

-          N�o, espertinho.

-          Se eu quisesse, te apontava a arma e fazia o que quisesse com voc�.

-          Faz, u�!

-          N�o sou isso.

 

O champanhe fez Manoel ter sono. Relutou, mas dormiu.

Dalila mandou uma mensagem para o celular de Alessandro: �Sequestrada. Mas estou bem. Fara contato. Te amo. Reze por mim.�

Al�vio. Viva!

A pol�cia rastreou a torre que enviou a mensagem, estranhou: bairro nobre.

- Seu Alessandro, n�o comemore antes. Pode ter matado e ainda pede resgate. Acontece. Mas vamos ach�-lo, e vou deixar o senhor dar um murro no est�mago dele antes de levarmos.

 

O celular tocou mais uma vez, mas estava no silencioso. Manoel n�o acordou.

Dalila enxugou o rev�lver calmamente, pegou as balas no bolso da cal�a de Manoel, que dormia nu.

 

Apontou o rev�lver para ele. Fechou um olho e mirou. Sua pulsa��o elevou-se absurdamente. Segurou o rev�lver, apontado, por alguns tr�s minutos. Esperava que parasse de tremer. Quando parou, abaixou a arma, sentou-se a seu lado. Passou a m�o sobre suas costas.

-          Tadinho... t�o bonito. T�o novo. E t�o perdido...

 

Manoel tinha 24 anos, e o torso bem definido, trabalhador bra�al. Ao contr�rio de Alessandro, barriguinha proeminente, mas o amor n�o tem nada a ver com isto, concluiu Dalila.

Levando o rev�lver, ela entrou no banheiro, trancou a porta, despiu-se, ligou o chuveiro o mais quente, sentou-se no ch�o, deixou a �gua cair sobre seu cabelo, e come�ou a chorar, de solu�ar.

Tanta saudade de Alessandro, nesta hora! Saudade da sua cama, dos seus len��is, do cheiro da sua casa. Do cheiro de Alessandro, do seu sorriso, do seu carinho, como queria aquele carinho aquele momento!

�Seq�estrada, eu! A gente nunca pensa que esta merda vai acontecer com a gente. E se ele me matar? E se ele for preso? E depois que for solto voltar pra vingar? E se matarem ele?�

 

Mensagem no celular de Dalila, j� enrolada em uma toalha, rev�lver na m�o. �Quanto quer? Pago agora, vamos resolver logo, sem pol�cia.�

O agente:

                  -    Pode estar em um hotel, com seu dinheiro! Comendo caviar. Esses filhos-da-puta!

 

-          Manoel, Manoel! Acorda!

-          Qu�?

-          Vamos embora. Tou com um pressentimento ruim.

-          O que voc� t� fazendo com esse rev�lver na m�o? Me d� ele a�!

Dalila apontou para a cabe�a dele.

-          Cala a boca! Veste a roupa!

 

A Pol�cia j� tinha, agora, at� uma foto dele.

 

-          Olha pra l�, Manoel, vou colocar roupa!

Apontando o rev�lver para ele, tentou vestir-se com uma m�o apenas. A cal�a n�o subia.

-          Olha pra l�, filho da puta, ou eu estouro seus miolos!

Manoel ficou com medo. Resmungou:

-          �N�o fale palavr�es...�

-          O que foi que voc� disse?

-          Nada n�o.

            -         Merda, n�o tou dando conta de colocar essa cal�a. Me ajuda aqui. Olha pra l�, desgra�ado!

-          E vou te ajudar de que jeito?

-          Na gaveta tem um neg�cio de tampar os olhos, pra dormir. Pega a�.

           -          Eu sempre quis usar um neg�cio desse, quando via nos filmes. Mas n�o nessa situa��o, n�? Como � que chama isto?

                  -     Nightmaker. Vem c� agora.

Manoel foi, cego, esbarrou no bra�o de Dalila.

-          Desencosta! Ajoelha. Isso. Agora sobe minha cal�a.

-          Voc� j� colocou a calcinha?

-          J�.

Manoel sentiu gotas de �gua ca�rem do cabelo de Dalila direto em sua nuca. 

 

Os agentes da Seq�estros e Alessandro:

-          Esse cara est� hospedado aqui?

-          N�o.

-          E essa mulher?

-          Tamb�m n�o.

            -            S� tem mais um hotel aqui, o Estocolmo. Mas o Destino n�o pode ser ir�nico assim...

           Agente Gomes perguntou ao agente Rocha:

-          Como assim?

-          Nada n�o. Hist�ria, hist�rias...

 

Uma perna da cal�a estava at� o joelho. A outra perna de Dalila estava completamente despida. Sua pele, sob a luz do quarto, parecia � Manoel n�o podia ver, apenas sentiu a textura: �algod�o�.

-          O que voc� disse? � e encostou o rev�lver no topo de sua cabe�a.

-          Nada.

-          Sobe logo!

Manoel levantou o p� de Dalila, pensou em beij�-lo, mas apavorou-se com a id�ia de morrer desta maneira. Dalila enfiou a perna na cal�a, e levantou novamente o p�, para que ele continuasse. A cal�a j� estava toda at� os joelhos, e Manoel se aproximou. Seu rosto ficou mais pr�ximo do sexo de Dalila.

-          Voc� � a mulher mais bonita que eu j� vi.

-          Mas agora tu n�o t� vendo nada, manezinho.

-          Mas eu vejo com as m�os. Eu vejo com o nariz.

-          Descreve.

           -         Eu tou vendo voc� bem na minha frente, na minha cara. Eu tou vendo o seu perfume. Eu tou vendo a sua pele.

            -          Cala a boca! Sobe o resto.

Manoel come�ou a subir, com lentid�o, a cal�a at� o alto da coxa. Soltou a cal�a, e subiu a m�o, muito leve.

-          Voc� est� sem calcinha...

-          Eu sei...

-          Eu tamb�m j� sabia, pelo calor.

Duas batidinhas do rev�lver em sua cabe�a.

-          Vamos, meu bem, a gente tem que ir embora logo...

Manoel apertou com mais firmeza o quadril de Dalila. Chegou seu nariz pr�ximo a seus pelos, aspirou profundamente.

-          Eu te sinto...

-          Vamos...

-          Eu sinto o cheiro da �gua quente.

-          Tomei banho.

-          N�o � isso... Me deixa te beijar?

-          Nunca! Voc� � meu seq�estrador, e n�o meu... namorado.

Manoel retirou a venda e olhou para cima. Viu o rosto de Dalila entre seus seios, grandes, mamilos altivos.

            -   Vou te ensinar um neg�cio da bandidagem. Seq�estro � quando a gente pede dinheiro. Quando leva s� a pessoa � rapto. Pode me matar se quiser, j� estou em paz. J� estou no para�so mesmo. Foda-se tudo, agora.

Levantou-se devagar, a arma na testa, outra arma mirando Dalila, mais abaixo.

Dalila passou o rev�lver para a m�o dele.

            -          Tu � um bandidinho muito safado mesmo. Nem arma tem e quer raptar algu�m. Vambora.

-          Quer um baseado, antes? Eu tenho a�. Tou meio nervoso...

-          Quero. Tamb�m tou.

 

No carro. Manoel dirigia, e se deu conta que esquecera o rev�lver no hotel.

- Estressa, n�o, Manoel. Ainda temos muito dinheiro. A gente compra outro bem melhor.

-          Dalila, como se chama aquela parte lateral da bunda?

-          Quadril!

-          Quadril n�o � mais em cima?

-          �... n�o sei, n�o sei se aquela parte tem um nome espec�fico.

-          Deve ter.

                  -          Voc� quer saber o nome de tudo! Essas coisas s�o os mist�rios da vida, Manoel...

                         -          Certo...

                       -    Manoel, eu tava aqui pensando... ser� que levaram mesmo sua moto? Vai ver n�o tem pol�cia, l� agora... Adoro moto!

 

Agentes e Alessandro no hotel.

-          Acabaram de sair. Uns quinze minutos.

                       -         Mas ele tava armado, como foi? E minha esposa, tava bem, assustada? Ela n�o tentou te comunicar nada?

            -          Vem c�.

O gerente do hotel levou-os a uma sala, com algumas tev�s preto-e-branco. Apertou alguns bot�es, a imagem voltou, acelerada. Play.

Em close, quando acertavam a conta. Dalila sorria, retirou o dinheiro da bolsa, pagou. Manoel tinha uma garrafa de vinho, fechada, em uma m�o. Nada na outra. Em outra tevezinha, viram que sa�ram de m�os dadas.

Alessandro ficou uns cinco minutos sem dizer nada, o olhar distante.
            Os agentes, conversando com o gerente. Alessandro acordou e disse:

-          Ele mandou ela fingir.

O agente ficou alguns segundos olhando para Alessandro. Lembrou-se de como era raro achar algu�m honesto nos dias de hoje. Lembrou-se de sua esposa, que deveria estar em casa, tem que estar!, imaginou-se dando ele mesmo o murro no est�mago de Manoel, n�o, um murro n�o, murros, murros.

-          Murros...

-          Anh?

           -          Nada n�o. Voc� tem raz�o... Deve ser isso mesmo. N�s vamos pra delegacia, vou acionar todas as viaturas, vamos fechar as barreira, etic�tera. O senhor, pro favor, v� pra casa, n�o saia de l�, fique aguardando contato, ele vai ligar a qualquer momento.

            -         Certo!

O agente Rocha entrou na viatura, onde Gomes j� estava.

-          Ligo pro Comando?

-          N�o, n�o faz nada. Vamos tomar um caf�.

Rocha abaixou o banco, esfregou o rosto com as duas m�os um par de vezes.

           -   Toda noite nossa � ruim. Pros bacanas dormirem em paz. Mas de vez em quando a noite deles � bem pior. Bem pior...

 

 

(De 23 a 28 de agosto de 1973, em Estocolmo, capital da Su�cia, houve um assalto a um banco, onde algumas pessoas ficaram como ref�ns. A rela��o entre os bandidos e v�timas foi boa. Nos processos que depois se seguiram, os ref�ns mostraram-se pouco colaborativos com a Justi�a, inclusive recolhendo dinheiro para custear a defesa, e diz-se que duas das ref�ns acabaram por casar-se com os raptores. Desde ent�o, denomina-se �s�ndrome de Estocolmo� a situa��es semelhantes � vide o seq�estro da filha de S�lvio Santos.)  

 

(Obrigado � Maris, contribui��o involunt�ria, por parte do �ltimo di�logo entre Dalila e Manoel. � Mah, pelo t�tulo, involunt�rio (?) tamb�m, e por ter fornecido a maconha.)

Escrito por Fernando César, psiquiatra, 28 anos, Goiânia (GO). Leia mais em Dias Confusos.

TEXTOS ANTERIORES:

PALAVRAS NA SEXTA  - Raphael Fej�o

DEBRU�ADO NO BALC�O, COMO UMA FIGURA TRISTE DE VAN GOGH - Fernando C�sar


 
 
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