PALAVRAS NA SEXTA

 
Tr�s xis b�rgueres e um copo de Cuba. J� devia ter aprendido que algumas mulheres n�o discam, a n�o ser quando est�o precisando de algu�m que as ou�a de verdade, quando est�o cheias de ficar rodeadas de bonecos Ken � procura de uma Barbie para ro�arem a parte de baixo que eles n�o tem. Mas, � como diz o Cebolinha: as mulheres s�o todas iguais.........lindas e maravilhosas. N�o que eu seja um grande exemplo de homem, n�o, sou apenas um bebum que as vezes brinca de sentimental. Sempre as ou�o o m�ximo que posso, a n�o ser quando bebi demais e falo mais que uma gralha. E pra mim, sinceramente, as vezes me sinto melhor passando uma noite inteira com uma mulher conversando ou algo do tipo,do que apenas dando uma trepadinha e perdendo o interesse alguns segundos depois. Esse � o problema das trepadas, elas s�o incr�veis, mas podem estragar tudo depois. O cabelo da menina n�o parece ser mais t�o lindo depois de uma trepada, e seu olhar n�o � mais t�o cativante e voc� n�o sente mais um pingo de vontade de ouvir sobre os problemas amorosos e familiares delas, acho que � muito raro um cara que assim que esvaziou o saco curta ench�-lo logo em seguida.

Ficar sozinho � �timo. Mais bebida, mais livros, s� as m�sicas que voc� gosta. Mas sempre tem aquele dia. O dia que voc� acorda depr� e precisa mesmo de uma menininha. Algu�m do seu lado, mostrando lados seus que voc� nem imaginava que tinha, ou simplesmente ao seu lado enquanto voc� olha para o teto e inala devagar aquele perfume novo, algu�m que fala muito, sem mal te dar tempo de pensar, ou algu�m que dan�a s� de sainha na sua cama ao som de um bom e velho rock de drogado. Ficar sem essas coisas pode te pirar de verdade, s�o piores do que rotina de escola ou trabalho, voc� se sente um lixo, v� garotas lindas por toda a parte, nos �nibus, filas de loteria, supermercados. N�o h� bronha que cure a falta de mulher. Nessas horas a melhor coisa a se fazer � trancar os n�meros de telefones das ex em um lugar qualquer, trancar e jogar fora e se esfor�ar ao m�ximo para esquecer os que voc� decorou, porque geralmente depois do quinto ou sexto copo eles come�am a tilintar na sua cabe�a e seu copo olha pra voc� e diz:

Liga vai, voc�s s� v�o conversar.

Mas sempre que essas liga��es acontecem d� merda......sempre. O melhor a se fazer � ligar um som, sentar no ch�o e se concentrar nos cubos de gelo boiando na sua mistura cl�ssica. Geralmente uns cinco minutos depois as lembran�as ruins vem, os pais pentelhos, as manias e seus pontos de vista e rapidamente voc� desiste da id�ia, vira o copo e bota a m�sica que estava ouvindo para tocar de novo, nada como o velho controle bebum.

Comi duas Anas Marias, mas n�o como eu gostaria. Apenas abocanhei algumas vezes os dois bolinhos de morango que comprei no supermercado e continuei a ouvir o Marcelo Rubens Paiva falando, bem devagar, mas falando.

Olhei para o telefone, nem sei porque e depois para meu copo vazio, tudo bem meu amor, voc� � o �nico que eu encho e n�o vai embora mesmo.

No supermercado cruzei tr�s patricinhas. Lindas, todas montadas. Passaram por mim assim que peguei a �ltima garrafa de carta ouro da prateleira, deviam ter uns quinze ou um pouco mais pois uma delas fez quest�o de dizer bem alto para todo o supermercado ouvir:

N�o tem catuaba nessa jo�a.

Uma delas sorriu para mim enquanto elas me passavam. Parei, olhei para a falta de bunda das tr�s, pensei no sorriso e olhei para minha garrafa. O sorriso do pirata ganhou, para a fila "companh�ro".Foi a� que peguei o tal bolinho Ana Maria, para me consolar por alguns segundos, at� que funcionou. Chega at� ser um pouco engra�ada essa coisa, em uns minutos voc� precisa mesmo de uma mulher e no outro est� completamente de boa, vai entender.....

At� que o resto da noite n�o foi ruim, escrever, ouvir m�sica, beber.......se tiver algo melhor que isso n�o me contem.

 

Escrito por Raphael Fej�o, 19 anos, S�o Paulo (SP) - contato: [email protected]
 

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