ALMOÇO NÚ

William S. Burroughs

É o poeta mais louco dos beats que nos oferece esse almoço. Sua obra é um livro rouco que não traz lições nem modelos, apenas a perplexidade. não procuremos significados complexos nesse insólito repasto poético, tenhamos a humildade de nos assombrar diante de tanta fraqueza e de tanta fúria.

Nesse livro, não há poses estudadas, rodeios retóricos e filosofias preconcebidas. Há sim, a verdade nua e crua do fundo do poço, a loucura retratada em palavras, sem censuras de qualquer espécie, filtros ou anteparos. Os choques vêm diretos.

Para os que se atreverem a atravessar esse limiar cortante entre o permitido e o interdito é que Burroughs oferece esse Almoço Nu. Não se preocupe se ele é saboroso, nutritivo ou indigesto. Tal como as maçãs de Eva ou da Bela Adormecida, ele é só uma metáfora das armadilhas infinitas que nos reserva o desejo.

[Nicolau Sevcenko / Antonio Bastos]

UIVO

Allen Ginsberg

Lançado no outono de 1956, o longo e profético Uivo de Allen Ginsberg (1926-1997) foi considerado na época uma obra obscena e depois de um tumultuado julgamento, foi liberado pela Suprema Corte americana e vendeu milhões de exemplares. Desde então se tornou uma fonte indispensável para todos aqueles que pretendem penetrar nas estações do inferno e iluminações de Allen Ginsberg e seus companheiros hipsters, pelas estradas amplas e becos sórdidos da América. Junto com On the road de Jack Kerouac, é Uivo que marca o início do movimento beat. Subitamente transformado numa celebridade na América, Ginsberg prosseguiu produzindo num mesmo ritmo frenético até sua morte, em 1997. Este livro é um exemplo brilhante da escola criada por Kerouac, onde a poesia espontânea e o ritmo do jazz frenético do Be Bop de Charlie �BIRD� Parker, se transformavam em linhas de sentimento e fúria, fazendo com que Ginsberg fosse o poeta maior da geração beat.

 

O PRIMEIRO TERÇO

Neal Cassady

Neal Cassady (1926-1968) é o herói insano que inspirou Kerouac a criar On the Road. Sem dúvida o beat mais genuíno de todos os tempos, Cassady narra aqui o "Primeiro Terço" de sua vida: as desventuras de um garoto desamparado, criado entre vagabundos no árido Oeste americano, às voltas com reformatórios e pequenos furtos. Quanto aos dois terços restantes, Cassady morreu (de overdose, a beira dos trilhos de uma ferrovia no México) antes de poder redigi-los. Perdido durante muitos anos, esse manuscrito foi encontrado em gavetas esquecidas, em 1969, e publicado pela editora City Lights, do poeta Lawrence Ferlinghetti, em 1971. Quem leu On the Road e conhece a geração beat sabe o papel definitivo que Cassady ocupa no livro-chave e no movimento que se seguiu. Neste volume são publicadas também várias cartas e fragmentos escritos por Neal: neles estão narrados os primeiros encontros com Allen Ginsberg e Jack Kerouac, as prisões, os roubos de carro, os paraísos artificiais e até um pequeno e precioso ensaio "História da Geração Hip".

{resenha da Editora LP&M]

ON THE ROAD

Jack kerouac

Responsável por uma das maiores revoluções culturais do século XX, este livro continua mantendo intacta sua aura de transgressão, lirismo e loucura.

A obra-prima de Kerouac foi escrita fundindo ação, emoção, sonho, reflexão e sentimento, no sentido mais aventureiro possível. Nesta nova literatura, o autor procurou captar a sonoridade das ruas (o jazz de Charlie �BIRD� Parker), das planícies e das estradas americanas para criar um livro que transformaria milhares de cabeças, influenciando definitivamente todos os movimentos de vanguarda, do be bop ao rock, o pop, os hippies, o movimento punk e tudo o mais que sacudiu a arte e o comportamento da juventude na segunda metade do século XX.

Kerouac foi o rei da prosa espontânea, conseguindo captar toda emoção da estrada, neste livro que foi escrito em 3 semanas e formulário contínuo, de forma que não houvesse maneira, de desistir do que havia escrito, texto corrido ao som do Be Bop (ritmo de jazz acelerado e quebrado em múltip´los compassos), foi desta forma que ON THE ROAD foi concebido, nu e cru, como um verdadeiro relado do que realmente vinha da lembrança, do momento, ou dos insights maravilhosos do nosso sonhador das estradas.

Isso é ON THE ROAD, isso é geração beatnick, isso é poesia que faz curvas a 100km por hora, isso é liberdade de expressão e sentimentos.

[Antonio Bastos]
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