[Denúncia contra a Baviera] - Carta à Volkswagen do Brasil
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Aqui reproduzo a carta que enviei à Volkswagen do Brasil. As únicas modificações foram o número do chassis e meus dados de contato, retirados.


Salvador, 16 de dezembro de 2004

 

À Volkswagen do Brasil S/A,

Sempre acreditei que um carro deveria sair de um concessionário VW melhor do que quando entrou. Pela segunda vez me descubro enganado. Venho, através desta, relatar incidente ocorrido durante reparos em meu carro, prestados pelo concessionário Baviera, Salvador - BA.

Meu nome é Leonardo Caldas, proprietário do um Golf GTI 2003, chassis ????????????, que tem como único acessório os bancos revestidos em couro. Tendo sido proprietário de outros dois veículos da Volkswagem, demonstrando a minha confiança e admiração por esta marca em todos seus aspectos, um deles, assistência técnica.

No dia 12 de outrubo de 2004, outro veículo colidiu na lateral esquerda do meu carro, danificando as portas do lado esquerdo e deixando uma mossa no pára-lamas traseiro. No dia 04 de dezembro de 2004 dei entrada na Baviera para ser feita a vistoria do referido veículo pela Liberty Paulista, seguradora da parte causadora do acidente. Em seguida, foram iniciados os reparos.

O processo todo demorou bastante. Passaram-se trinta dias desde a vistoria até a primeira entrega do veículo, primeira, porque ele ainda retornou à oficina outras vezes, para limpeza e repintura.

Desde a entrada do veículo, acompanhei o andamento dos trabalhos sempre que possível, visitando a oficina quase que diariamente. Pude ver todo o acabamento, regulador da janela, vidro, borrachas e fiação da porta traseira esquerda empilhados na mala do carro, o que me deixou apreensivo, pois peças de metal amontoadas entre plásticos sempre causam danos, que de fato vieram a ocorrer na película da janela e no puxador.

Vi o interior do carro completamente coberto de pó, resultado de um lixamento sem o devido isolamento do interior, sendo que eu já havia advertido quanto a este assunto antes. Também vi quando o veículo passou seis dias aguardando na linha de pintura, com partes das portas, já sem a zincagem, lixada no processo de recuparação, expostas e com manchas de oxidação, com a justificativa de que aguardavam um novo primer de melhor qualidade.

Quando a pintura ficou pronta, fui avisado de que ainda faltava um polimento e uma limpeza do interior, que, como exposto, estava em estado lastimável.

No dia 02 de dezembro, feriado, a concessionária funcionou normalmente, e me garantiram que o carro estaria pronto, o que não ocorreu. Encontrei o carro com uma parte da borda da porta traseira esquerda completamente lixada, mostrando a chaparia, pois haviam descoberto um defeito na pintura, que teria de ser retocada. Aguardei pacientemente, pois me prometeram o carro ainda para aquele início de tarde. O retoque ficou pronto, mas a cor simplesmente não batia. Aceitei retirar o carro pois me foi dito que a tinta distoa do tom real enquanto úmida, e que com a luz do sol a mesma curaria e o retoque ficaria perfeito. Não foi o que ocorreu. Já no dia seguinte o carro voltaria à oficina para ter a porta traseira esquerda repintada

Ainda na quarta-feira, descobri que o interior do carro estava completamente pulverizado de tinta. As seguintes peças ficaram pintadas: saída de ar esquerda, com interruptores, volante, airbag do motorista, alavancas de seta e limpador do pára-brisa, tampas da coluna de direção, tampa entre coluna e painel, painel de instrumentos, instrumento combinado, revestimento dos bancos, parte do acabamento da porta traseira e retrovisor. Ë inaceitável, no mínimo, que se dê preferência por serviços com qualidade garantida por uma marca de renome e peso, com preços mais caros exatamente por estas garantias e conveniências, e o resultado é pior que o de muitas oficinas de beira de estrada, sem nome e sem garantia e, principalmente, sem o nome volkswagem.

Naquela que foi a segunda entrada na oficina, além da repintura seria feita uma tentativa de lavar as partes pulverizadas, usando uma solução de solvente, além de uma nova limpeza do interior, que ainda tinha pó. Quando deram o serviço por concluído, analisei o carro com cuidado. Listar os problemas é mais rápido:

  1. Pintura com duas tonalidades diferentes;
  2. Verniz com defeitos de aplicação nas bordas das portas e ao retor do retrovisor dianteiro, devido à tentativa de aplicá-lo sem retirar o retrovisor;
  3. Na descida do pára-lama traseiro para a soleira, onde deveria existir um prolongamento da nova pintura pode-se claramente ver uma linha divisória. À esquerda está o prata original, e à direita um prata mais escuro, sem o mesmo brilho;
  4. Na borda da porta traseira esquerda, ao lado da porta dianteira, um desgaste da chapa não foi preenchido com estanho ou outro material;
  5. A película protetora do vidro traseiro esquerdo está danificada, mas o concessionário já ofereceu reembolso do conserto;
  6. Painel da saída de ar esquerda e botões estão queimados de solvente, apresentando tom esbranquiçado e arranhões;
  7. Botão do desembaçador traseiro apresenta arranhões;
  8. Maçaneta interna traseira esquerda com arranhão;
  9. Porta traseira esquerda com arranhões internos, sem tinta, ao redor da borracha de vedação do vidro;
  10. Borracha de vedação externa da porta traseira esquerda rasgada no local de alguns pinos, impossibilitando uma fixação como original. Alguns pinos estão folgados devido à reutilização;
  11. Várias partes do interior pulverizadas de pintura, algumas esbranquiçadas e manchadas, devido ao uso de solvente;

Diante da possibilidade de surgirem novos problemas, causados por um conserto tão extenso, ofereci a possibilidade de trocar de carro, pagando a diferença entre a tabela da seguradora e o valor de um novo pelo regime de frotista, que foi negada. Pela oferta do concessionário eu teria de pagar o dobro do que ofereci. Concluí que seria um grande prejuízo para eu pagar um valor razoável para resolver um problema criado por terceiros, que ao meu ver não estão querendo assumir os custos e preferem me fazer esperar enquanto tentam encontrar uma maneira para remover a pintura do interior do carro. Estou preocupado, pois vejo o tempo passar, e com os aumentos na virada do ano minha proposta se tornará inviável para todas as partes.

O carro está na Baviera para nova tentativa de limpeza do interior. Já estou irresignado com a demora, pois estão buscando uma solução barata, quando desconfio que esta não exista. Não gosto de deixar o carro parado em oficina, pois podem acontecer problemas, como já aconteceu. Meu carro agora tem uma escoriação na borda do teto, que apareceu justamente nessa última entrada na oficina. Afora o principal que é o conforto e a necessidade que representa a utilização do meu veículo.

Não imagino solução fácil. Um carro que se encontrava impecável, agora precisa de uma completa repintura da lateral, polimento ou retoque no teto e de um trabalho extenso no seu interior. Considerando o valor das peças pintadas, e que é praticamente impossível limpar a pintura de peças de plástico, borracha ou couro texturizadas, não tenho idéia de qual é solução para o caso. Só tenho certeza de que não posso aceitar qualquer prejuízo para mim e tenho, ainda, confiança que esta renomada marca possa agir da melhor forma, aliás como diversas vezes vemos em suas publicidades, quero, sinceramente, acreditar naquilo que veiculam. Certamente, um cliente insatisfeito é prejudicial a imagem da empresa.

Apesar de todo o ocorrido, em momento algum o concessionário se furtou a tentar solucionar o problema à sua maneira e ao cordial tratamento.

Aguardo propostas para a melhor e mais rápida solução dos problemas aqui apresentados, já são muitos os prejuízos para ambas as partes e não mais devemos agrava-los. Espero não me decepcionar com a VW e poder continuar confiando nela como fornecedora dos carros de trabalho da empresa, e não só dos para uso particular, como o meu.

 

Grato pela atenção, sem mais,
Leonardo Caldas

 

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