|
VOLTO MEU
PENSAMENTO AO CRIADOR A
AÇÃO HUMANA
Redenção da Serra, 5 de setembro
de 1989, 17:00 horas.
A tarde está linda e a cidade continua
iluminada pelos raios do Sol que parecem rastejar pelos picos das montanhas,
refletindo em pequenas e grandes nuvens colocadas em pontos diferentes pelos
habilidosos braços do vento, transformando o natural e lindo branco na cor do
ouro, transformando o céu com as mais ricas decorações e fazendo disto mais um
presente que nos é dado quase diariamente e que muitos de nós não sabe apreciar
e muito menos receber.
Nesse momento, olhando para esse
magnífico espetáculo doado pela natureza, corro meu olhar para todo o infinito e
paro contemplando o
Sol.
As nuvens em forma de cortinas, nas
suas variadas camadas, me permitem ver o astro que alimenta o corpo do homem.
Fixando meu olhar no seu núcleo, sinto ser estimulada a minha imaginação e
também a necessidade de fazer algumas comparações: considero a luz elétrica.
Sabendo que para gerar energia para acender as lâmpadas são necessários
geradores e que estes são movimentados por turbinas e que essas, por sua vez,
são acionadas pelas águas de gigantescas barragens ou acionadas por energia
nuclear, ou por motores movidos com derivados de petróleo e outros sistemas
secundários, enfim, todos esses recursos são naturais.
O Sol, gerador de energia e vida para
toda a Terra, construído pelo Criador do Universo, que, com tempo incalculável
de existência aqueceu as primeiras vidas animais e vegetais e continua até hoje
fazendo verdadeiros milagres; milagres que vejo mais fantásticos que a
ressurreição de um corpo morto há vários dias ou um mar se abrindo para que
milhares de pessoas caminhassem por essa abertura, de pés enxutos (Ex 14:15) e
mais fantástico até mesmo que um rio se transformar em sangue (Ex 7:13), e chuva
de granizo em fogo no Egito (Ex 9:13). São FANTÁSTICOS os milagres do dia-a-dia.
É manhã! Sentado em um banco
improvisado, com uma prancha de peróba rústica, à sombra de uma belíssima
árvore, plantada por mim e minha esposa, olho para baixo do
quintal, que se faz em declive, e vejo um conjunto de árvores e flores, entre
elas a belíssima flor amarela do Ipê, que com sua altura se alinha frente aos
meus olhos e com as nuvens brancas espalhadas pelo carinhoso sopro dos ventos.
Pouco abaixo as abelhas trabalham em
beijos as aveludadas flores das três pequenas jabuticabeiras, enquanto o pequeno
beija-flor, com suas mágicas habilidades, tenta mostrar, gratuitamente, com a
luz do mais lindo verde, transmitida pelas pequenas penas que cobrem seu
minúsculo corpo, uma grande força capaz de enriquecer o espírito do homem no
sentido de conhecer ou reconhecer o poder da criação.
Nessa sequência, vejo um grande lago
artificial, uma represa hidrelétrica.
Ao lado direito, as águas azuis formam
um ponto muito bonito, onde suas margens são ocupadas por vários seveiros,
construídos pelos próprios pescadores que, atraídos pelos peixes e pela beleza
do lugar, encontram a tranquilidade e a paz.
Ao lado esquerdo vejo a matriz e as
casas antigas, as primeiras a serem construídas, as que restaram da velha
Redenção.
|