RELIGIÕES
Fonte usada: Almanaque
Abril - (CD ROM) - 2003.
Anglicanos
no Brasil
Ateísmo
Batistas
no Brasil
Budismo
Candomblé
Catolicismo
Catolicismo
no Brasil
Confucionismo
Cristãos
independente no mundo
Cristãos
independente no Brasil

Anglicanos no Brasil
A Igreja Anglicana, de origem inglesa, mistura em seu culto
e sua prática elementos católicos e
protestantes. Apostam na salvação pela fé.
Ela chega ao Rio de Janeiro em 1818. A vinda de
missionários norte-americanos de denominação
episcopal (nome da igreja nos Estados Unidos)
impulsiona a fundação, em 1890, em Porto Alegre
(RS), da Igreja Anglicana Episcopal do Brasil,
que une as denominações de origem inglesa e
norte-americana. Porto Alegre, Pelotas e Rio
Grande tornam-se os centros do anglicanismo no país.
Em São Paulo, ganha espaço entre os
imigrantes japoneses. Segundo estimativas da própria
igreja, em 2001 havia 106,4 mil adeptos
espalhados pelo país. 
Ateísmo
Postura filosófica baseada na negação
da existência de qualquer deus. Dispensa a idéia
de uma
justificativa divina para a vida. Surge na Europa, na Antiguidade,
mas permanece subjugado
durante toda a Idade Média, período em que prevalecem
as idéias da Igreja. Nas Idades Moderna
e Contemporânea, o ateísmo volta a ganhar força,
embalado pelas realizações da ciência.
Na idade Moderna, durante o Renascimento, a idéia da
negação de qualquer divindade e a recusa
de explicações fundamentadas no sobrenatural
aliam-se ao espírito racionalista que prega
a
autonomia da razão e à exaltação
da ciência e do corpo, que florescem com o apoio da
burguesia emergente.
Torna-se uma das bases do Iluminismo e, na Idade Contemporânea,
influencia correntes
filosóficas e movimentos político-sociais, como
o liberalismo, a democracia, o anarquismo e o
socialismo. Consolida-se, então, a separação
entre Estado e Igreja, e a política passa a
prevalecer sobre a religião na organização
social. 
Batistas no Brasil
Postura filosófica baseada na negação
da existência de qualquer deus. Dispensa a idéia
de uma
justificativa divina para a vida. Surge na Europa, na Antiguidade,
mas permanece subjugado
durante toda a Idade Média, período em que prevalecem
as idéias da Igreja. Nas Idades Moderna
e Contemporânea, o ateísmo volta a ganhar força,
embalado pelas realizações da ciência.
Na idade Moderna, durante o Renascimento, a idéia da
negação de qualquer divindade e a recusa
de explicações fundamentadas no sobrenatural
aliam-se ao espírito racionalista que prega
a
autonomia da razão e à exaltação
da ciência e do corpo, que florescem com o apoio da
burguesia emergente.
Torna-se uma das bases do Iluminismo e, na Idade Contemporânea,
influencia correntes
filosóficas e movimentos político-sociais, como
o liberalismo, a democracia, o anarquismo e o
socialismo. Consolida-se, então, a separação
entre Estado e Igreja, e a política passa a
prevalecer sobre a religião na organização
social. 
Budismo
Princípios,
O nascimento do Buda, Budismo Theravada, Budismo Mahayana
Sistema ético, religioso e filosófico criado
na região da Índia pelo príncipe hindu
Sidarta Gautama
(563? - 483 a.C.?), o Buda, por volta do século VI
a.C. Buda é venerado como um guia espiritual
e não um deus. Essa distinção é
importante, pois permite a seus seguidores conviver com outras
religiões e continuar seguindo os preceitos budistas.
A origem do budismo está no hinduísmo,
religião na qual Buda é considerado a nona encarnação
ou avatar de Vishnu. O budismo tem sua
expansão freada na Índia a partir do século
VII, após a invasão muçulmana e o crescimento
do
islamismo. Mas expande-se intensamente por toda a Ásia.
Ramifica-se em várias escolas,
ganhando novos matizes e rituais quando é adotado por
diversas culturas.
Princípios
Os ensinamentos do Buda têm como base o preceito hinduísta
do samsara,
segundo o qual o ser humano está condenado a reencarnar
infinitamente após cada morte e a
enfrentar os sofrimentos do mundo. Os atos praticados em cada
reencarnação definem a
condição de cada pessoa na vida futura, preceito
conhecido como carma. Buda ensina a superar
o sofrimento e atingir o nirvana, evolução e
aprimoramento total do espírito que aniquila os fatores
humanos e permite ao homem encerrar a corrente de reencarnações.
Sua doutrina é baseada em quatro verdades. As três
primeiras são relacionadas entre si: a
existência implica sofrimento, a origem do sofrimento
é o desejo e a ignorância, e a superação
do
sofrimento só é possível com o fim do
desejo e da ignorância. A quarta verdade prega que a
remoção do sofrimento pode ser alcançada
por oito caminhos: compreensão correta, pensamento
correto, palavra, ação, modo de vida, esforço,
atenção e meditação corretos.
Dos oito caminhos,
a meditação é considerada chave para
atingir o nirvana.
Buda também define cinco preceitos morais, chamados
Panca Sila, essenciais para reger a vida
atual e melhorar o carma da vida futura. O primeiro deles
é não magoar os seres vivos, pois todos
são reencarnações do espírito.
Em razão desse preceito, muitos budistas se tornam
pacifistas e
adotam dieta vegetariana. Os demais são: não
roubar, evitar má conduta sexual, evitar
declarações indignas como mentir, caluniar
ou difamar , evitar drogas e álcool.
O nascimento do Buda
O príncipe Sidarta nasce em uma família nobre
do Nepal e é criado
em confinamento no palácio. Aos 29 anos, fica chocado
ao descobrir as doenças, a velhice e a
morte. Parte, então, em busca de uma explicação
para o sofrimento humano. Junta-se a um
grupo de ascetas, jejua e medita durante seis anos. Sem encontrar
as respostas que procura,
separa-se do grupo. Um dia, sentado sob uma figueira, tem
a revelação das quatro verdades.
Passa a ser chamado de Buda (Iluminado, em sânscrito)
pelos seguidores e decide pregar sua
doutrina pela Índia. Seus ensinamentos ganham adeptos,
atingem toda a Ásia e incorporam
novos matizes e rituais em diversas culturas, dentro das duas
grandes escolas de filosofia
budista, a Theravada e a Mahayana.
Budismo Theravada
É a forma mais antiga dessa religião, praticada
principalmente nos
países do sul da Ásia, como Sri Lanka, Mianmar,
Camboja, Laos e Tailândia. Os seguidores
dessa corrente acreditam na busca do nirvana dentro de uma
ordem monástica e rejeitam o
conceito de bodhisattva do Budismo Mahayana.
Budismo Mahayana (em sânscrito,
Grande Veículo) Surge no século
II a.C como uma
evolução da escola Theravada. O Mahayana considera
que, embora a aspiração final do ser
humano seja o nirvana, o sábio que já o alcançou,
chamado de bodhisattva (ou candidato a
alcançar o mesmo nível de Buda), pode e deve
adiar sua morte e libertação do samsara, para
dedicar-se a ensinar aos outros o caminho do nirvana, por
compaixão aos demais seres
humanos. Fazem parte dessa corrente duas das escolas budistas
mais conhecidas no Ocidente,
o budismo tibetano que muitos consideram na verdade
uma terceira corrente e o
zen-budismo. O budismo tibetano surge no fim do século
VIII, da fusão das tradições budista
e
hinduísta com a primitiva religião do Tibet.
Seu chefe espiritual, o dalai-lama, é considerado um
bodhisattva. O zen-budismo nasce na China, no século
VI, e difunde-se, sobretudo, no Japão, a
partir do final século XII. Baseia-se na prática
da meditação e nos exercícios de postura
e
respiração. Acredita que o corpo é dotado
de uma sabedoria própria que deve nortear a vida
cotidiana. 
Candomblé
Cultos e festas, Pais e mães-de-santo,
Ritos, EUÁ, EXU, IANSÃ, IEMANJÁ, IROCO,
LOGUNEDÉ, NANÃ, OBÁ, OGUM, OMOLU, OSSAIM,
OXALÁ, OXÓSSI, OXUM, OXUMARÊ,
XANGÔ, TABELAS ASSOCIADAS
Religião afro-brasileira que cultua os orixás,
deuses das nações africanas de língua
ioruba
dotados de sentimentos humanos, como ciúme e vaidade.
O candomblé chegou ao Brasil, entre
os séculos XVI e XIX, com o tráfico de escravos
negros da África Ocidental. Sofreu grande
repressão dos colonizadores portugueses, que o consideravam
feitiçaria. Para sobreviver às
perseguições, os adeptos passaram a associar
os orixás aos santos católicos, em um processo
chamado de sincretismo religioso. Por exemplo, Iemanjá
é associada a Nossa Senhora da
Conceição; Iansã a Santa Bárbara.
Segundo o IBGE, apenas 0,4% da população (cerca
de 650 mil pessoas) declarava, em 1991,
seguir cultos afro-brasileiros. Mas a Federação
Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira
(Fenatrab) estima que esse número deva ser muito superior,
pois parte dos freqüentadores dos
cerca de 20 mil terreiros do país ainda prefere declarar-se
católica, em razão do histórico de
discriminações.
Cultos e festas
As cerimônias ocorrem em templos chamados terreiros,
sua preparação é
fechada e muitas vezes envolve o sacrifício de animais.
As celebrações, invocações e cantos
são
feitos em dialeto africano ao som de atabaques (tambores),
que variam conforme o orixá
homenageado. No Brasil, a religião cultua cerca de
16 dos mais de 200 orixás da África
Ocidental.
Uma das festas mais conhecidas do candomblé brasileiro
é a de Iemanjá, orixá feminino
considerado a rainha dos mares e oceanos. A comemoração
acontece no dia 2 de fevereiro, na
Bahia, e na noite de 31 de dezembro, no Rio de Janeiro. Os
devotos levam oferendas ao mar, e,
segundo a tradição, Iemanjá surge envolta
em espuma para recebê-las.
A Lavagem do Bonfim, em Salvador (BA), é um dos exemplos
da fusão religiosa do catolicismo
com o candomblé. O Senhor do Bonfim, homenageado no
dia 11 de janeiro, é identificado como
Oxalá. Os fiéis percorrem, em cortejo, um trajeto
que começa no largo da Conceição e termina
na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. No local é realizada
a lavagem simbólica das escadarias
da igreja, com água perfumada e flores.
Pais e mães-de-santo
Os pais-de-santo (babalorixás) e mães-de-santo
(ialorixás) são os
chefes do terreiro por indicação direta de um
orixá. A escolha geralmente acontece nos cultos e,
durante a revelação do santo, o aprendiz é
tomado por tremores e sobressaltos. A segunda etapa
dura quase um mês: internado no terreiro, o aprendiz
tem a cabeça raspada, é banhado com
sangue sacrificial de animais e, finalmente, promovido a filho
ou filha-de-santo (iaô), sacerdote de
um orixá. Concluída essa fase, o filho ou filha-de-santo
ainda passa por uma preparação, que
demora vários anos, até chegar a pai ou mãe-de-santo.
Nos terreiros, além de chefiar os rituais,
os babalorixás e as ialorixás recebem os fiéis
em sessões individuais para revelar o orixá
de cada
um, tradicionalmente pelo jogo de búzios. A identificação
do orixá, ou santo no sincretismo,
ajuda o fiel a entender a própria personalidade. Para
o fiel, cultuar o Candomblé significa equilibrar
suas energias (axés) com as energias de seu orixá.
Ritos Cada orixá
tem uma rica história de narrativas míticas.
Elas definem seu temperamento e
seus gostos, suas cores, comidas, suas cantigas, rezas e tabus,
ambientes e ligação com a
natureza, situações associadas a ele e um grito
pessoal, saudação que é usada para invocá-lo.
Conheça os principais orixás cultuados no Brasil.
EUÁ
Atuação: Deusa do arco-íris
Personalidade: valente e autoconfiante
Cores: vermelho e amarelo
No sincretismo: Nossa Senhora das Neves
EXU
Atuação: Mensageiro entre os homens e os deuses
Personalidade: atrevido, agressivo, caráter duvidoso
Cores: vermelho e preto
No sincretismo: diabo
IANSÃ
Atuação: Deusa dos ventos e das tempestades
Personalidade: impulsiva e imprevisível
Cores: vermelho e branco
No sincretismo: Santa Bárbara
IEMANJÁ
Atuação: Rainha do mar
Personalidade: maternal e tranqüila
Cores: azul, branco e verde-claro
No sincretismo: Nossa Senhora da Conceição
IROCO
Atuação: Deus dos pobres
Personalidade: severo e mal-humorado
Cores: branco
No sincretismo: São Miguel Arcanjo
LOGUNEDÉ
Atuação: Deus dos navegantes
Personalidade: ambíguo e vaidoso
Cores: azul e amarelo
No sincretismo: São Expedito
NANÃ
Atuação: Deusa da fertilidade
Personalidade: vingativa e mascarada
Cores: branco e azul
No sincretismo: Santana
OBÁ
Atuação: Deusa dos rios
Personalidade: ciumenta e lutadora
Cores: vermelho e amarelo
No sincretismo: Santa Joana D'Arc
OGUM
Atuação: Deus da guerra
Personalidade: impaciente e obstinado
Cores: azul-escuro e verde-escuro
No sincretismo: São Jorge e Santo Antônio
OMOLU
Atuação: Deus das doenças e cura
Personalidade: tímido e vingativo
Cores: vermelho e preto
No sincretismo: São Lázaro e São Roque
OSSAIM
Atuação: Deus das folhas e das ervas medicinais
Personalidade: instável e emotivo
Cores: branco e verde-claro
No sincretismo: Santo Onofre
OXALÁ
Atuação: Deus da criação
Personalidade: equilibrado e tolerante
Cores: branco
No sincretismo: Jesus
OXÓSSI
Atuação: Deus da caça
Personalidade: intuitivo e emotivo
Cores: verde-claro e azul-turquesa e branco
No sincretismo: São Jorge e Santo Antônio
OXUM
Atuação: Deusa das águas doces e da riqueza
Personalidade: maternal e vaidosa
Cores: amarelo-ouro
No sincretismo: Nossa Senhora das Candeias ou Aparecida
OXUMARÊ
Atuação: Deus do arco-íris
Personalidade: sensível e tranqüilo
Cores: azul-claro e verde-claro
No sincretismo: São Bartolomeu
XANGÔ
Atuação: Deus do fogo, trovão e justiça
Personalidade: atrevido e prepotente
Cores: branco e vermelho
No sincretismo: São Jerônimo e São Jorge

Catolicismo
Sacramentos, Festas religiosas,
História e Organização, Os papas, Movimentos
teológicos
recentes, Teologia da Libertação
O maior ramo do cristianismo e o mais antigo como igreja organizada.
O termo católico deriva do
grego katholikos, universal. Exprime a idéia de uma
igreja que pode levar o evangelho a qualquer
pessoa, em qualquer lugar do mundo. Tem uma rígida
hierarquia, centrada na autoridade do papa,
que é eleito pelo colegiado superior da Igreja e o
representa. A sede da Igreja fica no Vaticano,
um pequeno Estado independente no centro de Roma, Itália.
Um dos pontos históricos de sua
doutrina é a canonização dos cristãos
que a Igreja acredita terem sido mártires ou realizado
atos
milagrosos, reconhecendo-os santos. Os fiéis católicos
veneram os santos como intermediários
entre os homens e Deus. Maria, mãe de Jesus Cristo,
é considerada a maior intermediária entre
os fiéis e seu filho. Segundo a doutrina da Imaculada
Conceição, a mãe de Jesus teria nascido
sem pecado e concebido seu filho virgem. E teria ascendido
aos céus viva. A veneração aos
santos e os dogmas relativos a Maria são dois dos principais
pontos que distinguem os católicos
dos cristãos protestantes.
Sacramentos A missa
é o principal ato litúrgico católico
e seu ponto culminante é a
Eucaristia, um dos sete sacramentos da Igreja, momento em
que os fiéis ingerem uma hóstia de
trigo, embebida ou não em vinho, os quais, de acordo
com a liturgia, estão transubstanciados no
próprio corpo e no sangue de Jesus Cristo. Os demais
sacramentos são o batismo (ingresso na
fé e na comunidade da Igreja com a unção
do Espírito Santo, habitualmente no recém-nascido),
crisma (confirmação do batismo e da fé),
penitência ou confissão, casamento, ordenação
e
unção dos enfermos. As missas são rezadas
em latim até a década de 60, quando o Concílio
Vaticano II autoriza o uso da língua de cada país.
Festas religiosas
Além de Natal, Páscoa e Pentecostes - principais
festas cristãs (ver
Cristianismo) , existem outras comemorações
de grande importância para os católicos. No
Corpus Christi, dez dias após o Pentecostes, os fiéis
celebram a presença de Jesus Cristo na
eucaristia. Em muitos lugares, procissões de fiéis
percorrem ruas decoradas com mosaicos
coloridos, retratando temas religiosos. O Dia de Reis, 6 de
janeiro, lembra a visita dos três reis
magos (Gaspar, Melchior e Baltasar) ao menino Jesus recém-nascido
em Belém, quando o
presenteiam com ouro, incenso e mirra, substâncias que
representam sua realeza, sua divindade
e sua humanidade.
A comemoração do Dia de Nossa Senhora de Aparecida,
a santa padroeira do Brasil, é restrita
ao país. Em 12 de outubro, feriado nacional, milhares
de fiéis se dirigem à Basílica de Nossa
Senhora de Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), para homenageá-la.
História e Organização
A história do catolicismo está associada
à expansão do Império
Romano e ao surgimento dos novos reinos em que este se divide.
A partir do século XVI, sua
difusão se acentua com as grandes navegações,
a chegada dos europeus à Ásia e a colonização
da América. Sua administração está
estruturada em regiões geográficas autônomas
chamadas
dioceses, dirigidas por bispos subordinados ao papa. No decorrer
de sua história milenar surgem
inúmeras ordens religiosas, como a dos Beneditinos
e a dos Franciscanos, que possuem
mosteiros e conventos, e buscam desenvolver seus carismas,
ou seja, os ideais específicos que
as animam. O casamento de sacerdotes é proibido desde
a Idade Média na maioria absoluta das
ordens, salvo em algumas igrejas orientais unidas a Roma,
como a maronita. As mulheres são
admitidas no trabalho missionário, em mosteiros, mas
não no sacerdócio.
Os papas Desde
a Idade Média os papas são eleitos por um colégio
especial de cardeais.
Com o decreto de Gregório X, no início do século
XIII, o conclave torna-se uma votação secreta
para evitar a interferência de pressões externas.
Atualmente existem cerca de 150 cardeais no
mundo, dos quais aproximadamente 120 têm direito a votar.
A escolha do novo papa começa
com uma missa solene na Basílica de São Pedro.
Depois, os cardeais se dirigem à Capela
Sistina, onde é realizada a eleição,
que pode durar vários dias. Durante esse processo,
eles
ficam incomunicáveis e são proibidos de deixar
o local da votação.
O primeiro pontífice foi o apóstolo Pedro, no
século I. Desde então, a Igreja Católica
já teve 264
papas, entre eles João XXIII, um dos mais populares
de todos os tempos. Seu papado, de 1958 a
1963, inaugura nova era na história do catolicismo,
marcada por profunda reforma religiosa e
política. João XXIII convoca o Concílio
Vaticano II, responsável por mudanças que permitem
maior
integração da Igreja Católica com o mundo
contemporâneo. Ele busca, também, amenizar a
hostilidade no interior do cristianismo, promovendo o diálogo
entre suas principais vertentes
(catolicismo, protestantismo e Igreja Ortodoxa). No plano
político, enfatiza a necessidade de o
papa intervir como conciliador em questões internacionais.
No poder desde 1978, o papa atual, o polonês Karol Wojtyla
(1920-), adota o nome de João Paulo
II. Ele é o primeiro não-italiano a ser eleito
para o cargo em 456 anos. Seu papado procura
promover o crescimento do catolicismo, ameaçado pela
crescente secularização e pela
expansão do protestantismo, salientando a identidade
católica. Ele enfatiza o conteúdo
moralizante da doutrina, defendendo o celibato clerical e
condenando aos fiéis práticas como o
divórcio, o uso de métodos artificiais de contracepção
e o aborto. Também incentiva o lado
místico, expresso pelo apoio à corrente Renovação
Carismática, entre outras. Sob sua liderança,
a Igreja Católica admite, pela primeira vez, ter cometido
erros durante a Inquisição.
Movimentos teológicos recentes
Renovação Carismática
Católica Surge nos Estados
Unidos, em meados da década de 60, com o objetivo de
reafirmar a presença do Espírito Santo
no catolicismo. Preserva as doutrinas básicas e enfatiza
a crença no poder do Espírito Santo,
que, segundo os carismáticos, realiza milagres, como
a cura de fiéis.
Teologia da Libertação
Surgido na década de 60, principalmente na América
Latina, o
movimento tem um histórico conflituoso com o Vaticano
por associar o cristianismo a questões
políticas e sociais. Defende a luta por justiça
social como um compromisso cristão, admitindo o
emprego das teorias marxistas na análise da injustiça
das sociedades do terceiro mundo, o que
leva a um conflito com setores conservadores da Igreja. O
teólogo brasileiro e ex-frade
franciscano Leonardo Boff é um dos formuladores do
movimento. Em 1984, é condenado pelo
Vaticano ao silêncio por um ano, sendo proibido de se
manifestar publicamente como punição
pelas idéias contidas no livro Igreja, Carisma e Poder.
Em 1992, ao ser sentenciado a novo
período de silêncio, Leonardo Boff renuncia ao
sacerdócio.
Catolicismo no Brasil
Estrutura da organização,
Comunidades Eclesiais de Base, Renovação Carismática
Católica
(RCC)
Para a Igreja Católica, todos aqueles que receberam
o sacramento do batismo são católicos.
Reverenciam a Virgem Maria, considerada a mais importante
intermediária entre os fiéis e seu
filho, Jesus Cristo, e os santos, mediadores entre o homem
e Deus. A missa é o principal ato
litúrgico católico e seu ponto culminante é
a Eucaristia. A maioria dos católicos, porém,
é de
não-praticantes. A pouca adesão às missas
de domingo, principalmente nas grandes cidades, é
um reflexo desse comportamento. Há, ainda, grandes
divergências entre as orientações da Igreja
e o pensamento dos fiéis. Segundo a pesquisa "Desafio
do catolicismo na cidade", do Centro de
Estatística Religiosa e Investigações
Sociais (Ceris), em seis cidades brasileiras (Rio de Janeiro,
São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte e
Recife), 73,2% dos católicos são favoráveis
aos métodos contraceptivos, 59,4% ao divórcio,
62,7% ao segundo casamento e 43,6% ao sexo
antes do casamento, todos proibidos oficialmente pela Igreja.
Todavia, 84,3% dos fiéis confiam na
instituição e 81,5% confiam no papa. Dos 124,9
milhões de adeptos em 2002, 18% participam de
grupos formados por leigos (não-religiosos), como o
movimento da Renovação Carismática e
as
Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).
Estrutura da organização
A Igreja Católica experimenta rápida
ascensão em número de
administrações eclesiásticas durante
a primeira metade do século XX. As dioceses, que em
1900
eram 19, passam a ser 114 em 1940. Apesar de menos acelerado,
o crescimento continua no fim
do século XX. Em 1980, as dioceses eram 162, em 2000,
passam para 268. Em 2002, de acordo
com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
a Igreja Católica, no país, conta com
seis cardeais, 61 arcebispos (42 na ativa e 19 eméritos),
197 bispos e mais 71 membros, entre
abades, coadjutores e bispos auxiliares. Há, ainda,
17 mil padres e 35 mil freiras. Em todo o
Brasil, a Igreja organiza-se em 270 dioceses e 8,9 mil paróquias.
No dia 19 de maio de 2002, o
papa João Paulo II canoniza madre Paulina do Coração
Agonizante de Jesus, a primeira santa
brasileira. Nascida na Itália, madre Paulina veio para
o Brasil com 10 anos de idade, em 1875.
Morreu em 1942, em São Paulo. O Vaticano reconhece
dois dos inúmeros milagres atribuídos à
madre.
Comunidades Eclesiais de Base
Grupos formados por leigos que se multiplicam pelo
país
após a década de 1960, sob a influência
da Teologia da Libertação. Curiosamente, as
CEBs
foram idealizadas pelo cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro
dom Eugênio Sales, integrante da
corrente católica mais conservadora. Com o decorrer
do tempo, as CEBs vinculam o
compromisso cristão à luta por justiça
social e participam ativamente da vida política do
país,
associadas a movimentos de reivindicação social
e a partidos políticos de esquerda. Um dos
principais teóricos do movimento é o ex-frade
brasileiro Leonardo Boff. Apesar de entrarem em
declínio nos anos 1990, continuam mantendo milhares
de núcleos em todo o país. Em 2000, de
acordo com pesquisa do Instituto Superior de Estudos da Religião
(Iser), havia cerca de 70 mil
núcleos de Comunidades Eclesiais de Base no Brasil.
Renovação Carismática
Católica (RCC) De origem norte-americana,
o movimento
carismático chega ao Brasil em 1968, pelas mãos
do padre jesuíta Haroldo Rahn. Esse
movimento retoma valores e conceitos esquecidos pelo racionalismo
social da Teologia da
Libertação. Os fiéis resgatam práticas
como a reza do terço, a devoção a Maria
e as canções
carregadas de emoção e louvor. A RCC valoriza
a ação do Espírito Santo, um dos elementos
da
Santíssima Trindade, o que aproxima o movimento, de
certo modo, dos protestantes
pentecostais e dos neopentecostais. Os carismáticos
têm mais força no interior e entre a classe
média. Em 2000, segundo estudo do Instituto Superior
de Estudos das Religiões (Iser), a RCC
somava 8 milhões de simpatizantes, representados em
95% das dioceses, na forma de grupos
de oração. Desse total, 2 milhões são
jovens entre 15 e 29 anos, atraídos pela proposta
renovadora e alegre, embalada pelas canções
de padres-cantores, como Marcelo Rossi, religioso
paulistano que se torna fenômeno de mídia em
1998 com o lançamento do CD Músicas para
Louvar o Senhor.
A Igreja Católica no Brasil
A influência do catolicismo no Brasil é forte
desde a chegada dos portugueses. No período
colonial, ordens e congregações religiosas assumem
os serviços nas paróquias e nas
dioceses, a educação nos colégios e a
catequização indígena. Até meados
do século XVIII, o
Estado controla a atividade eclesiástica na colônia,
responsabiliza-se pelo sustento da Igreja
Católica e impede a entrada de outros cultos no Brasil,
em troca de reconhecimento e
obediência. Em 1750, o agravamento dos conflitos entre
colonos e padres por causa das
tentativas de escravização dos índios
leva à expulsão dos jesuítas pelo marquês
de Pombal
nove anos depois. No entanto, só em 1890, após
a proclamação da República, ocorre a
separação entre a Igreja e o Estado e fica garantida
a liberdade religiosa. A partir da década de
1930, o projeto desenvolvimentista e nacionalista de Getúlio
Vargas incentiva a Igreja a valorizar
a identidade cultural brasileira, o que resulta na expansão
de sua base social para as classes
médias e as camadas populares. A instituição
apóia a ditadura do Estado Novo, em 1937, a fim
de barrar a ascensão da esquerda. Em 1952 cria-se a
Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), a primeira agremiação episcopal
desse tipo no mundo, idealizada por dom
Hélder Câmara, para coordenar a ação
da Igreja. No fim dos anos 1950, a preocupação
com as
questões sociais fortalece movimentos de caráter
fortemente político, como a Juventude
Universitária Católica (JUC). Desse movimento
sai, em 1962, a organização socialista Ação
Popular (AP).
Crise da Igreja contra o Estado
Durante a década de 1960, a Igreja Católica,
influenciada
pela Teologia da Libertação, movimento formado
por religiosos e leigos que interpreta o
Evangelho sob o prisma das questões sociais, atua em
setores populares, principalmente por
meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). A instalação
do regime militar de 1964
inaugura a fase de conflitos entre a Igreja e o Estado. O
auge da crise se dá em 1968, com a
implantação do Ato Institucional Nº- 5
(AI-5), quando grande número de católicos se
alia aos
grupos oposicionistas, de esquerda, para lutar contra a repressão
e os abusos que violam a
ordem jurídica e os direitos humanos. A ação
é intensa nos anos 1970.
Romanização
A partir dos anos 1980, com o papa João Paulo
II, começa na Igreja o
processo da romanização. O Vaticano controla
a atividade e o currículo de seminários e diminui
o poder de algumas dioceses, como a de São Paulo
comandada na época pelo
cardeal-arcebispo dom Paulo Evaristo Arns, afinado com os
propósitos da Teologia da
Libertação, que a Santa Sé pretende refrear.
Após o engajamento da Igreja na luta pela
redemocratização, nos anos 1970 e 1980, os movimentos
mais ligados à Teologia da
Libertação cedem espaço, a partir da
década de 1980, à proposta conservadora da Renovação
Carismática. 
Confucionismo
Doutrina, História, Os cinco livros, Rituais e tradições
Filosofia, ideologia política, social e religiosa do
pensador chinês Confúcio (551-479 a.C.), grafia
latina do nome Koung Fou Tseu (ou mestre Kung). O princípio
básico do confucionismo é
conhecido pelos chineses como junchaio (ensinamentos dos sábios)
e define a busca de um
caminho superior (tao) como forma de viver bem e em equilíbrio
entre as vontades da terra e as do
céu. Confúcio é mais um filósofo
do que um pregador religioso. Suas idéias sobre como
as
pessoas devem comportar-se e conduzir sua espiritualidade
se fundem aos cultos religiosos mais
antigos da China, que incluem centenas de imortais, considerados
deuses, criando um
sincretismo religioso. O confucionismo foi a doutrina oficial
na China durante quase 2 mil anos,
do século II até o início do século
XX. Fora da China, a maioria dos confucionistas está
na Ásia,
principalmente no Japão, na Coréia do Sul e
em Cingapura.
Doutrina No confucionismo não existe um deus
criador do mundo, nem uma igreja organizada
ou sacerdotes. O alicerce místico de sua doutrina é
a busca do tao, conceito herdado de
pensadores religiosos anteriores a Confúcio. O tao
é a fonte de toda a vida, a harmonia do
mundo. No confucionismo, a base da felicidade dos seres humanos
é a família e uma sociedade
harmônica. A família e a sociedade devem ser
regidas pelos mesmos princípios: os governantes
precisam ter amor e autoridade como os pais; os súditos
devem cultivar a reverência, a
humildade e a obediência de filhos.
Confúcio ensina que o ser humano deve cultuar seus
antepassados mortos, de forma a perpetuar
o mesmo respeito e amor que tem por seus pais vivos. De acordo
com a doutrina, o ser humano
é composto de quatro dimensões: o eu, a comunidade,
a natureza e o céu fonte da
auto-realização definitiva. As cinco virtudes
essenciais do ser humano são amar o próximo,
ser
justo, comportar-se adequadamente, conscientizar-se da vontade
do céu, cultivar a sabedoria e a
sinceridade desinteressadas. Somente aquele que respeita o
próximo é capaz de desempenhar
seus deveres sociais. O único sacrilégio é
desobedecer à regra da piedade.
O confucionismo prega uma reforma moral e constitui uma "educação
total". Para Confúcio, é por
meio da educação que o indivíduo se transforma
e se eleva. O confucionismo diferencia-se do
taoísmo, fundamentalmente, por prever a aplicação
da doutrina na sociedade.
História Confúcio nasce em meados do
século VI a.C., em uma família pobre da província
de
Chan-tung. A China encontra-se dividida em estados feudais
que lutam pelo poder, e sua família é
forçada a se mudar repetidas vezes. Ao regressar à
sua terra natal, reúne o primeiro grupo de
discípulos. Suas doutrinas influenciam todas as esferas
da vida chinesa e são a base da
educação desde a unificação da
China, no século II, até a proclamação
da República pelo
Kuomintang, no século XX. Suas idéias são
continuadas por outros pensadores, como Mêncio
Mengtzú (371-289 a.C.) e Hsun-tzu (300-230 a.C.). As
primeiras críticas ao confucionismo
surgem com a República: a doutrina é considerada
conservadora e associada às estruturas
feudais. A perseguição aos confucionistas acirra-se
após a ascensão dos comunistas ao poder,
em 1949, e sobretudo durante a Grande Revolução
Cultural Proletária (1966-1976).
Os cinco livros Os ensinamentos do confucionismo estão
reunidos em cinco livros, chamados
Wu Ching ou Os Cinco Clássicos, que incluem textos
atribuídos a Confúcio e a outros autores de
períodos anteriores. As obras são o Shu Ching
(Clássico de Política); Shih Ching (Clássico
de
Poesia); Li Ching (Livro dos Ritos, visão social);
Chun-Chiu (Anais das Primaveras e Outonos,
visão histórica) e o I Ching (Livro das Mutações,
que aborda os aspectos metafísicos da vida).
Dos Cinco Clássicos, o I Ching é o mais conhecido
no Ocidente. Ele afirma que o universo é
regido por duas forças ou qualidades, complementares
e opostas, o yin (feminino) e o yang
(masculino), que interagem em constante mudança. O
homem nobre deve saber equilibrá-las, e,
para isso, o livro traz um oráculo baseado em 64 hexagramas
conjunto de seis linhas que
podem ser contínuas (yang) ou interrompidas (yin) ,
cada uma com um texto decifrativo. Na
forma de consulta mais habitual, três moedas são
jogadas seis vezes seguidas e as
combinações de cara e coroa indicam as linhas
do hexagrama. O confucionismo inclui ainda
outras obras importantes, entre os quais o livro de pensamentos
diversos Lun Yu, conhecido no
Ocidente como Analectos.
Rituais e tradições Os confucionistas
prestam culto a seus antepassados pela veneração
e
pelas oferendas, que podem ser feitas em altares domésticos
ou nos templos. Os rituais mais
importantes são os da vida familiar, com destaque para
o casamento, por criar uma nova família,
e para os funerais. Um dos aspectos do confucionismo que têm
conseguido adeptos no Ocidente
é o Feng Shui, conjunto de definições
sobre como construir e ocupar casas ou edifícios, da
escolha do terreno à disposição dos cômodos,
suas funções e objetos, de forma a garantir
que a
energia vital da terra, chamada Chi, possa fluir e garantir
saúde, harmonia, paz, prosperidade e
felicidade a seus ocupantes. 
Cristãos independente
no mundo
Características
Vertente do cristianismo formada por grupos autônomos
que extrapolam as tradições
pentecostais clássicas. Abrange o vasto mundo neopentecostal
e carismático, este último
também presente no interior das correntes cristãs
históricas. Por registrar um crescimento
vertiginoso no século XX, o cristianismo independente
é visto por muitos estudiosos como uma
nova revolução no cristianismo, depois da Reforma
de Lutero (século XVI).
As igrejas possuem organização e vida própria,
sem vínculos institucionais com qualquer
autoridade central. Algumas estão restritas a uma comunidade
local e as lideranças se impõem
de forma espontânea, em geral pelo carisma. Outras integram
uma rede de alcance nacional e
até internacional. Nessas igrejas, a estrutura é
mais rígida e as autoridades precisam ascender
na hierarquia.
O princípio de autonomia remonta às igrejas
da Reforma, que construíram ao longo da história
as
próprias tradições (teológicas,
litúrgicas e de organização), dentro
das quais as diversas
fundações se alocaram. As igrejas do cristianismo
independente radicalizam a tendência.
Características - As igrejas têm origem no movimento
pentecostal e, por isso, incorporam
concepções e práticas típicas
dessa vertente, com destaque para a vivência íntima
dos fiéis com
o Espírito Santo e o forte tom emotivo dos cultos.
Outras características são exclusivas do
neopentecostalismo. Uma delas é a presença marcante
na mídia, que cria uma relação
individualizada dos adeptos com a propaganda da fé
e confere um ar light à igreja. Também há
uma acentuação dos ritos de exorcismo e cura,
quase sempre o marco da conversão do fiel a
uma determinada igreja. A expulsão do demônio
é a garantia de uma vida bem-sucedida e feliz.
Por fim, o eixo que articula todas essas práticas é
a Teologia da Prosperidade. Desenvolvida nos
Estados Unidos, na década de 1970, assegura que o sucesso
e a felicidade devem ser
alcançados nesta vida por meio da fé. Esta se
confirma pelas doações de bens e dinheiro à
igreja.

Cristãos independente
no Brasil
Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Renascer em Cristo,
Você sabia que
As igrejas dessa corrente pregam a Teologia da Prosperidade,
pela qual o cristão está destinado
à prosperidade terrena, e rejeitam os tradicionais
usos e costumes pentecostais. Também são
mais liberais em questões morais. As principais igrejas
são as neopentecostais, que se instalam
no país na segunda metade da década de 70.
Fundadas por brasileiros, a Universal do Reino de Deus (Rio
de Janeiro, 1977), a Internacional da
Graça de Deus (Rio de Janeiro, 1980), a Comunidade
Evangélica Sara Nossa Terra (Goiás, 1976)
e a Renascer em Cristo (São Paulo, 1986) estão
entre as principais. Encabeçado pela Igreja
Universal, o neopentecostalismo constitui a vertente cristã
que mais cresce.
Atualmente, segundo o sociólogo Ricardo Mariano, autor
do livro Neopentecostais, Sociologia do
Novo Pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), o neopentecostalimo
expande-se
principalmente entre os mais pobres e os menos escolarizados
da população. No Brasil, o
crescimento vertiginoso dos cristãos independentes
está associado ao uso intensivo da mídia
eletrônica e ao método empresarial de funcionamento.
Por causa de sua grande ascensão em todo o mundo no
século XX, o fenômeno já é considerado
por alguns como "a maior revolução do cristianismo
depois de Lutero".
Igreja Universal do Reino de Deus Fundada pelo bispo
Edir Macedo em 1977, é a principal
igreja neopentecostal brasileira e a que mais cresce no país.
Após as reuniões, caracterizadas
por muito canto, os obreiros ouvem as queixas dos fiéis.
Em 1995, segundo a World Christian
Encyclopedia, são 4 milhões de adeptos no Brasil.
Quatro anos antes, o Censo de 1991 regista
um número bem inferior: 268 mil membros.
Igreja Renascer em Cristo Fundada em 1986 pelo casal
Estevam e Sonia Hernandes,
começou numa pizzaria na Zona Sul de São Paulo
e hoje tem mais de 200 templos, inclusive no
exterior. Foi a responsável pela moda da música
gospel no país. Tem milhares de jovens entre
seus adeptos e é a igreja neopentecostal que mais agrega
pessoas da classe média, cerca de
20%, entre seus membros.
Você sabia que em 2000, segundo a World Christian Encyclopedia,
existem cerca de 2 mil
templos da Igreja Universal do Reino de Deus no Brasil
o maior fica em São Paulo e abriga 25
mil pessoas.
Cristianismo
A doutrina, A história do Messias, O livro sagrado,
Expansão, Festas religiosas
Religião dos seguidores de Jesus Cristo, iniciada a
partir de suas pregações e as de seus
apóstolos em meados do século I, na região
do atual Estado de Israel e dos Territórios
Palestinos. Tem origem no judaísmo e é atualmente
a religião mais difundida no mundo, sendo o
credo predominante na Europa e nas Américas. Divide-se
em três ramos principais: catolicismo
(o mais antigo, datado do século IV), Igreja Ortodoxa
(de tradição oriental, que surge no século
XI
ao se separar da tradição romana) e protestantismo
(movimento do século XVI que dá origem a
muitas denominações, incluindo a Igreja Anglicana
e o cristianismo independente.
A doutrina A fé cristã professa que o
Deus criador, revelado a Abraão, a Moisés e
aos profetas
judeus, envia à Terra seu filho como Messias (Cristo,
em grego), o salvador. Jesus é morto em
favor dos homens, que perderam a graça de Deus e se
distanciaram dele no início da criação
do
mundo. Após sua morte, ele ressuscita e oferece a dádiva
da salvação e da vida eterna após a
morte, a seu lado, no Céu, aos que se reaproximam de
Deus, acreditam nele e seguem seus
preceitos. Sua principal mensagem é da primazia do
amor a Deus e aos demais seres humanos
sobre todas as coisas e postulados. Para os cristãos,
Deus é uma trindade, formada pelo Pai,
por seu filho, Jesus Cristo, e pelo Espírito Santo.
A história do Messias Segundo a tradição
cristã, Jesus de Nazaré nasce em Belém,
na
Judéia, em uma família comum, no período
em que a Palestina estava incorporada ao Império
Romano. Ele é o Messias, anunciado no decorrer de mil
anos ao povo judeu, que vem ao mundo
para salvar os homens e anunciar a instauração
do reinado de Deus. Aos 30 anos, ele inicia sua
pregação, anunciando o amor e o perdão
de Deus a todos os homens. Durante suas
peregrinações ele realiza milagres, reúne
discípulos e apóstolos. Considerado blasfemo
pelos
sacerdotes judeus, é preso, submetido a processo, condenado
e entregue às autoridades
romanas para ser crucificado. Ressuscita três dias depois,
aparece a seus discípulos e os
encarrega de levar seus ensinamentos a todos os pontos do
mundo. Para isso, eles são ungidos
pelo Espírito Santo.
O livro sagrado Os cristãos seguem a Bíblia,
que se divide em duas partes, o Antigo e o Novo
Testamento, num total de 73 livros, para os católicos,
e 66, para os protestantes. O Antigo
Testamento, chamado de Torá ou Torah pelos judeus,
narra a criação do mundo, a história,
leis e
tradições judaicas, a vida dos profetas que
anunciaram a vontade de Deus e a vinda do Messias.
São particularmente importantes os primeiros cinco
livros, chamados de Pentateuco, que incluem
os Dez Mandamentos ditados por Deus a Moisés e que
são a base ética e moral de todo o
cristianismo. O Novo Testamento contém os textos posteriores
à morte de Cristo, entre eles os
quatro Evangelhos (Marcos, Mateus, Lucas e João), que
são as principais fontes sobre a vida de
Jesus. Os outros textos são os Atos dos Apóstolos,
as Epístolas e o Apocalipse, todos de
autoria dos apóstolos.
Expansão O cristianismo organiza-se primeiro
em Jerusalém, como um movimento dentro do
judaísmo. Em vida, Jesus tem poucos seguidores. Após
sua morte, seus apóstolos (enviados,
em grego) peregrinam e espalham seus ensinamentos nas regiões
do Mediterrâneo, fundando
várias comunidades. Desde o início, o cristianismo
se organiza como Igreja (do grego ekklesía,
reunião), sob a autoridade dos apóstolos e seus
sucessores.
Os cristãos são perseguidos durante o Império
Romano até 313 d.C, quando o imperador
Constantino lhes concede liberdade de culto. Em 392, o cristianismo
se torna a religião oficial do
império, e missionários são enviados
a várias partes da Europa para fundar igrejas, ocupando
todo o continente.
No final da Idade Média, a expansão marítima
européia leva o cristianismo à América
e à Ásia. A
partir do século XIX, missionários chegam também
à África e ao leste da Ásia, completando
a
difusão da religião no mundo.
Festas religiosas As principais são o Natal
celebração do nascimento de Jesus Cristo,
comemorado em 25 de dezembro pela maioria das igrejas; a Páscoa,
que celebra a ressurreição
de Cristo no domingo da primeira lua cheia do outono (hemisfério
sul) e o Pentecostes, 50 dias
após a Páscoa, data em que é recordada
a descida e a unção do Espírito Santo
aos apóstolos.
O calendário da Igreja Católica, a mais antiga
entre as cristãs, inclui ainda outras celebrações.
Cristianismo - Neopentecostalismo
As igrejas dessa corrente pregam a Teologia da Prosperidade,
pela qual o cristão está destinado
à prosperidade terrena. As igrejas neopentecostais
também enfatizam as manifestações e as
atuações do Espírito Santo, mas são
menos rígidas que as pentecostais tradicionais em relação
ao comportamento pessoal e social dos fiéis. De origem
norte-americana, as igrejas
neopentecostais instalam-se no país na segunda metade
da década de 1970.
Fundadas por brasileiros, a Comunidade Evangélica Sara
Nossa Terra (Goiás, 1976), a Universal
do Reino de Deus (Rio de Janeiro, 1977), a Internacional da
Graça de Deus (Rio de Janeiro, 1980)
e a Renascer em Cristo (São Paulo, 1986) estão
entre as principais. Encabeçado pela Igreja
Universal, o neopentecostalismo, ao lado dos pentecostais,
é a vertente cristã que mais cresce .
Atualmente, de acordo com o sociólogo Ricardo Mariano,
autor do livro Neopentecostais,
Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil, o neopentecostalimo
expande-se principalmente
entre os mais pobres e os menos escolarizados da população.
No Brasil, o crescimento
vertiginoso dos cristãos independentes está
associado ao uso intensivo da mídia eletrônica
e ao
método empresarial de funcionamento. Por causa de sua
grande ascensão em todo o mundo no
século XX, o fenômeno já é considerado
por alguns "a maior revolução do cristianismo
depois de
Lutero".
Neopentecostais são maioria entre evangélicos
Embora o movimento evangélico cresça mais aceleradamente
entre as pessoas de menor poder
aquisitivo, atinge todas as classes. As igrejas neopentecostais
e pentecostais têm o maior
número de adeptos 67,6%, dos 26,1 milhões
de evangélicos do país.
Enquanto há uma proporção significativa
de católicos nas áreas rurais, as maiores
concentrações de evangélicos estão
nas áreas urbanas. As regiões empobrecidas das
grandes
cidades são grandes pontos de atuação
das igrejas pentecostais. De acordo com pesquisa do
Centro de Estatística Religiosa e Investigações
Sociais (Ceris), o número de católicos do país
que optaram por religião se aproxima de 20%. Quando
são analisadas apenas as regiões
metropolitanas, esse número chega a 30%. Além
de maior liberdade de escolha, outras razões
para o crescimento dessas vertentes protestantes são
a maior participação nos rituais da
instituição e a maior integração
entre a fé e a vida cotidiana dos devotos. Pesquisa
do Instituto
Superior de Estudos das Religiões (Iser) mostra que
80% dos evangélicos dizem participar de
cerimônias e obras sociais com regularidade uma
porcentagem quatro vezes maior que a dos
católicos.
Outra característica é a mistura com as igrejas
protestantes históricas, que acabam dando
origem a novos ramos e denominações pentecostais.
As maiores concentrações de
evangélicos estão no norte e centro-oeste do
país. Roraima tem o maior ritmo de crescimento,
14,8% ao ano. Segundo pesquisa do Ceris, o aumento dos evangélicos
nessas regiões pode
estar relacionado com a menor proporção de religiosos
católicos (padres e freiras).
Igreja Universal do Reino de Deus Fundada por Edir
Macedo, em 1977, é a principal igreja
neopentecostal brasileira e a que mais cresce no país.
Após as reuniões, caracterizadas por
muito canto, os pastores (obreiros) ouvem as queixas dos fiéis.
Segundo estudo do Sepal, havia
cerca de 2 milhões de fiéis em 2001. A igreja
aponta, para o mesmo período, cerca de 5 a 7
milhões de adeptos.
Igreja Renascer em Cristo Fundada em 1986, pelo casal
Estevam e Sônia Hernandes,
começou numa pizzaria na Zona Sul de São Paulo
e hoje tem mais de 400 templos, inclusive no
exterior. Foi responsável pela projeção
da música gospel no país. Tem milhares de jovens
entre
seus adeptos e é a igreja neopentecostal que mais reúne
pessoas da classe média, cerca de
20%, entre seus membros. Segundo estudo do Sepal, havia 270
mil adeptos no Brasil em 2001.
No mesmo ano, as estimativas da própria igreja apontam
cerca de 2 milhões de fiéis.
Cristianismo - Pentecostalismo
As correntes pentecostais, Congregação Cristã
no Brasil, Assembléia de Deus, Evangelho
Quadrangular, Deus É Amor
Herdeiro do protestantismo, distingue-se dele em alguns pontos.
Os principais são a convicção
dos poderes de cura do Espírito Santo, o dom de falar
línguas estranhas (glossolalia)
manifestação iniciada com os apóstolos
no dia de Pentecostes. O movimento nasce nos
Estados Unidos, em 1906, e chega ao país em 1910, com
a fundação da Congregação Cristã
no
Brasil na cidade de São Paulo. Atualmente, existem
centenas de igrejas e as principais, além da
Congregação Cristã no Brasil, são:
Assembléia de Deus (Pará, 1911), Evangelho Quadrangular
(São Paulo, 1953), Brasil para Cristo (São Paulo,
1955) e Deus É Amor (São Paulo, 1962).
As correntes pentecostais O movimento pentecostal pode
ser dividido em duas correntes. A
primeira, chamada pentecostalismo clássico, abrange
o período de 1910 a 1950 e vai de sua
implantação no país, com a fundação
da Congregação Cristã no Brasil e da
Assembléia de Deus,
a sua difusão pelo território nacional. Desde
o início, ambas as igrejas caracterizam-se pelo
anticatolicismo e pela ênfase na crença no Espírito
Santo.
A segunda corrente, denominada pentecostalismo autônomo,
começa a surgir na década de
1950, quando chegam a São Paulo dois missionários
norte-americanos da International Church of
the Foursquare Gospel. Na capital paulista, eles criam a Cruzada
Nacional de Evangelização e,
centrados na cura divina, iniciam a evangelização
das massas, principalmente pelo rádio,
contribuindo bastante para a expansão do pentecostalismo
no Brasil. Em seguida, fundam a
Igreja do Evangelho Quadrangular. Surgem, em seguida, O Brasil
para Cristo, Deus É Amor,
Casa da Bênção e outras menores.
Congregação Cristã no Brasil Primeira
igreja pentecostal instituída no Brasil. Surge em 1910,
por iniciativa do italiano Luigi Francescon, de origem presbiteriana,
que vem dos Estados Unidos
para ensinar imigrantes na América Latina. Começa
a pregar em Santo Antônio da Platina (PR) e
na capital paulista. Nos primeiros 20 anos, a igreja restringe-se
aos imigrantes italianos e a seus
descendentes. Está concentrada no Sudeste, principalmente
em São Paulo. Durante os cultos
nos templos, homens e mulheres sentam-se em lados separados.
Segundo estudo do Sepal, o
número de adeptos da Congregação Cristã
em 2001 é de 2,2 milhões de fiéis, no
entanto, a
instituição aponta 3 milhões de fiéis
no mesmo ano.
Assembléia de Deus É a maior igreja evangélica
da América Latina e a segunda a surgir no
Brasil. É fundada em Belém (PA), em 1911. No
início dos anos 1920, cria-se a Assembléia de
Deus do Rio de Janeiro, que passa a ser sede do grupo. Atualmente,
a igreja tem presença em
todo o território nacional e continua crescendo. Segundo
estimativas do Sepal, ela tinha cerca de
4,5 milhões de fiéis, em 2001. A instituição
aponta cerca de 20 milhões de adeptos.
Evangelho Quadrangular Fundada em 1953 na capital de
São Paulo, pelos missionários
norte-americanos Harold Williams e Raymond Boatright. Um ano
antes eles haviam conduzido a
Cruzada Nacional de Evangelização e pregado
em todo o país. Sua presença é mais forte
nas
regiões Sul e Sudeste, principalmente no estado de
São Paulo. Enfatiza o dom da cura e a
capacidade de falar idiomas desconhecidos (glossolalia). Estudo
do Sepal aponta cerca de 1
milhão de adeptos em 2001. Já as estimativas
da igreja são de 2,4 milhões de fiéis
no mesmo
ano.
Deus É Amor Criada por David Miranda, em 1962,
mantém sede na cidade de São Paulo. Em
1991 conta com 169 mil fiéis. Predomina nos estados
do Sul e do Sudeste, principalmente em
São Paulo e no Paraná. É bastante rígida
quanto aos costumes morais e ressalta os cultos
exorcistas. Segundo estudo do Sepal, eram 750 mil adeptos
em 2001. A igreja aponta cerca de
20 milhões de fiéis para o mesmo período.
Cristianismo de Fronteira
no Brasil
Mórmons, Adventistas, Testemunhas de Jeová
Grupos que estão na intersecção entre
o cristianismo e alguma outra doutrina. Usam o Velho
Testamento como referência, mas também se valem
de outras fontes de revelação para
estabelecer a verdade. As principais igrejas dessa corrente
no Brasil são Mórmons, Adventistas e
testemunhas de Jeová.
Mórmons Os primeiros missionários mórmons
vindos dos Estados Unidos chegam ao país em
1928 e se instalam oficialmente em 1935, com a fundação
da Igreja de Jesus Cristo dos Santos
dos Últimos Dias. Seu crescimento ocorre principalmente
na década de 1980. Depois disso se
estabiliza. Segundo dados da própria igreja, ela tinha
600 mil membros no país em 2000.
Adventistas A doutrina da Igreja Adventista está
centralizada em Jesus, considerado o
salvador. A grande esperança de seus fiéis é
o "advento de Cristo", ou seja, seu retorno à
Terra.
Os primeiros adeptos da igreja surgem em 1879, em Santa Catarina.
A Igreja Adventista do
Sétimo Dia, a maior desse ramo no país, é
organizada em Gaspar Alto (SC), em 1896. Entre os
outros ramos que se desenvolvem no Brasil estão a Igreja
Adventista da Promessa e a Igreja
Adventista da Reforma. Os adventistas mantêm extensa
rede hospitalar e estão em todos os
estados brasileiros. Segundo a igreja e as estimativas do
Sepal, havia 1,1 milhão de adeptos no
país em 2001.
Testemunhas de Jeová É introduzida no
Rio de Janeiro, em 1923, por um grupo de
marinheiros norte-americanos. Sua sede nacional se localiza
em Cesário Lange, em São Paulo.
Em 1999, segundo estimativas da própria igreja, havia
750 mil adeptos.
Cristianismo de Fronteira
no mundo
Igreja Adventista, Igreja Mórmon, Testemunhas de Jeová
Grupos que estão na intersecção entre
o cristianismo e alguma outra
doutrina. Usam parte da
Bíblia como referência mas também se valem
de outras fontes de
revelação/verdade, que,
eventualmente, podem contradizer a doutrina cristã.
Embora tenham
origem em ramos cristãos
(em sua maioria protestantes), esses grupos afastam-se dos
dogmas.
Acreditam que a própria
doutrina foi revelada por uma ação divina especial.
As principais
igrejas são a Adventista, a
Mórmon e a das Testemunhas de Jeová.
Igreja Adventista - Doutrina criada nos Estados Unidos (EUA)
por
William Miller (1782-1849),
que anunciava a volta de Cristo à Terra em 1844. Divide-se
em vários
ramos, como Cristãos
Adventistas União da Vida e Advento e Adventistas do
Sétimo Dia, que
consideram o sábado dia
sagrado. Os adventistas acreditam que a volta de Cristo está
próxima e
que os mortos dormem
até a ressurreição.
Igreja Mórmon - Também chamada de Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos
Últimos Dias, é
fundada em 1830 pelo norte-americano Joseph Smith (1805-1844).
Mórmon é
o nome do livro que
o fundador teria recebido das mãos de um mensageiro
de Deus.
Testemunhas de Jeová - Igreja formada em 1875 pelo
norte-americano
Charles Russel
(1852-1916), por um ramo da Igreja Adventista. Os fiéis
rejeitam as
noções de imortalidade da
alma e de inferno. Acreditam que religião e governo
são criações do
diabo. Defendem a moral
rígida e recusam-se a prestar o serviço militar.
Seus locais de
encontro se chamam salões do
reino.
Espiritismo
Doutrina baseada na crença de que o espírito
(alma) permanece vivo,
independente do corpo.
Este, por sua vez, é o veículo para que o espírito
possa retornar à
Terra em sucessivas
encarnações, até atingir a perfeição.
A doutrina também se fundamenta
na crença de que os
espíritos se comunicam, sejam eles encarnados (em um
corpo) ou
desencarnados. Sua corrente
principal corrente é o kardecismo, formulado, em 1857,
no Livro dos
Espíritos pelo professor e
pesquisador francês Allan Kardec (1804-1869), pseudônimo
de Hippolyte
Léon Denisard Rivail.
O espiritismo considera o homem o único responsável
por sua felicidade,
pois tudo depende de
seus atos. Prega o amor ao próximo como meio de chegar
à maturidade
espiritual (perfeição).
Afirma que as reencarnações permitem a evolução
gradativa do espírito
para se redimir de erros
passados e que todas as faltas podem ser reparadas. Como o
corpo é
apenas um instrumento
para a volta à Terra, quando atinge a perfeição
o espírito não precisa
mais reencarnar.
Os espíritos podem se comunicar com a vida terrena
por meio dos
médiuns, pessoas dotadas de
sensibilidade para perceber o mundo espiritual por meio de
seus
sentidos. A comunicação pode
acontecer pela capacidade de vê-los ou ouví-los,
e também pela
psicografia (o médium escreve
como se o próprio espírito escrevesse) ou pela
incorporação (o espírito
se utiliza do corpo do
médium para falar aos vivos). Muitos espíritos
recorrem aos médiuns
para contar aos vivos como
estão, fazer revelações e dar conselhos.Os
espíritos superiores
promovem o bem e os inferiores
dão más orientações. Os praticantes
do espiritismo reúnem-se em
centros, que não possuem
altares. O espiritismo não tem dogmas nem rituais,
nem deve ser
confundido com outras religiões
ou crenças espiritualistas.
Espiritismo no Brasil
Chico Xavier
Seus adeptos acreditam no retorno do espírito à
Terra em sucessivas
encarnações até atingir a
perfeição e na possibilidade de comunicação
entre vivos e mortos por
meio de um iniciado, o
médium. O espiritismo considera o homem o único
responsável por sua
felicidade, pois tudo
depende de seus atos. Prega o amor ao próximo como
meio de chegar à
maturidade espiritual
(perfeição). A doutrina chega ao Brasil em meados
do século XIX, nos
estados do Rio de Janeiro,
do Ceará, de Pernambuco e da Bahia. Ganha impulso com
a formação de
grupos de estudo das
obras do professor francês Allan Kardec, fundador da
corrente espírita
conhecida como
kardecismo. Como na época os textos espíritas
ainda não estavam
traduzidos para o português,
os praticantes da nova religião pertenciam a classes
sociais mais
instruídas. Em 1884 é fundada
a Federação Espírita Brasileira.
Chico Xavier Em 30 de junho de 2002 morre de parada
cardíaca, aos 92
anos, Francisco
Cândido Xavier. Líder espírita, Chico
Xavier era considerado o maior
médium do país. Seus 418
livros psicografados estão publicados em diversas línguas.
De acordo com os dados preliminares do Censo de 2000, o espiritismo
tem
2,3 milhões de
adeptos no país, o que corresponde a 1,4% da população.
Segundo a
Federação Espírita
Brasileira, o número chega a 20 milhões, se
forem incluídas as pessoas
que vão aos centros
espíritas mas se declaram católicas ou protestantes.
Fundamentalismo
Fundamentalismo islâmico, Fundamentalismo hindu, Fundamentalismo
judaico
Conjunto de ideologias que vêem nos fundamentos da religião
a base para
a organização da vida
social e política. Essa postura se contrapõe
à perspectiva secular
adotada no Ocidente,
particularmente depois da Revolução Francesa,
na qual o Estado e a
religião pertencem a esferas
distintas. A expressão surge neste século com
algumas seitas
protestantes que pretendem
defender e conservar os elementos "fundamentais"
da fé cristã por meio
da interpretação literal da
Bíblia. Ao longo da história, tendências
fundamentalistas surgem em
várias religiões, como no
islamismo, no hinduísmo e no judaísmo.
Fundamentalismo islâmico Manifesta-se em movimentos
empenhados na
criação de
sociedades regidas pelo Alcorão, livro sagrado do islamismo,
e
contrários aos modelos políticos
e filosóficos ocidentais (como a separação
entre Estado e religião, a
democracia e o
individualismo). O fundamentalismo propaga-se entre os muçulmanos
especialmente após a
Revolução Islâmica no Irã que instala
no país um Estado teocrático,
conduzido pelo líder xiita
Aiatolá Khomeini Também se destaca a atuação
do grupo extremista
Gammaat-i-Islami, no Egito
responsável por atentados terroristas sobretudo contra
turistas
estrangeiros em visita ao país; da
Frente Islâmica de Salvação (FIS) e do
Grupo Islâmico Armado (GIA), que
desde 1992 vêm
promovendo uma série de atentados e massacres na Argélia
da milícia
xiita libanesa Hezbollah,
diretamente envolvida no combate a tropas israelenses instaladas
no sul
do Líbano; do Hamas,
nos territórios ocupados por Israel, contrário
ao acordo de paz entre
palestinos e israelenses; e
da milícia Taliban, que controla a maior parte do território
do
Afeganistão desde 1996 e vem
implantando rígidas leis islâmicas nas regiões
sob seu domínio.
Fundamentalismo hindu A intolerância religiosa
dos extremistas hindus
na Índia ameaça o
ideal de um Estado secular e pluralista, defendido na independência
e
incorporado à sua
Constituição. O ódio desses grupos
notadamente a organização Shiv
Sena e o Partido
Bharatiya Janata (BJP) para com os demais segmentos
religiosos do
país, principalmente os
muçulmanos, dá origem a uma série de
confrontos. O mais grave deles
acontece em 1992,
quando fanáticos hindus invadem a cidade de Ayodhya
e destroem a
mesquita Babri Masjid,
deflagrando uma onda de violência que causa mais de
2 mil mortes. O BJP
torna-se a força
política de maior importância do país
nas eleições legislativas de 1998
e de 1999, e o líder do
partido, Bihari Vajpayee, assume a chefia do governo indiano.
A
realização de cinco testes
nucleares subterrâneos nos meses seguintes à
sua posse é vista como uma
demonstração do
nacionalismo hindu.
Fundamentalismo judaico Está associado a facções
religiosas radicais
em Israel, como o
Eyal (Força Judaica Combatente) e o Kahane Vive. Esses
movimentos
condenam o acordo de
paz entre palestinos e israelenses, que prevê a devolução
dos
territórios conquistados por Israel
na Guerra dos Seis Dias. Para eles, a entrega de terras bíblicas,
como
Hebron, Jericó e Nablus,
na Cisjordânia, é uma afronta à vontade
de Deus. Ela contraria a
aspiração judaica do retorno a
uma Grande Israel, similar aos tempos do rei Davi, que por
volta de
1000 a.C. pacifica a região e
transforma Jerusalém em centro religioso. A efervescência
dessas idéias
leva ao assassinato, em
1995, do primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, mentor
do acordo
de paz ao lado de Yasser
Arafat. O culpado, Yigal Amir, membro do Eyal, justifica sua
atitude
afirmando que Rabin era um
traidor do ideal judaico por devolver regiões ocupadas
aos palestinos.
Hinduísmo
História e doutrina, Textos sagrados, Preceitos na
vida social,
Divindades, Rituais e
comemorações
Conjunto de princípios, doutrinas e práticas
religiosas dominante na
Índia, conhecido dos
seguidores pelo nome sânscrito Sanatana Dharma, que
significa a ordem
eterna. Alguns de seus
escritos mais importantes são os Vedas (conhecimento,
em sânscrito),
conjunto de textos
sagrados compostos de hinos de louvor e ritos. Suas características
principais são o politeísmo e
a crença na reencarnação. O hinduísmo
é a terceira religião do mundo em
número de praticantes
e seus preceitos influenciam fortemente a organização
da sociedade
indiana.
História e doutrina - A tradição védica
nasce com os arianos, povos das
estepes da Ásia
central, que a levam para a região da Índia
em 1500 a.C., ao invadir e
conquistar os vales dos rios
Indo e Ganges. Baseia-se em uma memória coletiva sobre
deuses tribais e
cósmicos transmitida
oralmente e, posteriormente, registrada em livros sagrados,
os Vedas.
Esses livros são
agrupados em quatro volumes durante o século X a.C
e contêm as verdades
eternas reveladas
pelos deuses: a ordem (dharma universal) que rege as coisas
e os seres.
Segundo os Upanishads, textos de comentários aos Vedas,
o ser humano
está preso a um ciclo
de morte e renascimento, chamado samsara, pelo qual está
fadado a
reencarnar muitas vezes.
As reencarnações, como ser humano ou animal,
são regidas pelo carma,
preceito segundo o
qual a forma como renascemos em nossa vida atual foi definida
na vida
anterior, pelo estágio
espiritual que alcançamos e os atos que nela praticamos.
O hindu busca
fundir-se a Brahman, a
verdade suprema, espírito que rege o Universo. Isso
só é possível
libertando-se do samsara pela
purificação de seus infinitos carmas, atingindo
o estágio conhecido
como perfeição, a sabedoria
resultante do conhecimento de si mesmo e do universo. O caminho
para a
perfeição passa pelas
práticas religiosas, pelas orações e
pela ioga, mas muitos hindus
adotam também dietas
vegetarianas e o ascetismo (renúncia aos bens e prazeres
materiais)
para atingi-lo.
Do século IX ao XIV floresce o tantrismo, corrente
que prega o
aperfeiçoamento espiritual pelo
domínio da mente e do corpo, incluindo hábitos
e práticas sexuais. Em
reação à expansão do
islamismo na Índia, a partir do século VII,
e ao domínio britânico,
iniciado no século XVIII, surgem
várias correntes no hinduísmo.
Textos sagrados - O hinduísmo possui extensa literatura
com preceitos
relativos à vida cotidiana
e à organização social. Os mais antigos,
os Vedas ou Conhecimento,
reúnem ensinamentos
anteriores ao século X a.C. Além desses, são
importantes os Puranas
(narrativas sobre a tríade
divina Brahma, Shiva e Vishnu, as festas e condutas do hindu),
o
Mahabharata (O Grande
Combate dos Bharata), poema que trata da luta do bem e do
mal, dos
cultos a Shiva e Vishnu e
as lutas entre as tribos hindus; os Upanishads (aulas dos
mestres), o
Ramayana (poema sobre o
amor de Rama por Sita) e o Código de Manu (normas,
regras e práticas
sociais hindus).
Preceitos na vida social - O hinduísmo distingue quatro
metas na vida
humana: dharma
(condutas e deveres morais definidos pela casta do indivíduo
e pelo
dharma universal), kama
(prazer físico), artha (prosperidade) e moksha (iluminação).
O dharma
tem relação com quatro
etapas da vida ou ashramas, do nascimento à morte:
na infância, estudar
os Vedas e preparar-se
para a vida; depois, casar-se e constituir família;
aposentar-se do
trabalho e desligar-se das
posses materiais; e, na velhice, concentrar-se na busca religiosa.
Essas metas e etapas têm, por sua vez, matizes definidos
para os
indivíduos segundo as quatro
castas (varnas) às quais podem pertencer. A dos brâmanes,
os
sacerdotes, é a mais elevada.
Seguem-na a dos guerreiros; a dos lavradores, comerciantes
e artesãos;
e, finalmente, a dos
sudras, servos e escravos. Um quinto grupo, o dos párias,
não é
considerado casta.
Tradicionalmente, os párias não podiam viver
nas cidades, ler os livros
sagrados ou se banhar no
rio Ganges. Há correntes do hinduísmo que rejeitam
radicalmente o
sistema de castas.
Divindades Há milhares de deuses e deusas hindus.
Todos são parte de
Brahman, a essência
universal. Três deles se destacam e compõem uma
tríade divina, a
Trimurti: Brahma, o princípio
criador, Shiva, o princípio destruidor e libertador,
e Vishnu, o
princípio protetor e preservador.
Sempre que o mundo está sob ameaça do mal, Vishnu
aparece para
protegê-lo através de uma
de suas dez reencarnações ou avatares. São
eles, pela ordem, Matsya (o
peixe), Kurma
(tartaruga), Varaha (javali), Narasimha (homem-leão),
Vamana (anão)
Parashurama (homem com
machado), Rama (príncipe herói), Krishna (herói
que matou o demônio
Kamsa) e Buda. O décimo
avatar, Kalki, ainda não surgiu na Terra e virá
para extirpar todo o
mal e iniciar uma era do bem.
Rituais e comemorações - O hindu costuma manter
em casa um altar de
devoção a seu deus,
no qual queima incenso, coloca flores, velas e oferendas.
Também
freqüenta os templos que
estão entre os de arquitetura mais exuberante do mundo.
Cada altar
possui sempre a estátua de
seu deus, e nos templos as imagens são diariamente
despertadas pela
manhã, lavadas, vestidas
e enfeitadas com flores pelos sacerdotes. Diante do altar,
os hindus
recitam mantras, fórmulas
sagradas escritas nos Vedas que podem aproximá-los
dos deuses.
Peregrinar para visitar os
templos e lugares sagrados são práticas habituais.
Algumas das
celebrações hindus são o
Festival das Luzes, comemorado em todo o país no outono
com o acender
de velas, o Festival
das Nove Noites para a deusa Durga, em setembro ou outubro,
o Festival
da deusa Shiva, em
março, e o Festival de Krishna, em agosto.
Igreja Anglicana
no Mundo
Igreja oficial da Inglaterra, criada pelo rei Henrique VIII,
que em
1534 rompe com a Igreja Católica.
O Anglicanismo faz parte do movimento reformador que varre
a Europa a
partir do século XVI. É
impulsionado pelo crescente descontentamento de Estados monárquicos
com
o poder religioso
de Roma. No caso inglês, a fundação da
Igreja Anglicana vem afirmar e
fortalecer a autoridade
secular do rei sobre bens, tributos e questões eclesiásticas.
O mote é
um problema de jurisdição
sobre a validade ou não do casamento de Henrique VIII
com Ana Bolena.
A reforma no país, essencialmente litúrgica,
tem como principal marco a
edição do primeiro Livro
de Oração Comum, em 1549, sob o reinado de Eduardo
VI. O cisma
consolida-se em 1558, no
reinado de Elisabeth I, mais de vinte anos depois da morte
de Henrique
VIII.
A Igreja Anglicana acomoda duas importantes vertentes, nem
sempre de
maneira pacífica. A
primeira mantém maior proximidade litúrgica
com a Igreja Católica. A
segunda, puritana, busca
uma purificação do culto, despojando-o das imagens
e ritos que lembram
o catolicismo.
Da Inglaterra, o Anglicanismo difunde-se para as colônias,
especialmente a América do Norte. O
poder econômico e militar inglês garante à
Igreja Anglicana privilégios
em territórios católicos que
outras igrejas protestantes não tiveram.
Igreja Ortodoxa
Doutrina, Organização
Igreja que resulta do cisma ocorrido no catolicismo, em 1054,
quando o
Império Bizantino rejeita
a supremacia de Roma, patriarcado do Ocidente. Até
então, duas grandes
tradições convivem no
interior do cristianismo: a latina, no Império Romano
do Ocidente, com
sede em Roma, e a
bizantina, no Império Romano do Oriente, sediada em
Constantinopla
(antiga Bizâncio e atual
Istambul, na Turquia). Divergências teológicas
e políticas causam a
ruptura entre as duas igrejas,
que se excomungam mutuamente, condenação só
revogada em 1965 pelo papa
Paulo VI e pelo
patriarca Athenágoras I.
A Igreja Ortodoxa (reta opinião, em grego), ou Igreja
Cismática Grega,
é menos rígida tanto nas
formulações dogmáticas quanto na hierarquia,
mas também valoriza a
liturgia. Todas as Igrejas
Ortodoxas apresentam diferenças políticas e
religiosas.
Doutrina - Os sacramentos são os mesmos da Igreja Católica
e
reconhecidos reciprocamente.
Mas os rituais ortodoxos são cantados sem instrumentos
musicais e
proíbem as imagens
esculpidas de santos, exceto o crucifixo e os ícones
sagrados.
Os ortodoxos não admitem os conceitos de infalibidade
do papa e do
purgatório lugar
intermediário entre o Céu, reservado aos crentes,
e o inferno,
destinado aos pagãos. Também
rejeitam a doutrina católica da Imaculada Conceição,
segundo a qual
Maria teria nascido sem
pecado e concebido seu filho virgem. De acordo com os ortodoxos,
esse
dogma não faz parte da
narrativa bíblica e é contrário à
doutrina tradicional do pecado
original. A assunção da Virgem
Maria (sua subida aos céus em corpo e alma), porém,
é aceita, com base
na afirmação formal
dos livros litúrgicos e não-bíblicos.
Organização - O cristianismo ortodoxo tem originalmente
quatro sedes ou
patriarcados, em
Jerusalém, Alexandria, Antióquia e Constantinopla.
Mais tarde,
incorporam-se os patriarcados de
Moscou, de Bucareste e da Bulgária, além das
igrejas autônomas
nacionais da Grécia, da
Sérvia, da Geórgia, de Chipre e da América
do Norte. Os graus de ordem
dividem-se em diácono,
padre e bispo. Os padres e diáconos recebem títulos
honoríficos
(arquimandrita, ecônomo,
arquidiácono), que não conferem primazia espiritual
nem administrativa.
A escolha dos bispos é
feita exclusivamente entre os monges. Os padres podem casar-se
(antes
da ordenação), mas
não os monges, que se dedicam exclusivamente à
oração e ao estudo.
Igreja Ortodoxa no
Brasil
Os cristãos ortodoxos estão separados dos católicos
apostólicos romanos
desde 1054 e se
mantêm ligados à tradição dos primeiros
séculos do cristianismo. Os
ortodoxos não admitem o
conceito de infalibilidade do papa, autorizam o divórcio
entre os fiéis
e permitem a ordenação
entre homens casados. Apenas os bispos são celibatários.
Sua chegada ao
Brasil está ligada à
imigração de árabes cristãos,
russos, gregos, armênios, romenos e
ucranianos, iniciada em
princípios do século XX. Em 1903, a colônia
sírio-libanesa funda em São
Paulo a primeira Igreja
Ortodoxa do Brasil. Atualmente estão mais concentrados
nos estados de
São Paulo, Minas
Gerais, Goiás e Paraná.
Islamismo
Mohammed, Livros e doutrinas, Preceitos religiosos, Festas
e lugares
sagrados, Divisões do
Islamismo
Religião monoteísta baseada nos ensinamentos
de Mohammed, ou Muhammad,
chamado
Maomé pelos europeus da época. Suas palavras
estão contidas no livro
sagrado islâmico, o
Corão. A palavra islã significa submeter-se
e exprime a obediência à
lei e à vontade de Alá (Allah,
Deus em árabe). Seus seguidores são chamados
muçulmanos muslim, em
árabe, aquele que
se subordina a Deus. Fundado na região da atual Arábia
Saudita, o
islamismo é a segunda maior
religião do mundo. Perde apenas para o cristianismo
em número de
adeptos. Seus fiéis se
concentram, sobretudo, no norte da África e na Ásia.
Mohammed - Mohamed (570-632) significa digno de louvor. O
Profeta nasce
em Meca, numa
família de mercadores. Começa sua pregação
aos 40 anos, quando, segundo
a tradição, recebe
uma mensagem do arcanjo Gabriel, que lhe ordena pregar em
nome do Deus
único. Na época, as
religiões da península Arábica são
o cristianismo bizantino, o judaísmo
e uma forma de
politeísmo que venera vários deuses tribais.
Mohamed passa a pregar sua
mensagem monoteísta
e encontra grande oposição. Perseguido em Meca,
é obrigado a emigrar
para Medina, em 622.
Esse fato, chamado Hégira, é o marco inicial
do calendário muçulmano.
Em Medina, ele é
reconhecido como profeta e legislador, assume a autoridade
espiritual e
temporal, vence a
oposição judaica e estabelece a paz entre as
tribos árabes. Quase dez
anos depois, Mohamed e
seu exército ocupam Meca, sede da Caaba, a pedra sagrada
de 15 m de
altura que é mantida
coberta por um tecido negro, já então um centro
de peregrinação.
Mohamed morre no ano 632
como líder de uma religião em expansão
e de um Estado árabe que começa
a se organizar
politicamente.
Livros e doutrinas- O Corão (do árabe qur'ãn,
leitura) é a coletânea
das revelações divinas
recebidas por Mohamed de 610 a 632. É dividido em 114
suras
(capítulos), ordenadas por
tamanho. Seus principais ensinamentos são a onipotência
de Deus e a
necessidade de bondade,
generosidade e justiça nas relações entre
as pessoas. Neles estão
incorporados elementos
fundamentais do judaísmo e do cristianismo, além
de antigas tradições
religiosas árabes. O
Corão inclui muitas das histórias do Antigo
Testamento judaico e
cristão, como a do Gênesis.
Depois de desobedecer a Deus, Adão viajou e construiu
a primeira Caaba.
Após o dilúvio,
Abraão, considerado o primeiro muçulmano, a
reconstruiu. Do Novo
Testamento, o Alcorão
registra passagens da vida de Jesus Cristo, reverenciado pelos
muçulmanos como um profeta
que em sua religião só é sobrepujado
em importância pelo próprio
Mohamed. A segunda fonte de
doutrina do Islã, a Suna, é um conjunto de preceitos
baseados nos
hadith (ditos e feitos do
profeta).
Preceitos religiosos - A vida religiosa do muçulmano
tem práticas
definidas pela Sharia, o
caminho que o muçulmano deve seguir na vida. A Sharia
define normas de
conduta,
comportamento e alimentação, além dos
chamados pilares da religião. O
primeiro pilar é a
shahada ou testemunho: Não há outro Deus a não
ser Alá, e Mohamed é seu
profeta. Esse
testemunho é a chave da entrada do fiel para o Islamismo.
O segundo
pilar são as cinco orações
diárias comunitárias (sãlat), durante
as quais o fiel deve ficar
ajoelhado e curvado em direção a
Meca. Às sextas-feiras realiza-se um sermão
de um verso do Ccorão, de
conteúdo moral, social
ou político. O terceiro pilar é uma taxa chamada
zakat, único tributo
permanente ditado pelo
Corão. É pago anualmente em grãos, gado
ou dinheiro e se mantém em
muitos países
tradicionalistas. Em outros, o Estado, com seus impostos,
preenche o
lugar da zakat. É
empregado no auxílio aos pobres e no resgate de muçulmanos
presos em
guerras. O quarto pilar
consiste em cumprir o jejum nos dias do mês do Ramadã.
O quinto pilar é
o hajj ou a
peregrinação a Meca, que precisa ser feita pelo
menos uma vez na vida
por todo muçulmano que
tenha condições físicas e econômicas
para realizá-la.
A esses cinco pilares, a seita khawarij adicionou o jihad.
Traduzido
comumente como Guerra
Santa, acabou por assumir o significado de batalha para reformar
o
mundo, um dos objetivos do
Islamismo. É permitido o uso dos exércitos nacionais
como meio de
difundir os princípios do islã.
Segundo a doutrina muçulmana. Mas o jihad não
é aceito por toda a
comunidade islâmica.
Muitos enfatizam seu aspecto interior a luta do indivíduo
contra seus
próprios erros.
Festas e lugares sagrados As principais comemorações
são Eid el Fitr,
Eid el Adha, Dia de
Hégira (Ano-Novo) e a comemoração do
nascimento de Mohamed. Elas
acontecem nessa ordem
no decorrer do ano e são definidas segundo o calendário
lunar, tendo
por isso datas móveis em
relação ao calendário solar. Na Eid el
Fitr é comemorado, com orações
coletivas, o fim do
Ramadã. Durante todo o nono mês lunar de cada
ano, guarda-se o Ramadã,
e, do amanhecer ao
pôr-do-sol, o muçulmano celebra a revelação
do Corão a Mohamed,
comemorando a primeira
vitória militar do Profeta contra Meca. Enquanto é
dia, os fiéis não
podem comer, beber, fumar ou
manter relações sexuais, embora trabalhem normalmente.
Mas as
restrições não são mantidas
durante as noites, e as ruas se enchem de pessoas que comemoram
alegremente a revelação
feita a seu profeta. A celebração do Eid el
Adha lembra a disposição de
Abraão em sacrificar a
Alá seu próprio filho, Ismael (na tradição
judaico-cristã o filho seria
Isaque). Na época de Eid el
Adha também acontece a peregrinação a
Meca. O Ano-Novo islâmico é
comemorado no Dia de
Hégira, o 1º do mês Muharram. O marco é
o ano de 622, quando Mohamed
deixa Meca. Os
lugares mais sagrados do Islamismo são Meca, cidade
onde fica a Caaba,
Medina, lugar onde
Mohamed construiu a primeira Mesquita (templo), e Jerusalém,
cidade
onde o profeta ascendeu
aos céus durante uma viagem noturna em que foi ao paraíso
e se
encontrou com Moisés e Jesus
Cristo.
Divisões do Islamismo - Os muçulmanos se dividem
em dois grandes grupos
principais: os
sunitas (da palavra suna, o caminho) e os xiitas. Os sunitas
subdividem-se em quatro grupos
principais, cada um deles com uma escola de interpretação
da Sharia:
hanafitas, malequitas,
chafeitas e hambanitas. São os seguidores da tradição
do Profeta,
continuada por All-Abbas, seu
tio. Calcula-se que 84% dos muçulmanos sejam sunitas.
Para eles, a
autoridade espiritual
pertence à comunidade. Os xiitas (16% dos muçulmanos)
também possuem
sua própria
interpretação da Sharia. Seu nome deriva da
expressão "shi at Ali",
partido de Ali, que foi marido
de Fátima, filha de Mohamed. Seus descendentes teriam
a chave para
interpretar os
ensinamentos do Islã. A rivalidade entre sunitas e
xiitas é exacerbada
com a revolução no Irã,
liderada pelo Aiatolá Khomeini, de linha xiita.
Uma corrente das mais antigas, a sufista, surge no século
IX e é a mais
mística do Islamismo.
Os sufistas enfatizam a relação pessoal com
Deus e praticam rituais que
incluem danças e
exercícios de respiração para atingir
um estado místico. São membros
praticantes do sufismo os
faquires, da Índia e outras regiões da Ásia,
e os dervixes, da Turquia.
Historicamente, o
Islamismo tem sido marcado pelo surgimento de movimentos,
grupos e
correntes de maior ou
menor envolvimento político, de linhas fundamentalista
(conservadora)
ou moderna.
Islamismo no Brasil
Os islâmicos crêem em um só Deus, Alá,
e nos ensinamentos de Maomé
(chamado O Profeta),
contidos no Corão, seu livro sagrado. A palavra islã
significa
submeter-se e exprime a obediência
à lei e à vontade de Alá. Também
acreditam na predestinação, na
existência do paraíso, do
inferno e no dia do juízo final, quando Alá
virá julgar todos os povos
de acordo com suas ações
em vida.
O primeiro grande contingente de muçulmanos que chega
ao Brasil é
formado por africanos
trazidos como escravos. Em 1835, eles participam da Revolta
dos Malês,
na Bahia, uma rebelião
contra a escravidão. Vencidos, os malês dispersam-se.
A primeira
mesquita islâmica só é
fundada em 1929, em São Paulo. A convergência
de imigrantes árabes para
a fronteira do estado
do Paraná com o Paraguai faz com que a região,
especialmente Foz do
Iguaçu, transforme-se
em um dos lugares de maior concentração de muçulmanos
do país. Segundo
dados preliminares
da amostra do Censo de 2000, há 18,5 mil islâmicos
no país. No entanto,
de acordo com a
Federação Islâmica Brasileira, esse número
chega a 1,5 milhão.
Judaísmo
A história dos judeus, Livros sagrados, Símbolos
e rituais, Festas
religiosas
É reconhecida como a primeira religião monoteísta
da humanidade e
cronologicamente a primeira
das três religiões oriundas de Abrãao,
junto com o cristianismo e o
islamismo. O judaísmo
acredita em um Deus único, onipotente e onisciente,
que criou o mundo e
os homens. Esse
Deus fez um pacto com os hebreus, tornando-os o seu povo escolhido,
e
prometeu-lhes uma
terra. O judaísmo possui fortes características
étnicas, nas quais
nação e religião se mesclam.
A história dos judeus- Segundo a Bíblia, Abraão
recebe uma revelação de
Deus, abandona o
politeísmo e muda-se para Canaã, atual Palestina,
em torno de 1800 a.C.
De Abraão descendem
Isaque e o filho deste, Jacó. Jacó um dia luta
com um anjo de Deus e
tem seu nome mudado
para Israel. Seus doze filhos dão origem às
doze tribos do povo judeu.
Em 1700 a.C., os hebreus
vão para o Egito, onde são escravizados por
400 anos. Libertam-se por
volta de 1300 a.C.,
liderados por Moisés, descendente de Abraão,
que, segundo a tradição,
recebe as tábuas com
os Dez Mandamentos do próprio Deus, no monte Sinai.
Por decisão de
Deus, peregrinam no
deserto por 40 anos, aguardando a indicação
da terra prometida, Canaã.
O rei Davi transforma Jerusalém em centro religioso,
e seu filho,
Salomão, constrói um templo em
seu reinado. Depois de Salomão, as tribos dividem-se
em dois reinos, o
de Israel, na Samaria, e
o de Judá, com capital em Jerusalém. Com a cisão,
surge a crença na
vinda de um messias (o
enviado de Deus para restaurar a unidade do povo judeu e a
soberania
divina sobre o mundo), que
persiste até hoje. O reino de Israel é devastado
em 721 a.C. pelos
assírios. Em 586 a.C., o
imperador babilônico Nabucodonosor II invade o reino
de Judá, destrói o
Templo de Jerusalém e
deporta a maioria dos habitantes para a Babilônia, iniciando
a diáspora
judaica.
Os judeus começam a voltar à Palestina em 539
a.C, onde reconstroem o
templo e vivem breves
períodos de independência, interrompidos por
invasões estrangeiras. No
ano 6, a região torna-se
província de Roma. Em 70, os romanos invadem Jerusalém
e arruínam o
segundo templo. Em
135, a cidade é destruída, iniciando o segundo
momento da diáspora.
Apesar de espalhados por
todos os continentes, os judeus mantêm a unidade cultural
e religiosa.
A dispersão só termina
em 1948, com a criação do Estado de Israel.
Livros sagrados - O texto da Bíblia judaica é
fixado no final do século
I. Divide-se em três livros:
Torá, a escritura sagrada, Os Profetas (Neviim) e Os
Escritos
(Ketuvim). Os judeus acreditam
que a Torá, ou Pentateuco, foi revelada pelo próprio
Deus. Ela reúne os
livros Gênesis, o Êxodo,
o Levítico, os Números e o Deuteronômio.
A Torá e Os Profetas são
escritos antes do exílio na
Babilônia; os textos de Os Escritos, depois. No início
da Era Cristã,
as tradições orais são
registradas no Talmude, dividido em quatro livros: Mishnah,
Targumin,
Midrashim e Comentários.
Símbolos e rituais - Os serviços religiosos
judaicos são realizados nos
templos, chamados
sinagogas, e conduzidos por um rabino, sacerdote habilitado
a comentar
textos sagrados. O
símbolo do judaísmo é o menorá,
candelabro sagrado com sete braços.
Entre suas práticas
estão a circuncisão dos meninos, aos 8 dias
de vida, e a iniciação na
vida adulta: Bar Mitzvah
para os meninos (aos 13 anos) e o Bat Mitzvah para as meninas
(aos 12
anos). Quando reza, um
homem judeu habitualmente cobre a cabeça com a kippa,
peça semelhante a
uma pequena
touca, em sinal de respeito a Deus. A sinagoga é o
principal ponto de
encontro da comunidade e
abriga sempre uma Arca, armário em que são guardados
os pergaminhos
sagrados da Torá
usados nas cerimônias.
Festas religiosas - Elas são definidas por um calendário
lunissolar e,
por isso, têm datas
móveis. As principais são Purim, Pessach, Shavuót,
Rosh Hashaná, Yom
Kipur, Sucót, Chanucá
e Simchat Torá. No Purim comemora-se a salvação
de um massacre
planejado pelo rei persa
Assucro. A Páscoa (Pessach) celebra a libertação
da escravidão egípcia,
em 1300 a.C. Shavuót
homenageia a revelação da Torá ao povo
de Israel, em aproximadamente
1300 a.C. Rosh
Hashaná é o Ano-Novo dos judeus. A partir de
Rosh Hashaná, começam os
Dias Temerosos, em
que se faz um balanço do ano terminado. Eles culminam
no Yom Kipur, dia
do perdão, quando
os judeus jejuam 25 horas para purificar o espírito.
Sucót rememora a
peregrinação pelo deserto,
após a saída do Egito. Chanucá homenageia
a vitória contra o domínio
assírio e a restauração do
Templo de Jerusalém, no século V a.C. O Simchat
Torá comemora a entrega
dos Dez
Mandamentos a Moisés.
Judaísmo no
Brasil
A base da religião judaica está na obediência
aos mandamentos divinos
estabelecidos na Torá,
livro sagrado em que estão expressos as leis, os rituais
e as regras
morais do povo judeu, além
da história dos hebreus. A Torá corresponde
ao Antigo Testamento da
Bíblia. Os primeiros judeus
a chegar ao país no começo da colonização
são os cristãos-novos,
convertidos contra a vontade
ao cristianismo para fugir da Inquisição. Em
1812, o primeiro grupo de
sefaradim (judeus de
procedência e ascendência ibérica) instala-se
na Amazônia. A partir de
1850, judeus de várias
procedências se fixam no país. A imigração
de ashkenazim (judeus
europeus de cultura iídiche)
se verifica no início do século XX, principalmente
no Rio Grande do
Sul. A partir de 1933
começam a chegar ao Brasil judeus alemães fugidos
da perseguição
promovida pelos nazistas.
Em janeiro de 2000 é descoberta no estado de Pernambuco,
no Recife, a
primeira sinagoga das
Américas, com data de construção de 1637.
Antes desse achado,
acreditava-se que a primeira
sinagoga brasileira tivesse sido fundada em 1910, no Rio de
Janeiro. Em
2000 havia 101 mil
judeus no país, segundo o censo do IBGE. As maiores
concentrações estão
em São Paulo, no
Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.
Luteranos no Brasil
As primeiras comunidades luteranas de imigrantes alemães
se estabelecem
no Brasil a partir de
1824, nas cidades de São Leopoldo (RS), Nova Friburgo
(RJ), Três
Forquilhas (RS) e Rio de
Janeiro. O primeiro templo é construído em 1829,
em Campo Bom (RS), e
os pastores europeus
chegam depois de 1860. Em 1991, há 1 milhão
de membros, localizados
principalmente no Rio
Grande do Sul. Até 2000, o número de luteranos,
bem como o dos demais
protestantes
históricos, não sofre alteração
significativa.Os luteranos, com os
anglicanos, estão mais
próximos da teologia professada pela Igreja Católica;
em 1999, chegam a
assinar um documento
histórico em que colocam fim a suas divergências
sobre a salvação pela
fé. Das correntes
luteranas, a maior e mais antiga no país é a
Igreja Evangélica de
Confissão Luterana do Brasil,
com 410 paróquias espalhadas por todos os estados brasileiros,
segundo
dados da própria igreja.
Posteriormente, surgem outras correntes luteranas, como a
Igreja
Evangélica Luterana do Brasil,
vinda dos Estados Unidos no início do século
XX.
Metodistas no Brasil
Primeiro grupo de missionários protestantes a chegar
ao Brasil, os
metodistas tentam fixar-se no
Rio de Janeiro em 1835. A missão fracassa, mas é
retomada por Junnius
Newman em 1867, que
começa a pregar no oeste do estado de São Paulo.
A primeira igreja
metodista brasileira é
fundada em 1876, por John James Ranson, no Rio.Concentrados
sobretudo
na Região Sudeste,
os metodistas reúnem 138 mil fiéis e 600 igrejas
em 1991, conforme
censo do IBGE. De acordo
com o livro Panorama da Educação Metodista no
Brasil, publicado pelo
Conselho Geral das
Instituições Metodistas de Ensino (Cogeime),
atualmente são 120 mil
membros, distribuídos em
1.100 igrejas.Entre os ramos da Igreja metodista, o maior
e o mais
antigo é a Igreja Metodista do
Brasil. Sobressaem também a Igreja Metodista Livre,
introduzida com a
imigração japonesa, e a
Igreja Metodista Wesleyana, de influência pentecostal,
estabelecida no
Brasil em 1967.Os
metodistas participam ativamente de cultos ecumênicos.
Na educação, têm
atuação de destaque
no Ensino Superior: nesse nível de ensino, eles têm
em suas
instituições, segundo o Cogeime,
23.711 alunos matriculados em 2000.
Presbiterianismo no Brasil
A Igreja Presbiteriana do Brasil é fundada em 1863,
no Rio de Janeiro,
pelo missionário
norte-americano Ashbel Simonton. Maior ramo da igreja presbiteriana
do
país, possui 150 mil
membros, 600 pastores e 700 igrejas. Em 1903 surge a Igreja
Presbiteriana Independente, com
cerca de 50 mil membros. Há ainda outros grupos, como
a Igreja
Presbiteriana Conservadora
(1940) e a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (1966), que
somam 5 mil
membros. Esta última é
a igreja protestante brasileira mais aberta ao ecumenismo.
Um de seus
fundadores, o reverendo
Jaime Wright (1927-1999), foi um dos religiosos que se destacaram
na
luta contra a tortura
durante o regime militar de 1964. Na década de 70 surgem
grupos com
características
pentecostais, como a Igreja Cristã Presbiteriana, a
Igreja Prebiteriana
Renovada e a Igreja Cristã
Reformada. Pelo censo de 91, têm 498 mil membros. Os
presbiterianos
mantêm na capital
paulista uma das mais importantes universidades privadas do
Brasil, a
Mackenzie.
Protestantismo
Expansão e correntes, PROTESTANTES HISTÓRICOS,
Igreja Luterana, Igreja
Presbiteriana,
Igreja Batista, Igreja Metodista, PENTECOSTAIS
Corrente do cristianismo que surge com a Reforma Protestante,
iniciada
no século XVI pelo
teólogo alemão Martinho Lutero. Ele rompe com
a Igreja Católica e
defende uma reaproximação
com o cristianismo primitivo. Defende ser a fé o elemento
fundamental
para a salvação do
indivíduo, condena a venda de indulgências pela
Igreja e a degradação
moral do clero da época.
Fixa na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, no seminário
onde
leciona, 95 teses
questionando dogmas, preceitos e práticas adotados
pelo Vaticano. Essas
teses são
consideradas heréticas pela Igreja Católica,
e, em 1519, Lutero
afasta-se definitivamente do
catolicismo ao negar o primado do papa. Dois anos depois é
excomungado
pelo papa Leão X.
Com a simpatia de diferentes setores da nobreza e dos camponeses,
o
luteranismo difunde-se na
Alemanha.
Expansão e correntes- As teses de Lutero encontram
receptividade em
outros países da
Europa e acabam por gerar um movimento pela reforma da Igreja.
O nome
protestante é atribuído,
na época, aos partidários da reforma que protestam
contra a Dieta
(assembléia convocada pelos
reis) de Espira, em 1529.
Apesar de perseguido pelo Vaticano, Lutero é amparado
pela
aristocracia, traduz a Bíblia para o
alemão e funda uma nova igreja. Ele abole a confissão
obrigatória, o
culto aos santos e à Virgem
Maria, o jejum e o celibato clerical. Dos sete sacramentos
católicos,
ele só aceita os do batismo
e da eucaristia. Nem todas as suas teses, porém, são
aceitas por seus
aliados em outros países
e, em razão disso, o protestantismo dá origem
a diferentes correntes de
pensamento teológico e
ao nascimento de novas igrejas cristãs, como a dos
seguidores do
francês João Calvino e do
inglês John Wesley.
No Brasil, o protestantismo começa a se estabelecer
no início do século
XIX e hoje reúne o maior
número de adeptos da América do Sul.
Todas as igrejas protestantes celebram Natal, Páscoa,
Pentecostes e as
demais festividades
cristãs. Também há comemorações
particulares a cada uma delas, como o
Dia de Ação de
Graças, celebrado pelos luteranos, e o Dia da Escola
Dominical,
comemorado pelos metodistas.
PROTESTANTES HISTÓRICOS - Corrente do protestantismo
que compreende as
igrejas
formadas a partir da reforma, como a Luterana, a Presbiteriana,
a
Episcopal Anglicana, a Batista
e a Metodista.
Igreja Luterana - É a primeira Igreja saída
da reforma, fundada por
Martinho Lutero. A
comunidade pode escolher seus pastores e todos os batizados
estão aptos
a ser considerados
sacerdotes. Acentua-se a autoridade única da Bíblia,
não sendo
necessária a interpretação de
um sacerdote. Cada igreja é independente e não
é submetida a uma
hierarquia.
Igreja Presbiteriana - Fundada pelo escocês John Knox
(1514-1572), tem
seus princípios
fundamentais enunciados na Confissão de Fé de
Westminster, em 1643.
Segue a doutrina
religiosa do teólogo francês João Calvino
(1509-1564), que funda uma
corrente do protestantismo.
Enfatiza a leitura e a interpretação da Bíblia
e adota o sacramento do
batismo por unção, após o
nascimento ou em qualquer idade, e da eucaristia, chamada
de Santa
Ceia. As igrejas
presbiterianas escolhem seus pastores, que habitualmente oficiam
os
cultos e outras atividades,
mas são dirigidas por conselhos de presbíteros,
pessoas eleitas pela
comunidade de fiéis e
também aptas a realizar o trabalho sacerdotal.
Igreja Batista - Fundada em Londres, em 1611, por um grupo
de luteranos
liderados por Thomas
Helwys (1550-1616). Valoriza o sacramento do batismo e defende
sua
realização em idade
adulta, por imersão em vez de unção.
Para os batistas, a salvação
eterna não está relacionada à
execução de boas obras. Difundida principalmente
nos Estados Unidos, a
Igreja Batista não usa
a cruz como símbolo.
Igreja Metodista - Formada em 1740, com a obra do clérigo
anglicano
John Wesley
(1703-1791), tem forte influência calvinista. Wesley
passa a fazer
reuniões metódicas para
exercício de meditação, daí o
nome metodista. A Igreja Metodista aceita
o batismo simbólico das
crianças. Defende ser a palavra de Deus suficiente
para a salvação, mas
critica a interpretação
individual dos textos sagrados. Acredita na cura divina e
na
manifestação do Espírito Santo.
PENTECOSTAIS Os pentecostais surgem como grupo autônomo
em Chicago,
Estados
Unidos, em 1906, a partir de um movimento denominado holiness
(santidade). Embora agregue
outras confissões protestantes, o movimento é
majoritariamente
metodista. Enfatiza a crença no
poder do Espírito Santo, que garante ao cristão
a santificação.
O grupo holiness anuncia práticas originais na relação
com o Espírito
Santo: o Batismo no
Espírito, a glossolalia (dom de falar línguas
desconhecidas) e o dom da
cura. A leitura livre e
literal da Bíblia fundamenta essa experiência.
O texto de referência é
a narrativa de Pentecostes
daí a denominação pentecostal
presente no livro de Atos dos
Apóstolos. Os cultos têm uma
dinâmica emotiva e teatral, visível nos discursos
eloqüentes dos
pastores, nos cantos e orações
coletivas em voz alta e nos rituais de cura realizados em
grandes
concentrações públicas.
O movimento cresce com rapidez e difunde-se principalmente
na América
Latina. Na década de
70, o desenvolvimento da Teologia da Prosperidade dá
origem a uma nova
vertente, denominada
neopentecostalismo.
No Brasil, a história dos pentecostais pode ser dividida
em três fases.
A primeira é a dos
pentecostais clássicos, como Congregação
Cristã no Brasil (1910) e
Assembléia de Deus (1911),
implantadas por missionários oriundos do movimento
holiness. Uma
segunda fase surge com os
denominados pentecostais autônomos e se expande a partir
da década de
50 como
desdobramento da primeira fase (igreja O Brasil para Cristo)
ou como
importação da América do
Norte (igreja do Evangelho Quadrangular). A última
fase é a das igrejas
neopentecostais (ver
Cristianismo Independente).
Protestantismo no Brasil
Protestantismo Históricos, Luteranos, Metodistas,
Presbiterianos,
Batistas
O termo "evangélico", na América Latina,
designa as religiões cristãs
originadas ou
descendentes da Reforma Protestante européia do século
XVI. De acordo
com a doutrina, a única
fonte de fé é a Bíblia. Os protestantes
abolem o culto e as imagens da
Virgem Maria e dos
santos, suspendem o celibato e o uso do latim nas celebrações
e mantêm
apenas dois
sacramentos: o batismo e o culto cristão. Dividem em
três grandes
vertentes: o protestantismo
histórico, ou de missão, o pentecostalismo e
o neopentecostalismo.
Segundo os dados
preliminares da amostra do Censo de 2000, os evangélicos
representam
15,4% dos brasileiros,
ou 26,1 milhões. Comparando as estatísticas
do Censo de 1991, nota-se
um crescimento de
71,1 % na proporção de fiéis . As vertentes
pentecostal e
neopentecostal são responsáveis por
esse aumento e representam 67,6% dos evangélicos do
país. O
protestantismo histórico
representa 27,4% dos evangélicos. Outras denominações
evangélicas
correspondem a 5%. As
maiores concentrações de protestantes estão
no extremo norte do país,
nos estados de
Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia, e nos estados de
Goiás, Rio de
Janeiro e Espírito Santo.
Até dezembro de 2002, o IBGE não havia divulgado
os dados do censo
sobre o número de fiéis
existentes em cada uma das congregações religiosas
do Brasil.
Entretanto, estudo realizado
pelo Serviço de Evangelização para a
América Latina (Sepal), que pode
conter uma margem de
erro de 20%, mostra os números de fiéis das
igrejas protestantes no
Brasil em 2001. Os
números apresentados pelo Sepal estão muito
próximos das estimativas
dadas pelas igrejas de
missão. Já as igrejas pentecostais e neopentecostais
apontam números
muito superiores aos do
estudo.
Protestantismo Históricos Esse grupo surge no
Brasil de duas formas:
uma decorre da
imigração e outra, do trabalho missionário.
O protestantismo de
imigração forma-se na primeira
metade do século XIX, com a chegada de imigrantes alemães
ao Brasil, em
especial à Região
Sul, onde fundam, em 1824, a Igreja Evangélica de Confissão
Luterana do
Brasil. Outras
denominações protestantes são introduzidas
por missionários
norte-americanos e europeus, na
segunda metade do século XIX, e por isso são
chamadas de protestantismo
de missão. Em
1855, o escocês Robert Reid Kalley funda, no Rio de
Janeiro, a Igreja
Congregacional do Brasil.
Os protestantes históricos, que são 7,1 milhões
do total de
evangélicos, estão concentrados, em
sua maioria, no sul do país. Nas últimas décadas,
com exceção da
Batista, as igrejas
protestantes históricas ou estão estagnadas,
apenas em crescimento
vegetativo, ou em declínio.
Seus integrantes têm, em média, renda e grau
de escolaridade maiores
que os dos pentecostais
e dos neopentecostais.
Luteranos Fundada por Martinho Lutero, a Igreja Luterana
prospera na
Alemanha em meados
do século XVI e propaga-se para vários países,
chegando à América
Latina no século XIX. Assim
como os anglicanos, seus fiéis estão próximos
da teologia professada
pela Igreja Católica. As
primeiras comunidades luteranas de imigrantes alemães
se estabelecem no
Brasil a partir de
1824, nas cidades de São Leopoldo (RS), Nova Friburgo
(RJ), Três
Forquilhas (RS) e Rio de
Janeiro. O primeiro templo é construído em 1829,
em Campo Bom (RS), e
os pastores europeus
chegam depois de 1860. Das correntes luteranas, a maior e
mais antiga
no país é a Igreja
Evangélica de Confissão Luterana do Brasil.
Posteriormente, surgem
outras correntes, como a
Igreja Evangélica Luterana do Brasil, vinda dos Estados
Unidos no
início do século XX. Segundo
estudo do Sepal, o número de fiéis luteranos
chegava a 930 mil em 2001,
o mesmo divulgado
pela igreja.
Metodistas A Igreja Metodista é fruto de uma
dissidência da Igreja
Anglicana conduzida pelo
pastor John Wesley, em 1740, na Inglaterra. Seus devotos dão
ênfase à
santificação e acreditam
na capacidade do ser humano de purificar-se perante Deus,
abrindo mão
de prazeres mundanos
e buscando a salvação de forma disciplinada.
Os metodistas são o
primeiro grupo de
missionários protestantes a chegar ao Brasil. Em 1835
tentam fixar-se
no Rio de Janeiro. A
missão fracassa, mas é retomada por Junius Newman
em 1867, que começa a
pregar no oeste
do estado de São Paulo. A primeira Igreja Metodista
brasileira é
fundada em 1876, por John
James Ranson, no Rio. A maioria das igrejas está concentrada
na Região
Sudeste. De acordo
com o livro Panorama da Educação Metodista no
Brasil, publicado pelo
Conselho Geral das
Instituições Metodistas de Educação
(Cogeime), há 120 mil membros,
distribuídos em 1,1 mil
igrejas. Entre os ramos da Igreja Metodista, o maior e o mais
antigo é
a Igreja Metodista do
Brasil. Destacam-se também a Igreja Metodista Livre,
introduzida com a
imigração japonesa, e a
Igreja Metodista Wesleyana, de influência pentecostal,
estabelecida no
Brasil em 1967. Os
metodistas participam ativamente de cultos ecumênicos.
Na educação, têm
atuação de destaque
no ensino superior, com 23 mil alunos matriculados em 2000.
Segundo
estudo do Sepal, em
2001 a Igreja Metodista contava com cerca de 156 mil adeptos
espalhados
pelo país número
próximo ao divulgado pela instituição.
Presbiterianos A Igreja Presbiteriana é fundada
pelo escocês John
Knox, que segue a doutrina
do francês João Calvino, um reformador contemporâneo
de Lutero. Sua
doutrina é mais rigorosa
que a luterana, especialmente quanto ao comportamento dos
fiéis, que
enfatizam o ensino bíblico
e buscam evangelizar por meio da educação. A
Igreja Presbiteriana do
Brasil, a maior desse
ramo, é fundada em 1863, no Rio de Janeiro, pelo missionário
norte-americano Ashbel Simonton.
Em 1903 surge a Igreja Presbiteriana Independente. Há
ainda outros
grupos, como a Igreja
Presbiteriana Conservadora (1940) e a Igreja Presbiteriana
Unida do
Brasil (1966). Essa última é
a igreja protestante brasileira mais aberta ao ecumenismo.
Um de seus
fundadores, o reverendo
Jaime Wright (1927-1999), foi um dos religiosos que se destacaram
na
luta contra a tortura
durante o regime militar de 1964. Na década de 1970
surgem grupos com
características
pentecostais, como a Igreja Cristã Presbiteriana, a
Igreja
Presbiteriana Renovada e a Igreja Cristã
Reformada. Os presbiterianos mantêm na capital paulista
uma das mais
importantes
universidades privadas do Brasil, a Mackenzie. Somadas todas
as
correntes, eram cerca de 500
mil fiéis em 2001, segundo estudo do Sepal.
Batistas As primeiras comunidades batistas nascem em
Londres, em
1611, por iniciativa de
um grupo de luteranos. Os batistas não reconhecem o
batismo
administrado na infância. Para
eles, esse sacramento depende de uma decisão pessoal
tomada por um
adulto convertido e deve
ser administrado por imersão. Os primeiros batistas
chegam ao Brasil
fugindo da Guerra Civil
Americana e se estabelecem no interior de São Paulo.
Um dos grupos
instala-se em Santa
Bárbara d'Oeste e funda, em 1871, a Igreja Batista
de Santa Bárbara, de
língua inglesa. Os
primeiros missionários desembarcam no Brasil em 1881
e criam no ano
seguinte, em Salvador, a
primeira igreja batista brasileira. Em 1907 lançam
a Convenção Batista
Brasileira. Em meados
desse século, surgem os batistas nacionais, os batistas
bíblicos e os
batistas regulares.
Segundo estimativas do Sepal, há cerca de 1,5 milhão
de fiéis
espalhados pelo país, mesmo
número divulgado pela igreja.
Religião
Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo, Judaísmo,
Ateus e
não-religiosos, Conflitos
religiosos, TABELAS ASSOCIADAS
O cristianismo ainda é a religião com mais adeptos
no mundo, pois
predomina em cinco dos seis
continentes. A América Latina reúne a maior
porcentagem de fiéis, 92%
da população, mas é na
Europa que se concentra a maioria dos cristãos, quase
600 milhões,
segundo a World Christian
Encyclopedia. O islamismo é a principal religião
da Ásia e tem
expressiva adesão na África.
Juntos, os dois continentes concentram mais de 60% de seus
seguidores.
O número de
muçulmanos aumentou 157% nos anos 90 e essa ascensão
fez com que o
islamismo se
tornasse, ao lado do cristianismo, as duas únicas religiões
com mais de
1 bilhão de fiéis. Na
última década do século 20, os protestantes
aumentam o número de
adeptos em 120%, e
religiões orientais, como o budismo, o zen-budismo
e o hinduísmo,
passam por um período de
crescimento no Ocidente.
Cristianismo São quase 2 bilhões de cristãos
no planeta, o que
corresponde a 33% da
população mundial. Desse total, 1,888 bilhão
está filiado às cerca de
300 tradições eclesiásticas
cristãs, que deram origem a 33.820 denominações
de igrejas. Elas se
distribuem entre os seis
grandes grupos que predominam. Os quatro primeiros consolidaram-se
no
século XVI, quando o
mundo cristão se polarizou entre católicos romanos,
ortodoxos,
anglicanos e protestantes. No
século XIX, um quinto grande bloco emergiu, repudiando
as linhas
principais da organização
cristã mundial e posicionando-se à margem dos
quatro outros blocos. Por
isso foram
denominados cristãos marginais ou autônomos.
Um sexto grande grupo, os
cristãos
independentes, tem um crescimento extraordinário nas
últimas décadas.
Católicos São adeptos da Igreja Católica
Romana e reúnem o maior
grupo de cristãos no
mundo, pouco mais de 1bilhão de fiéis. Predominam
na América Latina,
com cerca de 460
milhões de seguidores. Na Europa, sede da Igreja Católica,
quase 300
milhões de pessoas
professam essa crença.
Ortodoxos Integram um segmento do cristianismo que
se desenvolveu no
mundo oriental e que
se originou, majoritariamente, de católicos que romperam
com a Igreja
Católica Romana em1054.
No começo do século XX, os ortodoxos se subdividiam
em 13 igrejas
independentes, entre elas a
Católica Ortodoxa e a Ortodoxa Russa.
Anglicanos O anglicanismo reúne a esmagadora
maioria de seus adeptos
na Inglaterra. É a
religião oficial dos ingleses desde o reinado de Elizabeth
I
(1558-1603) e foi criada por seu pai,
Henrique VIII (1491-1547), que rompeu com o papado e instituiu
a Coroa
Britânica como
autoridade máxima da Igreja Anglicana.
Protestantes O protestantismo surgiu com a Reforma,
movimento de
dissidentes católicos
encabeçado por Martinho Lutero no século XVI.
Abrange as correntes do
protestantismo histórico
- presbiterianos, batistas, luteranos e metodistas - e também
as
igrejas clássicas do
pentecostalismo, como Assembléia de Deus e Congregação
Cristã. Os
protestantes formam o
terceiro maior grupo de cristãos no mundo, com 342
milhões de
seguidores.
Cristianismo de fronteira Grupos que transitam na fronteira
do
cristianismo com outra
doutrina religiosa. Além da Bíblia, usam variadas
fontes de revelação
como referência doutrinária,
o que os afasta dos dogmas cristãos. Pertencem a esse
grupo as igrejas
Testemunhas de Jeová,
Mórmon e Ciência Cristã.
Independentes Formam o segundo maior contingente de
cristãos no
mundo, com cerca de
385 milhões de adeptos. São grupos não-filiados
às igrejas tradicionais
cristãs (com exceção do
movimento carismático católico), em geral igrejas
autônomas organizadas
em nível local ou
nacional. Compreende o vasto mundo neopentecostal e carismático,
que
registra um crescimento
vertiginoso no século XX. O fenômeno é
considerado por alguns teóricos
como "a maior revolução
no cristianismo depois de Lutero". Manifesta-se com intensidade
na
América, na África e na Ásia.
Não-filiados São cristãos não-filiados
anenhuma igreja e que ainda
assim se afirmam cristãos
quando questionados sobre sua religiosidade.
Islamismo A ascensão percebida na década
de 90 coloca o islamismo em
uma posição cada
vez mais próxima à do cristianismo no mundo.
A religião de Maomé tem
mais de 1 bilhão de
seguidores, 70% concentrados na Ásia e 26% na África.
O islamismo
surgiu no século VII, na
península arábica, como a última das
religiões monoteístas. Mas,
atualmente, os maiores países
muçulmanos não são árabes: Indonésia,
Paquistão e Bangladesh.
Hinduísmo A terceira religião com o maior
número de fiéis no mundo é
também a que tem
seus seguidores mais concentrados em uma única região.
Dos pouco mais
de 811 mil
hinduístas, 99% estão na Ásia - o restante
encontra-se distribuído nos
outros continentes,
especialmente na África. O hinduísmo é
um conjunto de princípios,
doutrinas e práticas religiosas
conhecido dos seguidores pelo nome sânscrito Sanatana
Dharma, que
significa a ordem
permanente. Está fundamentado nos Vedas (conhecimento,
em sânscrito),
textos sagrados
compostos de hinos de louvor e ritos. A tradição
védica nasce com os
arianos, povos das
estepes da Ásia central, que a levam para a região
da Índia, em 1500
a.C., ao invadir e conquistar
os vales dos rios Indo e Ganges.
Budismo Outra religião que nasceu na Ásia
e lá mantém concentrada
quase a totalidade de
seus fiéis, 98%. Em todo o mundo, os seguidores do
príncipe hindu
Sidarta Gautama, o Buda,
somam cerca de 360 milhões pessoas. A América,
segundo continente com
mais adeptos dessa
religião, tem quase 1% do número total de budistas.
O budismo foi
criado na região da Índia por
volta do século VI a.C. Buda é venerado como
um guia espiritual, e não
um deus.
Judaísmo Fundado no Oriente Médio pelo
patriarca Abraão, por volta do
século XVII a. C., o
judaísmo se fortalece ainda mais com a criação
do Estado de Israel, em
1948. Em comparação
com o total da população do planeta, o número
de judeus no mundo não é
representativo - eles
são pouco mais de 14 milhões, menos de 1%, porém
o judaísmo se destaca
por possuir fortes
características étnicas, nas quais nação
e religião se mesclam. Apesar
de Israel estar na Ásia,
sua pequena população faz com que a maior fatia
dos judeus não esteja
concentrada no
continente, mas, sim, na América: 42%. O judaísmo
é reconhecido como a
primeira religião
monoteísta da humanidade e cronologicamente a primeira
das três
religiões oriundas de Abrãao,
com o cristianismo e o islamismo.
Ateus e não-religiosos Em números absolutos,
aqueles que não crêem em
Deus ou não
seguem alguma religião, somam mais de 915 milhões
de pessoas, 15% da
população mundial. A
maioria , 80%, concentra-se na Ásia.
Conflitos religiosos O mundo chega ao século
XXI assistindo a uma
multiplicação de conflitos
que envolvem seguidores de diversas crenças. Várias
desavenças têm
origem antiga e, após
permanecer abafadas por longos períodos, reaparecem
trazendo
reivindicações recentes. O atual
conflito entre <LV ORD="7">palestinos</LV>
e judeus no Oriente Médio é
resultado de uma
história milenar de conquistas e diásporas judaicas
(dispersão dos
judeus), que terminam na
instituição de Israel, em 1948, e a conseqüente
reprovação à criação
desse Estado pelos
palestinos que viviam naquelas terras. Durante a Guerra da
Bósnia
(1992/1995), os croatas
(católicos), os sérvios (ortodoxos) e os bósnios
(muçulmanos) exploram
as diferenças religiosas
entre as comunidades para justificar a limpeza étnica.
O embate secular
entre católicos e
protestantes na Irlanda do Norte constitui um dos raros casos
em que o
catolicismo é o elemento
central de identidade do povo oprimido. A animosidade religiosa
no
Subcontinente Indiano
abrange hinduístas da Índia e muçulmanos
do Paquistão. Em 2000, os
conflitos entre os 80% de
hindus e os 14% de muçulmanos indianos começam
a atingir a minoria
cristã, que constitui
apenas 2% da população daquele país.
No extremo sul, outro conflito
assola a ilha do Sri Lanka -
os protagonistas são os separatistas tâmeis (hinduístas)
e os
cingaleses (budistas).
Religião - Abertura
Diversificação, Declínio do catolicismo,
Mistura de crenças, Censo de
2000, TABELAS
ASSOCIADAS
O declínio do catolicismo e o avanço dos evangélicos
e dos sem-religião
são as mudanças mais
importantes e nas práticas e nas crenças religiosas
no Brasil nas
últimas décadas. Resultados
preliminares da amostra do Censo Demográfico 2000,
do Instituto
Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), revelam, no entanto, que as mudanças
não alteram o
perfil religioso do país.
O Brasil continua sendo a mais populosa nação
católica do planeta, com
124,9 milhões de fiéis
73,8% da população . No período de nove
anos, o declínio de 11,9% na
proporção de católicos
ocorre ao mesmo tempo em que se verifica o crescimento de
71,1% na
proporção de
evangélicos. Em números absolutos, os evangélicos,
que totalizavam 13,1
milhões no Censo de
1991, passam a ser 26,1 milhões de fiéis em
2000.
Diversificação Apesar desse crescimento,
impulsionado principalmente
pelas igrejas
pentecostais e neopentecostais, estudiosos prevêem que
o futuro do país
não será protestante, e
sim cada vez mais diversificado. Além dos evangélicos,
cresce o número
de pessoas que
afirmam não seguir nenhuma religião. Declaram-se
ateus (que não
acreditam em Deus) ou
agnósticos (que não professam nenhuma religião)
12,3 milhões de
brasileiros, ou 7,3% do total.
Em 1991, 6,9 milhões de pessoas disseram não
ter religião. Juntos,
católicos, evangélicos e
sem-religião totalizam 163,4 milhões de brasileiros,
o equivalente a
96,2% da população . Os 6,3
milhões restantes estão divididos entre espíritas,
praticantes de
cultos afro-brasileiros, judeus e
seguidores de doutrinas orientais e outras religiões.
O número de adesões a mais de uma denominação
e a novas religiões
também aumenta. Para
uma única pergunta realizada no Censo de 2000, "Qual
é sua religião", o
IBGE recebe cerca de
35 mil respostas diferentes e mais de mil novas denominações
são
citadas. Essa tendência de
diversificação religiosa, iniciada em meados
do século XX, leva o
instituto a incluir entre os grupos
religiosos do Censo de 2000 as tradições esotéricas.
Declínio do catolicismo Estudiosos apontam várias
razões para a perda
de espaço do
catolicismo. As principais são a liberdade de escolha
e o aumento da
diversidade de religiões.
Quando isso se dá, qualquer religião majoritária
corre o risco de
perder adeptos. Outro motivo
para as alterações no panorama religioso do
país é a postura muito
determinada dos evangélicos
em conquistar novos fiéis. Além disso, há
o fato de muitos católicos se
mostrarem descontentes
com a estrutura altamente hierarquizada da Igreja, com vários
intermediários entre o homem e
Deus. O movimento da Renovação Carismática
Católica, que tem no Padre
Marcelo Rossi seu
expoente mais conhecido, é uma tentativa de a Igreja
Católica se
reaproximar de seus
seguidores.
Mistura de crenças Outra característica
da população brasileira é o
alto índice de cristãos que
dizem participar de cultos de outra religião. A mistura
de credos no
Brasil é mostrada na
pesquisa "Desafios do catolicismo na cidade", realizada
pelo Centro de
Estatística Religiosa e
Investigações Sociais (Ceris), em seis cidades
(Rio de Janeiro, São
Paulo, Recife, Salvador, Belo
Horizonte e Porto Alegre), divulgada em 2002. Segundo o estudo,
22,5%
dos católicos afirmam
freqüentar cultos de outras religiões, 35,8% acreditam
em reencarnação,
um dos conceitos
básicos do espiritismo, e 15% têm fé nos
orixás, dos cultos
afro-brasileiros. Por outro lado, há
80% de não-católicos que aceitam os dogmas católicos
e crêem em Jesus
Cristo. A edição de
2001 da World Christian Encyclopedia, publicação
da universidade
americana Oxford, também
indica um alto índice de duplos filiados no Brasil
36,1% da
população. A dupla filiação (pessoas
que se declaram adeptas de duas religiões) ajuda a
explicar as
divergências que existem entre
os números de fiéis fornecidos pelas igrejas
e instituições religiosas
e os números do IBGE.
Um exemplo de dupla filiação é a que
envolve católicos e espíritas. De
acordo com a Federação
Espírita do Brasil, o número de adeptos passa
de 20 milhões quando são
contabilizados os
católicos que freqüentam os cultos espíritas
e as pessoas que vão
esporadicamente aos centros.
Em 2000, o IBGE, que não registra mais que uma religião
por pessoa,
aponta 1,6 milhão de
espíritas. Outro motivo da discrepância entre
os números do censo e os
das instituições
religiosas é o fato de muitas igrejas superestimarem
os números de seus
filiados.
Censo de 2000 A estrutura geral da classificação
das religiões no
Censo de 2000 é mantida em
relação aos anos anteriores para sustentar a
comparação e possibilitar
a análise das séries
históricas. O censo, no entanto, é limitado
no que se refere à captação
da mobilidade religiosa.
Até dezembro de 2002, a pesquisa definitiva sobre religião
não havia
sido divulgada e os únicos
dados disponíveis eram os dos resultados preliminares
da amostra do
Censo de 2000, que
trazem os números de adeptos dos grandes grupos religiosos.
Religiões afro-brasileiras
Candomblé, Umbanda, TABELAS ASSOCIADAS
Principais religiões afro-brasileiras, o candomblé
e a umbanda perdem
adeptos no país nos
últimos anos. Segundo dados preliminares do Censo de
2000, há 571,3 mil
praticantes 0,3% da
população. Em 1991, eles representavam 0,4%
da população, um declínio
de 11,9% no número
de adeptos em nove anos. Os principais motivos dessa retração,
apontados por estudiosos
dessas religiões, são o avanço pentecostal
e o sincretismo religioso,
ou seja, muitas pessoas
ligadas a outra religião não se dizem adeptas
das religiões
afro-brasileiras. Para o estudioso
Reginaldo Prandi, os números do censo estão
subestimados. "Como apenas
uma das religiões é
registrada, muitos adeptos dos cultos afro-brasileiros se
declaram
católicos por circunstâncias
históricas", diz ele.
Quando analisadas separadamente, nota-se que o encolhimento
do número
de adeptos é grande
na umbanda, mas que no candomblé houve aumento. Os
seguidores
declarados do candomblé
eram cerca de 107 mil em 1991 e quase 140 mil em 2000, o que
representa
um crescimento de
30,8%. Por outro lado, a umbanda, que contava com cerca de
542 mil
devotos declarados em
1991, teve o contigente reduzido para 432 mil em 2000, uma
perda de
20,2% de fiéis.
A maior concentração de devotos declarados das
religiões
afro-brasileiras está no estado do Rio
Grande do Sul, seguido do Rio de Janeiro e da Bahia.
Candomblé Religião afro-brasileira que
cultua os orixás, deuses das
nações africanas de
língua ioruba dotados de sentimentos humanos, como
ciúme, raiva e
vaidade. O candomblé
chegou ao Brasil entre os séculos XVI e XIX com o tráfico
de escravos
negros da África Ocidental.
Sofreu grande repressão dos colonizadores portugueses,
que o
consideravam feitiçaria. Para
sobreviver às perseguições, os adeptos
passaram a associar os orixás
aos santos católicos, no
sincretismo religioso .
As cerimônias ocorrem em templos chamados terreiros;
sua preparação é
fechada e envolve
muitas vezes o sacrifício de pequenos animais. São
celebradas em língua
africana e marcadas
por cantos e pelo ritmo dos atabaques (tambores), que variam
segundo o
orixá homenageado. A
consulta aos orixás é realizada por meio de
jogos de adivinhação, como
o de búzios. No Brasil, a
religião cultua apenas 16 dos mais de 200 orixás
existentes na África
Ocidental e o Deus
supremo criador dos orixás, Olodumaré.
Umbanda Religião brasileira nascida no Rio de
Janeiro, nos anos 1920,
da mistura de crenças
e rituais africanos e europeus. As raízes umbandistas
encontram-se em
duas religiões trazidas
da África pelos escravos: a cabula, dos bantos, e o
candomblé, da nação
nagô. A umbanda
considera o universo povoado de entidades espirituais, os
guias, que
entram em contato com os
homens por intermédio de um iniciado (o médium),
que os incorpora. Tais
guias se apresentam
por meio de figuras como o caboclo, o preto-velho e a pombajira.
Os
elementos africanos
misturam-se ao catolicismo, criando a identificação
de orixás com
santos. Outras influências são
o espiritismo kardecista, os ritos indígenas e práticas
mágicas
européias. Segundo dados
preliminares do Censo de 2000, há 432 mil adeptos da
umbanda no Brasil.
Religiões Orientais no Brasil
Budismo, Igreja Messiânica
Os movimentos religiosos orientais centram-se no aperfeiçoamento
pessoal, na superação da dor
e no equilíbrio interior. Em geral, para essas tradições
os fiéis são
responsáveis pela própria
salvação e purificação, devendo
retornar a este mundo até que as
sucessivas reencarnações o
façam alcançar o estado de perfeição
espiritual. Segundo dados
preliminares do Censo de 2000,
esse grupo conta com 427,4 mil adeptos no país, sendo
o budismo o maior
desses movimentos,
com 245,8 mil praticantes. Têm destaque ainda a Igreja
Messiânica
Mundial, que chega ao país
em 1955, o Perfect Liberty, em 1958, e o Seicho-no-iê,
a partir de
1930, todos de origem
japonesa; o Hare Krishna e o Rajneesh, de origem indiana;
e o Bahai,
de origem persa. Em
1991, 368,6 mil brasileiros professavam religiões orientais,
dos quais
236,4 mil eram budistas.
Budismo Inspirado nos ensinamentos de Buda, um príncipe
hindu que
teria vivido no século VI
a.C., o budismo prega que o sofrimento é uma ilusão
da mente humana.
Cabe ao homem romper
com essa rede de ilusão e atingir um estado de paz
absoluta e
felicidade, definido como nirvana.
Para isso, seus adeptos recorrem à meditação
e a práticas especiais de
autoconhecimento.
Dados preliminares do Censo de 2000 apontam 245,87 mil praticantes.
A
doutrina é trazida ao
país pelos imigrantes japoneses no início do
século XX. O primeiro
templo é construído em
Cafelândia (SP), em 1932. Após a década
de 1960, a prática de meditação
do budismo zen faz
com que a corrente ganhe espaço entre intelectuais
brasileiros e
conquiste adeptos
não-japoneses. A linha budista que mais cresce no país
atualmente é a
de origem tibetana, cujo
líder mundial é o dalai lama.
Igreja Messiânica O objetivo da doutrina da Igreja
Messiânica é a
construção de um paraíso
terrestre pela eliminação de todo mal da sociedade,
como doenças,
guerras e fome. Os
ensinamentos básicos são revelações
que o mestre Meishu-Sama (Portador
da Luz) teria
recebido de Deus, em 1926, no Japão, compilados em
um livro de mesmo
nome. Os devotos
praticam métodos de purificação para
se livrar de imperfeições
espirituais, que podem ser
heranças de encarnações anteriores. É
o segundo maior grupo oriental no
Brasil, fundado no Rio
de Janeiro, em 1955. Segundo dados da própria igreja,
havia 2,5 milhões
de adeptos e 659
templos, em 2000.
Taoísmo
Doutrina, Deuses e rituais
Religião que nasce da escola de filosofia chinesa centrada
no conceito
de "caminho" (Tao).
Enquanto filosofia (Tao chia), sua origem é atribuída
aos ensinamentos
do sábio Erh Li, ou Lao
Tsé, que teria vivido no século VI a.C. O taoísmo
religioso (Tao ciao)
surge na dinastia Han, no
século II, e assimila elementos religiosos anteriores
e mais antigos da
China. Seus conceitos
parte deles presentes também no confucionismo
influenciam a vida
chinesa até hoje.
Perseguido no país a partir de 1949, o taoísmo
ainda é praticado na
China. É popular também na
Tailândia e em Hong Kong. Lao Tsé critica e rejeita
o sistema do
confucionismo, pois não vê
necessidade de uma aplicação política
e social da religião. O taoísmo é
mais voltado ao indivíduo.
Doutrina - O taoísmo religioso nasce do filosófico
e suas duas obras
principais são o Tao Te
King, de autoria atribuída a Lao Tsé, e o Tchuang-Tseu,
obra que leva o
nome do autor a quem é
atribuída. Os dois autores pregam a sabedoria do Tao,
a única fonte do
Universo, determinante de
todas as coisas. Toda a vida é regida por elementos
yin (feminino) e
yang (masculino), que são
opostos e se complementam, transformam-se e estão em
eterno movimento,
equilibrados pelo
Tao. O taoísta aspira fundir-se ao Tao e tornar-se
imortal, o que pode
acontecer após a morte ou
ainda em vida. Para isso, precisa viver em harmonia e equilíbrio
com o
próprio corpo e com a
natureza, desapegar-se do mundo material, meditar e livrar-se
das
preocupações cotidianas.
Buscar a saúde espiritual implica buscar também
a saúde física e
mental. Esses conceitos
influenciam a vida chinesa atual e suas manifestações
mais populares
são o chi-kung, arte de
autoterapia, as artes marciais wu-shu ou kung fu, a prática
de
exercícios do tai-chi-chuan e da
meditação.
Deuses e rituais - Os taoístas veneram deuses ancestrais.
Todas as
pessoas que atingem a
imortalidade se tornam deuses e são cultuados. Entre
os deuses mais
populares estão Shou
Hsing, deus da longevidade; Lu Hsing, deus da riqueza; e Fu
Hsing, deus
da felicidade. Nos
altares domésticos ou nos templos, os taoístas
colocam oferendas e
queimam incenso para
seus deuses. Os rituais lembram ao fiel que a harmonia do
Tao traz a
saúde e a prosperidade.
Além de acreditar nos deuses, os taoístas crêem
também na existência de
espíritos maus,
chamados Kueis, que devem ser aplacados, e praticam rituais
de magia e
exorcismo.
Tradições Esotéricas
Sociedade Brasileira de Eubiose, Sociedade Teosófica,
Racionalismo
Cristão, Vale do Amanhecer
Classificadas pela primeira vez pelo IBGE como um grupo religioso
maior, o Censo de 2000
indica que cerca de 67,2 mil habitantes do país praticam
as chamadas
religiões esotéricas. O
número é expressivo, não em termos quantitativos,
se comparados aos
milhões de fiéis do
catolicismo, mas em termos qualitativos, uma vez que freqüentadores
das
religiões esotéricas
chamam a atenção por exercer práticas,
rituais, usos e costumes muito
distintos dos exibidos
pela maioria. O censo confirma o perfil urbano dessa adesão
religiosa,
com 66,1 mil praticantes
nas cidades, contra pouco mais de mil adeptos residindo nas
áreas
rurais.
Os esotéricos podem ser subdivididos em duas grandes
correntes. A
primeira reúne grupos e
movimentos religiosos formados no início do século
XX, geralmente com
doutrinas que se apóiam
em alguns valores, como o progresso científico, o racionalismo
e o
positivismo. Exemplos dessa
vertente são a Sociedade Brasileira de Eubiose, a Sociedade
Teosófica e
a Cultura do
Racionalismo Cristão. A segunda corrente está
relacionada com os
movimentos libertários da
década de 1960, quando as experimentações
sociais se diversificaram,
especialmente
influenciados pelos movimentos hippie e new age, pelos cultos
e
práticas orientais e sincretismos
com religiosidades e práticas divinatórias.
Exemplos são os centros
holísticos terapêuticos, os
cursos de danças tribais, o uso de astrologia, búzios,
tarô e reiki.
Dentre alguns desses grupos
estão o Vale do Amanhecer, no Distrito Federal, e as
Borboletas Azuis,
na Paraíba.
Sociedade Brasileira de Eubiose Fundada em Minas Gerais,
em 1921,
pelo professor
Henrique José de Souza e estabelecida legalmente no
Rio de Janeiro, em
1924. De acordo com a
doutrina, a base da evolução do homem está
centrada na harmonia de três
princípios: vontade,
inteligência e amor. A fé é considerada
um tipo de intuição, e seus
adeptos costumam designar a
doutrina como "religião-sabedoria".
Sociedade Teosófica Fundada em 1875, nos Estados
Unidos, pela russa
Helena Petrovna
Blavatsky. Sua sede internacional é estabelecida na
Índia, em 1905.
Chega ao Brasil no início do
século XX e possui bases em Brasília, São
Paulo, Rio de Janeiro, Porto
Alegre e Campo Grande.
É um sistema religioso sincretista e acredita que todas
as doutrinas
contêm verdades. Deus é
impessoal, e a Trindade é constituída de Força,
Sabedoria e Atividade.
Segundo a tradição, a
raça humana teve vários estágios, que
chamam de sub-raças, sendo a
atual a quinta sub-raça.
Jesus e Buda são considerados indivíduos aperfeiçoados
e grandes
mestres.
Racionalismo Cristão Fundado em 1910, na cidade
de Santos, em São
Paulo, por Luiz de
Mattos e Luiz Alves Thomaz. A doutrina enfoca o autoconhecimento
e o
raciocínio. Seus adeptos
acreditam na reencarnação, na vida fora da matéria
e na mediunidade.
Vale do Amanhecer Comunidade religiosa situada em Planaltina,
cidade
satélite do Distrito
Federal. É fundada em 1969, por Tia Neiva, ex-caminhoneira
que reúne
centenas de fiéis em
torno de sua crença. Esses fiéis se consideram
reencarnação de um povo
extraterrestre.
Umbanda
Origem, Organização e rituais
Religião brasileira que nasce no Rio de Janeiro, nos
anos 20, da
mistura de religiões africanas e
européias. A umbanda considera que o Universo é
povoado de guias
espirituais. Estes entram em
contato com os homens por intermédio de um iniciado,
chamado médium,
que os incorpora. Tais
guias se apresentam por meio de figuras como o caboclo, o
preto-velho e
a pomba-gira. Durante
sessões, os guias concedem consultas aos fiéis
individualmente, ouvindo
seus pedidos,
inquietações e problemas espirituais, emocionais
ou sociais. Eles dão
conselhos, realizam e
recomendam ritos purificadores, de cura e de encaminhamento
para as
questões e pedidos feitos
pelo fiel.
Origem - A umbanda tem suas raízes em duas religiões
trazidas da África
pelos escravos: a
cabula, dos bantos, e o candomblé, da nação
nagô, do qual herda os
orixás. Segundo o
dicionário de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira,
umbanda quer dizer
magia na língua
quimbundo, do grupo nagô. Os elementos africanos misturam-se
ao
catolicismo, criando a
identificação de orixás com os santos.
Outra influência é o espiritismo
kardecista, que acredita
na possibilidade de contato entre vivos e mortos e na evolução
espiritual a partir de sucessivas
vidas na Terra. A umbanda incorpora do espiritismo a prática
da
mediunidade, elemento central
de seus rituais. Inclui também ritos e traços
das culturas indígenas
brasileiras e africanas e
práticas mágicas européias.
Organização e rituais - As principais autoridades
são os pais ou
mães-de-santo, que
incorporam as entidades e presidem as sessões realizadas
no terreiro (o
templo). Abaixo deles
estão os filhos ou filhas-de-santo, que também
são médiuns, e seus
auxiliares. As entidades
umbandistas organizam-se em dois grupos, o da "direita"
e o da
"esquerda". O grupo da direita
divide-se em sete linhas, presididas pelos orixás.
Na esquerda há cinco
linhas, presididas pelos
exus, que agrupam guias considerados espíritos menos
desenvolvidos,
como as pombas-giras.
As entidades da direita e da esquerda podem fazer "trabalhos"
a pedido
dos seres humanos. Os
guias da direita só realizam trabalhos "bons";
os da esquerda podem ser
invocados para fazer
mal a outras pessoas. Entre as principais funções
dos pais e
mães-de-santo, quando no
exercício de sua mediunidade e no atendimento aos fiéis,
estão as de
ser porta-vozes dos
espíritos, encaminhar a cura ou minimizar doenças
com o uso de
remédios, desfazer malefícios e
maus-olhados, fazer imposição das mãos
sobre os fiéis (chamadas
passes), fazer defumações e
previsões de acontecimentos futuros.
Xamanismo
Nome genérico dado às atividades de caráter
mágico, geralmente
realizadas por um xamã, ou
feiticeiro, que busca contatar mundos e forças sobrenaturais,
invocar
ou incorporar espíritos ou
entidades divinas. Aparece em diferentes cultos religiosos
da Ásia
Central e Setentrional, África,
Américas e Oceania, em culturas antigas, em diferentes
estágios de
evolução, particularmente
nas sociedades indígenas. Por essa razão, o
xamanismo não é considerado
uma religião
propriamente dita, mas um traço característico
a diversas religiões.
Usualmente, as principais
tarefas destinadas a um xamã são a cura, a adivinhação
e a busca de
soluções para problemas
ou questões da coletividade. É comum que o xamã
entre em estado de
transe emocional e que
utilize plantas, animais e minerais em sessões rituais,
que podem
incluir a ingestão de bebidas
muitas vezes alucinógenas.
Xintoísmo
Originalmente, o xintoísmo não possuía
nome, doutrina nem dogmas.
Constituía-se de um
conjunto de ritos e mitos que explicavam a origem do mundo,
do Japão e
da família imperial. Os
protagonistas desses mitos eram os Kamis, deuses ou energias
divinas
que habitam todas as
coisas e se sucedem por gerações, desde a criação
do mundo. Recebe o
nome de xintoísmo
(caminho dos deuses) para distinguir-se do confucionismo e
do budismo,
religiões provenientes
da China e da Índia. O culto xintoísta é
realizado no templo dos Kamis
locais, feito de madeira e,
segundo a tradição, reconstruído a cada
20 anos. Os sacerdotes
coordenam rituais de
purificação e renovação. Nas festas
religiosas, uma estátua do Kami ou
um emblema que o
simboliza é transportado pelas ruas em um andor, o
mikoshi. O xintoísmo
permanece como a
religião oficial do Japão de 1868 até
1946. Após a derrota japonesa na
II Guerra Mundial, o
imperador Hiroíto renuncia ao caráter divino
atribuído à realeza e a
nova Constituição do país
passa a defender a liberdade religiosa. A partir de 1946,
a prática do
xintoísmo é supervisionada
por uma associação, a Jinja Honcho. Estimativas
de 1990 mostram que
106,6 milhões de
japoneses têm alguma relação com o xintoísmo,
mas a religião conta com
apenas 2,8 milhões
de praticantes, em 2000, segundo a World Christian Encyclopedia.
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