O Anjo da Minha Vida
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RELIGIOSIDADE E ESPIRITUALIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTILDesde o momento em que somos concebidos, assim como temos corpo, temos religiosidade e a manifestamos em atos de fé. Ao contrário do corpo, porém, essa dimensão não nasce pronta: ela vai se desenvolvendo aos poucos e precisa ser acompanhada de maneira séria e sistemática.Vamos conhecer, agora, algumas características da religiosidade humana ao longo da vida, segundo Fowler, no livro Estágios da fé. Lactância (0 a 2 anos): fé indiferenciada Pode-se dizer que a fé é indiferenciada porque nós mesmos somos indiferenciados, ou seja, até certa altura não conseguimos perceber se estamos ou não separados do ambiente que nos cerca e das pessoas que convivem conosco. Assim, o desenvolvimento da religiosidade dependerá exclusivamente da ambientação e das atitudes dos adultos que estiverem por perto. Primeira infância (2 a 6 anos): fé intuitivo-projetiva A religiosidade se desenvolve como reflexo da fé dos adultos, que serão o modelo para a imagem que a criança fará de Deus. Ao mesmo tempo, Deus será mágico e imaginário, podendo realizar coisas que as pessoas normais não conseguiriam. Infância (7 a 12 anos): fé mítico-literal É o momento de confrontar a imagem de Deus que se tinha com as que vai conhecer em seu meio. Também se sentirá parte de um grupo que professa a mesma fé (se tiver oportunidade), mas a criança ainda dará um rosto humano para Deus. Adolescência (13 a 20 anos): fé sintético-convencional Nesta fase, ocorre a busca do verdadeiro significado de tudo o que foi aprendido até então. No entanto, falará mais alto a relação de fé exercida pelo grupo ao qual pertence, o que trará muitos conflitos interiores. Início da idade adulta (21 a 30 anos): fé individuativo-reflexiva Inicia-se uma crise, em que os modelos até então seguidos são confrontados com as expectativas pessoais e as necessidades dessa fase da vida. É o momento de uma reflexão mais profunda para se optar por uma comunidade de fé. Idade adulta (31 a 60 anos): fé conjuntiva Quando se chega aqui, começa-se a incorporar tudo aquilo que se aprendeu e viveu até então, sem constrangimento ou radicalismo. É possível iniciar um diálogo com concepções de fé diferentes da sua própria, sem perder a própria identidade. Após os 60 anos: fé universalisante A pessoa deixa de ser o centro de sua própria vida, assume, com humildade, suas fraquezas e limitações e doa-se por inteiro ao projeto de sociedade inspirado por sua fé. Faz isso por conseguir estar mais sintonizada com sua dimensão religiosa, que passa a ser sua realidade mais importante. A experiência da oração não lhe pode ser sonegada, pois é através dela que o ser humano faz uma “reflexão” para buscar significados e contemplar a vida. Para começar, é muito importante coletar das crianças e de suas famílias as orações que habitualmente fazem, acolhendo a todas, sem distinção. Depois, pode-se, a cada dia, criar orações a partir das experiências da vida da própria criança. Para se sistematizar essa experiência, é possível criar algo como um “diário de orações”: a cada dia, uma criança pode representar graficamente sua oração e apresentá-la a turma. Cada atividade produzida pelas crianças é coletada e, no final de determinado período, o resultado será um livro de orações composto pelos educandos. Se possível, a criança que irá fazer a oração do próximo dia poderá levar o livro para casa e dar sua contribuição com a ajuda da família. Se a sala tiver um “recanto religioso” organizado, pode-se fazer as orações lá. Assim, a criança incorporará esse momento a sua rotina e identificará a postura e o ambiente adequados para vivê-lo. Hora do Conto: Explorando histórias de textos sagrados Se há algo que povoa abundantemente o universo religioso são histórias. Das parábolas contadas por Jesus às antigas lendas africanas, o imaginário da humanidade tem sido, por milênios, alimentado por lendas e mitos que ensinam o ser humano a ser quem ele é, ou quem deveria ser. Para a criança, o que menos interessa é se a história contada é verdadeira ou não: para ela, o mais importante é penetrar na trama, entrar na história e imaginarse como um dos personagens. Assim, ao se trazer uma história proveniente das tradições religiosas para ser estudada em uma Hora do Conto, a preocupação maior precisa ser transmitir a mensagem dela, e não comprovar que ela aconteceu de fato. O Ensino Religioso está em plena construção em nosso país. Como conseqüência de uma colonização feita pela Igreja Católica, a disciplina de cunho pedagógico com lugar reservado no currículo ainda deixa muitas dúvidas e poucas certezas. Já se sabe que Ensino Religioso não é espaço para converter ninguém e que também não pode ser uma “aula sobre qualquer coisa”. O Ensino Religioso trata do fenômeno religioso e da busca de todos nós pelo além para encontrarmos a nós mesmos. Não esqueça que você também está fazendo essa busca e que as respostas que procura só poderão ser decodificadas por você. Não esqueça também que essa busca, apesar de individual, não precisa ser solitária: o que você busca todos buscam. Você pode ter respostas para os outros e os outros podem ter respostas para você. Não esqueça, também, que entre tantas outras tarefas você escolheu educar e que a palavra educar pode significar revelar o que está oculto. Ajude suas crianças a revelarem o que está oculto nas vidas delas e deixe-as revelar o que está oculto em você. Sugestões de Leitura
Para Ver
Para Ouvir
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Links relacionados:
http://www.rainhadapaz.g12.br/ensino/edinfantil/ensino-religioso.htm
http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/167_nov03/html/religiao
http://www.mundodosfilosofos.com.br/vanderlei4.htm