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CANTIGAS
DE RODAS E CANÇÕES DE NINAR
Certas
músicas que ouvimos durante a infância são
tão marcantes que, mesmo adultos, ainda nos lembramos das
letras e melodias de muitas delas.
Todo
mundo já foi criança um dia, embora a gente esqueça
um pouco. Você lembra daquelas canções de
ninar que nos acalentavam quando pequenos? E as músicas
que cantávamos, brincando de roda com os amiguinhos? Mesmo
com poucas e vagas lembranças, essas canções
foram e são muito importantes para a nossa própria
formação musical. Na calçada, no quintal ou
na escola, aprendemos com as cantigas de roda a nos socializar
cantando, além de vivenciar uma variedade de ritmos e
sons.
Com
certeza sua mãe algum dia já cantou docemente pra
você dormir. Ao ouvir nossa mãe cantando de maneira
tão íntima, obtivemos contato com nosso principal
modelo de voz, além de uma certa estrutura musical, que
estarão presentes no decorrer de nossa vida. Por isso é
tão importante que a mãe cante para ninar o seu
filho, e, de preferência, que cante bem e bonito. A
sensibilidade musical do seu filho vai agradecer.

Canções de ninar
As
canções de ninar são grandes estímulos
para o desenvolvimento musical da criança. Edwin Gordon,
um dos principais educadores musicais do século XX, diz
que o período em que a criança tem a maior
capacidade de se desenvolver musicalmente vai de 0 até 4
anos de idade. Daí a importância da mãe e do
pai do bebê cantarem variadamente (ou seja, não
somente canções de ninar) até mesmo antes
dele nascer, enquanto ainda está ouvindo os sons e
sentindo as vibrações sonoras pelo lado de dentro
da barriga. Desta forma o bebê já estará
desenvolvendo um bom ouvido para a música e também
tomando contato com uma cultura musical através dos pais.
Cantigas
de roda
As
cantigas de roda são basicamente folclóricas, tanto
as brasileiras como as estrangeiras. As letras, melodias e ritmos
são bastante lúdicos, envolvendo de maneira
coletiva várias brincadeiras, danças e
trava-línguas. Tudo como criança gosta.
Nisso
tudo os pequenos aprendem e se desenvolvem. As cantigas de roda
são ótimas para a socialização e
desinibição da criança, ao provocar o olhar
frente a frente com o outro, o toque corporal, e a exposição
consentida, pois em muitas das cantigas deve-se ir ao centro da
roda individualmente e ser visto por todos. Além disso,
desenvolvem também o senso de organização
coletiva através da roda e o senso rítmico pela
música e pelo movimento corporal que ela cria. Veja o que
existe no mercado:
Todos gostam de música!!!
Toda
criança gosta de música. Com maior ou menor
intensidade, todas demonstram algum interesse por ela. Nos
primeiros anos de vida a música está
intrinsecamente ligada à afetividade, uma vez que os pais
cantam para seus filhos (ou usam uma entonação
muito cantada ao falar) em momentos de intimidade, como na hora
do banho ou de colocá-los para dormir.
A
vivência da música na infância oferece aos
pequenos uma forma de aprender sobre o mundo brincando. No
entanto, as características de cada idade devem ser
respeitadas, de forma que os estímulos oferecidos sejam
adequados à fase do desenvolvimento psicomotor em que se
encontra. Isso significa, por exemplo, não exigir que
crianças de 2 ou 3 anos sejam capazes de grandes períodos
de silêncio e concentração para ouvir uma
ária de ópera.
Respeite
cada etapa
É
necessária a combinação de uma série
de fatores para que as possibilidades de cada idade sejam
exploradas de maneira lúdica e agradável. É
preciso considerar a capacidade motora (como ela anda, fala,
manipula objetos), a definição, ou não, da
lateralidade (noções de direita/esquerda, atrás/na
frente, em cima/ embaixo...), o nível de desenvolvimento
do "trio" atenção/concentração/reação,
além da dicção, entre outros.
Embora
o respeito por esses requisitos seja indispensável na hora
de escolher um bom curso de musicalização para os
filhos, no dia-a-dia os pais podem estimular seus pequenos de
maneira muito simples:
Oferecendo
pequenos "instrumentos", como tamborzinhos, por
exemplo, para que as crianças se acompanhem ao cantar;
Chamando
sua atenção para a música que está
tocando no rádio do carro, enquanto vão à
escola: se a voz que ouvem é de homem ou mulher, se há
instrumentos acompanhando, se estes têm som grave (grosso)
ou agudo (fino), se há percussão (bateria) ou
apenas sons mais delicados, se a música é rápida
ou lenta, barulhenta ou suave...
Enfim,
propicie à criança um contato prazeroso com a
música e comece a oferecer a ela as sementes para o
desenvolvimento de um senso crítico em relação
ao que ouve. Certamente pais e filhos se divertirão
juntos!
Nossas crianças vivem
em um universo sonoro criado pelos grandes meios de comunicação.
Mas, a televisão, o rádio, o cinema e a internet
nem sempre consideram com responsabilidade os efeitos que podem
causar sobre o desenvolvimento cultural da criança. Estes
cuidados são ainda menores quando se trata da promoção
dos produtos lançados pela indústria fonográfica.
Mas,
não é só o conteúdo educativo que as
grandes gravadoras têm negligenciado ao longo dos anos. O
próprio aspecto comercial foi prejudicado pela carência
de uma produção diversificada e pelo despreparo do
público consumidor. Apenas recentemente percebemos as
conseqüências da promoção das músicas
de lucro fácil, reveladas pela maior crise econômica
da história da indústria fonográfica
mundial.
A
justificativa dos empresários é o avanço da
pirataria, mas não podemos deixar de considerar o descaso
das próprias gravadoras, selos e distribuidoras, quando se
trata da diversificação de produtos e do
desenvolvimento cultural do público.
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