Melchizedek
Segundo as antigas tradi��es, � uma sociedade secreta cujo sacerd�cio se revela de acordo com as necessidades da �poca, que visa satisfazer o prop�sito divino e o restabelecimento da Lei. A tal conhecimento, a tradi��o relaciona "O Esp�rito de Verdade" como Centro Imperec�vel (ou Shambalah), consagrado pelos povos orientais denominados: Agartha, Argandhi, Eredemi, ou Sal�m.
O Culto da Igreja de Melki-tsedek est� acima das manifesta��es religiosas. Este Culto sempre existiu, como ci�ncia divina e a mais preciosa de todas as religi�es porque torna o ligar o homem a Deus ( da palavra religare= religi�o), sem necessidade de sacerdote ou qualquer outro intermedi�rio.
Sua origem precede dos meados da terceira Ra�a-M�e ( a Lemuriana) formando a Grande Hierarquia Oculta.
Com o decorrer do tempo recebem o nome de Sudha- Dharma-Mandalan, na antiga Aryavartha - na �ndia - mas para todos os efeitos "Excelsa Fraternidade".
Durante a quarta ra�a-m�e, Atlante, o sacerd�cio de Melki-tsedek, teve que enfrentar um magno problema; da grande queda ang�lica, ou seja a "uni�o entre os deuses e os filhos dos homens"( Gen 6:4) conhecido pela Igreja por ser citado na G�nesis, diferindo apenas na tradi��o oriental, o nome "Devas"�para o de "anjos", na tradi��o ocidental.
Todas as tradi��es de valor no mundo, se originaram de uma fonte �nica, imperec�vel, que foi expressa na linguagem hier�tica de todos os tempos por aquela misteriosa terra chamada Sal�m, Agartha ou Shambalah. Os povos se ligam, de uma forma ou outra, atrav�s de suas tradi��es e s�mbolos, mitos e lendas, a este Centro, e a raz�o de conservarem a mesma unidade � que descendem de uma fonte �nica.
Religi�o, filosofia e sistemas sociais crescem e decaem periodicamente em v�rios povos, quando se corrompem e a�, se manifesta o "Esp�rito de Verdade" para renovar a face das coisas, descerrar novos horizontes que at� ent�o estavam fechados pela ignor�ncia, incompreens�o e maldade dos homens.
Alguns dirigentes - os que realmente orientam os homens no sentido de sua verdadeira evolu��o - s�o representantes diretos ou indiretos deste "Centro" e cuja manifesta��o se processa atrav�s do "Tulku�smo" fen�meno milenarmente conhecido das tradi��es orientais e que vem sendo explicado e orientado atrav�s de alguns "Col�gios Inici�ticos" a longos anos.
Tais dirigentes s�o express�es do REX MUNDI "Rei do Mundo, conhecido como Melki-tsedek e esotericamente, com o nome de Rigden -Djyepo (palavra tibetana de origem agartha com o significado "Rei do Jivas" ou dos seres da terra)
Da� ser a manifesta��o ideopl�stica do homem c�smico, isto �, "sem pai, sem m�e, sem genealogia, que n�o tem princ�pio de dias , nem fim da vida "(Heb 7:3).
Jesus, quando instruia-nos a largar pai e m�e, bens materiais para conseguir a vida eterna, tamb�m baseava-se nesse princ�pio.
Melki-tsedek, o Rei de Sal�m, representa o sacerdote do Alt�ssimo, contempor�neo de Abra�o, rei da Justi�a e da Paz (Heb :1 a 3).
Seu nome refere-se ao REX MUNDI, figurando tamb�m na tradi��o judaico-crist� (Heb 7 26).
O Rei do Mundo � assim chamado por possuir os dois poderes: o temporal, como rei e o espiritual, como sacerdote (Heb:cap 6 e 7).
Ele � apontado com muito outros nomes: No Tibet, como Akdorge, do mesmo modo que na �ndia; Na Mong�lia exterior � chamado de "Senhor de Endemi; Mas na verdade esot�rica ou Teosofia, chamou-se "Beja ou semente dos Avatares", raz�o pela qual o pr�prio Jesus lhe prestava homenagem e Abra�o lhe pagou d�zimos.
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O atributo TSEDEK, "Justi�a, Retid�o", agregado ao hebraico; MELEK, "Rei", para formar o nome de Melki-tsedek, significa "O Rei por Excel�ncia", enquanto tal qualidade o caracteriza como tal. � interessante notar que se agrega o t�tula de "Rei de Sal�m", quer dizer: "Rei da Integridade, Paz e Perfei��o", qualidade estas que encarna o verdadeiro adepto da arte real, sacerdote ou ministro da suprema realidade.
Unicamente seres muito especiais, atrav�s da hist�ria, t�m sido capazes de perceber o verdadeito conceito e a import�ncia que abarca a cl�ssica f�rmula da Ordena��o Sacerdotal:
"E para sempre ser�s Sacerdote da Ordem de Melki-Tsedek" (Salmo 110- 4)
(Vide GEN 15, 17 A 20, SALM 15, HEB 5 A 7)
Trechos dos Manuscritos do Mar Morto
Esta � a hist�ria de Sal�m segundo ouvi dos l�bios de Melquisedeque por ocasi�o da festa de Sukot, quinze dias depois do livramento de L� e suas filhas.
Tudo come�ou com um sonho no cora��o de um homem chamado Adonias; Ele possu�a de muitas riquezas, mas a nada prezava mais que a justi�a e a paz que nascem da sabedoria e do amor.
Cansado com as injusti�as que predominavam por toda a terra de Cana�, Adonias resolveu edificar um reino que fosse regido por leis de amor e de justi�a. O nome da capital desse reino seria Sal�m, a Cidade da Paz.
Os s�ditos de Sal�m n�o empunhariam arcos e flechas, mas seriam treinados na arte musical; Cada habitante de Sal�m teria sempre ao alcance de suas m�os um instrumento musical, para expressar por meio dele a paz e a alegria daquele novo reino. Juntos, formariam uma poderosa orquestra na luta contra a desarmonia que nasce do orgulho e do ego�smo.
O primeiro passo de Adonias para a concretiza��o de seu plano, foi elaborar as leis do novo reino, as quais ele as escreveu em um pergaminho. Os s�ditos de Sal�m n�o poderiam mentir, furtar, odiar, nem matar seus semelhantes. O orgulho e o ego�smo eram apontados como causa de todo o mal, portanto, n�o poderiam existir naquele lugar de paz..
As leis do pergaminho requeriam a pr�tica da humildade, da sinceridade, da amizade, e, acima de tudo, do amor que � a maior de todas as virtudes.
Depois de registrar no pergaminho as leis que regeriam aquele reino, Adonias passou a arquitetar Sal�m. Seria uma cidade a princ�pio pequena, com habita��es para mil e duzentas pessoas. Como lugar de sua edifica��o, foi escolhida uma regi�o alta de Cana�, ao ocidente do Monte das Oliveiras.
Em pouco tempo, a realiza��o de Adonias come�ou a atrair pessoas de todas as partes que, de perto e de longe, vinham para conhecerem os pal�cios e as mans�es que estavam sendo edificados. Admirados ante a beleza daquela cidade t�o alva, os visitantes perguntavam sobre quem seriam os seus moradores. Adonias mostrava-lhes o pergaminho, dizendo que Sal�m destinava-se aos limpos de cora��o - aqueles que estivessem dispostos a obedecerem suas leis.
A edifica��o da cidade foi finalmente conclu�da e Sal�m revelou-se formosa como uma noiva adornada, � espera de seu esposo.
Assentado em seu trono, Adonias examinava agora os numerosos pretendentes a s�ditos que chegavam de todas as partes. Aqueles que, prometendo fidelidade �s leis, eram aprovados, recebiam tr�s dotes do rei: o direito � uma mans�o, vestes de linho fino e um instrumento musical no qual deveriam praticar.
A cidade ficou finalmente repleta de moradores. Cheio de alegria, Adonias convocou a todos para a festa de inaugura��o de Sal�m, no decorrer da qual proclamou um decreto que determinaria o futuro daquele reino, dizendo:- A partir deste dia, que � o d�cimo do s�timo m�s, seis anos ser�o contados, nos quais todos os moradores ser�o provados. Somente aqueles que permanecerem leais, progredindo na pr�tica das leis do pergaminho, ser�o confirmados como herdeiros deste reino de paz. Aqueles que forem enla�ados por culpas e transgress�es, ser�o banidos pelo ju�zo.
As palavras do rei levou a todos a um profundo exame de cora��o, e alegraram-se com a certeza de que alcan�ariam vit�ria sobre todo o orgulho e ego�smo, que s�o as ra�zes de todos os males.
Adonias tinha um �nico filho a quem dera o nome de Melquisedeque. A beleza, ternura e sabedoria desse filho amado, haviam sido sua inspira��o para a edifica��o funda��o de seu reino.
Melquisedeque tinha doze anos de idade, quando Sal�m foi inaugurada. Era plano de Adonias coro�-lo rei sobre os s�ditos aprovados, ao fim dos seis anos. Este plano, o manteria em segredo at� o momento devido.
O pr�ncipe, com suas virtudes e simpatia, tornou-se logo muito querido de todos em Sal�m. Ele tinha sempre nos l�bios um sorriso e uma palavra de carinho. Apreciava estar junto aos s�ditos em seus lares, recitando-lhes as leis do pergaminho em forma de lindas can��es que vivia a compor. Sua presen�a trazia ao ambiente uma atmosfera de felicidade e paz. Esse amado pr�ncipe possu�a, de fato, todas as virtudes necess�rias para ser rei de uma Sal�m vitoriosa.
Adonias edificara uma mans�o especial junto ao pal�cio, com o prop�sito de ofert�-la ao s�dito cuja vida expressasse mais perfeitamente as leis do pergaminho. Diariamente ele observava os moradores, procurando entre eles essa pessoa a quem desejava honrar.
Passeava pelas alamedas de Sal�m, quando, por entre o trinar de p�ssaros, Adonias ouviu uma voz semelhante a de seu filho. Ao voltar-se para ver quem era, encontrou um belo jovem que cantarolava uma can��o. Ao contemplar em sua face o brilho da sabedoria e da pureza, Adonias alegrou-se por haver encontrado aquele a quem poderia honrar. Aquele jovem, que era uma c�pia fiel do pr�ncipe, chamava-se Samael.
Colocando-lhe um anel no dedo, o rei conduziu-o ao pal�cio, onde, recebido por Melquisedeque que ofereceu-lhe muitos presentes, entre os quais o direito de estar sempre ao seu lado.
Adonias preparou um grande banquete em honra a Samael, para o qual todos foram convidados. Ao contempl�-lo ao lado do rei, os s�ditos o aclamaram com alegria, acreditando ser o pr�prio pr�ncipe.
Exaltavam com j�bilo as virtudes daquele formoso jovem, quando revelou-se Melquisedeque, posicionando-se com um sorriso � direita de seu pai.
No banquete, Samael foi honrado por todos. Realmente ele era digno de residir na mans�o do monte, pois havia nele um perfeito reflexo das virtudes que coroavam o amado pr�ncipe.
Sal�m crescia em felicidade e paz.Com alegria, os s�ditos reuniam-se a cada dia ao amanhecer para ouvirem, cantarem e tocarem as sublimes composi��es de Melquisedeque, que inspiravam atos de bondade e paz.
Entre as amizades nascidas e fortalecidas em virtude da m�sica harmoniosa, sobressaia aquela que unia o pr�ncipe a Samael. Desde que passara a residir na mans�o do monte, Samael tornara-se seu companheiro constante. Passavam longas horas juntos, meditando sobre as leis do pergaminho.Com admira��o, o s�dito honrado via o filho de Adonias transformar aquelas leis em lindas can��es. As doces melodias nasciam dos seus l�bios como o perfume de uma flor.
Consciente da import�ncia da m�sica na preserva��o da harmonia e paz em Sal�m, o pr�ncipe, al�m do canto, passou a dedicar-se � m�sica instrumental, sendo o seu instrumento preferido o ala�de. Era por meio desse instrumento que conseguia expressar com maior perfei��o a riqueza de seu �ntimo.
Dos seis anos de prova, cinco, finalmente, passaram. Adonias, feliz por ver que at� ali todos os habitantes de Sal�m haviam permanecido leais aos princ�pios contidos no pergaminho, convocou-os para um banquete, no qual faria importantes revela��es.
Tendo tomado seus lugares diante do trono, os s�ditos, com alegria uniram as vozes entoando os c�nticos da paz, sendo regidos por Samael.
Depois de ouvi-los, o rei, emocionado, dirigiu-se a seu filho, abra�ando-o em meio aos aplausos da multid�o agradecida. Todos reconheciam que a paz e a alegria em Sal�m, eram em grande medida devidas ao amor e dedica��o do querido pr�ncipe, que era o autor daquelas doces can��es.
Naquele momento de reconhecimento e gratid�o, Adonias revelou os seus planos mantidos at� ent�o em segredo.Com voz pausada, disse-lhes: - S�ditos deste reino de paz, minh�alma est� repleta de alegria por contemplar nesse dia vossas faces mais radiantes que outrora. Vossas vestes continuam alvas e puras, como quando as recebestes de minhas m�os. A harmonia de vossas vozes e instrumentos, hoje s�o maiores.
Tendo dito estas palavras, o rei acrescentou com solenidade:-Um ano de prova ainda resta, ao fim do qual sereis examinados. Permanecendo fi�is como at� aqui, sereis honrados confirmados como s�ditos deste reino de paz. Contudo, se algu�m for achado em falta, ser� banido, ainda que este julgamento nos traga muita tristeza e sofrimento.
As palavras do rei levaram os s�ditos a uma profunda reflex�o. Todos, examinando-se, indagavam reverentes: - Estaremos aprovados?!Certos de que seriam vitoriosos, pois amavam Sal�m e suas leis, uniram as vozes num c�ntico expressivo de fidelidade. Ao terminarem o c�ntico, Adonias revelou-lhes seu grande segredo:
- Aqueles que forem aprovados, herdando este reino de paz, receber�o como rei o meu filho , a quem darei o trono glorificado dessa Sal�m vitoriosa.A revela��o do rei foi aclamada por todos com muito j�bilo. Adonias, contudo, ainda n�o lhes revelara todo o seu plano, por isso pedindo-lhes sil�ncio, prosseguiu:
- O meu filho empunhar� um cetro especial, no qual selarei todo o direito de dom�nio seu cetro , simbolizando toda a harmonia, ser� um ala�de.Diante desta revela��o que a todos sensibilizou, o pr�ncipe prostrando-se aos p�s de seu pai, chorou motivado por muita alegria. Enquanto isto, todos o aplaudiam com euforia, ansiando ver o raiar desse dia em que a paz seria vitoriosa.
Adonias, chamando para junto de seu filho a Samael, concluiu dizendo:- No governo dessa Sal�m vitoriosa, tenho proposto fazer de Samael o primeiro depois de Melquisedeque. A ele ser� confiado o pergaminho das leis, devendo ser o guardi�o da honra desse reino triunfante.
Samael, ao conhecer os planos de Adonias quanto ao futuro de Sal�m, encheu-se de euforia. Contemplava agora risonho aquela cidade sem igual, imaginando seu futuro de gl�ria. Considerando as palavras do rei, de que ele seria o segundo no reino, deixou ser dominado por um sentimento de exalta��o. Ele, que at� ali, em obedi�ncia �s leis do pergaminho, vivera uma vida de humildade, come�ava a orgulhar-se de sua posi��o. Em seu devaneio sentia-se junto ao trono, tendo os s�ditos de Sal�m a seus p�s, aclamando com louvores sua grandeza. Samael, totalmente dominado por esse sentimento, n�o dava por conta de que estava sendo conduzido para um caminho perigoso. O orgulho que o seduzira, estava gerando o ego�smo que logo se manifestaria em cobi�a.
Uma semana ap�s a revela��o de Adonias, os s�ditos promoveram uma festa em homenagem a Melquisedeque, o futuro rei de Sal�m. Vendo-o aclamado por tantos louvores, Samael teve o cora��o tomado por um estranho sentimento de inveja, fruto do orgulho e do ego�smo. N�o podia suportar o pensamento de ser deixado em segundo plano. N�o era ele t�o formoso e s�bio quanto o pr�ncipe?! Era quase imposs�vel disfar�ar tal sentimento de infelicidade.
Outrora, Samael encontrara indiz�vel prazer nos momentos em que, ao lado do pr�ncipe, recitava as leis contidas no pergaminho, que eram transformadas em lindas can��es. Agora, tais momentos tornaram-se desagrad�veis, pois aqueles princ�pios contrariavam os seus ideais. Decidiu, contudo, n�o revelar seus sentimentos de revolta. Suportaria o antiquado pergaminho at� que, com sua autoridade, pudesse bani-lo do novo reino que seria estabelecido. N�o seria ele o guardi�o daquelas leis? Essa "vit�ria" procuraria alcan�ar mediante sua influ�ncia e sabedoria.
Julgando poder influenciar o filho de Adonias com seus sonhos de grandeza, Samael aproximou-se dele com euforia, e passou a falar-lhe das gl�rias do reino vindouro, onde os dois, cobertos de honras, desfrutariam dos louvores de uma Sal�m vitoriosa. Seriam eles os her�is do mais perfeito reino estabelecido entre os homens.
As delirantes palavras do s�dito honrado trouxeram preocupa��o e tristeza ao cora��o do jovem pr�ncipe, pois n�o refletiam os ensinamentos de amor e humildade do pergaminho.
Vendo o seu �ntimo amigo em perigo, Melquisedeque, com uma ternura jamais revelada, conduziu-o para junto do trono, onde, tomando o pergaminho, passou a ler compassadamente os seguintes par�grafos:
- O reino de Sal�m ser� firmado sobre a humildade ,pois esta virtude � a base de toda verdadeira grandeza.
A humildade � fruto do amor, sendo contr�ria ao orgulho, que pode manter uma criatura presa ao p�, fazendo-a contentar-se com suas limita��es ,iludindo-a como se as mesmas fossem de infinito valor.
A humildade consiste no esquecimento de si, e este, numa vida de abnegado servi�o pelos semelhantes.
Samael, esfor�ando-se para encobrir sua indigna��o ante a leitura do pergaminho que para ele era ultrapassado, disse ao pr�ncipe, em tom de conselho amigo:
- Meu bom companheiro, reinaremos numa Sal�m vitoriosa, que fulgurar� muito acima deste pergaminho ,cujos princ�pios foram cumpridos fielmente nesses anos de prova. A plena liberdade n�o ser� a gl�ria de Sal�m? Pois saiba que, completa liberdade n�o coexistir� com estas leis, cujo objetivo encerra-se ao fim dos cinco anos. Caber� a n�s dois coroarmos Sal�m com a honra de uma total liberdade, que gerar� uma felicidade sem fim. Tal liberdade � imposs�vel existir sob as limita��es do pergaminho.
O filho do rei ficou muito abalado ante as palavras de seu amigo, que evidenciavam loucura. Como libert�-lo desse caminho de morte?!
Ningu�m em Sal�m, al�m de Melquisedeque, conhecia a triste condi��o de Samael. Com paci�ncia, o pr�ncipe procurava conscientiz�-lo do real valor do pergaminho, cujas leis n�o podiam jamais ser alteradas, pois isto seria o fim de toda a paz.
Os conselhos do pr�ncipe despertaram finalmente o seu cora��o. Meditando sobre suas palavras, conscientizou-se de estar seguindo por um caminho enganoso.
Ao ver nos olhos daquele a quem tanto amava as l�grimas do arrependimento, o filho de Adonias alegrou-se com sua vit�ria sobre o orgulho e o ego�smo.
Os dias que seguiram-se � liberta��o, foram cheios de realiza��es; O pr�ncipe revelava-se ainda mais amigo, disposto a dar tudo de si para que seu companheiro pudesse prosseguir triunfante no caminho da humildade. Naqueles dias de j�bilo, foi dada a ele a honra de conhecer o cetro que estava sendo moldado.
Num momento de descuido, Samael que voltara a desfrutar paz de esp�rito, permitiu que seu cora��o novamente ficasse possu�do por um sentimento de grandeza, que fez desencadear nova tormenta em sua alma. Esse sentimento misto de orgulho e cobi�a lhe sobreveio no momento em que o pr�ncipe mostrava-lhe o dourado ala�de, no qual estava sendo impresso o selo de todo o dom�nio.
De sua mans�o Samael contemplava Sal�m em seu resplendor matinal. Vendo-a, qual noiva adornada � espera de seu rei, cobi�ou-a. Em seu del�rio passou a formular planos de conquista. J� podia sentir-se exaltado sobre o seu trono, tendo nas m�os o cetro precioso. Todos aclamariam-no como o libertador da opress�o daquelas leis. Sal�m seria um reino de completa liberdade e prazer. Dominado por esta cobi�a, passou a maquinar planos de conquista.
Samael decidiu agir sutilmente entre os s�ditos, levando-os a ver no pergaminho um impec�lio � real liberdade. Em sua miss�o de engano, agiria com aparente bondade, revelando interesse pelo crescimento da felicidade de todos.
Pondo em pr�tica seus planos, passou a visitar os s�ditos em suas mans�es, falando-lhes das gl�rias do reino vindouro, onde desfrutariam completa liberdade.
Grande era a sua influ�ncia em Sal�m. Todos admiravam sua beleza e sabedoria, tendo-o como um perfeito ap�stolo da justi�a e do amor. Ningu�m podia imaginar que em meio �quela atmosfera de j�bilo e gratid�o uma armadilha sutil estava sendo colocada, nas garras da qual muitos poderiam cair por descuido.
Em sua sedutora miss�o, Samael n�o falava contra o pergaminho, ali�s, louvava-o por haver exercido naqueles seis anos prestes a findarem ,uma miss�o de prova. Em sua l�gica, contudo, procurava mostrar que, no reino vindouro, quando todos estivessem aprovados, estariam acima daquelas leis. Seus argumentos, aparentemente corretos, preparavam-lhe o caminho para afirmar abertamente que, no novo reino, a exist�ncia do pergaminho, seria um entrave � concretiza��o da verdadeira liberdade.
As sementes da rebeli�o lan�adas por Samael n�o tardaram a germinar no cora��o de muitos em Sal�m. Isto acontecia a seis meses do Yom Kipur, quando o destino de todos seria selado. Um ter�o dos habitantes ,seduzido pelo terr�vel engano, exaltava-o agora, em completo desprezo �s leis e ao pr�ncipe, a quem julgavam ultrapassados.
Adonias, que sofria ao ver o surgimento de toda essa rebeldia, convocou os s�ditos para uma reuni�o de emerg�ncia. Na face de todos podia-se ver as contrastantes disposi��es.
Com voz compassiva, o rei passou a revelar-lhes, como jamais fizera antes, a grande import�ncia das leis registradas no pergaminho, mostrando que elas eram a base de toda a prosperidade e paz. Se tais leis fossem banidas, toda felicidade e gl�ria se extinguiriam, dando lugar ao caos.
Depois de mostrar a necessidade das leis, Melquisedeque, movido por um forte desejo de salvar aqueles a quem tanto amava, ergueu diante de todos o pergaminho e, com voz cheia de bondade ofereceu-lhes o perd�o e a oportunidade de recome�arem no caminho da paz. Suas palavras a todos emocionou, ficando at� mesmo Samael ficou a princ�pio motivado, contudo, o orgulho impediu-lhe novo arrependimento. Desta maneira, o s�dito honrado, quando ainda podia olhar arrependido para o pergaminho, endureceu-se em sua rebeldia, decidindo prosseguir at� o fim. Esta decis�o, todavia, n�o a manifestaria prontamente, pois idealizara um trai�oeiro plano.
Ao findar o encontro da oportunidade, Samael convocou seus seguidores para uma reuni�o secreta, que foi realizada sob o manto da noite, junto ao riacho de Cedrom que ficava fora dos muros de Sal�m.
Ap�s maldizer o pergaminho e a todos aqueles que o defendiam, ,come�ou a falar-lhes de seus planos de vingan�a e trai��o:- Como voc�s sabem, os seis anos da prova est�o se esgotando, restando, a partir de hoje, vinte e quatro semanas para o dia da coroa��o. Se voc�s quiserem ter-me como rei em lugar de Melquisedeque, poderei roubar-lhe o cetro, apoderando-me do reino.
Samael passou a explicar-lhes os lances da trai��o, dando-lhes as devidas orienta��es sobre a maneira de agirem a partir daquela data:- Precisamos manter uma apar�ncia de fidelidade ao pergaminho e ao pr�ncipe at� que chegue o momento de agirmos. O golpe ser� dado na noite que antecede o dia da coroa��o. � meia-noite, furtivamente nos ausentaremos de Sal�m. Roubarei nessa noite o cetro e, juntos, fugiremos para o profundo vale onde est�o as cidades de Sodoma e Gomorra. Ali nos armaremos, e marcharemos contra Sal�m, subjugando nossos inimigos. Acabaremos ent�o com o pergaminho e com todos aqueles que se recusarem prestar obedi�ncia ao nosso governo.
Sobrevieram dias de aparente tranq�ilidade e paz Samael, fingindo fidelidade, estava sempre ao lado do pr�ncipe, demonstrando admira��o pelas suas novas composi��es que exaltavam as leis do pergaminho. Os seguidores de Samael, da mesma maneira, uniam as vozes em louvores que expressavam a grandeza dos princ�pios aos quais repugnavam.
Melquisedeque, cheio de alegria por ver aproximar-se o dia de sua coroa��o, ensaiava com os s�ditos os c�nticos da vit�ria, os quais compusera especialmente para aquela ocasi�o.Com felicidade falava a todos sobre seus sonhos em tornar Sal�m cada vez mais honrada por sua beleza e harmonia.
Samael, em sua maldade velada, zombava do pr�ncipe. J� previa a dor que lhe traria o golpe da trai��o.
Naqueles dias de aparente paz, o s�dito rebelde procurou conhecer o lugar em que o cetro ficaria oculto at� o dia da coroa��o. O pr�ncipe, sem nada desconfiar, revelou-lhe todo o segredo: a sala, o cofre com seu enigma, o rico estojo e, finalmente o tesouro. Contemplando-o o astuto Samael animou-se ao ver estampado em seu bojo o selo do dom�nio; Compreendeu que, aquele que o possu�sse, teria nas m�os o reino de Sal�m. Somente alguns dias, pensou, e teria sob seu poder aquele instrumento precioso.
O sol declinou trazendo para Sal�m o dia que significaria vit�ria ou derrota.
Pouco antes do anoitecer, Samael deixara o pal�cio onde passara todo o dia ao lado do pr�ncipe, ajudando-o nos preparativos para a cerim�nia da coroa��o. Dirigindo-se para sua mans�o, saudou as trevas com um sorriso maldoso. Como ansiara por aquela noite!
Enquanto os fi�is, embalados pela emo��o da feliz vit�ria , revisavam sob a luz de candeias os adornos de seus instrumentos, de vestes e mans�es, certificando-se que seriam aprovados na manh� seguinte, Samael e seus seguidores faziam seus �ltimos preparativos para desferirem o golpe.
� meia-noite, seguindo as instru��es de Samael, todos os seus seguidores abandonaram silentemente suas mans�es, rumando-se ao profundo vale de Cedrom, onde esperariam pelo seu novo rei.
Samael, por sua vez, dirigiu-se aos fundos do pal�cio, por onde esperava entrar sem ser notado, indo ao encontro do cetro. Evitando qualquer ru�do, transp�s o portal, dirigindo-se silentemente � sala que guardava o precioso cetro.
Naquele momento, o pr�ncipe que, insone rolava em seu leito, pressentindo algum perigo, dirigiu-se ao quarto de seu pai e o despertou dizendo:- Meu pai, ouvi ru�dos de passos no interior do pal�cio.
Afagando a cabe�a de seu filho, Adonias, sonolento respondeu-lhe:
- Filho, n�o se preocupe. Deite-se comigo e durma tranq�ilamente. Daqui a pouco raiar� o alvorecer e voc� ter� nas m�os o ala�de dourado.O pr�ncipe, tranq�ilizado pelas palavras confiantes de seu pai, entregou-se a um sono de lindos sonhos em que vivia ao lado de Samael e de todos os s�ditos de Sal�m, os momentos festivos da coroa��o. Enquanto isso, o rebelde com as m�os tr�mulas, apossava-se do cetro. Naquele momento, teve a id�ia de levar somente o ala�de, deixando o estojo em seu devido lugar.Com um sorriso cheio de maldade, imaginou o momento em que o rei entregaria ao seu filho aquele estojo vazio.
Levando consigo o cetro, Samael dirigiu-se apressadamente ao lugar em que seus seguidores o aguardavam. Ao encontr�-los, deu vaz�o a todo o seu orgulho proclamando:- Agora eu sou o rei de Sal�m. Quem possui um cetro como o meu? Com ele domino a terra e o mar.A minha for�a est� nas trevas , pois atrav�s dela o conquistei.
Festejando a vit�ria, a turba ruidosa afastou-se para distante de Sal�m, seguindo rumo �s cidades corrompidas da plan�cie, onde pretendiam armarem-se para a conquista de seu reino.
O sol surgiu no horizonte, trazendo a luz do dia da expia��o (Yom Kipur)..Despertando de seu sono de lindos sonhos, o pr�ncipe apronta-se para a cerim�nia do ju�zo e da coroa��o. Vestes especiais de linho fino, adornadas com fios de ouro e pedras preciosas, foram-lhe preparadas. Depois de vestir-se, Melquisedeque encaminhou-se para o encontro de seus s�ditos, na extremidade sul de Sal�m. Dali os conduziria numa marcha festiva rumo ao pal�cio situado ao norte, sobre o monte Si�o.
Adonias, fazendo soar um longo chifre, convocou a todos para a reuni�o do julgamento. Deixando suas mans�es, todos os remanescentes dirigiram-se para a pra�a do port�o sul, levando consigo seus instrumentos musicais.
Ao encontrar-se com aqueles fi�is, Melquisedeque ficou surpreso pela aus�ncia de muitos. Esse mist�rio do�a-lhe na alma, pois lhe ocultava-lhe a face mais querida de seu amigo Samael.
Deixando seus seguidores reunidos, o pr�ncipe saiu � procura dos ausentes. Em sua busca infrut�fera, dirigiu-se finalmente � mans�o do monte, onde chamou por Samael; Sua voz, contudo, n�o trouxe nenhuma resposta al�m de um eco vazio, que traduzia ingratid�o.
Lendo no triste vazio a trai��o, sentiu vontade de chorar. Num s� momento veio-lhe � mente todo o passado daquele a quem buscara com tanta dedica��o conserv�-lo em sua gl�ria, atrav�s de conselhos s�bios. Recordou daqueles dias que seguiram � sua recupera��o; Como se alegrara com a certeza de que seu amigo n�o mais voltaria a cair! Levando-o a pressentir a trag�dia, veio-lhe a lembran�a as indaga��es de Samael sobre o ala�de, o qual mostrou-lhe num gesto de amizade. A mem�ria deste fato, somada aos passos ouvidos no interior do pal�cio naquela noite, deu-lhe a certeza que Sal�m corria perigo. N�o suportando essa possibilidade de trai��o, prostrou-se em pranto, ferido pela terr�vel ingratid�o daquele a quem dedicara tanto amor.
Curvado pela dor, permaneceu por algum tempo procurando encontrar algum consolo. Enxugou finalmente as l�grimas, decidido a fazer qualquer sacrif�cio a fim de devolver a Sal�m sua gl�ria e poder, redimindo-lhe o cetro das m�os da rebeldia.
Consolado pela certeza da vit�ria, Melquisedeque retornou para junto dos s�ditos fi�is. Ocultando-lhes seu sofrimento, bem como o motivo da aus�ncia de tantos, o pr�ncipe guiou-os em marcha triunfal rumo ao pal�cio.
Ao aproximarem-se do monte Si�o, galgaram os alv�ssimos degraus da escadaria, sendo seguidos pela multid�o exultante. Do�a-lhe na alma a expectativa de ver morrer nos l�bios dos fi�is, naquela manh�, o seu alegre canto, devido o golpe da trai��o.
Encontravam-se agora no interior do pal�cio, diante do magn�fico trono que esperava pelo jovem rei. Na base do trono, jazia aberto, em meio a um arranjo de flores, o pergaminho das leis. Junto dele podia-se ver a linda coroa, feita de ouro e pedras preciosas, bem como o estojo daquele cetro que simbolizava toda a harmonia de Sal�m.
Os s�ditos estavam felizes, pois sabiam que seriam achados dignos de herdar aquele reino de paz. Aguardavam agora o momento da coroa��o, quando o seu novo rei os regeria de seu trono com seu cetro precioso, num c�ntico triunfal.
Em meio aos aplausos das hostes vitoriosas, Melquisedeque dirigiu-se a seu pai, que o recebeu com um carinhoso abra�o. O momento era deveras solene. As hostes silenciaram-se na expectativa da coroa��o. O estojo seria aberto e, todos testemunhariam a exalta��o do querido pr�ncipe.
Com o cora��o pulsando forte pela alegria, Adonias curvou-se sobre o estojo, abrindo-o cuidadosamente; Ao encontr�-lo vazio, a alegria de seu semblante deu lugar � uma express�o de indiz�vel preocupa��o e tristeza, pois naquele cetro selara o destino daquele reino de paz.
Ao ver seu pai e todos os s�ditos aflitos pela aus�ncia do cetro e de tantos amigos que deveriam estar com eles naquele momento, Melquisedeque consolou-os com a promessa de que buscaria o cetro. Inconscientes dos riscos e perigos que aguardavam o pr�ncipe em seu caminho, os s�ditos despediram-se dele, vendo-o partir apressadamente.
O alvorecer daquele dia que seria o da coroa��o, alcan�ou os rebeldes distantes de Sal�m, a caminho das cidades da plan�cie. Naquele manh�, Samael encheu-se de f�ria ao ver que o precioso ala�de estava adornado com inscri��es das leis contidas no pergaminho. Tomando uma pedra pontuda, passou a danificar o cetro, raspando-lhe todas as palavras de amor e justi�a. Suas harmoniosas cordas estavam agora desafinadas sobre o seu bojo ferido, mas continuava sendo precioso, pois sobre ele jazia selado o dom�nio de Sal�m. Possu�-lo, significava ser dono de todo o poder.
Ao chegarem � altura em que o caminho bifurcava-se, Samael ordenou a seus seguidores que prosseguissem rumo a Gomorra, enquanto ele iria at� Sodoma, onde permaneceria por dois dias, juntando-se depois a eles.
Esperou pela noite para entrar em Sodoma. Quando ali entrou, caminhou pelas ruas estreitas sem ser notado, at� encontrar uma casa isolada sobre uma eleva��o. Fazendo do cetro sua arma, invadiu a casa matando seus moradores, enquanto dormiam. Apossou-se dessa maneira daquela resid�ncia onde, solit�rio, maquinaria seus planos para a tomada de Sal�m.
O entardecer daquele dia que seria o da coroa��o, alcan�ou o filho de Adonias a caminhar pelo pedregoso caminho rumo ao vale. Seus olhos carregados de tristeza e anseio voltam-se para o solo, em busca dos rastros dos rebeldes. A lembran�a da ingratid�o daqueles a quem tanto amava, o fez chorar. Suas l�grimas, refletindo os �ltimos lampejos daquele sol poente, assemelham-se a gotas de sangue jorrando de um cora��o ferido. Ele chorava n�o por causa dos perigos que lhe sobreviriam naquela fria noite, mas pela infeliz sorte daqueles que haviam trocado a paz de Sal�m pela viol�ncia daquelas cidades da plan�cie.
O seu �nico consolo era a lembran�a daqueles que, apesar de todas as tenta��es, haviam permanecido fi�is. A eles prometera devolver o cetro, e isto o faria apesar de qualquer sacrif�cio.
Depois de uma longa noite de ins�nia em que o pr�ncipe ficou recostado ao lado do caminho, raiou a luz de um dia que seria decisivo.
Ao aproximar-se de Sodoma naquela manh�, o pensamento de estar t�o pr�ximo do cetro de sua amada Sal�m, fez com que se esquecesse de toda a fadiga, abreviando seus passos rumo ao desafio.
Ao abeirar-se do grande port�o da cidade, ficou tomado por um temor, ao ouvir ru�dos espantosos de desarmonia, que traduziam o orgulho, o ego�smo e a cobi�a que ali dominavam todos os cora��es, fazendo-os explodir na orgia de uma maldade sem fim.
Seria um grande risco expor-se � viol�ncia gratuita daquela cidade. Esse pensamento o fez deter-se a um passo do portal, onde estremecido curvou a fronte em indiz�vel luta �ntima. Era tentado a recuar, mas lutava com todas as for�as de sua alma contra esse pensamento de fracasso.
Pensando na triste sorte de Sal�m, cujo dom�nio estava sendo pisado no interior daquela cruel Sodoma, Melquisedeque tomou uma firme decis�o: como um destemido guerreiro haveria de avan�ar, e, mesmo que tivesse de enfrentar o ac�mulo de todos os perigos, prosseguiria, at� erguer em suas m�os vitoriosas o cetro amado.
Resoluto e esperan�oso, transp�s o port�o de Sodoma, mergulhando naquele mundo estranho. Tudo ali era o oposto de Sal�m, come�ando pelas pedras �speras e sujas de suas constru��es. Sodoma era um reino de trevas.
A presen�a contrastante do pr�ncipe foi logo notada por muitos que, em tumulto o acercaram. A pureza de car�ter expressa em sua meiga face e o esplendor de suas vestes, encheram-nos de espanto, e recuaram como que vencidos por uma for�a invis�vel. Dominados pela f�ria , passaram a persegu�-lo � dist�ncia, decididos a faz�-lo recuar. Jogavam-lhe pedras e lama tentando macular-lhe as vestes, mas n�o o atingiam, enquanto ele avan�ava em sua ansiosa busca. Desistiram finalmente de persegu�-lo, ao entardecer.
O filho de Adonias percorrera todas as ruas e becos � procura do precioso cetro, mas em v�o. Ao ver tombar no horizonte o sol, anunciando a chegada de mais uma escura e fria noite, seu cora��o ficou opresso por uma grande agonia. Ali, naquele �ltimo beco, quase que vencido pela exaust�o e pelo desespero, inclinou a fronte, desfazendo-se em pranto. Seus l�bios, pronunciaram em meio aos solu�os as seguintes palavras:- Sal�m, Sal�m, voc� n�o pode perecer! O seu cetro precisa ser redimido das garras da rebeldia! Mas quando e onde vou encontr�-lo?! J� n�o restam for�as em mim, e a esperan�a de redimi-lo antes da noite me abandona!
O pr�ncipe, em sua suprema ang�stia, n�o percebia que outro gemido de dor, procedente de cordas arrebentadas de um ala�de humilhado, fazia-se ouvir naquele entardecer.
Subtamente, o fraco gemido penetrou seus ouvidos, reanimando-o com a certeza de que o grande momento da reden��o havia chegado. Enxugando as l�grimas, reuniu as �ltimas for�as correndo em dire��o � uma pequena casa situada sobre um monte, de onde parecia vir o som.
Ao dirigir-se � porta entreaberta, deteve-se ao contemplar uma cena chocante, de humilhante escravid�o: Samael, envolvido por um manto sujo, castigava o cetro de Sal�m. Tanto o rapaz quanto o cetro achavam-se t�o desfigurados, que n�o restavam neles quase que nenhum tra�o da gl�ria perdida. Aquele cetro, contudo, mesmo arrasado como estava, era muito precioso, pois nele jazia o selo do dom�nio de Sal�m.
A contempla��o daquele que fora seu maior amigo e daquele cetro idealizado como s�mbolo de toda a harmonia, em t�o tr�gica condi��o, comoveu profundamente o pr�ncipe, fazendo-o chorar em alta voz. Somente ent�o o s�dito rebelde percebeu sua presen�a indesejada. Estremecido, levantou-se, e, cheio de ira perguntou-lhe:- O que o trouxe a Sodoma?
Apontando para o cetro danificado, Melquisedeque exclamou:- A gl�ria de Sal�m est� destru�da!!!
Com uma gargalhada, Samael zombou de sua tristeza ,dizendo:
- Agora eu sou o rei de Sal�m. Voc�s que s�o fi�is ao pergaminho, tornar-se-�o meus escravos.
Sem se importar com as palavras de afronta de Samael, o pr�ncipe, movido por uma infinita ang�stia, lhe disse:- Samael, Sal�m est� ferida por sua trai��o. Por que voc� trocou o seu lar de justi�a e amor por esse vale de injusti�a, �dio e morte?! Agora, se n�o deseja retornar � Sal�m arrependido, devolva-lhe o cetro. Foi para redimi-lo que, a despeito de todos os perigos, desci a esse vale hostil.
Conhecendo o prop�sito do pr�ncipe, o rebelde encheu-se de raiva e cerrando os punhos disse-lhe :- Eu o odeio Melquisedeque!
Tendo dito isto, arremessou o cetro ao ch�o, e pisando-o acrescentou:
- Tenho vontade de fazer o mesmo com voc�.
Diante dessa afronta, o pr�ncipe n�o sentiu nenhum temor, mas compaix�o. Transportando-se ao feliz passado, lembrava-se dos momentos felizes em que tinha sempre ao seu lado a Samael; Ele era um jovem puro e humilde de cora��o; Por que permitira ser escravizado pela ilus�o do orgulho e do ego�smo?! Qu�o doloroso era ver aquele jovem que, por sua beleza e simpatia, havia sido honrado acima de todos os s�ditos, agora arruinado pela cobi�a! N�o fora o sonho do pr�ncipe ter junto ao seu trono glorificado, aquele que lhe era o mais precioso amigo?! Essa trag�dia feria-lhe a alma. Contudo, a triste condi��o do cetro o atingia ainda mais, pois ele fora feito como o s�mbolo de toda a harmonia ,e estava sendo desfeito sob os p�s da ingratid�o.
Surpreso por n�o ver nos olhos de Melquisedeque nenhuma express�o de temor, por�m de piedade, Samael sentiu-se frustrado em suas afrontas que visam amedront�-lo, levando-o desistir de sua miss�o.
Diante da postura digna do pr�ncipe, que em silente dor o contemplava, sentiu-se envergonhado. Essa fraqueza, contudo, foi banida pelo orgulho que dominava o seu cora��o. Come�ou ent�o a planejar algo terr�vel, para humilhar e ferir o pr�ncipe, fazendo-o sofrer ainda mais.Com esc�rnio disse-lhe:
- O cetro de Sal�m poder� ser seu, se voc� conseguir pagar-me o pre�o de seu resgate.Com um brilho nos olhos, o pr�ncipe perguntou-lhe:
- Qual � o pre�o?Samael, com um sorriso maldoso, respondeu-lhe pausadamente:
- O pre�o n�o � ouro nem prata, mas dor e sangue. Voc� dever� despir-se completamente de suas vestes, deitando-se ao ch�o. Dever� suportar nessa condi��o, espancamentos, at� que o sol se ponha. Se voc� estiver disposto a submeter-me, sem reagir, o cetro ser� inteiramente seu.Estremecido ante t�o cruel proposta, o filho de Adonias olhou para o sol que pairava distante sobre uma nuvem. Passou a travar em seu cora��o uma luta intensa. A princ�pio, o horror do sacrif�cio quase o dominou, levando-o recuar, mas o pensamento de ver Sal�m escravizada pela rebeldia, levou-o finalmente � decis�o de pagar o pre�o do resgate, entregando-se ao humilhante sofrimento.
Tendo tomado a firme decis�o de resgatar o cetro, o pr�ncipe, tirou as vestes, colocando-as sobre uma pedra. Deitou-se em seguida naquele solo frio, com a fronte voltada para o poente.
Impiedosamente, Samael come�ou a espanc�-lo, fazendo uso do pr�prio cetro como instrumento de tortura. Gemendo pela dor dos golpes que o faziam sangrar, o pr�ncipe mantinha o olhar fixo no sol que parecia deter-se sobre a nuvem. Atordoado pela dor, contemplou finalmente o sol prestes a se p�r. Alentado pela vit�ria que se aproximava,murmura baixinho:- Sal�m, Sal�m, daqui a pouco terei em meus bra�os o teu cetro precioso que, em minhas m�os, tornar-se-� num instrumento de justi�a e paz.
Ouvindo a promessa do pr�ncipe feita por entre gemidos, Samael bradou-lhe com f�ria:- O teu sofrimento n�o trar� nenhum alvorecer para Sal�m ,pois tuas m�os jamais ser�o capazes de tocar no cetro.
Depois de fazer essa afronta, Samael apossou-se de uma pedra pontuda, preparando-se para desferir os �ltimos golpes.
Enquanto pensava sobre a feliz vit�ria de Sal�m, Melquisedeque sentiu seu bra�o direito sendo comprimido pelos p�s de Samael. Seguiu a esse rude gesto um golpe que o fez contorcer-se em agonia. Sua m�o fora vazada cruelmente, passando a jorrar abundante sangue da ferida aberta. Essa mesma viol�ncia foi descarregada logo depois sobre sua m�o esquerda.
N�o suportando a agonia causada por esses derradeiros golpes, o filho de Adonias, ensang�entado, mergulhou nas trevas de um profundo desmaio
Ao cessar de golpear o pr�ncipe, o s�dito rebelde ficou possu�do por um estranho horror ao contemplar na face daquele que somente lhe fizera o bem, o torpor da morte. Procurava n�o recordar o passado, mas, irresistente, sentia ser arrastado aos dias de sua feliz inoc�ncia em Sal�m. Revestido de ricas vestes estava sempre ao lado do pr�ncipe que, com dedica��o, ensinava-lhe a cada dia suas can��es que falavam de paz.
Nas indesejadas lembran�as pelas quais era arrastado, reviveu seus primeiros passos no caminho do orgulho e do ego�smo. Lembrou-se dos incessantes conselhos e rogos daquele que fora seu melhor amigo, para que desistisse daquele caminho que poderia conduzi-lo � infelicidade.
Depois de ser arrastado em lembran�as por todo aquele passado de felicidade destru�da por sua culpa, Samael teve consci�ncia de sua ingratid�o. Horrorizado pelo que fizera, curvou-se sobre o corpo ensang�entado de Melquisedeque, e desesperou-se ao v�-lo sem vida. N�o suportando o peso da grande culpa, deixou �s pressas aquele lugar, desejando ocultar-se distante, sob as trevas da fria noite.
Depois de um profundo desmaio, o pr�ncipe come�ou a voltar � consci�ncia; Em del�rios que o transportavam ao seio de sua amada Sal�m, ele revivia momentos vividos e sonhados: Com alegria contemplava a face de seu maior amigo, para quem estendeu a m�o com um sorriso. Mas seu gesto foi frustrado por uma profunda dor. Em meio aos aplausos dos s�ditos vitoriosos, recebe de seu pai o cetro, mas ao toc�-lo, sente uma irresist�vel dor em suas m�os.
Com esses sonhos frustrados pela dor, Melquisedeque despertou para a realidade. Estava nu, ferido e solit�rio, em um lugar perigoso, longe do abrigo e carinho de Sal�m. Mais doloroso era pensar que tudo aquilo fora a retribui��o de algu�m que fora o alvo principal de todas as d�divas de seu amor.
O pr�ncipe, sem poder mover-se, considerando a grande trai��o passou a chorar sem consolo. Lamentava n�o por sua dor, mas pela perdi��o daqueles que haviam trocado o carinho e a justi�a de Sal�m pelo desprezo e �dio que os reduziriam finalmente a cinzas sobre aquele vale condenado.
Atrav�s das l�grimas, o pr�ncipe contemplava o c�u que, semelhante a um manto tinto de sangue, estendia-se banhado na luz do sol poente. Lembrou-se ent�o do ala�de pelo qual pagara t�o alto pre�o. Onde estaria ele?
Em sua desesperada fuga, Samael deixara o cetro abandonado junto ao corpo ferido de Melquisedeque. Quando ele o viu, esqueceu-se de toda a dor, e abra�ou-o com suas m�os feridas. Acariciando-lhe o bojo arruinado, disse-lhe com um sorriso:- Voc� � meu novamente. Eu o comprei com o meu sangue".
Samael que, dominado pelo estranho horror, fugira ap�s cometer o horr�vel crime, deteve-se a um passo do port�o de Sodoma. Ali, impulsionado pelo orgulho, arrependeu-se com indigna��o de sua fraqueza. Por que fugira depois de conquistar t�o grande vit�ria? N�o era seu plano destruir o reino de Sal�m, para estabelecer seu pr�prio reino? Lembrando-se do cetro, decidiu retornar para tom�-lo. Por que o deixara abandonado junto ao cad�ver daquele odiado pr�ncipe?
Reunindo suas poucas for�as, Melquisedeque dirigiu-se tropegamente ao lugar em que deixara suas vestes.
Depois de vestir-se, tendo junto ao peito o cetro amado, o filho de Adonias, com profunda emo��o fez um juramento antes de deixar aquele lugar de seu sofrimento. Acariciando o cetro diz-lhe:- Meu querido cetro, voc� foi criado como um emblema da harmonia que procede da justi�a e do amor. Toda a gl�ria de Sal�m repousava sobre voc� quando a rebeldia em sua ingratid�o escravizou-o, arrastando-o para este vale hostil. Aqui voc� foi ferido e humilhado, vindo a tornar-se um instrumento de impiedade nas m�os do tirano. Eu, por�m, o redimi com o meu sangue. Agora nossas feridas ser�o restauradas, e em breve seremos entronizados em meio aos louvores de uma Sal�m vitoriosa. Quando esse sonho se concretizar, testemunharemos juntos o fim daqueles que se levantaram contra n�s para nos ferir. Samael e seus seguidores ser�o devorados pelo fogo que reduzir� �s cinzas Sodoma e Gomorra.
Concluindo seu solene juramento ,o jovem pr�ncipe, j� oculto pelas trevas da noite e deixou aquela colina, e sobre ela as marcas de seu sofrimento.
Desde que o filho do rei partira, prometendo retornar com o cetro, Sal�m vivia momentos de indiz�vel anseio. Em pranto, o rei e os s�ditos remanescentes lembravam-se de todo aquele feliz passado desfeito pela ingratid�o dos rebeldes. O que mais lhes torturava era a aus�ncia do pr�ncipe e do cetro, sem os quais todo o brilho daquele reino de paz se ofuscaria.
Desejando consolar o cora��o de seus s�ditos, Melquisedeque avan�ava em meio � noite rumo aos montes que cercavam Sal�m. Ainda que enfraquecido e ferido, prosseguia em sua marcha ascendente, esperando alcan�ar sua p�tria pela manh�.
Aquela longa e escura noite foi finalmente vencida pelos raios do alvorecer. Em Sal�m a esperan�a em rever Melquisedeque com o seu cetro estava quase banida quando, ao olharem para o Monte das Oliveiras, viram-no descendo pelo caminho do Gets�mani. Quando o encontraram no profundo vale de Cedrom, ficaram assustados com sua apar�ncia: sua face estava p�lida e seu manto encharcado de sangue. Mesmo assim, ele sorria expressando grande alegria.
Ao perguntarem-no sobre o porque daquelas marcas de sangue, Melquisedeque retirou de sob o manto suas m�os feridas, revelando-lhes entre elas o cetro redimido.
Depois de contar-lhes os passos que o levaram ao resgate do cetro, os s�ditos, emudecidos, prostraram-se reverentes aos seus p�s, aclamando-o como seu redentor e rei.
Em meio aos louvores das hostes redimidas, o pr�ncipe foi introduzido no pal�cio real, onde sob os cuidados de seu amoroso pai, deveria restabelecer-se de seu sofrimento. O cetro desfigurado, agora mais precioso, seria tamb�m restaurado, devendo tornar-se mais belo que antes.
O dia da coroa��o foi fixado para o pr�ximo Yom Kipur. Naquele dia, Melquisedeque selaria com o cetro restaurado o triunfo de todos os fi�is, bem como a condena��o dos rebeldes.
Poucos instantes ap�s a sa�da de Melquisedeque, Samael chegara ao local onde o deixara aparentemente sem vida, ao lado do ala�de. Sem entender aquele misterioso desaparecimento, ele prosseguiu para Gomorra, onde seus seguidores o esperavam. a Ao v�-los, proclamou sua "vit�ria" sobre o odiado pr�ncipe e sobre o cetro, os quais massacrara em Sodoma, n�o restando aos seguidores do pergaminho nenhuma esperan�a.
Suas palavras agradaram a turba rebelde, que passou a comemorar a "conquista" entregando-se � orgia. Zombavam agora da justi�a e do amor, exaltando a Samael como rei vitorioso.
Obteriam agora armas, com o prop�sito de avan�arem sobre Sal�m, desferindo-lhe o �ltimo golpe; Juntaram-se a eles em seu mal�fico prop�sito, muitos criminosos que foram recebidos como mestres no manejo de arcos e flechas.
Em sua loucura, Samael ordenou o banimento de todo calend�rio, pois em seu reino de "liberdade" n�o estariam sujeitos a nenhum c�mputo de tempo. As leis da moralidade foram tamb�m banidas, surgindo com isso um completo caos. Essa desordem, revelou-se de maneira mais patente no barulho estridente e cacof�nico, ao qual proclamaram como a nova m�sica.
Dominados pelo ego�smo, Samael e seus seguidores alimentavam-se de ilus�es, inconscientes de que seus dias estavam contados. Os frutos da rebeli�o n�o tardariam em atrair sobre eles o fogo da destrui��o.
Dividindo seus seguidores em pequenos grupos, Samael passou a comand�-los em atos violentos que aterrorizavam os moradores das plan�cies; Por esse tempo, eles escondiam-se nas cavernas situadas pr�ximas ao mar salgado.
O respeito e o medo dos guerrilheiros de Samael, levou finalmente os reis de quatro cidades a procurarem-no, propondo alian�as de paz. Eram eles: Bara, rei de Sodoma, Bersa, rei de Gomorra, Senaab, rei de Adama, Semeber, rei de Seboim e Segor, o rei de Bela. Por essa �poca, esses reis pagavam tributos a Cordolaomor, rei de Elam que, acompanhado pelos ex�rcitos de quatro outras cidades, os haviam subjugado no vale de Sidim junto ao mar salgado.
Fortalecido pelas alian�as, Samael tornou-se mais ousado em suas investidas, levando o terror e a destrui��o aos territ�rios de cidades distantes. Os ex�rcitos de Cordolaomor e seus aliados que retornavam nesses dias de outras conquistas, enfurecidos pelas provoca��es de Samael, marcharam contra os quatro reis, vencendo-os novamente no vale de Sidim. Foi nessa ocasi�o que levaram cativos os habitantes de Sodoma, entre os quais encontrava-se o meu sobrinho L�.
Acovardados diante do furor dos cinco reis, Samael e seus seguidores esconderam-se em suas cavernas, ao norte do mar salgado.
Os doze meses contados a partir do grande sacrif�cio estavam prestes a terminar. O cetro, totalmente restaurado, resplandecia em seu estojo, enquanto o pr�ncipe, igualmente restabelecido das feridas causadas pela rebeldia, alegrava-se ao ver chegar o Yom Kipur de sua coroa��o. Enquanto isso, ele compunha lindas can��es que expressavam o seu amor por Sal�m.
Naqueles doze meses, a cidade da paz tornara-se mais bela, sendo adornada qual noiva para o grandioso dia da coroa��o.
� uma semana para o Yom Kipur, Samael, totalmente inconsciente de que o dia de seu julgamento se aproximava, reuniu os seus seguidores, anunciando-lhes que a pr�xima miss�o seria a conquista de Sal�m. Antes de avan�arem, contudo, ele subiria sozinho para verificar os pontos vulner�veis da cidade.
Depois de ser aplaudido pela turba, Samael partiu em sua miss�o de reconhecimento. Enquanto avan�ava sozinho, procurava n�o lembrar-se daqueles momentos que trouxeram-lhe terror pela culpa, mas, dominado por uma for�a superior, foi arrastado em suas lembran�as para aquele monte da cruel tortura.
Todo o seu passado come�ou a vir-lhe � lembran�a, como um peso esmagador.
Quando despertou-se de suas lembran�as das quais n�o conseguiu fugir, j� era noite. A escurid�o que o envolvia pareceu-lhe o pren�ncio de um triste fim. Esse des�nimo, contudo, procurou bani-lo com a lembran�a do ex�rcito que o esperava, pronto para cumprir suas ordens, na conquista de Sal�m, onde n�o haveria lembran�as daquele pergaminho.
O alvorecer o alcan�ou pr�ximo de Sal�m. Ao avistar o monte das Oliveiras, veio-lhe � lembran�a a �ltima vez que o transp�s, deixando para tr�s a cidade vencida. Quantas noites haviam passado desde ent�o? Ele perdera a no��o de tempo, n�o sabendo que justamente doze meses haviam se passado. N�o podia imaginar que, raiava naquela manh� o Yom Kipur, o dia de seu julgamento.
Ao chegar ao topo do monte das Oliveiras naquela manh�, Samael surpreendeu-se ao ver que a cidade tornara-se mais bonita que outrora; Toda ela estava adornada de ramos e flores, como uma donzela � espera de seu noivo. Contudo, Sal�m estava abandonada, n�o havendo nenhum sinal de vida em todas as suas mans�es. Isto o fez concluir que os golpes que haviam aniquilado o pr�ncipe e o cetro, trouxeram como conseq��ncia todo aquele abandono. Ele n�o sabia, contudo, que naquele momento todos os remanescentes daquele reino, encontravam-se ocultos no grande sal�o do pal�cio, aguardando pelo momento mais glorioso, da coroa��o de Melquisedeque.
Imaginando-se exaltado sobre o trono abandonado, tendo a seus p�s os ex�rcitos vitoriosos, o rebelde penetrou na cidade, dirigindo-se apressadamente ao pal�cio. Ao transpor o portal principal que d� entrada ao sal�o principal, ficou surpreso ao ver ali reunidos uma multid�o de fi�is. Sobre um �ureo tablado, enfeitado de flores talhadas em pedras preciosas, encontra-se o trono vazio. Na base do trono estava o pergaminho das leis, uma coroa de ouro cheia de pedras preciosas e o estojo que deixara vazio naquela noite de trai��o. Sem entender o enigma, Samael escondeu-se por tr�s de uma coluna, temendo ser reconhecido, e ficou observando.
Os s�ditos, com express�o de feliz expectativa olhavam para o trono vazio. Onde encontravam eles motivos para toda essa alegria, se haviam perdido o seu rei juntamente com o cetro? Samael questionava sobre esse mist�rio, quando Adonias, aplaudido pelos s�ditos, encaminhou-se para junto do trono.Com voz cheia de emo��o pela vit�ria, o fundador de Sal�m anunciou que havia chegado o momento t�o sonhado da coroa��o. Um brado de triunfo ecoou pelos ares quando, anunciado pelo seu pai, entrou o amado pr�ncipe encaminhando-se em dire��o do trono. Ao v�-lo coberto por um manto de gl�ria, Samael ficou possu�do por um terr�vel pavor, e procurou fugir. Descobriu, contudo, que todos os portais do grande sal�o estavam fechados por fora.
Teve in�cio a cerim�nia da coroa��o. Era um momento deveras solene. Adonias, num gesto reverente, tomou a rica coroa, colocando-a na fronte de seu filho. Prostrando-se depois sobre o estojo, abriu-o cuidadosamente, tirando dele o ala�de restaurado, cuja beleza e brilho eram muito superiores � sua primeira condi��o, ao sair das m�os de Adonias o seu luthier. Assentando-se no trono em meio �s aclama��es dos s�ditos, Melquisedeque passou a dedilhar o cetro, tirando dele acordes de muita harmonia e paz. Todos se aquietaram para ouvirem suas novas composi��es que expressavam o seu profundo amor pelo cetro e por todo aquele reino de paz.
Grande emo��o invadia o cora��o de todos naquele momento, levando-os �s l�grimas. Samael, sem for�as para reagir, sentia-se torturado por aqueles acordes que torturavam faziam reviver em sua mente suas oportunidades perdidas, numa terr�vel tortura para sua consci�ncia.
Melquisedeque compusera para aquele momento especial, can��es que retratavam os momentos mais marcantes da hist�ria de Sal�m; Quando passou a cantar sobre a amizade que tinha por Samael, sua voz embargava-se pelas l�grimas que n�o conseguia conter. Triste para ele era cantar sobre a queda daquele que era-lhe o maior amigo! Cantou ent�o sobre o alto pre�o que teve de pagar pela reconquista do cetro, que representa a honra de Sal�m.
Ao contemplarem aquelas m�os marcadas pelas cicatrizes, tocando com tanta maestria e carinho o cetro restaurado, os s�ditos tomados por forte emo��o, prostraram-se em pranto.
Ao ver nas n�os de Melquisedeque aquele ala�de que, em suas m�os fora instrumento de tortura, Samael compreendeu, tarde demais o quanto errara, desviando-se dos conselhos do pr�ncipe; Quantas vezes aquelas m�os sobre as quais descarregara toda aquela viol�ncia haviam sido estendidas num esfor�o de salv�-lo, e ele as havia negligenciado. Agora, era tarde demais! Tarde demais!!!
Os s�ditos triunfantes que, reverentes, haviam sido conduzidos a todo aquele passado de felicidade, trai��o, dor e triunfo, uniram finalmente as vozes numa jubilosa proclama��o:Verdadeiros e justos s�o os teus princ�pios, � rei de Sal�m. Digno �s de reinar em gl�ria e majestade entre os louvores de teus fi�is, porque em teu sacrif�cio nos livraste das amea�as das trevas, fazendo renascer em nosso cora��o a alegria do alvorecer.
Esse c�ntico de exalta��o foi seguido pela cerim�nia de confirma��o de todos os fi�is em sua vit�ria. O filho de Adonias, com o seu cetro redimido, passou a selar com um toque especial do cetro, a vit�ria de cada um. Formou-se para tanto uma longa fila de fi�is exultantes.
Os s�ditos confirmados, � medida em que iam recebendo o toque de aprova��o do rei, posicionavam-se ao lado direito do trono, onde permaneciam aguardando pela confirma��o dos outros.
Os olhares que, iluminados de alegria, haviam acompanhado o selamento dos �ltimos justos, pousaram sobre a figura estranha de Samael que, dominado por uma for�a irresist�vel, encaminhava-se cabisbaixo em dire��o do trono. Seu aspecto era horr�vel: seu semblante havia sido deformado pelo mal; suas vestes estavam sujas e mal cheirosas; tudo nele repugnava, ao ponto de ningu�m reconhec�-lo.
Em meio ao espanto dos s�ditos, Melquisedeque ergueu-se de seu trono como que ferido por uma grande dor; De seus l�bios os s�ditos ouvem uma dolorosa exclama��o:
- Samael, Samael!!!A figura deplor�vel daquele que fora t�o belo, encheu a todos de tristeza, e come�aram a prantear. Eles lamentavam por saber que o destino de Samael e de todos aqueles que o seguiram, poderia ter sido muito diferente, se eles houvessem atendido aos rogos de amor de Adonias e de seu filho. N�o era o plano do rei e o sonho de Melquisedeque t�-lo como o guardi�o do pergaminho, sendo o segundo em honra naquele reino?
Samael que, reconhecendo sua desventura, aproximara-se cabisbaixo do trono, ao presenciar toda aquela lamenta��o, � novamente iludido pelo orgulho, julgando tratar-se de uma demonstra��o de fraqueza de seus inimigos. A lembran�a de seu ex�rcito que fortalecido o aguarda na plan�cie, ilude-o com a certeza de que ser� vitorioso sobre Sal�m.Com esse pensamento, ergue a fronte marcada pelo �dio e, fitando o rei, levanta o punho cerrado e o desafia, desdenhando de sua autoridade, com a amea�a de tomar-lhe o trono.
Ainda que condo�dos por sua perdi��o, os s�ditos de Sal�m n�o suportaram a ousada afronta daquele enlouquecido jovem que, depois de causar tanto sofrimento, ainda era capaz de erguer-se com tamanho desafio.
O vitorioso rei que com tanto prazer selara com o seu cetro a conquista dos fi�is, ergueu-o dolorosamente para o selamento da triste sorte dos rebeldes. Imobilizado por uma for�a estranha, Samael, sem desviar os olhos do cetro, ouviu dos l�bios do rei a proclama��o de seu julgamento e de todos os seguidores:
Prisioneiros de uma for�a invis�vel, ficariam retidos em suas cavernas por seis anos, sendo depois visitados pelo fogo do ju�zo que os destruiria juntamente com as cidades que a eles se aliaram.
Ao ir para a cama depois daquele dia de tantas emo��es, o jovem rei, imerso nas lembran�as daquele passado de felicidade e dor, rolava em sua cama insone. Quando finalmente adormeceu, teve um sonho muito significativo.
No sonho, apareceu-lhe um anjo luminoso, que saudou-o com um sorriso, dizendo-lhe que todo o Universo acompanhava com aten��o todo aquele drama que estavam vivendo, que o mesmo tinha um sentido prefigurativo, retratando acontecimentos passados e futuros, que envolvia todo o vasto universo.
As palavras do anjo despertaram em Melquisedeque um grande desejo de conhecer a hist�ria desse drama c�smico.
Conhecendo o seu anseio, o anjo arrebatou-o no sonho revelando-lhe um distante futuro. Diante de seus olhos manifestaram-se as gl�rias de uma nova e espl�ndida Sal�m, cujas muralhas e mans�es eram feitas de pedras preciosas; Os portais da cidade eram de p�rolas. Suas amplas avenidas eram de ouro puro. A cidade era quadrangular e se estendia por centenas de quil�metros. Estava dividida em dois setores distintos: Norte e Sul. Ao Sul elevavam-se incont�veis mans�es, habita��es eternas de anjos e de seres humanos redimidos; Ao Norte havia um lindo para�so ao qual o anjo revelou ser o jardim do �den. Ali, em ambas as margens do rio da vida, havia campos repletos de todo tipo de vegeta��o, com flores e frutos em abund�ncia. Viviam ali em perfeita harmonia, todas as esp�cies de insetos, aves e animais.
No meio do para�so podia-se ver uma montanha fulgurante, a qual o anjo afirmou ser o monte Si�o, o lugar do trono de Deus. Era daquele monte que emanava o rio da vida, fluindo por toda a cidade.
Quando alcan�aram o topo da montanha sagrada, o rei de Sal�m ficou deslumbrado com o cen�rio visto ao seu redor. Encontrava-se na parte mais elevada de Si�o a mais linda de todas as edifica��es revelado pelo anjo como o pal�cio de Deus. Aquela magn�fica constru��o era sustentada por sete colunas, todas de ouro transparente, engastadas de lindas p�rolas. Ao redor do pal�cio, floresciam a mais exuberante vegeta��o: havia ali o pinheiro, o cipreste, a oliveira, a murta, a rom�zeira e a figueira, curvada ao peso de seus figos maduros.
Enquanto admirava-se ante a beleza daquele lugar, o anjo disse-lhe que a nenhum ser humano fora dado o privil�gio de ver o interior daquele pal�cio de Deus. A ele seria dada esta honra, pois fora escolhido para ser o portador das mais amplas revela��es sobre o reino da luz.
Ao transporem com rever�ncia um dos portais de p�rolas, prostraram-se em adora��o, enquanto ouviam o c�ntico de uma multid�o de serafins, que circundavam o trono, em constante louvor �quele que Era, que � e que Sempre Ser�.
Ao olhar para Aquele que estava assentado sobre o trono, Melquisedeque ficou surpreso ao descobrir a figura de um homem. Ele estava coberto por um manto de linho fino, de uma alvura sem igual, e tinha sobre a cabe�a uma coroa formada por sete coroas sobrepostas, repletas de pedras preciosas.
Ao olhar para as m�os que sustentavam o cetro, o filho de Adonias ficou surpreso ao descobrir nelas cicatrizes de ferimentos, semelhantes �quelas em suas m�os. O anjo afirmou-lhe ser o Messias, a manifesta��o vis�vel de Yahw�h, o Deus Invis�vel.
Atra�do para o cetro resplandecente, com o qual o Messias governava sobre todo o Universo, o rei de Sal�m viu nele o selo do dom�nio, e nele escrito o nome: Israel.
Tomado por profunda emo��o, Melquisedeque prostrou-se ante o Rei daquela eterna Sal�m, e, revivendo ali a hist�ria de sua pequena cidade, teve desejo de conhecer o grande drama da hist�ria universal. Conhecendo o desejo de seu cora��o, o anjo disse-lhe:
- Agora lhe farei conhecer a hist�ria desta gloriosa Sal�m. Tudo o que lhe for mostrado na vis�o, voc� dever� registrar fielmente em seis pergaminhos que ser�o costurados um ao outro, formando um �nico rolo. Voc� ter� seis anos para escrev�-los. Ao fim dos sete anos, voc� receber� das m�os de um anci�o um vaso contendo um rolo especial, com muitas revela��es importantes, destacando-se a hist�ria de Sal�m. Voc� tomar� esse rolo, e o costurar� como o primeiro dos sete, formando um �nico rolo. Depois de sel�-lo, voc� e o anci�o o guardar�o no vaso, levando-o para uma caverna que eu lhes mostrarei ao norte do mar salgado, onde permanecer� esquecido at� que chegue os �ltimos dias, quando ser� resgatado e revelado ao mundo por meio de um pequeno bedu�no.Depois de falar ao rei de Sal�m estas palavras, o anjo conduziu-o em vis�o a um infinito passado, quando o Universo ainda n�o existia.
Uma hist�ria muito parecida com a de Sal�m passou a desdobrar-se diante de seus olhos; por�m, numa dimens�o infinitamente maior, come�ando pela cria��o do reino da luz.Com admira��o contemplou a forma��o de bilh�es de mundos e estrelas, repletos de vida e felicidade que passaram a girar em torno da Sal�m Celeste, o para�so de Deus.
Sua aten��o voltou-se depois para o mais belo de todos os querubins que, honrado pelo Criador, passou a residir com Ele em Seu pal�cio. Uma eternidade de felicidade e paz parecia embalar aquele reino, quando a mesma experi�ncia de ego�smo e rebeldia vivida por Samael, come�ou a repetir-se na vida daquele anjo amado.
Cenas de uma grande rebeli�o come�aram a ser mostradas a Melquisedeque, envolvendo todos os habitantes do Universo. O querubim honrado, semelhante a Samael, seduzira um ter�o das hostes que, passaram a reverenci�-lo como rei.
Em meio �s cenas daquele grande conflito, o rei de Sal�m testemunhou a cria��o do planeta Terra, sobre a qual surgiu o homem como cetro racional daquele reino disputado.
Com agonia viu o momento em que o chefe da rebeli�o aproximou-se sutilmente do para�so, apossando-se do ser humano, depois de seduzi-lo com tenta��es. Ouviu ent�o o seu brado, numa proclama��o de vit�ria. A partir daquele momento, o inimigo de Deus passou a arruinar o ser humano, apagando nele todos os tra�os da gl�ria divina, como Samael fizera com o cetro.
A sua pr�pria experi�ncia, ao declarar naquela manh� aos s�ditos de Sal�m sua decis�o de ir em busca do cetro perdido, come�ou a repetir-se diante de Seus olhos.
Reunindo as hostes que haviam permanecido fi�is ao Seu governo, o Criador passou a revelar um plano de resgate: Ele haveria de ir em busca do homem, e o remiria, ainda que isto lhe custasse infinito sacrif�cio. Diante desta revela��o, o filho de Adonias prostrou-se comovido, ao descobrir que em sua vida tivera a honra de retratara o pr�prio Messias.
Todo o drama vivido pelo filho de Adonias em sua angustiante busca, at� o momento de seu supl�cio pela reden��o do cetro, foi ganhando amplitude naquela vis�o que abarcava toda uma eternidade. Diante de seus olhos desfilavam cenas de uma grande batalha que, sem tr�gua se estenderia at� o dia do ju�zo final, quando o Messias vitorioso empunhar� o cetro redimido, selando com ele a condena��o de todas as hostes rebeldes.
Atrav�s das revela��es recebidas do anjo, Melquisedeque tomou conhecimento do grande livramento alcan�ado dez dias antes de sua coroa��o, em Rosh Hashan�, quando diante de trezentos pastores com seus vasos incendiados, ex�rcitos de cinco reis tombaram, saindo livres os cativos.
Conhecendo nossa inten��o de subir � Sal�m por ocasi�o de Sukot, o rei fez preparativos para uma grande festa, na qual comemorar�amos juntos a vit�ria sobre toda a desarmonia gerada pelo orgulho e pelo ego�smo.
Foi por isso que ao chegarmos a Sal�m, ficamos surpresos com toda aquela honrada recep��o.
Ocupar-me com o relato de todos esses acontecimentos, fez-me passar por todo este s�timo ano, quase sem notar os seus dias, que passaram velozes. Estamos hoje �s portas de um novo Rosh Hashanah, quando os 300 pastores tocar�o os chifres, convocando todos aqueles que possuem as p�rolas, para a reuni�o solene de Yom Kipur. Cinco dias depois seremos recebidos em Sal�m para a festa de Sukot.
A certeza de que acontecimentos importantes ainda dever�o ser relatados at� o momento em que o vaso ser� deixado na caverna, fez-me reservar um espa�o no rolo, no qual registrarei, dia ap�s dia, os fatos, at� a consuma��o desta hist�ria.
Hoje � Rosh Hashan�, o dia mais feliz de minha vida, pois meus bra�os puderam envolver finalmente o filho da promessa. A primeira coisa que Sara fez ao receb�-lo, foi colocar-lhe em sua m�ozinha direita a segunda p�rola que o Messias lhe dera no dia de sua convers�o, na qual estava escrito nome Isaque que significa "riso", o nome de Melquisedeque e o nome de Sal�m.
Dois dias antes do Yom Kipur, Isaque foi circuncidado, conforme a ordem de Yahw�h.
Desde que os pastores come�aram a tocar seus chifres em Rosh Hashanah, todos aqueles que possu�am p�rolas do vaso, deixaram suas tendas, dirigindo-se em pequenos grupos, para junto do Carvalho de Mambr�.
Ao chegar o Yom Kipur, o dia da reuni�o solene, meus pastores informaram-me que todos que aqueles que haviam recebido p�rolas, haviam comparecido ao encontro, n�o faltando nenhuma pessoa. Era maravilhoso ver a alegria estampada no semblante de toda aquela multid�o, que ansiava pela subida � Sal�m. Todos tinham uma hist�ria para contar, de como foram mal compreendidos e humilhados por aqueles que n�o receberam a salva��o representada pelas p�rolas. O �nico consolo que tinham naquele tempo, vinha da certeza de que subiriam a Sal�m para a festa de Sukot.
No primeiro dia da festa de Sukot, a multid�o foi subdividida pequenos grupos de doze pessoas, para subirmos em ordem � Sal�m.
Tendo o vaso com o rolo em minhas costas, posicionei-me � frente da multid�o, sendo seguido por Sara e Isaque, que vinham montados num camelo; Logo atr�s vinha L� e suas filhas; um pouco atr�s, os trezentos pastores seguidos por todos os fi�is.
Inici�vamos nossa escalada quando, acompanhado por todos os seus s�ditos, surgiu Melquisedeque vindo ao nosso encontro, fazendo vibrar pelos ares o som festivo de muitos instrumentos musicais, comemorando a grande vit�ria.
Depois de saudar-nos, o filho de Adonias conduziu-nos numa marcha festiva at� adentrarmos os portais de Sal�m, que encontra-se agora mais bonita que outrora.
Diante do trono, todos os remidos foram coroados por Melquisedeque,come�ando em seguida o grande banquete.
Grande foi a alegria do rei de Sal�m quando entreguei-lhe o vaso com o meu manuscrito. Levando-me para uma sala especial do pal�cio, ele mostrou-me os seis manuscritos nos quais registrara a hist�ria do Universo, segundo fora-lhe mostrada em sonho.
Ao receber o meu manuscrito, ele o costurou aos demais, vindo a ser o primeiro do grande rolo.
No �ltimo dia da festa de Sukot, o rolo foi aberto diante de toda a multid�o de fi�is. Depois de ler uma boa parte do meu manuscrito, o filho de Adonias, tomando em seus bra�os o pequeno Isaque, afirmou:- Na descend�ncia desta crian�a haver� de cumprir-se todas as coisas escritas neste manuscrito.
Tendo dito isto, o rei o aben�oou, devolvendo-o � Sara.
Depois de aben�oar Isaque, Melquisedeque passou a falar sobre o futuro do rolo que permaneceria por quase quatro mil�nios ocultos em uma caverna, sendo finalmente encontrado por um bedu�no da tribo de Taamireh. Ao sair de sua caverna, o rolo enfrentaria a oposi��o de muitos eruditos que o declarariam ap�crifo. Viria, contudo, o momento, em que suas revela��es seriam confirmadas, e muitos seriam transformados pelas suas mensagens, preparando-se para o dia do ju�zo final.
Tradu��o de Di�genes Oliveira
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