Eu
queria ser poeta
Há
dias que estou tentando
Escrever um poema.
Surgem-me tantas idéias.
Mas
não consigo expressá-las.
Sofro por não o ter o dom
da
palavra.
Como sofro!
O
que eu queria mesmo era
ser poeta.
Brincar com as palavras, com os versos,
com as rimas, com as metáforas...
Ouvir minha voz fora de mim.
Queria, na verdade, girar o mundo.
Estar aqui e ali.
Queria poder voar.
Impossível.
Estou presa à palavra.
Tudo é tão limitado, tão desconhecido.
Tão inacessível.
Fico rabiscando, rabiscando...
Por que insisto em
querer
ser poeta?
( Eliete Carvalho)
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Conheça
o poeta palmarense Vilmar Carvalho através de sua biografia e de
suas poesias. Há também comentários sobre seus livros. Vale a pena a
leitura. Leia
a
apresentação.
A
Oralidade na Produção Textual
Livro
da autora, publicado pelas Edições Bagaço, em 2002. Trata-se de uma
contribuição ao ensino da Língua Portuguesa, pois discute a respeito da
língua falada e da escrita em pesquisa realizada com alunos de
5ª série.
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Poesia
é alma, é arte, é

Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se
desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.
Sei
que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
-
mais nada
(Cecília Meireles)
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Poesia é história, enfim é

Aula de Português
A
linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e
de entender.
A
linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e
vai desmatando
o
amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramáticas, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já não sei a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
Em que levava e dava pontapé,
a
língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O
português são dois; o outro, mistério.
(
Carlos
Drummond de Andrade)
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