QUEM É VILMAR CARVALHO
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O
dia 04 de setembro de 1963
é marcado pelo nascimento do poeta
Vilmar
Antônio
Carvalho da Silva,
em Catende, cidade interiorana de Pernambuco. Catende é sua terra de
batismo, mas Palmares logo seria sua verdadeira terra natal. O poeta não nega
sua origem, porém, adotou Palmares como sua verdadeira terra. Filho de Lucinéia
Gonçalves de Carvalho e de Manuel Antônio da Silva, operário e sindicalista;
casal que muito lutou para criar seus sete filhos. É o mais velho da prole.
Desde cedo o poeta deu sinal de muita inteligência, pois aprendeu a ler e a
escrever aos cinco anos com sua mãe, que o alfabetizou em casa. Assim, quando
entrou na escola já sabia ler e escrever, fato que o fez terminar o primário em
apenas dois anos. Na época, não existiam os chamados jardins I, II e III, as
crianças da classe popular só entravam na escola com sete anos. Ao terminar o
primário em apenas dois, logo fez a admissão para entrar no ginásio, com nove
anos, no colégio EPAM, em Ribeirão-PE.
Sua infância foi de muita dedicação aos livros. Realmente ele leu de tudo, incentivado por sua mãe, que não mediu esforços para educá-lo e torná-lo um homem de bem. Foi um bom aluno e sempre tirou boas notas, chegando a ser considerado um dos melhores alunos durante toda sua trajetória escolar.
Mas a vida não era nada fácil para seus pais, que viviam do emprego das usinas e, que, sempre estavam mudando de lugar devido à temporalidade do emprego do pai. Logo que saiu de Catende foi para a cidade do Ribeirão, onde viveu boa parte de sua infância, saindo de lá aos 12 anos, transferindo-se para o Recife em 1975, onde cursou o ginásio e o 2º grau. Lá estudou no colégio Saturnino de Brito, e, por incrível que pareça, é onde se descobre poeta por intermédio de um professor de geografia, que em suas aulas sempre o incentiva a compor poemas alusivos aos temas trabalhados em sala de aula. Em uma das aulas, o então adolescente escreve o que seria seu primeiro poema, intitulado “Matas Virgens”. Esse poema já não existe mais, só ficando seu título como recordação para explicar o início de tudo.
O poema - Matas Virgens - foi, na verdade, o que o fez despertar para a poesia, pois daquele poema viriam muitos outros. É, nessa época, que o poeta começa ler os grandes poetas como Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e tantos outros. Sua criação poética é vasta, tendo três livros publicados: “Sentimento Verso e Reverso (1985)”, “Passavida e outros poemas (1988)” e “Cartas ao Girassol (1998)”; além de vários outros livros inéditos, entre eles estão: “Somente as pessoas são simbólicas”, “A Tertúlia”, “A Torre das Odes Transversais” e o “Bardo”.
Dentre os livros inéditos, o Bardo (2003) é um livro que vai surpreender o público, por seu estilo pós-moderno e, diga-se de passagem, é outra obra-prima do poeta.
O livro retrata o drama da condição humana na pós-modernidade através do personagem Bardo que vive apenas sete dias. Como seu tempo de vida é curto, ele vive tudo muito intensamente, e cada novo dia um espelho é quebrado, simbolizando, naturalmente, sua morte. A leitura desse novo livro vai realmente comover e emocionar a quem gosta e é amante da poesia.
Palmares e o poeta
Por volta de 1979, Vilmar chega a Palmares, fixando residência junto com sua família. Logo passou a estudar no colégio Nossa Senhora de Lourdes, onde fez outro 2º grau. Nessa época, o poeta já escrevia com mais freqüência, quase que diariamente. E Palmares, naturalmente, passa a ser o novo cenário para sua inspiração como no poema abaixo:
Palmares
“Traça o tempo no teu rosto
esta ruga: velhos engenhos,
casarões e ruas são as marcas
de tua história centenária,
......................................................
Soturna, tua voz grita de repente,
como num repente de viola,
a sábia rima popular.
Refugia-se o folclore
nas mãos estigmadas
de quem te faz continuar,
quanto cultiva fazendo florescer,
quando da navalha busca a doçura
neste ofício tão anônimo
que alimenta tuas raízes mais profunda!
És teu próprio canto.
És tua própria poesia.
Tua rima mais concisa.
Tua consciência.
Teu povo mantendo
nesta ruga do tempo
a marca talvez triste,
mas legítima, pois se eterniza
no açúcar que tudo te custa:
paisagens, almas e crenças!”
Como se ver acima, este é um dos primeiros poemas dedicados a Palmares. O poeta fala de Palmares como se fosse sua verdadeira terra, principalmente, por conhecê-la tão bem. Este poema, sem dúvida, marca o início de sua história com Palmares, pois desse poema surgiram muitos outros. De uma coisa não podemos discordar do poeta “Palmares é sua própria poesia”.
Paralelamente, coincidindo com sua vinda a Palmares, Vilmar inicia sua vida no mercado de trabalho com 16 anos, como auxiliar de serviços gerais, no escritório de Contabilidade do Sr. Francisco de Assis Rodrigues. Muito inteligente e esforçado logo passou a ser escriturário no mesmo escritório.
Em 1981, presta vestibular na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, é aprovado em primeiro lugar para o curso de Estudos Sociais, com apenas 17 anos. Foi um aluno exemplar, o que lhe rendeu a monitoria na disciplina História do Brasil, em 1985, convidado por sua professora Lúcia Paiva, que sempre o admirou por sua dedicação e inteligência. Ao mesmo tempo em que estudava, dava aula na mesma Faculdade.
No ano de 1986, conclui o curso de História na FAMASUL e continuou monitor. Neste mesmo ano, inscreve-se para o curso de Pós-graduação, na Universidade Católica, para o curso de História Econômica e Social do Brasil. Mas é em 1987, que passa a ser professor titular da disciplina Economia Política, na FAMASUL. Participa, ainda, da Antologia “Poetas Pernambucanos”, promovida pela Casa da Cultura dos Palmares, onde sua poesia passou a ser divulgada.
Um ano depois, em 1988, vai ensinar no Recife, no colégio Santa Maria, passando apenas dois anos, pois as viagens para o Recife à noite deixaram-no cansado, motivo, pelo qual, desistiu de ensinar na capital.
Vivendo em Palmares, Vilmar fez na terra dos poetas de tudo um pouco, de auxiliar de serviços gerais a secretário de Educação, como se não bastasse também
participou ativamente de movimentos sindicais e de campanhas políticas. A começar pelo DCE – Diretório Central dos Estudantes – quando foi eleito secretário geral, na Faculdade em que estudava, em 1983.
Em 1990, passa em primeiro lugar no concurso estadual para professor de História e, no mesmo ano, começa a trabalhar nas Escolas Agrícola e CERU. Escolas em que se dedicou um bom tempo ensinando (antes de assumir a Secretaria de Educação) do ensino fundamental ao ensino médio, com destaque para o curso de magistério.
Casa-se o poeta
“Amor à primeira vista”. É assim que costuma responder o poeta quando lhe é perguntado como conheceu sua esposa. Segundo o poeta, sua história de amor começa numa sala de aula da Faculdade onde ele ensinava. Ela - que não estudava na FAMASUL – entrou, como visitante, na sala em que ele estava dando aula. Ele verificou sua presença, e por intermédio de uma de suas alunas, (Clécia), foi apresentado a Eliete (esposa). Foi quando os olhares se cruzaram. Logo no primeiro dia, ele a convidou para tomar sorvete. O convite ficou para outro dia, mas o envolvimento dos dois se multiplicou. Ela passou a freqüentar mais a Faculdade e, conseqüentemente, a sua sala de aula. Vieram outros convites e muitas trocas de cartões. O namoro foi realmente inevitável. Um ano depois, ela prestou vestibular para o curso de Letras e continuaram namorando.
Eles se conheceram em 1988, passaram três anos namorando e, em 1991, Vilmar Carvalho casa-se com Eliete, aos 25 anos, na Capela de São José, na Cohab I, às 18 h. De acordo com o poeta, Eliete é a companheira da sua vida. E espera terminar sua vida unido a ela. Atualmente, sua esposa é professora.
Juntos tiveram duas filhas, Maysa Emanuelle, nascida em (1994) e Pérola Sofia (2003). É um excelente pai, amoroso e dedicado. Suas filhas são a paixão de sua vida, além da poesia.
O poeta já dedicou muitos poemas à sua amada. Gosta de presenteá-la com livros e, em um dos livros, encontramos a seguinte dedicatória:
“Quando se ama alguém e se nos colocassem ao avesso, lá estaria a pessoa que a gente ama... Se me abrissem às avessas, lá estaria você... Como certas sementes, em certas flores que dispensam surpreendentemente o estágio de fruto... Nosso amor é um fruto que jamais seca!”.
A vida na política
A política desde cedo esteve presente na vida de Vilmar. Mas foi por intermédio de seu pai Manuel Antônio da Silva que ele começou a se interessar por ela. Ele gostava de ir com seu pai a reuniões de sindicatos, bem como acompanhá-lo em campanhas políticas. O interesse pela política foi gradativamente aumentando na medida em que foi crescendo.
Sua participação na política começa em movimentos estudantis, em busca de liberdade de expressão e melhoria de ensino. Bandeiras, inclusive, que continuam até hoje.
Candidata-se, pela primeira vez, ao cargo de secretário geral do DCE – Diretório Central dos Estudantes – em 1983, na Faculdade em que estudava. A partir daí, sua história com a política nunca mais parou, e, por conta dela, Vilmar até chegou a ser perseguido e “mal visto”.
No mesmo ano em que assumiu o cargo de secretário geral do DCE, 1983, ele se filia ao PT – Partido dos Trabalhadores; partido, inclusive, que ele ajudou a construir, chegando a presidente do partido em 1989, quando organizou a primeira campanha para Lula presidente.
Em 1992 Vilmar torna-se vice-presidente Estadual do SINTEPE - Sindicato dos Trabalhadores em Educação.
Mas é em 1993, no governo de Ivanildo Pereira Alves, que ele passa a ser perseguido na FAMASUL, no seu local de trabalho, por não comungar com suas idéias. Ele então é afastado do cargo de professor por ter defendido melhores condições de trabalho e aumento salarial, junto com ele foram afastados outros companheiros.
Já em 1995, Vilmar representa a CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – no Congresso Internacional de Educação em San José – Costa Rica. Nessa época, Vilmar viajava bastante em função do trabalho.
Um ano depois, em 1996, ele conclui o mandato de vice-presidente do SINTEPE, do cargo de assuntos educacionais.
Mas é, em 1997, que Vilmar é nomeado Secretário de Educação, na segunda gestão do governo de Francisco de Assis Rodrigues. Ano em que também apóia a candidatura para vereador de João Carlos (eleito) – (calanguinho). Como secretário, elaborou o PCC – Plano de Cargos e Carreira – do magistério.
Dezesseis anos depois, Vilmar deixa o Partido dos Trabalhadores e se filia, em 1999, ao PPS – Partido Popular Socialista – por não concordar com as alas radicais (correntes) do partido. Por conta disso, ele se desentende com alguns companheiros de luta e, resolve, definitivamente, sair do partido. Nesse mesmo ano, ele retorna à FAMASUL, através de concurso público.
No ano de 2001, é reconduzido ao cargo de Secretário de Educação, na terceira gestão do governo de Francisco de Assis Rodrigues; também organiza a 1ª Conferência Municipal de Educação.
Como se vê, a vida de Vilmar sempre foi/é intensa. A política para ele está no sangue, na alma e na vida. Nunca foi de fugir das lutas e sempre acreditou que a política aprimorasse a democracia. Por isso, participa ativamente da política partidária, única maneira de lutar por uma vida mais justa e igualitária para todos, pois tudo passa, necessariamente, por ela.
Organizadora: Eliete Carvalho, professora de Língua Portuguesa na cidade dos palmares-PE.