Projeto Inclusão


A sociedade tende a homogeneizar as pessoas acreditando que todos são iguais e negando, com isso, as diferenças inerentes ao processo de desenvolvimento bio-psico-social do indivíduo.

Entretanto, nas últimas décadas muito se tem feito no sentido de romper barreiras, reformular conceitos e principalmente informar à sociedade sobre a deficiência, desmistificando tabus e pré-conceitos já tão arraigados ao contexto sócio-cultural.

Assim, a inclusão vem para propor uma aceitação total e incondicional das diferenças, onde os indivíduos com necessidades especiais estejam incluídos na educação, nos esportes, no lazer, no turismo, artes, cultura, religião e trabalho, sendo respeitados e tratados como cidadãos.

Desta forma, o diagnóstico precoce é de fundamental importância, já que os alicerces do desenvolvimento do bebê se consolidam na primeira infância e toda e qualquer perda nesta época, arrasta para os anos seguintes um débito que pode ser abatido, mas que jamais será totalmente saldado.

É pensando não só nas crianças com necessidades específicas, mas também nos pais das crianças, nos profissionais de educação e saúde e na melhoria da nossa sociedade, que o PROJETO INCLUSÃO foi criado. Para isso, os atendimentos de psicologia, psicopedagogia e intervenção precoce, grupos de pais, cursos, palestras, seminários, assessoria e consultoria, são instrumentos que compõem a efetivação do processo de Inclusão.

Penso que fizemos uma evolução anti-natural e ilógica. Se uma pessoa nasce num meio precário (familiar ou material), ou com deficiência, o lógico é que essa pessoa irá precisar mais ainda do apoio da sociedade em termos de suporte para que ela possa (apesar de) se desenvolver e ajudar na construção de uma sociedade melhor, pois afinal, ele é um ser humano e faz parte da sociedade.

Entretanto, fazemos o contrário, oferecemos menos apoio e oportunidades, e com isso, estas pessoas crescem “deficientes” (numa sociedade também deficiente, pois não atende as necessidades das pessoas) e se tornam portanto, improdutivos e dependentes gerando desigualdade e custos maiores a sociedade.

OBJETIVOS DO PROJETO

Objetivo Geral:

Contribuir para a necessária mudança na busca de uma sociedade melhor e mais ainda, na busca de um ser humano que saiba respeitar a diferença não para diminuir mas, para colorir a nossa real diversidade social.

Objetivos Específicos:

• Dar o suporte imprescindível ao Processo de Inclusão da Criança Com Necessidades Específicas na sociedade, principalmente nas escolas de ensino regular;
• Garantir que a escola aceite e atenda às necessidades da criança especial, assim como, buscar um convivência harmoniosa das diferenças;
• Ajudar a escola ou instituição na diferenciação entre necessidades específicas e dificuldades de aprendizagem;
• Orientar a equipe de professores quanto às inúmeras dificuldades inerentes ao processo de Inclusão;
• Avaliação Psicológica e Psicopedagógica das Crianças com Necessidades Específicas;
• Diagnóstico e direção do tratamento;
• Estudos para viabilizar os encaminhamentos para as escolas regulares e atendimentos necessários;
• Assessoria e suporte técnico junto às escolas, envolvendo o trabalho de orientação à equipe da Escola Especial, bem como os professores da Rede de Ensino Regular;
• Fornecimento dos subsídios necessários para a aceitação da criança com necessidades específicas na rede regular de ensino para toda a comunidade;
• Grupos de Estudos;
• Orientação e acompanhamento para os pais das crianças especiais;
• Facilitar o acesso de bebês especiais à Intervenção Precoce.
• Grupos de Pais

METODOLOGIA

Os pais passam por uma entrevista inicial e uma devolução. Ao final das avaliações será dado devolução aos profissionais e pais com entrega de relatório. A partir daqui já podemos direcionar o trabalho para as prioridades da instituição no sentido de favorecer a inclusão.

O trabalho da Psicopedagogia, um diferencial importante, viabiliza a inclusão das crianças junto às escolas de ensino regular, através de visita às escolas, com suporte direto ao professor, inserção e acompanhamento das crianças e da família.

A idéia de um projeto totalmente direcionado a Inclusão Escolar e Social, não só de crianças com necessidades específicas mas também daquelas pessoas que por motivos variados se tornaram minoria marginalizada, causou um entendimento no sentido de como seria a forma de trabalhar com estas questões para a mudança, mesmo que fosse lenta mas que pudesse ser efetiva.

Trabalhar com INCLUSÃO, é quebrar barreiras, lidar com preconceitos, valorizar a diferença. Percebi que uma visita a uma escola ou instituição nem sempre causava grandes mobilizações. Portanto, a idéia de assessoria ou consultoria em Inclusão Escolar tornou-se mais próximo do objetivo deste projeto. A idéia foi aceita em Belo Horizonte e se estendeu à cidades do interior (Florestal, Mateus Leme, Nova Lima e Juatuba).

DIFICULDADES ENCONTRADAS NA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO INCLUSÃO

Em termos de dificuldades para a efetivação deste trabalho de Inclusão alguns pontos são fundamentais para serem ressaltados:

• Falta de preparo das escolas e instituições para receberem as crianças com necessidades específicos, não só quanto aos aspectos físicos como também quanto à capacitação dos professores no tocante ao conhecimento profissional (sobre a deficiência) de crianças especiais;
• Falta de interesse das escolas de se adequarem como também dos professores de se atualizarem;
• Dificuldade de enfrentar o novo, o diferente;
• Inabilidade do governo em administrar a inclusão, colocando-a como lei, mas sem assegurar aos profissionais a capacitação necessária;
• Dificuldade dos pais de entenderem a importância da inclusão dos filhos nas escolas regulares;
• Pré-conceito dos pais de crianças não portadoras de necessidades especiais preocupadas com algum retrocesso do filho ao conviver com o diferente;
• Falta de conhecimento da população acerca da deficiência.

REFERÊNCIAS PROFISSIONAIS

Dalila Oliveira Silva - Psicóloga Clínica
• Formação Técnica em Magistério
• Bacharel em Psicologia Clínica
• Pós-graduada em Psicopedagogia

Qualificação Profissional

Atualmente, atendo em clínica psicológica crianças, adolescentes e adultos num trabalho psicoterapêutico e também psicopedagógico, nos casos necessários. Nesta mesma clínica desenvolvo um trabalho de Intervenção Precoce com crianças de 0 a 6 anos que apresentem dificuldades e/ou seqüelas do pós-natal (Síndrome de Down, Paralisia Cerebral, Prematuros graves etc.).
Neste programa de Intervenção Precoce, inclui-se em minha função, o trabalho de “INCLUSÃO ESCOLAR”, feito para que as crianças especiais possam ter acesso a escolas regulares. É feito um trabalho de visitas a escolas, orientação de professores para a melhor maneira de promover o conhecimento nestas crianças, suporte ao estudo e adaptação do currículo escolar, assim como, suporte psicopedagógico às crianças e apoio e também orientação aos pais e familiares.
Faço consultoria e assessoria não só em Belo Horizonte mas também no interior de Minas Gerais, em escolas (públicas e particulares), APAEs e clínicas, sobre Inclusão e Desenvolvimento Infantil.
Na clínica coordeno Grupos de Estudos e Cursos ligados a Saúde e Educação e principalmente sobre INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL. Junto aos pais coordeno Grupo de Discussão com temas referentes ao desenvolvimento infantil.
Sempre atuei em escolas – públicas e particulares, especiais e regulares – na função de ora Psicóloga, ou Coordenadora Psicopedagógica ou Professora.
Já dei consultoria numa empresa de meio ambiente na área de Percepção Ambiental.
Membro da “Sociedade Brasileira de Cardiologia”, trabalhei como psicóloga numa clínica médica. Como psicóloga ainda não formada trabalhei junto à hospital (clínica cirúrgica e pediátrica), ambulatório, setor de psicodiagnóstico infantil, clínica credenciada ao DETRAN e Delegacia de Mulheres.

A EXPERIÊNCIA EM FLORESTAL

É complicado falar de quando o trabalho de Florestal teve início, visto que ele teve vários inícios (ou reinícios). Talvez o “primeiro início” tenha sido através do trabalho de Intervenção Precoce que desenvolvi, juntamente com uma equipe técnica (fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta) na Clínica Processus / BH. Este trabalho possibilitou que a Clínica fosse reconhecida - não só em Belo Horizonte, mas em sua redondeza - pelo tratamento para crianças portadoras de necessidades especiais. Trabalhamos com muitas crianças e dentre elas, havia uma criança da cidade de Florestal. Esta criança iniciou seu atendimento aos sete meses, permanecendo na Clínica até a idade de cinco anos. Depois disso, continuou somente comigo para um trabalho de Acompanhamento Psicopedagógico. Com o início deste trabalho fez-se urgente visitas à escola regular que a criança iria freqüentar, assim como orientação aos profissionais. Participei de reuniões com a equipe técnica da escola, grupo de pais e equipe técnica da APAE.

Vendo a carência de conhecimentos dos profissionais, o aumento gradativo da demanda e o já conhecimento da realidade da região, desenvolvi, com o apoio da Clínica Processus, um Projeto de Curso com o objetivo de informar e dar suporte aos profissionais das escolas. A verba federal foi liberada através do FNDE; foi feita uma licitação com resultado favorável. O curso de 100 horas - “A Criança Especial e a Escola: A Construção de Um Trabalho Viável” – ministrado por mim e minha então, sócia Cristina Simões, para 55 professores da Rede Pública Estadual e Municipal. O curso foi aprofundado em conceitos tais como: a normalidade e a questão da diferença; ser ou estar deficiente; tipos de deficiências; estudo sobre as inteligências; a função da escola; desenvolvimento emocional, cognitivo e motor; inclusão social e inclusão escolar (leis, efetivação, experiências, sensibilização).

O resultado foi bastante positivo. Fato comprovado nas auto-avaliações ao final do curso e também por logo após termos sido convidadas a fazer a avaliação psicológica e psicopedagógica de todas as 65 pessoas que freqüentam a APAE/FLORESTAL. As avaliações foram feitas em 5 encontros quinzenais de 10 horas de trabalho. Após as avaliações fizemos o trabalho de retorno aos pais e orientações aos profissionais.

Entretanto, com as avaliações evidenciou-se o “buraco” da Instituição em sua proposta referente à Psicologia e o equívoco do trabalho de suporte pedagógico. Fomos então, convidadas a desenvolver um projeto visando a reestruturação geral da APAE. Daí, surgiu formalmente o Projeto Inclusão.

Com o apoio incondicional da diretoria fizemos as seguintes transformações:

• Fim das salas de aula e criação de atendimentos de 2 a 3 crianças por vez, priorizando o atendimento mais individualizado e especializado propiciando à APAE tornar-se referência e suporte às escolas regulares;
• Organização da função dos profissionais onde cada um passou a assumir uma única função de suporte nas áreas de Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Psicologia e Psicopedagogia. Isto porque acreditamos ser impossível um profissional desenvolver mais de uma função sem com isso comprometer seriamente o trabalho;
• Organização dos horários de atendimentos, buscando nas avaliações as indicações de cada atendimento bem como sua freqüência;
• Montagem das Oficinas de A.V.D. (Atividades da Vida Diária) e Culinária somente para alunos que freqüentam a APAE e de Artes (aberta à toda a comunidade) criando assim um espaço aberto entre a comunidade e a APAE ;
• Montagem, para cada criança atendida, de um cronograma com objetivos prioritários do trabalho a ser desenvolvido por um tempo determinado, sendo isto repassado para cada profissional;
• Supervisão quinzenal dos profissionais para uma maior segurança e fluidez do trabalho;
• Visita às escolas e creches para conhecer e discutir sobre a nova proposta da APAE;
• Montagem de Currículos Diferenciados para as crianças incluídas na rede regular de ensino;
• Grupos de estudos com profissionais da APAE e aberto aos profissionais da rede regular de ensino;
• Verificação constante da efetivação do Currículo Diferenciado;
• Seminários com os profissionais da APAE e convidados das escolas;
• Reuniões com todos os profissionais da Rede Regular para discutir e dirimir dúvidas à respeito da Inclusão;
• Avaliação das crianças novatas da APAE;
• Visitas a Casa-Lar com retorno das avaliações para as mães sociais;
• Montagem de atividades - produtivas e recreativas - programadas para serem desenvolvidas na Casa-Lar pelas mães sociais visando combater a ociosidade e promovendo uma estimulação objetiva e contínua;
• Participação em Grupos de Pais promovidos pela APAE.
Com certeza, muito já foi feito, mas acredito que o trabalho está apenas começando, visto que o objetivo maior é poder viver numa sociedade onde o preconceito e a discriminação contra as diferenças seja cada vez menor. ESSA É MINHA LUTA!

 

 

 
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