Artigos e Textos

A CAMINHADA DA INCLUSÃO EM FLORESTAL

Dalila de Oliveira Silva

É complicado falar de quando o trabalho em Florestal teve início, visto que ele teve vários inícios (ou reinícios). Talvez o "primeiro início" tenha sido através do trabalho de Intervenção Precoce desenvolvido por mim em Belo Horizonte. Trabalhamos com muitas crianças e dentre elas, havia uma criança da cidade de Florestal. Esta criança iniciou seu atendimento aos sete meses, permanecendo na Clínica até a idade de cinco anos. Depois disso, permaneceu comigo num trabalho de Acompanhamento Psicopedagógico. Com o início deste trabalho fez-se urgente visitas à Escola regular que a criança iria frequentar, assim como orientação aos profissionais. Participamos de reuniões com a equipe técnica da Escola, grupo de pais e equipe técnica da APAE Florestal.

Vendo a carência de conhecimentos dos profissionais, o aumento gradativo da demanda e o já conhecimento da realidade da região, desenvolvemos, um Projeto de Curso com o objetivo de informar e dar suporte aos profissionais das escolas. A verba federal foi liberada através do FNDE; houve uma licitação e o resultado foi favorável. O curso de 100 horas - "A Criança Especial e a Escola : A Construção de Um Trabalho Viável" - ministrado por mim psicopedagogo (Dalila) e por Cristina Simões psicóloga, para 55 professores da Rede Pública Estadual e Municipal. O curso aprofundou em conceitos tais como : a normalidade e a questão da diferença; ser ou estar deficiente; tipos de deficiências; estudo sobre as inteligências; a função da Escola; desenvolvimento emocional, cognitivo e motor; inclusão social e inclusão escolar (leis, efetivação, experiências, sensibilização).

O resultado foi bastante positivo. Fato comprovado nas auto-avaliações ao final do curso e também porque logo após fomos convidadas a fazer a avaliação psicológica e psicopedagógica de todo o alunado da APAE Florestal. Após as avaliações fizemos o trabalho de retorno aos pais e orientações aos profissionais.

Entretanto, com as avaliações evidenciou-se o "buraco" da Instituição em sua proposta referente à Psicologia e o equívoco do trabalho de suporte pedagógico. Fomos então, convidadas a desenvolver um projeto visando a reestruturação geral da APAE. Com o apoio incondicional da diretoria fizemos as seguintes transformações :

• Criação de atendimentos mais individualizados e especializados propiciando à APAE Florestal tornar-se referência e suporte às escolas regulares;

• Reorganização da função dos profissionais onde cada um passou a assumir uma única função de suporte nas áreas de Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Psicologia e Psicopedagogia. Isto porque acreditamos ser impossível um profissional desenvolver mais de uma função sem com isso comprometer seriamente o trabalho;

• Organização dos horários de atendimento, buscando nas avaliações as indicações de cada um bem como sua frequência;

• Organização de oficinas de alfabetização para os alunos exclusivos da APAE, ou seja, ainda não incluídos na rede regular de ensino.

• Montagem das Oficinas de A.V.D. (Atividades da Vida Diária) e Culinária somente para alunos que frequentam a APAE e de Artes (aberta à toda a comunidade) criando assim um espaço aberto entre a comunidade e a APAE;

• Montagem, para cada criança atendida, de um cronograma com objetivos prioritários do trabalho a ser desenvolvido por um tempo determinado, sendo isto repassado para cada profissional;

• Supervisão quinzenal dos profissionais para uma maior segurança e fluidez do trabalho;

• Visita às escolas e creches para conhecer e discutir sobre a nova proposta da APAE Florestal;

• Montagem de Currículos Diferenciados para as crianças incluídas na rede regular de ensino;

• Grupos de estudos com profissionais da APAE Florestal e aberto aos profissionais da rede regular de ensino;

• Verificação constante da efetivação do Currículo Diferenciado;

• Seminários com os profissionais da APAE Florestal e convidados das escolas;

• Reuniões com todos os profissionais da Rede Regular para discutir e dirimir dúvidas à respeito da Inclusão;

• Avaliação das crianças novatas da APAE Florestal;

• Visitas a Casa-Lar Renascer mantidas pela SEDESE e pela APAE Florestal com retorno das avaliações para as mães sociais;

• Montagem de atividades - produtivas e recreativas - programadas para serem desenvolvidas na Casa-Lar Renascer pelas mães sociais visando combater a ociosidade e promovendo uma estimulação objetiva e contínua;

• Participação em Grupos de pais promovidos pela APAE Florestal;

Hoje, o melhor de tudo isso é que vemos nosso trabalho sendo realizado dentro da proposta do Projeto Águia.

Com certeza, muito já foi feito, mas acreditamos que o trabalho está apenas começando, visto que o objetivo maior é poder viver numa sociedade onde o preconceito e a discriminação contra as diferenças seja cada vez menor.

ESSA É A LUTA DA APAE FLORESTAL !


 

 
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