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O PSICÓLOGO E O PSICOPEDAGOGO NO TRABALHO DE INTERVENÇÃO PRECOCE

Dalila de Oliveira Silva

Unitermos: Intervenção Precoce; bebê, desejo; pais; Psicopedagogia.

“ Caminhante, não há caminho
faz-se o caminho ao andar
Caminhante, não há caminho
e ao voltar a vista para trás
vê-se o caminho que nunca
se voltará o pisar.
Caminhante, não há caminho
faz-se o caminho ao andar
passo a passo
verso a verso”.

A Intervenção Clínica de um profissional (seja qual for sua disciplina) ao operar sobre uma criança pequena (proponha –se a isto ou não) inevitavelmente tem efeitos sobre questões que constituem os primeiros giros na constituição do sujeito. Tanto mais eficaz será seu agir se souber da estrutura significante na qual de fato intervém conjugando as ferramentas clínicas que lhe propicia a sua especificidade com o saber e os elementos técnicos da direção da cura.

A vida humana é movida pelos fios do desejo, mas o desejo não vem impresso na bagagem congênita com a qual nascemos. O desejo se constrói. Os passos fundantes de sua construção se dão no tempo da Intervenção Precoce. Aquele que se responsabiliza pelo tratamento de um bebê, saiba-o ou não, está intervindo no tempo no qual o desejo se constrói, e de acordo com o modo como intervenha, irá propiciá-lo ou esmagá-lo para sempre.

Os elementos que o psicólogo busca tem a ver com o modo de tocar o bebê, de segurá-lo, de dar-lhe o alimento, tem a ver com a ordem temporal que é importante à sua vida, satisfazendo ou não adequadamente a temporalidade de seus ritmos biológicos, tem a ver com a urgência ou a displicência com que se escutam suas demandas, com a significação que é dada a cada um de seus gestos. Não se trata apenas de escutar o discurso dos pais, trata-se também de poder ler o que está escrito no bebê e decifrá-lo para seus pais, possibilitando-lhes reconhecer a autoria dessas marcas e seus efeitos, que variam de acordo com a forma e o lugar do traço e em função da profundidade ou superficialidade do corte ali inscrito.

Em nossos dias, o principal flagelo, pelo menos entre os pais que levam seus filhos à tratamentos, não é a falta de amor, mas seus excessos pela via de suprir. Em bebês deficientes, o que geralmente chamamos “superproteção” alcança tal dimensão e tais características – realimentadas pela propaganda psicologista imperante – que, do lado do bebê, acaba por não faltar nada. Não se estabelece o prezado lugar vazio, condição de desejo, porque àqueles que o rodeiam não lhes ocorre perguntar : que queres? Ao contrário, os pais vão perguntar, ao especialista, aquilo que não sabem e este, em tantos casos, intervém tapando toda possibilidade de pergunta com as receitas ditadas pelo saber de um pseudociência. Há pais, que consultam, porque o filho de dois anos não anda, mas não lhes ocorre preocupar-se porque ainda nunca os olhou claramente nos olhos.

Dra. Coriat escreveu na década de 70: “ A Estimulação Precoce deve ser realizada através de técnicas psicopedagógicas e psicomotoras, com fundamentos teóricos baseados no conhecimento da teoria da maturação neurológica, da teoria do desenvolvimento cognitivo e da teoria do desenvolvimento afetivo. Equipe necessária: um especialista em problemas motores, outro em linguagem e outro que conheça Piaget e as relações com o saber.”

A Psicopedagogia é a ciência que se ocupa fundamentalmente das questões referentes à aprendizagem. Não só dificuldades na aprendizagem, mas também a forma como essa aprendizagem se dá individualmente na criança. A Psicopedagogia não trata somente da aprendizagem da leitura e da escrita. Todas as aquisições de aprendizagem são importantes, pois dizem da forma como aquela criança aprende e apreende as coisas de seu mundo.

Trabalha com conceitos referentes a percepção, sensação, concentração e atenção, raciocínio, organização, compreensão, memória e linguagem.
Pensar no trabalho com bebês em relação à Intervenção Precoce diz de uma escuta e um olhar, do profissional que tem seus flashes na família.



 

 
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