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AS REGRAS DO JOGO 

O jogo paradigmático é o Dilema do Prisioneiro. Estão muito distante da soma-zero. Os resultados de ganhar-ganhar, ganhar-perder e perder-perder são todos possíveis. Os livros "sagrados" contêm poucas percepções úteis sobre a estratégia a ser usada. É um jogo inteiramente pragmático. Imagine que você e um amigo são presos por cometer um crime grave. Para fins do jogo, não importa se um de vocês cometeu o crime, se nenhum de vocês cometeu o crime ou se ambos cometeram o crime. O que importa é a polícia pensar que vocês o cometeram. Antes de ter uma oportunidade de comparar as histórias ou planejar a estratégia, vocês são levados para celas de interrogatório separadas. Ali, esquecidos de seus direitos Miranda ("Você tem o direito de permanecer calado..."). Eles tentam fazer com que você confesse. Dizem, como a polícia faz de vez em quando, que o seu amigo já confessou e o incriminou. (Que amigo!) A polícia pode estar dizendo a verdade.  Ou pode estar mentindo. Você pode apenas alegar inocência ou se declarar culpado. Se está disposto a dizer alguma coisa, qual é a sua melhor política para minimizar  o castigo? Eis os resultados possíveis: Se você nega ter cometido o crime e (sem que você saiba) o seu amigo também o nega, o caso pode ser difícil de provar. No acordo do pleito, ambas as sentenças serão muitas leves. Se você confessa e o seu amigo também confessa, o trabalho que o Estado teve de realizar para solucionar o crime foi pequeno. Em troca, vocês dois podem ganhar uma sentença bastante leve, embora não tão leve como a que receberiam se ambos tivessem declarado inocência. Mas se você alega inocência e o seu amigo confessa, o Estado vai pedir a sentença máxima para você e a punição mínima (talvez nenhuma) para o seu amigo. Ah-ah! Você está muito vulnerável a uma espécie de traição, o que os teóricos do jogo chamam "defecção". E o seu amigo também. Assim, se você e o seu amigo "cooperam" um com o outro - ambos alegando inocência (ou ambos se declarando culpados) -, vocês dois escapam do pior. Será que você deve jogar com segurança e garantir um meio-termo de punição, confessando? Nesse caso, se o seu amigo alega inocência, enquanto você se declara culpado, bem, pior  para ele, e você pode sair da história impune. Quando examina o caso, você compreende que, não importa o que o seu amigo venha a fazer, para você a defecção é melhor que a cooperação.

Sagan, Karl. Bilhões e Bilhões

Importante
 
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