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AS REGRAS DO JOGO
"Pague a bondade com a bondade" disse
Confúcio, "mas o mal com a justiça." Essa poderia ser
chamada a Regra de Bronze: "Faz aos outros o que te fazem".
É a lex talionis, "olho por olho, dente por dente", mais "o bem com o bem se paga". No comportamento real
humano (e dos chimpanzés), é um padrão familiar. Sem ter de
apelar à melhor natureza de ninguém, instituímos uma espécie
de condicionamento operante, recompensando-os quando são
agradáveis e punindo-os quando não são. Apesar de seu
aparente caráter prático, há uma falha fatal na Regra de
Bronze: a vendetta sem fim. Não importa quem começa a
violência. Violência gera violência, e cada lado tem razão
para odiar o outro.
De cunhagem mais inferior é a Regra de Ferro: "Faz aos outros o que quiseres, antes que te façam o
mesmo". É às vezes formulada como "Aquele que tem o
ouro cria as regras", sublinhando não só a sua
divergência da Regra de Ouro, mas também o seu desprezo por
ela. Essa é a máxima secreta de muitos, se conseguem
aplicá-la impunemente, e muitas vezes o preceito implícito
dos poderosos.
Finalmente, devo mencionar duas outras
regras, encontradas em todo o mundo vivo. Elas explicam
bastante. Uma é: "Puxa o saco dos teus superiores e
maltrata os teus inferiores". Esse é o lema dos
valentões e a norma em muitas sociedades primatas não
humanas. É, na verdade, a Regra de Ouro para os superiores e
a Regra de Ferro para os inferiores. Como não existe nenhuma
liga conhecida de ouro e ferro, nós a chamaremos Regra de
Lata, por sua flexibilidade. A outra regra comum é: "Favorece sempre os parentes próximos e faz o que quiseres
aos outros".
Sagan, Karl. Bilhões e Bilhões |