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AS REGRAS DO JOGO
A Regra de Prata é diferente: "Não faças
aos outros o que não desejas que te façam". Também pode
ser encontrada em toda parte. Os exemplos mais inspiradores
da Regra de Prata no século xx foram Ghandi Aconselhou povos oprimidos a não pagarem a violência com a
violência, mas também a não serem submissos e obedientes. A
desobediência civil pacífica era o que pregavam, colocar o
corpo na linha de tiro, para mostrar com a sua disposição a
ser punido por desafiar uma lei injusta, a justiça de sua
causa. Procuravam derreter os corações de seus opressores.
admiramos Ghandi como a primeira pessoa na história a
converter as Regras de Ouro e Prata num efetivo instrumento
de mudança social. E Ghandi deixou bem claro de onde vinha
a sua forma de proceder: "Aprendi a lição da não-violência
com a minha mulher, quando tentei curvá-la à minha vontade.
A sua resistência determinada à minha vontade, de um lado,
e a sua quieta submissão ao sofrimento que a minha estupidez
lhe causava, de outro, acabaram me deixando envergonhado de
mim mesmo e me curaram da minha estupidez de pensar que eu
nascera para dominá-la". A desobediência civil pacífica
realizou mudanças políticas notáveis neste século, ao forçar
a libertação da índia do domínio britânico e ao estimular o
fim do colonialismo clássico em todo o mundo, embora a
ameaça de violência por parte de outros, por mais repudiada
que tivesse sido por Ghandi também possa ter ajudado. O
Congresso Nacional Africano (ANC) se desenvolveu seguindo a
tradição de Ghandi. Mas, na década de 50, era claro que a
não-cooperação pacífica não estava obtendo nenhum resultado
com o Partido Nacionalista branco dominante. Assim, em 1961,
Nelson Mandela e seus colegas formaram a ala militar do ANC,
a Umkhonto we Siwe, a Lança da Nação, pela razão nada
ghandiana de que a única coisa que os brancos compreendem é
a força. Até Ghandi teve dificuldades em reconciliar a regra
da não-violência com as necessidades de defesa contra
aqueles com regras menos elevadas de conduta: "Não tenho as
qualificações para ensinar minha filosofia de vida. Mal
tenho as qualificações para praticar a filosofia em que
acredito. Não passo de uma alma em luta desejando ser (...j
inteiramente verdadeira e inteiramente pacífica em
pensamento, palavra e ação, mas nunca conseguindo atingir o
ideal".
Sagan, Karl. Bilhões e Bilhões |