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FALANDO EM TEMPO

Quem sabe o que é o tempo?
Eu não sei! Nunca tive tempo pra pensar no tempo.
Tem tempo bom, tempo chuvoso, tempo ventoso.
Maravilhoso é aquele tempo de ser dengoso.

Quando criança, brinquei no tempo.
Mocinho fiz o meu tempo.
Virando homem fiquei sem tempo.
Envelhecendo perdi meu tempo.

Cadê o tempo, que eu sem tempo,
desperdicei pensando o tempo que há de vir.
Se o tempo não me bastava,
por que olhei o tempo a se ir.

Enquanto ainda tenho tempo,
quem sabe paro no tempo
e faço do tempo um brinquedo,
pra que o tempo não me dê medo.

Só o tempo não se gasta,
parece coisa tão vasta,
coisa que nunca termina,
Tempo nunca tem esquina.

Há tempo de ser soldado.
Há tempo de se ter dor.
Há tempo de ser amado.
Há tempo de dar amor.

Penso no tempo que passa
e no tempo que já passou,
sinto-me como uma passa
que o velho tempo secou.

Assim o tempo se vai,
parece até uma vingança,
sinto saudade do tempo,
que agora é só lembrança.

 
 

 

 
 

Ápeiron


Sobre tudo o que é pensar

Há razão maior eu sei.

Há lugar, há sonhar,

Há algo que encontrarei,

Não sei o que, só sei que existe,

E o tempo há de mostrar

A beleza de existir essa

Dúvida bem dita que,

Me faz caminhar,

Persistir e procurar,

Não tendo paz, mas tendo amor

No coração. Só pra criar

E dividir, sem conquistar,

Sem entender o que é o amor,

O que é a tal felicidade,

Que procurada nunca está,

Mas há, eu sei que há.

Ainda que pura impropriedade.

 
 

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