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QUEM NÃO PÔDE SER FELIZ

Rolando água da chuva na ladeira
Passando devagar a noite inteira,
Assobiava o vento uma canção,
No meu peito, embalando o coração.

A dor que feriu um sanfoneiro,
Foi do amor, que de tolo ele perdeu.
Não querendo ele, amar primeiro,
Sozinho o coitado amanheceu.

Pobre amante, o que não sabe
O amor que tem para perder.
Gasta-se querendo compreender
A parte de amor que a ele cabe.

Deveria o bom amante conhecer
A graça que há em tanto sofrer.
Pedir menos e mais dar
E nisso felicidade encontrar.

Oferecer mais do que pede
Deveria ser o tom.
Quem se dedica e nem mede,
Recebe de volta o que é bom.

Mas ele não soube se dar.
No amor não passou de aprendiz.
Hoje leva a vida a cantar,
Dizendo-se um pobre infeliz.

 

 

 

Mar


Mar, imenso, azul, sem fim.

De ondas, nem sempre amenas,

Banhas as manhãs serenas.

Trazes meu querubim.

 

Teu doce embalo me induz ao sono.

Ao som de rebentações repetitivas,

Repetes, também, a canção do meu amor.

Na praia, tua espuma deixa-me ao abandono.

 

Nas noites de tua fúria selvagem,

Engoles a nossa história para sempre.

Afundamos nossos sonhos de felicidade,

Seguimos em total solidão nossa viagem.

 

Leva-nos contigo, oh! Mar.

Apenas não nos separe,

Somos um lindo par,

Ainda que não repares.

 

Em tua cruel simplicidade,

Em teu vagar sem fim

Maltrate, bate e rebate,

Só não tira ela de mim.

 

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