ICQ:2403779

 

 

 


 

O Erro da Guerra

 

 

 

              

 

Dói, pensar que muitos irmãos inocentes morreram em um dia tão trágico. Saber que os que morreram são representantes de várias nações e principalmente que foram mortos por um ato tão estúpido, praticado por seus semelhantes dói, ainda, mais profundamente. Saber que mais cedo ou mais tarde haverá vingança, só aumenta a dor e não ameniza nossa consternação pelas vítimas e suas famílias.

              De quem será a culpa de toda essa desgraça? De quem deu o primeiro tiro? Qual foi esse primeiro tiro? Por que terá sido dado esse primeiro tiro?

              Tais questões, eu confesso, têm girado em minha cabeça nos últimos dias. Como todas as pessoas que vivem neste planeta, eu me preocupo com nosso futuro. Perdemos irmãos, filhos e pais, é verdade, mas não foi só desta vez. Desde que o mundo é mundo vimos perdendo companheiros. Gerações e gerações já passaram por nosso planeta, mas sempre se dão desculpas para continuar estas lutas funestas. A grande verdade é que só existe uma razão para tais lutas: o poder.

              Essa eterna disputa pelo poder é que mantém o homem a lutar, vingar, agredir, revidar; num sem fim de mortos, feridos, mutilados, num sofrer atroz e interminável. Ora, quem sofre está do lado de cá, ora do outro lado, mas a dor não cessa, faz-se presente em todos os tempos, por todos os cantos. São rios de lágrimas derramadas por algo que não posso acreditar inevitável.

              De todo este sofrimento deveríamos já ter aprendido algumas lições. Alguns de nós até falam e vivem por verdades como esta, no entanto, de concreto pouca coisa se fez ao longo destes milhões de anos de existência do homem sobre o planeta, para mudar tal ordem de coisas. Penso que muito se poderia ter feito em todo esse tempo. Penso mais: que algo ainda se pode fazer para reverter todo esse caos.

              Entrementes, não é um passo que possa ser dado por qualquer um. Não, são poucos os que têm a oportunidade de tomar a mais pura atitude de humanidade, revertendo esta situação em que se vive neste mundo, hoje. Não se trata, aqui, de querer acusar este ou aquele. Não é hora para isto. Muito mais importante neste momento é sabermos que existe um poder. Um poder econômico neste planeta. Poder que não é árabe, não é americano, africano ou brasileiro; é o poder puro e simples do capital. Capital que reina soberano e inatingível, mas que pode ruir, trocar de mãos ou simplesmente encontrar o caminho da divisão.

              Não falo de abrir mão de todo o poder conquistado. Sei que isso é utópico. Falo de deixar a arrogância de pensar que se a pobreza e a miséria incomodam, pode-se pisar sobre ela como se pisássemos uma barata. Não, não é possível esmagar a miséria, ela corrói todas as estruturas. De uma forma ou de outra, acaba por revidar.             

              Seria preciso que os detentores desse poder econômico soubessem diminuir seus lucros, dividir uma fatia de suas conquistas. Não seria necessário que eles assumissem a pobreza, mas que melhorassem as condições de vida do planeta como um todo. Que eles continuem usando carrões e morando em suas mansões, mas que se importem; verdadeiramente se importem com a pobreza e com a miséria dos povos. Que deixem de fingir atitudes caridosas e passem, apenas, a respeitar o próximo, não lhes tirando as condições mínimas de sobrevivência. Que valorizem os produtos do próximo na mesma medida que valorizam e exigem valorização de seus produtos.

              Os homens, estes filhos não crescidos, que se desesperam em disputa eterna pelo "amor de mãe", precisam aprender que a guerra é, de todos, o maior erro. O erro da guerra é um erro bilateral; e a paz só poderá resistir e existir, se o lado mais inteligente oferecer a mão estendida, com lealdade. Só assim, o homem provará seu valor e seu direito a esta grande mãe, a que chamamos de Terra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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