|
O Erro da Guerra
Dói, pensar que muitos irmãos inocentes morreram em
um dia tão trágico. Saber que os que morreram são
representantes de várias nações e principalmente que foram
mortos por um ato tão estúpido, praticado por seus
semelhantes dói, ainda, mais profundamente. Saber que mais
cedo ou mais tarde haverá vingança, só aumenta a dor e não
ameniza nossa consternação pelas vítimas e suas famílias.
De quem será a culpa de toda essa desgraça? De quem
deu o primeiro tiro? Qual foi esse primeiro tiro? Por que terá
sido dado esse primeiro tiro?
Tais questões, eu confesso, têm girado em minha cabeça
nos últimos dias. Como todas as pessoas que vivem neste
planeta, eu me preocupo com nosso futuro. Perdemos irmãos,
filhos e pais, é verdade, mas não foi só desta vez. Desde
que o mundo é mundo vimos perdendo companheiros. Gerações e
gerações já passaram por nosso planeta, mas sempre se dão
desculpas para continuar estas lutas funestas. A grande
verdade é que só existe uma razão para tais lutas: o poder.
Essa eterna disputa pelo poder é que mantém o homem a
lutar, vingar, agredir, revidar; num sem fim de mortos,
feridos, mutilados, num sofrer atroz e interminável. Ora,
quem sofre está do lado de cá, ora do outro lado, mas a dor
não cessa, faz-se presente em todos os tempos, por todos os
cantos. São rios de lágrimas derramadas por algo que não
posso acreditar inevitável.
De todo este sofrimento deveríamos já ter aprendido
algumas lições. Alguns de nós até falam e vivem por
verdades como esta, no entanto, de concreto pouca coisa se fez
ao longo destes milhões de anos de existência do homem sobre
o planeta, para mudar tal ordem de coisas. Penso que muito se
poderia ter feito em todo esse tempo. Penso mais: que algo
ainda se pode fazer para reverter todo esse caos.
Entrementes, não é um passo que possa ser dado por
qualquer um. Não, são poucos os que têm a oportunidade de
tomar a mais pura atitude de humanidade, revertendo esta situação
em que se vive neste mundo, hoje. Não se trata, aqui, de
querer acusar este ou aquele. Não é hora para isto. Muito
mais importante neste momento é sabermos que existe um poder.
Um poder econômico neste planeta. Poder que não é árabe, não
é americano, africano ou brasileiro; é o poder puro e
simples do capital. Capital que reina soberano e inatingível,
mas que pode ruir, trocar de mãos ou simplesmente encontrar o
caminho da divisão.
Não falo de
abrir mão de todo o poder conquistado. Sei que isso é utópico.
Falo de deixar a arrogância de pensar que se a pobreza e a
miséria incomodam, pode-se pisar sobre ela como se pisássemos
uma barata. Não, não é possível esmagar a miséria, ela
corrói todas as estruturas. De uma forma ou de outra, acaba
por revidar.
Seria preciso que os detentores desse poder econômico
soubessem diminuir seus lucros, dividir uma fatia de suas
conquistas. Não seria necessário que eles assumissem a
pobreza, mas que melhorassem as condições de vida do planeta
como um todo. Que eles continuem usando carrões e morando em
suas mansões, mas que se importem; verdadeiramente se
importem com a pobreza e com a miséria dos povos. Que deixem
de fingir atitudes caridosas e passem, apenas, a respeitar o
próximo, não lhes tirando as condições mínimas de
sobrevivência. Que valorizem os produtos do próximo na mesma
medida que valorizam e exigem valorização de seus produtos.
Os homens, estes filhos não crescidos, que se
desesperam em disputa eterna pelo "amor de mãe",
precisam aprender que a guerra é, de todos, o maior erro. O
erro da guerra é um erro bilateral; e a paz só poderá
resistir e existir, se o lado mais inteligente oferecer a mão
estendida, com lealdade. Só assim, o homem provará seu valor
e seu direito a esta grande mãe, a que chamamos de Terra.
|