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II
- Biomúsica |
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Antônio da Rosa Maestro
A Arte de Ouvir |
"Cantar é mover o dom,
do fundo de uma paixão,
seduzir as pedras, catedrais, coração."
(Djavan)
Para ser boa a música precisa ser nova, fresquinha da horta, saída do forno, café passado na hora, coisa de se saborear com os olhos fechados.
Nenhuma música pode ser mais nova do que aquela que está sendo criada neste momento. No aqui/agora o músico está perto de você criando um novo som, uma música que jamais foi ouvida e que está sendo tocada especialmente para você. Uma música que jamais poderá ser repetida. Nem mesmo em sonhos.
Esta é, sempre foi, sempre será a mágica da música: o momento da criação, único, irrepetível; as notas musicais vão passando por nós e se perdem para sempre no infinito. Algo em nosso coração fica entoando aquele som por um momento, mas sabemos que logo desaparecerá.
A música é ainda mais efêmera que a flor. Quem percebe sua existência no momento fugaz em que flutua do músico até o ouvinte e então retorna em harmônicos sublimados, quem ousa ouvir com o coração, pode guardar para sempre um pouco de seu perfume.
Algumas pessoas estão meditando em silêncio. Uma delas começa a tocar uma flauta. Quem ouve do lado de fora não sabe que há ouvintes, percebe apenas uma flauta soando ao longe. Aqueles ouvintes concentrados estão fazendo música: acompanham a melodia a cada novo tom bebendo da fonte, trocando emoções e impressões com o músico sem palavras, ouvidos e corações bem compassados entre si. Do lado de fora, alguém pode estar ouvindo a música atentamente, mas estará em outro contexto, fora do âmbito deste momento único.
O som daquela flauta pode até despertar um novo sentido para a vida de quem a escuta de passagem, nunca se sabe, mas com certeza ficará impresso nas mais profundas fibras do ser de cada uma daquelas pessoas que estavam presentes e atentas ao som de uma melodia coletivamente inspirada.
As mãos são do músico, é seu o sopro que dá vida à melodia, é do músico a mente que antecipa os sons, mas a inspiração vem de uma esfera maior, vem do ambiente, do calor da platéia, da resposta emocional de todo o grupo reunido em torno do músico. A criação é coletiva.
Com microfones, a história seria um pouco diferente. A flauta seria ouvida mais longe e o som poderia ser melhorado num reverber, mas para as pessoas da platéia o momento de criação já estaria comprometido pela falta de inúmeras ressonâncias interiores ceifadas pelo equipamento eletrônico.
Quando o artista entra no palco e começa a cantar, se o som for bom mesmo, a voz desaparece dentro do cantor e reaparece pelos cantos do palco e através de caixas de retorno à sua frente em alto volume. Para a platéia, o som parece vir do meio do palco quando na verdade vem das laterais, um truque eletrônico para encobrir a irrealidade da situação. O cantor não escuta seu peito vibrar e a platéia não percebe sua emoção por inteiro. O som produzido pela voz não pode ser percebido nem pelos próprios ouvidos do cantor, cercado que está da própria voz amplificada. O microfone de marca famosa está preparado para captar sons muito acima e muito abaixo da capacidade humana, mas é limitado por padrões determinados de freqüência que eliminam de imediato a respiração e mais uma série de ruídos que não interessam ao que se convencionou chamar de som de "alta-fidelidade".
Um gaiteiro que conheci, muito inteligente mas grosso barbaridade na lida com a tecnologia, entrou no estúdio para gravar pela primeira vez depois de muito famoso. Tinha, por seu jeito esforçado de tocar, uma respiração muito forte, característica, que vazava demais pelo microfone. O técnico de gravação, enlouquecido com a péssima qualidade do som, insistia com o velho gaiteiro: respira mais baixo, tio! Numa dessas, o velho campeiro se abaixou na direção do microfone e falou, bem alto: mas tchê, se eu respirar mais baixo que isto vão pensar que eu morri! Ele tinha razão, pois havia ensaiado a vida inteira para combinar sua respiração com o ritmo do fole. Aquele ruído fora dos padrões técnicos usuais era parte de sua música.
A latinha, nome carinhoso que os radialistas dão ao microfone, é muito enganadora. Pode-se usar o timbre, o ritmo e a melodia da voz para ocultar ou adulterar as emoções que o coração transmite. As novelas de rádio seriam um bom exemplo, mas os narradores de futebol são insuperáveis na arte de narrar um gol contra o seu time do coração sem que os ouvintes percebam a dor que lhe martela o peito.
Os atores que fazem teatro e televisão podem descrever perfeitamente a diferença entre trabalhar para as câmeras e trabalhar para um público natural, integral e ao vivo. Do circo mambembe à ópera de Paris, a platéia é parte do espetáculo.
Entre um palco iluminado diante da platéia e um estúdio de gravações, há um teatro lotado de diferenças.
Pouco adianta praticar Stanislavsky (interiorizar o personagem), para fazer televisão. Pouco ajuda colocar emoção na voz se o objetivo é gravar um disco. Quando o resultado que se espera é uma arte tecnicamente perfeita o prejuízo é sempre da emoção. Melhor tomar sol e malhar para aparecer diante das câmeras inclementes; melhor gravar num tom alto para destacar os agudos que buscar ressonâncias emocionais, pois isto não entra no microfone, é muito rápido, acontece em freqüências de milhões de ciclos por segundo.
Não será preciso queimar discos e microfones em praça pública para fazer boa música, como não precisamos voltar à idade da pedra lascada para aprender a preservar a Natureza. Uma boa parte das vibrações que a música coloca em atividade são reproduzidas pelos aparelhos eletromecânicos. O que se pretende aqui é alertar para a infidelidade destes equipamentos quando o propósito da música é estabelecer relações humanas entre o artista e a platéia.
Na musicoterapia, na música para a prática de meditação, na música ritual ou de intuito sagrado, ou quando o propósito do músico é transmitir emoções e motivações interiores, o microfone e seus complementos produzem uma interferência inaceitável. Da mesma forma que você não consegue falar do telefone celular dentro de um túnel, o coração não tem como se comunicar pelo microfone. Ele fala, grita, canta, mas ninguém escuta.
Alguns artistas especialmente carismáticos conseguem, diante de platéias receptivas e generosas, comunicar-se com extraordinária intensidade mesmo com o uso do microfone. Às vezes, a oportunidade de encontrar-se na presença do mito cria no público uma expectativa muito favorável à comunicação afetiva e à criação coletiva. Isto pode acontecer, mas é um fenômeno raro. O que normalmente acontece é um jogo de faz-de-conta que envolve muito mais a mente que o coração.
A tabela a seguir apresenta, de modo mais poético que argumentativo, algumas diferenças bastante significativas entre a música natural, integral e ao vivo e a música eletronicamente alterada:
Música Natural
orgânica
novíssima
efêmera
humana
tetradimensional
interativa
vida e morte
abre caminhos no espírito
concentra a atenção
fluente
sai do coração
sagrada Música Eletrônica
sintética
reciclada
enlatada
mecânica
tridimensional
unilateral
lazer e informação
obstrui canais transpessoais
distrai a mente
congelada
sai de uma caixa preta
profana
"But whats heard is only the buzz of flies
Over the rotten flesh
Theres no more safe ground to beon
Everybody around you reflects an image
Distorted and wounded
I can hear the cry of a million souls
That have been already marked by their deaths
While the laughs of satisfaction echo endlessly . . ."
(Max/Igor Calavera - Sepultura)
"Mas o que se ouve é apenas o zumbido das moscas sobre a carne podre. Não existe mais um lugar seguro para estar, todos à sua volta refletem uma imagem distorcida e ferida. Posso ouvir o choro de um milhão de almas que já foram marcadas por suas mortes enquanto as risadas de satisfação ecoam sem fim..."
Como saber se uma música é boa ou ruim?
É muito fácil acreditar que uma música que enaltece o demônio é péssima e um hino de igreja é música espiritualizante. Fácil demais.
A professora de yôga afirma que nada é mais relaxante que música;
o adolescente garante que nada é mais excitante que um som;
diz um índio da Amazônia que a música abre caminhos no espírito;
o produtor da gravadora garante que o melhor é o que agrada à maioria;
Quem está com a razão?
Einstein avisou: a realidade depende do ponto de vista do observador.
Cada um tem seu próprio universo para coordenar. Para um católico fervoroso a música demoníaca deve ser terrível, mesmo que ele não seja muito fã de hinos religiosos. Para relaxar, nada como música relaxante, e para agitar, nada como música excitante, uma não exclui a outra. O índio só quer soprar sua flauta em paz e o produtor da gravadora não está interessado em sua música misteriosa.
Por uma questão de princípios econômicos, nos dias que correm o mercado tornou-se fator determinante em todas as relações humanas. Ter é mais que ser. Assim, quantidade tornou-se garantia e condição de qualidade. Para o compositor ocidental, quanto mais vezes uma mesma canção for executada maior será o seu sucesso. Para afirmar-se como artista, o músico precisa que um número crescente de pessoas admire seu trabalho. Como o tom do sino amarelo pelo qual se afinavam todos os instrumentos da antiga China, o bip da caixa registradora torna-se a sua nota sagrada.
Para um músico inspirado, o fato de alguém gostar ou não da sua música é menos importante que a satisfação espiritual encontrada no momento de compor ou de executar uma canção. Nele, o ato de criar é atributo divino, sua música é ressonância que brota das profundezas da alma, sucesso será conseguir tocar e ouvir o próprio coração.
Numa sala de concertos, um público que se dispersa em pensamento mais atrapalha que favorece a qualidade da música que ouve. Um público concentrado e generoso pode melhorar sensivelmente o desempenho do solista, a ponto de o próprio músico surpreender-se com a facilidade encontrada na execução dos trechos mais difíceis.
Em função da ressonância entre músico e platéia, pode-se afirmar que a qualidade da música depende do ouvinte tanto quanto do músico. Colocado no centro das atenções, o músico filtra, processa e exprime não apenas o seu próprio sentimento, mas o de todos os presentes.
Cada indivíduo afina seu próprio piano de ressonâncias como bem entende, dentro de certas orientações ou restrições genéticas, biológicas e ambientais; num concerto para um público de mil pessoas, mil canções diferentes serão executadas ao mesmo tempo, todas semelhantes, nenhuma igual a outra. Só o solista conhece a música verdadeira, mas cada vez que a toca soa um pouco diferente.
Como diferenciar a boa música daquela que pode ser prejudicial à saúde e à sensibilidade?
Se a questão é música, qualquer juízo de valor preconcebido é impróprio. A Natureza é música luminosa perfeita em qualquer caso e danos ou benefícios à saúde e à sensibilidade dependem do contexto, da oportunidade, da predisposição de cada ouvinte.
A música modifica o ambiente e o ouvinte e é por eles influenciada.
A princípio, para diferenciar boa música de bad music (em inglês, numa homenagem aos povos que inventaram o microphone, o hard rock e o trash metal), basta prestar atenção.
Pergunte a si mesmo:
O que acontece em meu universo pessoal quando escuto isto?
Como esta música faz vibrar minha harmonia?
Como esta música compõe o ambiente em que me encontro?
Se minha vida fosse um filme, esta seria a melhor trilha sonora?
Não importa se o músico que toca para você é "bom" ou "ruim", interessa saber é: você sabe ouvir seu coração?
Lembre-se:
Música para dançar deve ser dançada. Dance enquanto estiver ouvindo valsas clássicas, discomusic, boleros e salsas. Balance o corpo, encontre o ritmo, participe do ambiente sonoro.
Música para cantar deve ser cantada. Cante quando ouvir pagode e música popular baseada em refrões repetitivos. Cante junto com seus discos preferidos, principalmente quando estiver sozinho.
Música para meditar deve ser usada para meditar e relaxar. Pode ser usada para ler, estudar ou escrever, tarefas que ocupem apenas a mente. Por outro lado, ouvir música indiana enquanto faxina a casa ou pratica ginástica aeróbica é dissociativo. Se você ouve música relaxante enquanto executa um serviço pesado, pode apostar que vai ficar mais cansado e o serviço mal acabado.
Fique atento às letras das canções populares. Mantras negativos repetidos inconscientemente podem resultar em grandes desequilíbrios. Frases do tipo "a vida é ruim", "o amor é sofrimento", "meu destino é padecer" rodando no subconsciente, só podem trazer resultados indesejáveis.
Música para ser ouvida deve ser ouvida com atenção. Fique atento em presença da obra de grandes compositores eruditos ou de música instrumental de alta qualidade técnica.
Música para ser vista não merece ser ouvida. Na medida do possível, evite clipes e shows de rebolado na televisão. Se você gosta das imagens, ao menos abaixe o volume ao mínimo. Megashows que dependem de telões para fazer sentido também estão definitivamente fora do que se possa considerar boa música para o coração.
Procure saber sempre o que diz a letra das músicas que canta em idioma estrangeiro. Um mantra vale pelo sentido e também pelo som. Letra e música se refletem, cantar a vida reflete vida, cantar a dor reflete dor e, com o perdão da rima pobre, cantar o amor reflete amor.
Para ouvir enquanto trabalha, procure encontrar uma música cujo ritmo esteja de acordo com o seu pique de trabalho. O coração se ressente quando há dissociações de ritmo entre o que se vê e o que se ouve.
Sempre que possível, escolha ouvir música integral, natural e ao vivo. Abra seu coração para o músico e surpreenda-se com as emoções que a música pode fazer vibrar nas profundezas de sua alma.
"Não espere encontrar numa canção
Nada além de um sonho
Nada além de uma ilusão
Talvez quem sabe
A verdade
A infinita vontade
De arrancar de dentro da noite
A barra clara do dia".
(João C. Pádua/Egberto Gismonti)
Os ouvidos ouvem coisas que os olhos não vêem, os ouvidos nada sabem do reino da luz, mas o coração sempre sabe.
Com os ouvidos, não poderemos descobrir se uma lâmpada está acesa ou apagada na sala. Com os olhos, não saberemos dizer se o telefone está tocando. O coração sempre sabe, mas nunca tem certeza.
Julgar é tarefa da mente, não da alma.
Não é da natureza de nosso ouvido oculto determinar se o que ele está ouvindo é bom ou mau, brilhante ou desafinado, certo ou errado, sim ou não. O órgão auditivo que trazemos no centro do peito está programado para digerir informações referentes a freqüências de velocidades superiores à da luz visível. Neste nível, a compreensão dos fenômenos é anterior à manifestação física dos eventos.
O que vibra e ressoa no fundo e em torno de nosso corpo físico está diretamente vinculado à realidade nos cerca. A ressonância é permanente. Quem está vivo soa e ressoa.
Para a "terceira audição", localizada no centro de nossa presença física, a harmonia tonal é ressonante à oitava de doze semitons que utilizamos para fazer música. Os acordes se formam no mesmo modo orgânico, dó, mi, sol, dó, tônica, terça, quinta, oitava...
Esta é a harmonia oculta de que falava Heráclito:
"A harmonia oculta é superior à aparente".
A música leva mensagens ao eu superior, orientador e manifestador de nossa realidade. Lembre-se de Hermes Trismegisto:
"O que está acima é igual ao que está embaixo,
o que está dentro é igual ao que está fora". Os timbres e acordes simples e cotidianos conduzem nossa rotina de vida.
As dissonâncias levam reverberações criativas até às mais altas instâncias de nossa individualidade.
Os sons enarmônicos e distorcidos levam enarmonias e distorções até o fundo do fundo de nossas consciências, acionando vibrações de desarmonia e discórdia.
Quando estas vibrações retornam, ecos da alma, provocam vibrações harmônicas na mesma escala. Rotina, novidades, discórdia, tragédia, harmonia ou horror virão vibrar em nosso campo magnético pessoal, ecos distintos para cada som que ouvimos, para cada imagem que nos impressionou os olhos. Estas vibrações buscarão manifestar-se em nosso ambiente.
Se você comer mais do que pode digerir terá sérios problemas gástricos. Se você ouvir um determinado tipo de música além do que pode discernir, encontrará ressonâncias em excesso naquela determinada freqüência em seu ambiente vital. Monotonia, solidão, depressão, stress, doenças nervosas, acidentes, conflitos, depende do quê você anda ouvindo demais.
Olhos e ouvidos trabalham com informações diametralmente opostas ou, para ser mais preciso, dimensionalmente perpendiculares entre si. Luz e som precisam estar ligados para existirem.
Quando som e luz estão ligados em harmonia, o coração pode partilhar deste momento.
Ouvir boa música no escuro pode ser uma brilhante idéia. Limitado ao universo sonoro, nosso coração vibra excelentes ressonâncias, bem mais claras e precisas.
A música visual da televisão e dos espetáculos populares só faz sentido numa sociedade sem coração. A televisão é ótima para transmitir embates esportivos, principalmente quando sabemos que "todo mundo" está ligado no mesmo canal, estamos todos de acordo com o que cada equipe, atleta ou torcedor tem por objetivo, torcer torna-se uma experiência coletiva. O caso da música é bem diferente. Desprezando-se as freqüências emocionais da convivência com o músico, eletronicamente eliminadas, mesmo que estejam todos assistindo ao mesmo canal, a emoção artística é subjetiva, as interpretações e julgamentos são excessivamente individuais para que se consiga um sentimento de corpo com a platéia virtual. O que cada um sente em presença de uma música é pessoal e intransferível. Música para ser vista faz tanto sentido quanto uma pintura para ser ouvida.
Para estar em harmonia consigo mesmo é preciso ouvir o que se está vivendo e viver o que se está ouvindo.
Nosso aparelho auditivo está vinculado diretamente ao cérebro numa intrincada rede de sinapses e ligações neuronais, ressonâncias e biofeedbacks. É um processador de sons audíveis.
Nosso ouvido extrafísico está diretamente ligado aos sistemas cardiovascular e digestivo através de vórtices de energia. É um biodigestor de sons e vibrações de altíssima freqüência.
Boa música faz bem ao coração e auxilia na digestão de energias pesadas.
Excesso de enarmonias, distorções, sons pesados, estridentes ou estremecedores de tão graves provocam arritmia cardíaca, mau humor e predispõem ao stress e à depressão. Isto está cientificamente comprovado, embora você tenha todo o direito de duvidar. Bad music prejudica a digestão e entope as vias de acesso ao coração extrafísico.
Observe com atenção o que acontece nas danceterias freqüentadas pelos adolescentes de nosso tempo. Com caixas de som colocadas acima da cabeça dos dançarinos para poupar os tímpanos e enganar o coração, músicas de grosso calibre são executadas em altíssimo volume. A vibração é tão forte que se sente na pele, sair dançando torna-se imperioso ou nossa energia se esgota rapidamente, é preciso manter-se em movimento para suportar a pressão daquele estrondo.
O mesmo efeito cegante que se consegue fitando um holofote prolongadamente se obtém nos órgãos auditivos dentro daquele foco sonoro. Se mergulharmos neste caldeirão eletrônico ensurdecedor uma vez por ano estaremos desafiando nossa capacidade de absorver vibrações desconexas. Pode ser uma experiência esclarecedora e até relaxante, quem sabe. Se, como faz um grande número de pessoas, transformarmos esta prática num hábito semanal, estaremos sujeitos a graves desarmonias físicas, mentais e sociais.
Com seus ouvidos e tchacras repetidamente sobrecarregados com toneladas de lixo harmônico, os freqüentadores de danceterias começam a se tornar alheios à realidade acústica que os cerca. Só estão bem quando conseguem dissociar o coração e a mente. Palavras, conselhos, lições, ligações emocionais com os seus semelhantes tornam-se aborrecidos e desconexos. Os caminhos de seu espírito estão bloqueados, ensurdecidos, e está aberta a porta que leva às drogas, à alienação, à agressividade, ao desajuste social.
Que fique claro: não é o estilo da música que estimula o consumo de drogas ou a violência e sim o uso desmedido e irresponsável da energia sonora. Overdose de som é um perigo.
Cada um tem seu próprio gosto e suas próprias intimidades com a música, mas pode-se perceber algumas relações muito interessantes entre a vida das pessoas e a trilha sonora que escolhem para ilustrar sua existência. Geralmente as pessoas são a cara da música que costumam ouvir. A roupa, o corte de cabelo, o gestual, o vocabulário, a decoração dos ambientes, tudo rima com a música de fundo. Observe e surpreenda-se.
"Olhe bem para cada caminho.
Experimente-o quantas vezes achar necessário.
Depois, pergunte-se: esse caminho tem coração?
Se não tiver, não presta.
Ambos os caminhos conduzem a parte alguma,
mas um tem coração e o outro não."
(D. Juan de Castañeda)Esta citação aparece em quase todos os livros de auto-ajuda porque contém muita sabedoria, mas nem sempre é fácil decidir, às vezes os dois caminhos a seguir têm coração. Quando precisar de auto-ajuda para escolher um caminho, escute sua canção. Onde há harmonia, evolução e crescimento, a música é emocionante, basta ouvi-la para reconhecer a ressonância em seu ouvido oculto.
Se seus caminhos o levam a percorrer trilhas sonoras excessivamente ruidosas, frenéticas ou monótonas demais, barulhos onde não cabe o bater de um coração pacífico, fique atento. Talvez seja necessária a contrapartida de procedimentos musicoterápicos para reequilibrar seus ouvidos, coração e mente numa seqüência mais harmoniosa.
"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é,
é ruim da cabeça ou doente do pé."
(Dorival Caimmy)
O conceito de Musicoterapia surgiu para definir uma série de procedimentos acústicos destinados a curar ou proporcionar melhoras em pacientes que apresentam sintomas de depressão e stress.
Mesmo os médicos e cientistas mais ortodoxos já aceitam como benéfica a inclusão de Bach e Beethoven na dieta auditiva de indivíduos deprimidos. Estudiosos do assunto afirmam que é possível curar doenças nervosas exclusivamente com a utilização de música selecionada. Há cursos superiores de musicoterapia em respeitáveis universidades de todo o mundo, inclusive do Brasil.
Algumas definições clássicas de Musicoterapia que buscamos com o auxílio da Internet:
"Da primeira infância à terceira idade, a Musicoterapia pode significar, para as pessoas que a buscam, um fator de crescimento e uma contribuição para a melhoria da qualidade de vida. As vivências musicais proporcionadas pela Musicoterapia estimulam a criatividade e a autoconfiança, ajudando a mobilizar o potencial de saúde do cliente. Tocando, cantando, improvisando, acompanhando e ouvindo música, a pessoa partilha a sua experiência em sessões individuais ou de grupo. A Musicoterapia atua, assim, no desenvolvimento do potencial criativo e na prevenção e tratamento de pessoas com diferentes necessidades:
Acompanhando as mães e pais no pré-natal;
Na estimulação essencial com bebês em creches e outras instituições;
No atendimento a deficientes mentais e sensoriais;
Em clínicas e hospitais na área de saúde mental;
Na recuperação de dependentes químicos (droga e álcool);
Na assistência a deficientes físicos em instituições de reabilitação;
Atendendo pacientes com câncer e AIDS;
Atuando com idosos em centros de geriatria e gerontologia;
No desenvolvimento pessoal aprofundando a vivência do processo criativo e as relações interpessoais."
(Extraído de http://www.cbm-musica.org.br/musicoterapia/, site do Conservatório Brasileiro de Música)."Musicoterapia é a utilização da música e/ou dos seus elementos musicais (som, ritmo, melodia e harmonia) por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou um grupo, num processo planificado com o objetivo de facilitar e promover a comunicação, a relação, a aprendizagem, a mobilidade, a expressão, a organização e outros objetivos terapêuticos importantes, que vão ao encontro das suas necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais ou cognitivas. A Musicoterapia tem por objetivo desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo, a fim de melhorar a sua organização intrapessoal e/ou interpessoal e, em conseqüência, adquirir uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento." Comissão de Prática Clínica da Federação Mundial de Musicoterapia. (Extraído de http://www.appc.pt/coimbra/musicoterapia.html).
"Determinados sons, associados a determinados tipos de música, induzem realmente a uma alteração na freqüência das ondas cerebrais, baixando seu nível de atividade e provocando um relaxamento tanto a nível físico (musculatura, sistema nervoso, sistema fisiológico), como a nível mental e psicológico, acalmando emoções, diminuindo a tensão, etc. Quando se associam músicas melodiosas e suaves, na qual determinados instrumentos cujos sons, por si só são também relaxantes como sininhos, chimels, flautas, cello, harpa, violino, etc., com sons outros tais como: som de água corrente, canto de pássaros , ruído do vento, ondas quebrando na praia, grilos cantando, rãs coaxando, patos grasnando, tudo isso junto forma um produto com a qualidade de induzir um estado de suavidade, calma e abandono extremamente favorável ao relaxamento e, por conseqüência, ao equilíbrio e harmonização da pessoa." (Extraído de http://www.perspectivas.inf.br/. Neste mesmo site há uma lista de recomendações de CDs para a prática de Musicoterapia.)
Ser ou parecer ser, to be or seems to be, diria Hamlet, na mão direita um disco de vinil.
É verdade que os CDs são muito mais bonitos que os discos de vinil, sua fidelidade ao som gravado é também superior à antiga chiadeira. Ainda assim, numa esfera holística de compreensão, a música que vem de um disco brilhante não pode ser comparada à de um instrumentista ou de uma orquestra tocando ao vivo, na presença dos ouvintes. A experiência de ouvir um concerto ao vivo é única e irrepetível em qualquer caso. Indispensável, se a questão é saúde.
Musica de CD é enlatado, música natural é hortelã caseira; musicoterapia com CD é alopatia, remédio sintético; musicoterapia com música integral é fitoterapia, medicina vibracional.
A música importada de ambientes e países estranhos, de épocas remotas, de realidades que jamais experimentamos não pode ser a melhor guia na busca de nossa harmonia interior. Musicoterapia com CD é paliativo, mexe com as memórias mas não atinge as raízes emocionais, não faz vibrar os acordes completos nem as notas capazes de desbloquear nossos caminhos espirituais. Na música eletrônica perde-se a essência, o princípio ativo, a energia emocional.
A música natural pode ser um instrumento de precisão cirúrgica na remoção de coágulos de mau humor, na diluição de constipações energéticas, nos tratamentos contra disfunções e dissociações harmônicas em nossa natureza física ou psicológica.
Uma terapia capaz de harmonizar a mente e o corpo físico de um indivíduo exige participação ativa na execução da música empregada como remédio. Seja tocando, seja dançando, seja cantando ou batendo palmas, o musicoterapeuta só pode curar a si mesmo. Precisa buscar em suas próprias pesquisas quais as músicas que marcaram sua vida, seu inconsciente, a formação de seu intelecto na infância.
Contando ou não com o auxílio de um psicólogo ou de alguém que estudou musicoterapia, o paciente precisa recriar seu universo sonoro até que as boas vibrações, atuando sobre seu sistema nervoso e seu campo de energias, restaurem a saúde ou o equilíbrio perdido.
Reviver sons que marcaram nossa memória é uma experiência e tanto. O ritmo tranqüilo do coração da mãe quando ainda estamos lá na barriga, os primeiros sons, as primeiras músicas... Músicas de roda que ainda sabemos de cor, músicas da escola que lembram amigos há muito esquecidos, aulas de música, bailes, espetáculos, romances, pessoas, universos paralelos que povoam nosso imaginário de sons, ritmos e melodias, versos e rimas. Lembrar uma velha canção pode liberar para sempre um antigo fantasma que habitava o sótão.
Aprender a tocar um instrumento musical pode aumentar a auto-estima muito mais do que se imagina. Enquanto estamos estudando música, gineteando um instrumento mal domado, errando feio na parte mais gloriosa da música, estamos treinando nosso amor próprio. Amar a si mesmo é explorar os próprios limites e arriscar-se a imperfeições na busca de algo maior, da essência da música nos harmônicos interiores.
Explorar a própria musicalidade é o fundamento da musicoterapia.
Problemas de auto-afirmação? Dificuldades para dormir? Depressão profunda? Stress da vida agitada e nervos à flor da pele? A Musicoterapia é uma excelente alternativa nestes casos. O musicoterapeuta pode ser você mesmo. Selecione muito bem os CDs que costuma ouvir. Procure música clássica, cordas e pianos, música indiana. Ouça com atenção. Não desaparecendo os sintomas, desligue o som e procure cantar bem alto as músicas que for lembrando.
Cuidado. Se você tem um problema grave de personalidade ou de ajustamento à sociedade, procure a orientação de um psicólogo experimentado. Os efeitos da musicoterapia natural podem causar abalos sísmicos em toda a estrutura de sua mente superior. Automedicação musical inadequada pode trazer efeitos tão graves quanto a ingestão de um antidepressivo sem receita médica.
Tenha sempre presente que o som é sagrado. Para ter efeito curativo a música precisa de sua fé, de sua ressonância afetuosa e sincera. Pode se enfiar um remédio goela abaixo ou veia adentro de um organismo mas, na maioria dos casos, as terapias vibracionais dependem da participação efetiva do paciente para alcançarem resultados significativos.
Uma dieta para ouvir a vida
Em relação à sua dieta musical, siga as regras básicas de reequilíbrio vibracional. As receitas tradicionais de cuidados com a saúde física e mental são suficientes. Vida saudável exige música saudável.
Dieta Música Comida natural: Sem aditivos, agrotóxicos e conservantes, o mínimo de gordura, o máximo de alimentos ricos em vitaminas e proteínas por refeição. Coma pouco e varie bastante os sabores e as fontes alimentares. Se possível, evite a carne vermelha. Não se alimente pelo relógio, só coma quando tem fome.
Música natural: Sem intermediários eletrônicos, o mínimo de enarmônicos, gritos e distorções, o máximo de complexidade e qualidade harmônica que for capaz de produzir ou ouvir com atenção. Se possível, evite o ruído de motores e ouvir rádio sem necessidade.
Água saudável: Filtrada ou fervida, principalmente se não vem direto de fonte natural. Desconfie de águas minerais engarrafadas. Evite refrigerantes e o excesso de bebidas alcoólicas. Ao menos no verão, tome uma ducha fria após o banho. Não se banhe em águas poluídas.
Música saudável: Nunca em volume excessivo, especialmente se provém de meios eletrônicos. Desconfie dos discos de artistas que você não conhece pessoalmente. Evite música importada e o excesso de música agitada. Fique bem longe de grandes caixas de som. Não use headphones duplos, a não ser por dever profissional.
Ar puro: Muito oxigênio, alta umidade relativa, distância de chaminés e depósitos de lixo.
Abra diariamente as janelas da casa para renovação do ar. Respire sempre em profundidade e não durma em quartos hermeticamente vedados.
Música pura: Muita harmonia, alta densidade emocional. Evite música de televisão. Procure sempre novos artistas para ouvir. Preste atenção ao que ouve e não durma com fundo musical, especialmente de rádio e televisão. Ouvir anúncios dormindo equivale a deixar a mente para estranhos cuidarem.
Sexo seguro: Procure manter um parceiro fixo e seja fiel. Se você não é capaz de confiar em seu parceiro, procure outro. Se você não tem parceiro fixo, use sempre camisinha e evite a promiscuidade emocional.
Música segura: Eleja um instrumento musical como seu preferido e aprofunde-se no estudo de sua sonoridade. Se o instrumento que você toca não toca seu coração, mude de instrumento. Se você toca muito mal, não se apresente em público e não atormente os vizinhos em horas impróprias.
Exercícios físicos: Vida sedentária exige exercícios diários de toda a musculatura. Caminhe, corra, pratique algum esporte ao ar livre, tome sol regularmente. A não ser que seja um atleta profissional, não esgote suas energias com treinamento excessivo. O prazer da ginástica é essencial na terapia.
Música energética: Vida monótona exige variações de tonalidade. Troque discos, intercale emissoras de rádio para públicos diferentes, pratique música cantando, dançando, batendo palmas. A não ser que seja ou pretenda ser um músico profissional, não se canse fazendo música. O prazer de tocar é indispensável ao sucesso da terapia.
"Para seres um verdadeiro músico,
deves morrer para tudo o que constitua a vida comum.
É dessa morte que falam todas as religiões.
Esse é o significado da sentença que dos tempos mais remotos chegou a nós: sem morte não há ressurreição."
(Gurdjieff)Há uma harmonia de tensões contrárias
assim como a do arco e da lira.
O nome do arco é vida,
mas sua função é a morte.
(Fragmentos de Heráclito)
Não é de estranhar quando grandes astros de música popular experimentam intensas crises existenciais, mergulham fundo no mundo das drogas e se tornam pessoas impossíveis de conviver. Trabalhando sua imagem de acordo com as expectativas do público, aumentam e desarticulam desmesuradamente seu campo emocional; distanciam-se de si mesmos, caminho oposto ao do autoconhecimento. O problema não está na música que fazem e sim no que fazem com sua musicalidade. Criam um mito em torno de si mesmos e depois não conseguem mais se livrar ou conviver com ele.
É da morte deste mito, o ego central e sua manifestação imaginária, que falam os místicos quando afirmam que a música e a morte guardam profunda intimidade. O ego precisa morrer para que o espírito possa se expressar.
Voltar-se na direção do som é ficar de costas para a luz. Abandonar-se à música é sempre uma viagem sem volta, quando reaparecemos já não somos mais os mesmos.
Abandonar-se à música é arte para magos, mas não há magia mais simples. A literatura universal está repleta de descrições de momentos em que a audição de uma música transforma radicalmente a vida de alguém. Os maiores músicos do Oriente não são artistas populares, são monges que buscam no universo sonoro os caminhos da iluminação, e os que se tornam exímios são tratados com enorme consideração.
A organização, repetição, modificação e harmonização dos sons com objetivos puramente místicos está na origem de todas as formas de música conhecidas.
A música popular do Século XX, dedicada exclusivamente ao lazer, fruto de um desenvolvimento tecnológico que privilegia o futuro comercial das máquinas e deixa em segundo plano a evolução do homem, é uma distorção das finalidades da música. Mais que isto, ao ignorar as potencialidades modificadoras do som, com seus harmônicos e vibrações microcósmicas, joga com poderosas energias, ignora seus possíveis efeitos e nos coloca como crianças a brincar com fogo no paiol de munições.
A música modifica as pessoas.
"Dize-me o que ouves e te direi quem és".
Que tipo de sons você cultua? Qual a sua cultura musical?
Em que tipo de ambiente sonoro você se movimenta no seu dia-a-dia?
O homem moderno, sujeito a tantas pressões, precisa ouvir boa música natural regularmente, tanto quanto precisa de sol, de ar puro e de exercícios físicos, de alimentação saudável e de momentos de introspecção. Se você é do tipo que dorme quando vai a um concerto de música erudita, aproveite e durma, mas não deixe de ir. Mesmo dormindo, os ouvidos percebem e o coração se alimenta dos acordes e ressonâncias harmonizadoras da música de qualidade.
Se você "não entende de música" não faz a menor diferença. No caso das ressonâncias harmônicas microcósmicas a razão e o conhecimento objetivo são muito menos importantes que as reverberações interiores inconscientes. Veja o que diz Egberto Gismonti:
"Fui preparado e estudei toda a minha vida para ser músico, da melhor forma possível, dentro da aprendizagem ocidental conhecida. Contudo, a qualidade de vida não podia ser adquirida ou aprendida pelo caminho que eu antes percorrera. Eu era uma pessoa muito competente para exercer a função de músico em nossa sociedade, mas essa preparação no âmbito do esquema tradicional de adquirir informação não nos qualifica para sermos músicos verdadeiros. Às vezes até nos afasta do caminho da arte." (Egberto Gismonti). (Extraído do livro Música Transpessoal, de Carlos D. Fregtman com a colaboração de Egberto Gismonti. Ed. Cultrix. SP. 1989)
Este depoimento de um dos mais brilhantes músicos brasileiros da atualidade é bastante esclarecedor. Nos diz que estudar música, ler e escrever partituras sinfônicas, compor e improvisar como poucos, ser exímio na execução de vários instrumentos e reconhecido em todo o mundo, tudo isto não prepara alguém para ser um "verdadeiro músico" e às vezes ainda atrapalha.
A questão é que para ser um verdadeiro músico não basta saber tocar, é preciso dominar a arte de ouvir.
Enquanto executa seu instrumento, o músico ocupa parte de sua mente em cálculos, memorizações, antecipações e avaliações técnicas de desempenho. O ouvinte pode abandonar-se à música, mas ao solista ou ao maestro cabe abrir caminhos, manter o prumo, determinar o ritmo e garantir a harmonia da viagem. Às vezes, raramente, o músico consegue fechar o ciclo e tornar-se ouvinte de sua própria música. Só neste momento é que aparece o privilégio de saber tocar um instrumento.
Antes de todo o estudo necessário para alcançar esta graça, bem mais fácil e direto é sentar-se diante de uma orquestra ou de um gaiteiro de campanha e ouvir com total entrega. Desligue o discurso mental por um instante, deixe que o som seja seu guia e procure estabelecer sincronia com a linguagem musical que só o seu próprio coração conhece. Ouça com o coração, perceba a sensação provocada pela entrada da música em seu campo magnético.
Por mais destreinado que seja, qualquer coração é qualificado para perceber sons de altíssima freqüência. Quando a música propõe ritmo e harmonia, o coração extrafísico repercute vibrações harmônicas, canta junto. Ouça.
Se você tentar fazer isto com música eletronicamente alterada vai se decepcionar e pode perder a confiança no seu coração ou no músico que estiver ouvindo. A música capaz de proporcionar experiências místicas precisa ser natural, integral e ao vivo. Nem é tão difícil de encontrar e vale a pena procurar.
"Chakra é palavra sânscrita que significa: roda que gira captando energia.Chakras são centros magnéticos vitais do ser humano. Estão vinculados a importantes glândulas e mantêm o equilíbrio físico e mental do Ser. Existem Chakras magnos, grandes médios e inferiores. Os mais importantes são: Muladhara, Svaddhistana, Manipura, Anipura, Anahata, Vishudda, Ajña e Sahasrara. Estes Chakras estão localizados no corpo vital ou duplo etéreo. Cada um tem uma cor predominante: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta."
(Extraído de: http://www.bhnet.com.br/~cfsistem/chakras.htm.
Figura extraída de http://www.elogica.com.br/users/ferdinan/figura.htm)
Nosso objetivo não é aprofundar o estudo sobre tchacras e sim falar de música. Há extensa literatura disponível sobre o assunto em qualquer livraria do mundo e também na internet. A partir das pesquisas de importantes médicos e cientistas ocidentais os tchacras estão incorporados à ciência médica moderna. (Sobre o assunto, recomendamos os livros: "Mãos de Luz", da Dra. Margareth Ann Brennan, e "Medicina Vibracional" do Dr. Richard Gerber.)
Nota: É usual a grafia "chakras", principalmente nas traduções de línguas orientais para o inglês. Em português, a grafia "tchacras" respeita a pronúncia, o som original da palavra em sânscrito, sem o uso da letra "k", inexistente em nosso alfabeto, por isto resolvemos adotá-la neste texto.
A tabela a seguir é uma colagem de informações provenientes das mais diversas fontes e conduz a uma meditação sobre as relações entre os tchacras e a música, ou seja, entre os nossos sentidos extrafísicos e os atributos da ressonância harmônica musical.
Tabela Os Tchacras e a Música
Tchacras Sistema Fisiológico Sons Instrumentos Boa Música Bad Music Inteligência 1 Controle Central
(Subconsciente)Inaudíveis;
ultrassomCordas, flautas;
(harmônicos
superiores)Hindu, indígena,
new wave;Jingles, videogame,
cri-cri eletrônico,
microfonia;Lógica 2 Nervoso Autônomo
(Consciente)Agudos Piano, cordas,
flautas;
(acústicos)Clássica, chorinho,
mpb instrumental;Xuxa, Tiazinha,
clips MTV
(música para ver)Visual 3 Respiratório
(Ânima)Médios altos Metais, guitarra,
eletrônicos;Canto, ópera,
mantras, coral;Heavy, hard,
trash metal,
hinos bélicos;Verbal 4 Circulatório
(Âmago)Médios Harpa, cravo,
violão;Romântica, valsas,
Bach, Vivaldi,breganeja e
sertanoja;Intrapessoal 5 Digestivo
(Ouvido Oculto)Médios baixos Órgão, acordeom,
madeiras;Devocional, OM,
canto gregoriano;hinos religiosos,
hinos esportivos;Emocional
Musical6 Geniturinário
(Excretor)Graves Contrabaixo,
tambores,
percussão;Danças folclóricas,
meditação dinâmica;discomusic,
dancemusic,Corporal
Cinética7 Reprodutivo
(Criativo)Inaudíveis;
infrassomTambores,
percussão;pagode acústico,
escolas de samba,
torcidas organizadas;vodu, axé,
pagode eletrônico;Interpessoal
Sexual
Penso ouvir a pulsação atravessada,
do que foi e o que será na outra existência,
é assim como se a rocha dilatada,
fosse uma concentração de tempos.
É assim como se o ritmo do nada,
fosse sim, todos os ritmos por dentro,
ou então como uma música parada,
sobre uma montanha em movimento.
(Chico Buarque)
Como descrever uma música sem executá-la?
Nas tradições místicas a música sempre foi ensinada pelo mestre, na presença do discípulo, em condições rituais. A partir do Renascimento, procurou-se estabelecer uma notação universal e graças a esta complexa notação é que podemos hoje executar Bach, Vivaldi ou Ernesto Nazareth e Villa Lobos. Apenas por tradição oral seria impossível transmitir tanta informação a tanta gente por todo o planeta.
Um bom leitor de partituras musicais consegue imaginar um concerto apenas acompanhando a escrita musical. Em sua mente toca uma orquestra inteira, um piano, metais, madeiras, tímbales, dezenas de violinos executando fugas e contrapontos, os cantores, o coral... Beethoven já estava completamente surdo quando escreveu suas últimas sinfonias imaginárias.
Em torno do maestro que lê concentrado reina o mais completo silêncio.
A mente do maestro executa com perfeição todos os instrumentos e consegue tocar todos ao mesmo tempo. Onde estão os ouvidos que escutam esta sinfonia maravilhosa? Se colocarmos captadores hipersensíveis, eletrodos, equipamentos de ultrassom e ressonância magnética em torno do cérebro do maestro vamos conseguir ouvir ou transformar em música alguma nota desta sinfonia? Não, claro que não.
O cérebro do maestro, assim como o de todo o mundo, transporta um equipamento de som capaz de criar música em um ambiente extrafísico. Ao mesmo tempo, é bom lembrar, gera imagens tridimensionais perfeitas da orquestra com seus músicos, todos eles com rostos e nomes conhecidos. Este espetáculo imaginário é todo ele produzido e patrocinado pelo cérebro, com seus neurônios extraordinários. Mas é criado por quem? É dirigido a quem?
Quem ouve a música que o maestro imagina é o seu próprio coração. No centro do seu peito mora um ser extrafísico capaz de apreciar o espetáculo na íntegra. Enquanto o maestro escreve música, o coração oferece valiosas sugestões. O coração, que é som, precisa do cérebro, que é luz, para existir. Na verdade, um não vive sem o outro.
Tente ouvir de olhos fechados, de memória, uma canção de sua preferência. Perceba que o som não vem do cérebro, vem do centro do peito, quando passa pela garganta dá até vontade de cantar. Observe como o cérebro atrapalha a experiência mais do que ajuda; quando começamos a racionalizar e raciocinar sobre o som que estamos "ouvindo" ele perde qualidade e nitidez.
Criar sons extrafísicos é uma arte mística por natureza. Quem consegue imaginar música carrega um dom sagrado a ser desenvolvido. (Do mesmo modo, desenvolver a imaginação visual é um trabalho que engrandece o espírito.)
A música "imaginária" embora não produza imagens , denuncia a existência de um transmissor/receptor de ondas sonoras de altíssima freqüência em nosso sistema vital.
Se você prefere acreditar que este órgão de sentidos está localizado no cérebro, tudo bem, mas ao menos admita que sua natureza é extrafísica. Neurônios não tocam violinos sem a batuta do maestro.
Para tocar um violino imaginário é preciso mover luzes de altíssima freqüência que não são da alçada do cérebro, são atributos do campo de energias que é nosso corpo completo. Os neurônios são captadores de vibrações harmônicas àquelas que imaginamos; o cérebro é um receptor/tradutor de informações, um transdutor de energias, uma máquina biológica capaz de comandar nossas relações com o meio ambiente, mas não pode criar coisas do nada.
Se você prefere acreditar que este ser extrafísico que ouve música e se comunica com o nosso cérebro desaparece na hora da morte, o problema é todo seu. Mas em pleno Terceiro Milênio da Era Cristã acreditar que o universo é apenas aquilo que se vê e ouve com os olhos e ouvidos físicos é cientificamente anacrônico, está no século retrasado.
Só porque as máquinas não podem captar não quer dizer que a música imaginária do maestro não exista. Ela existe num plano extrafísico, não podemos percebê-la aqui de fora, mas esta música pode emocionar o maestro até às lágrimas. Jamais terá existência física, mas existe assim mesmo e modifica a pessoa que a escuta.
O som é o agente formador do mundo, mesmo quando em escala microcósmica, em freqüências que estão além de nossa compreensão racional, fora da linha do tempo ou dos planos do espaço, o som é vida. Nosso coração troca informações precisas com o universo exterior através de harmônicos ressonantes.
Os sons que ouvimos, produzimos ou imaginamos interagem com nosso campo magnético, nosso corpo físico e o meio ambiente em que nos encontramos. Todo som, em qualquer ponto da escala de freqüências, cria reverberações harmônicas em outros pontos da escala.
Música imaginada é música natural, integral e ao vivo. Atuando de dentro para fora, o som até aumenta o potencial de mover energias nos sistemas orgânicos de altíssima freqüência que faz vibrar em ressonância.
Quantas vezes já aconteceu de você se irritar com "esta música que não me sai da cabeça"? Há músicas que ficam rodando na mente, muitas vezes pequenas frases ou trechos esparsos, jingles, trilhas de filmes, horas e horas. Você sabe a diferença entre luz e som. Se você pode ouvir é som, não é ilusão, não é miragem, não é loucura, não é imaginação, é fato sonoro.
Quem canta, quem se expressa através da música é sempre o coração. Quem ouve a última palavra do eco de cada som é sempre o coração. Meu coração, my hart, mon coeur, mio cuore, mi corazón, este mesmo de que falam as canções do mundo. É dele que vem o som que a gente canta, é ele que ouve a música que vibra em nosso meio ambiente.
Meu canto, para ser um canto certo,
vai ter que nascer liberto e morar no assobio,
do ocupado e do vadio, do alegre e do mais triste,
só há canto quando existe muito tempo e muito espaço,
pra canção fincar seu passo e dizer o que eu não disse.
Ah! Que bom se eu ouvisse o meu canto por aí."
(Sérgio Bittencourt)Ouvi um músico famoso declarar:
... quanto maior o público de um artista, pior a qualidade de sua música...
Era uma brincadeira, mas tomada ao pé da letra esta frase faz muito mais sentido do que parece. O músico solitário é mais arrojado, mais profundo, mais centrado. O público, por maior ou menor que seja, oferece exigências e ressonâncias tão variadas quanto sutis, sujeitando a expressão artística a códigos imprecisos e estranhas expectativas.
Precisa haver uma conspiração entre músico e platéia para que o som seja compartilhado em harmonia e isto não é fato comum em nossa cultura.
Quando o músico ouve a música que criou e vê que ela é boa, em lugar de descansar como um deus, pensa em mostrá-la ao mundo. Ser rico e famoso é o sonho de toda pessoa normal nesta sociedade capitalista em que vivemos.
Assim, muitos são os artistas desta Era Pop que se tornam ricos e famosos, mobilizam multidões por onde passam e se tornam extremamente infelizes. Jamais descansam como deuses porque sua obra tornou-se um caos incompreensível a exigir providências urgentes. É a imagem para manter em foco, é o próximo disco, o produtor da gravadora, a próxima música que precisa ser do agrado do público mesmo que já não seja do seu gosto, são os impostos e taxas, viagens, entrevistas, compromissos, empregados e serviços para pagar... Mal sobra tempo para o divino prazer de criar música.
Este tipo de profissionalização jamais teria sido sonhado por aqueles que inventaram a música neste planeta, em cada uma de nossas raízes culturais ou genéticas. A música é um movimento de volta ao interior de nossa consciência, arte mística. Utilizá-la para fins profanos é semelhante a transformar sexo em pornografia.
A música é um veículo, uma nave harmônica que nos permite alcançar as mais altas esferas interiores. Para um encontro verdadeiro com a música é preciso privacidade, um olhar para dentro de si mesmo não pode ser dividido com ninguém. O coração canta só para os nossos ouvidos interiores. No anonimato da platéia ou da dança tribal, tocando junto com a orquestra ou perdidos na multidão, nossa voz interior ressoa só para nós.
• A qualidade extrafísica de uma música é diretamente proporcional à qualidade do músico como pessoa e inversamente proporcional à distância física entre o ouvinte e o instrumento musical.
Como estabelecer controle de qualidade sobre a música que ouvimos? Se há uma qualidade extrafísica em cada canção, como identificá-la?
O ideal é que houvesse grandes músicos iluminados tocando em cada esquina, mas o fato é que encontrar-se face a face com um mestre é oportunidade rara até na Índia.
Qualidade Ideal em música, só na imaginação, no universo não-manifesto. Desenvolver a própria musicalidade é o fundamento místico, o veio a ser explorado pelo autoconhecimento.
Qualidade Total, pode ser buscada se formos incansáveis no controle de tudo o que nos entra pelos ouvidos. Faça um programa de 5S's: seiri, seiton, seiso, seiketsu, shitsuke, seleção, simplicidade, saúde, satisfação e sabedoria.
Qualidade de Vida, esta é mais simples de se conseguir. Perceba as relações entre o que lhe entra pelos ouvidos e o que lhe sai do coração.
O que, quem, quando, como, onde e por que ouvir ou fazer música?
O quê?
Pergunte a si mesmo: de que modo posso utilizar a música para melhorar minha qualidade de vida? Em casa, no trabalho, nas horas de lazer, no automóvel, no dia-a-dia, sempre que possível e razoavelmente sensato, desligue o som eletrônico e cante, assovie, bata palmas, dance, imagine uma música que forme um fundo musical para cada momento. Se vai ouvir música eletrônica, preste atenção ao que está ouvindo.
Quem?
Você mesmo em primeiro lugar. Seja seu artista mais amado. Conheça sua própria voz, experimente, explore suas potencialidades musicais. A quem ouvir? Ouça o maior número possível de músicos que puder encontrar. Dê preferência aos shows acústicos, oficinas, tertúlias, rodas de música, saraus e serestas. Quando comprar discos, varie suas preferências, escolha músicas a que não está habituado e amplie seus horizontes.
Quando?
Não banalize. Lembre-se que o som é sagrado. Escolha as horas em que vai ouvir música, reserve momentos do dia para fazer música, nem que seja no trânsito ou no chuveiro. Permita-se ficar em silêncio ouvindo música com os olhos fechados, mas não para dormir, para acordar. Deixe que o corpo relaxe e fique atento ao som que vibra em seu coração. Durante as refeições evite a televisão e prefira música leve, alegre e a mais natural possível.
Como?
Quando for aprender a tocar um instrumento, tome aulas, pelo menos no início, para aprender a postura correta e as melhores técnicas para desenvolver suas habilidades. Um bom professor pode abrir luminosos atalhos para seu aprendizado. Num concerto, escolha a posição mais central possível e fique atento à comunicação que seu coração estabelece com o coração de quem toca. Como ouvir música? Atentamente.
Onde?
Onde encontrar música natural, integral e ao vivo? O melhor lugar é dentro de você mesmo. Imagine música. Aprender a tocar um instrumento pode ser um largo momento de realização pessoal. Grupos de canto são excelentes, assim como conjuntos vocais. Grupos de pagode de fundo de quintal são ótimos para extravasar energias, o volume dos instrumentos de percussão obriga os cantores a abrir o peito com vontade, o que é muito saudável; samba na palma da mão, samba no pé, tudo é música. Orquestras de câmara são divinas, tanto para ouvir quanto para participar. Baterias de escola de samba são uma experiência física do poder do som; sem os conjuntos e cantores eletrônicos, nos ensaios só da bateria, melhor ainda. Os músicos da família ou os amigos que estão aprendendo, as crianças, todos são excelentes músicos em seus corações. Dê atenção a eles e talvez tenha gratas surpresas.
Por quê?
Por tudo isto que já se disse até agora e por tudo o mais que ainda resta dizer, mais o que fica para uma outra conversa, o conceito que fazemos da música neste início de milênio precisa ser cuidadosamente revisto.
Música é energia, energia é poder. Diz a lenda que o povo da Atlântida sabia utilizar o som como energia e que foi graças ao abuso deste poder que o continente naufragou. Nós, brincando com a música como se fosse apenas uma fonte de prazer e nada mais, estamos fazendo ruir edifícios culturais que levamos milênios para idealizar.
Qualidade de vida é luz e som em harmonia.
Quando o vizinho resolver extrapolar no volume do seu rock-horror, ligue seu próprio aparelho de som e retruque, estabeleça uma barreira de freqüências contra a invasão de som indesejado. Se o ruído do trânsito estiver infernal, ouça um pouco de Bach e Mozart no CD do automóvel. Se a música que toca no restaurante o incomoda, peça para desligar, baixar ou mudar de estação. Se não for atendido vá embora. Comer ouvindo lixo prejudica a digestão.
Evite ouvir música de qualidade duvidosa. Desconfie dos rótulos.
Se você tem filhos, é responsável pela educação musical destas crianças. Não permita que se detonem ouvindo música explosiva, não ensine a ouvir música em alto volume, dê o exemplo. Evite que passem mais de duas horas por dia diante da televisão e fique atento ao que estão teleouvindo. Você os obriga a estudar matemática? Se não conseguir convencê-los a estudar música, obrigue-os. Música é ensino fundamental, indispensável à formação de um adulto equilibrado.
As crianças são nossa esperança viva de que o futuro será melhor. Já estamos ensinando ecologia até nas escolas maternais, um progresso, mas é um dos absurdos mais vergonhosos de nossa sociedade o fato de não se ensinar música na primeira infância, como se todas as crianças fossem surdas de nascença ou herdassem biologicamente a atrofia musical de seus pais. Alguns tem mais facilidade, outros menos, mas todos podem aprender a ouvir. Se você espera até que se tornem adolescentes rebeldes para ensinar música, perdeu um tempo precioso e irrecuperável.
Qualquer limitação musical é falta de educação, não é defeito físico, é problema de ordem espiritual e nenhum defeito espiritual é permanente.
A música está sempre aí, disposta a levar todo mundo pra dentro de si mesmo. Quanto mais o seu gosto musical é exclusivo, mais próximo você está de si mesmo. Aperfeiçoar o gosto musical reflete-se em melhoria na qualidade de vida. É preciso educar todas as crianças e apurar ao máximo seu paladar musical se queremos que sejam mais felizes, solidárias, intelectualmente férteis e emocionalmente ricas.
As crianças nascem sem saber o que é música, mas têm perfeitas condições de aprender. Este aprendizado começa a partir do momento em que o coração do feto começa a bater. Os ouvidos só vão começar a funcionar lá pelo sexto mês da gestação, mas antes disto o coração já está atento.
O primeiro som que ouvimos é o coração da mãe pulsando a vida. A primeira canção. Depois disso, por mais de dez anos seremos reféns da musicalidade de nossos pais. Se eles não nos derem formação musical, o tempo que perdemos vai fazer falta no futuro, pois na infância aprendemos tudo mais rápido, principalmente o que é divertido como fazer música.
A falta de informação musical pedagogicamente orientada vai atrofiar, entorpecer ou desviar nossa musicalidade de suas sagradas possibilidades futuras. Recuperar este talento depois de adulto é muito mais difícil. Não é impossível, mas é raro.
Uma pesquisa americana recente surpreendeu os pedagogos. Três grupos de crianças foram acompanhados enquanto desenvolviam diferentes talentos. Um grupo foi estimulado a aprender a jogar xadrez, outro ensinado a operar computadores, outro levado a aprender música. Decorridos alguns anos constatou-se que o grupo da computação saiu-se melhor que o do xadrez, mas as crianças do grupo da música haviam se tornado sensivelmente mais inteligentes, com melhor desempenho em todas as áreas e bem mais sociáveis que as demais.
É preciso ensinar música na escola, aproveitar o tempo de escola para aprender uma coisa que realmente vale a pena nesta vida. O ambiente sonoro em que vivemos é parte integrante de nossa personalidade, saúde e qualidade de vida. Quem aprende a fazer música, habita um universo muito mais rico e misterioso.
Para entender de música basta ter ouvidos.
Quem tiver ouvidos de ouvir, que ouça.
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