A INFLUÊNCIA DO NEO-REALISMO NO CINEMA DE NELSON PEREIRA DOS SANTOS

O neo-realismo cinematográfico italiano do período do pós-guerra foi uma fonte extremamente importante para o desenvolvimento de filmografias de todo o mundo. Satyajit Ray, por exemplo, resolveu se dedicar ao cinema devido ao impacto de uma sessão de Ladrões de Bicicleta, em sua visita à Europa. O diretor adaptou a estética e o modo de produção neo-realistas ao contexto específico de seu país de origem: a Índia. Em 1955, Pather Panchali foi uma prova definitiva de que o movimento não se esgotara, mas se renovava, especialmente como uma alternativa viável à produção dos países em desenvolvimento, em oposição à estrutura industrial e paradigmática do cinema americano.

No Brasil,  um filme como La Terra Trema (Luchino Visconti, 1948) pode ser considerado como uma referência básica aos filmes do chamado pré-cinema novo que tratraram a questão das minorias exploradas pelas estruturas tradicionais e oligárquicas. É o caso de A Grande Feira, Bahia de Todos os Santos, e até Barravento, conforme a ligação basicamente marxista entre esses filmes apontadas por Bernadet.

O caráter universal da estética zavattiniana, no entanto, foi a grande fonte de referências. No Brasil, muitos críticos consideram que Rio, Quarenta Graus inaugura o chamado cinema moderno no Brasil. Um cinema que busca nas suas próprias raízes e contradições um sentido particular de existir, sem a preocupação de atingir um nível técnico de excelência à moda dos estúdios americanos. O início da filmografia de Nelson Pereira dos Santos é o caso mais típico da utilização dos moldes neo-realistas, mas sem ignorar as especificidades brasileiras. Desde o drama dos vendedores de amendoim que se contrasta com os grã-finos que vivem na praia em Rio, Quarenta Graus, até a questão do compositor popular explorado pela opressão das rádios em Rio, Zona Norte, o cinema de Nelson Pereira dos Santos é, apesar de algumas ingenuidades, um modelo de cinema que busca repensar o Brasil

I - A repercussão do neo-realismo italiano no Brasil

II - Rio, Quarenta Graus

III - Rio, Zona Norte

IV - Considerações Finais.

 

Marcelo Ikeda.

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