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Fórum - Municipal de Educação
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Relatório Final
Expositor: Capitão José de Menezes Cabral, exComandante da Guarda Municipal de Santo André
“Não
concordo com o atual sistema de segurança pública no nosso país,
particularmente no que tange às polícias municipais/guardas municipais.
O
Sistema de Segurança vigente deve ser redimensionado, a nível municipal e
estadual, com uma única polícia. Mas não tendo como modelo as atuais polícias
militares e civis e sim uma polícia moderna, eficaz, bem preparada e muito bem
paga.
Em
Santo André, desenvolvemos um trabalho junto às escolas de primeiro grau, nas
séries iniciais, onde detectamos alguns focos de distribuição de drogas.
Narcotráfico não escolhe escola para formar seu “quartel general”.
Então,
formou-se um contingente de guardas específicos para proceder à segurança
para a comunidade escolar e foram feitas palestras que, por sinal, foram muito
bem aceitas pela comunidade.
Existem
problemas seríssimos nas escolas: não há interação entre a direção da
escola, o comandante da Polícia Militar e o delegado de polícia da área.
A
segurança hoje, nas escolas, é um desastre, porque o narcotraficante é sutil
e inteligente. Ele planeja, inclusive como introduzir o tóxico nas escolas com
apoio logístico.
Outro
problema que se apresenta é a ronda nas escolas: “chega o patrulheiro e
encosta a viatura, e não mantém contato com a direção, não procura saber
quantos alunos viciados existem”.
Também
constitui grande problema a falta de assistência médica aos alunos viciados,
para que eles possam ser recuperados.
Para a solução desse grave problema é necessário que haja envolvimento e participação da sociedade, dos sindicatos, CNBB e OAB. Este deve ser um movimento de massa para que possa dar uma brecada nessa chaga social”.
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Expositor: Dr. Benedito Grecco, do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos
“A
Guarda Civil Metropolitana tem a atribuição de proteger o bem público - o prédio
escolar. Ele não deve ter qualquer ingerência na parte interna da escola.
Hoje, encontra- se uma barreira, por parte da, direção da escola, porque muitas vezes o guarda é obrigado a intervir e a direção se volta contra ele. Atrás disso existe um problema muito sério. Diretores de escola têm sofrido ameaças pessoais, telefonemas anônimos dizendo que se eles não permitirem a circulação dos traficantes em suas escolas, então sua família está ameaçada de morte.
Expositor:
Coronel Vicente Silvestre, ex—Comandante da P
Guarda Civil Metropolitana de São Paulo
“Não
se pode encarar a escola como uma ilha. Há necessidade de circular sobre o
terreno onde se analisa o e problema de segurança nas escolas, terreno esse
realmente limboso e preocupante.
É
um quadro realmente critico, pois apresenta a necessidade de uma ação mais
ampla do que está sendo abordado no tema desta comissão.
Precisamos
também lembrar que a Constituição da República Federativa do Brasil, de
1988, trata em seu Capítulo III da Segurança Pública e o artigo 144 mostra
quais são os órgãos responsáveis pela Segurança.
-
“art 144 - A segurança pública, dever do Estado, direito e
responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e
da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I
- polícia federal;
II
- polícia rodoviária federal;
III
- polícia ferroviária federal;
IV
- polícias civis;
v
- polícias militares e corpos de bombeiros militares.”
Este
Capítulo estabelece também as linhas gerais a de ação dessas polícias e trás
um fato novo: atribui uma parcela da segurança pública aos Municípios em seu
§ 8º:
-
“§8º- Os Municípios poderão constituir guardas municipais
destinadas à proteção de seus bens serviços e instalações conforme
dispuser a lei.”
Antes
da Constituição de 1988, vimos que no regime da ditadura militar a segurança
pública foi totalmente desvirtuada de sua função precípua, dar proteção ao
cidadão, a que foi relegada a um plano secundário e o regime militar passa a
usar as polícias como polícias políticas.
O
crime que interessava era tão somente o crime do cidadão pensar. Pensar contra
o regime, bastava para ser torturado, seqüestrado e condenado.
Em
1985, foi criada a Guarda Civil Metropolitana, as escolas municipais passaram a
ter, além do vigia escolar, também a segurança proporcionada por esta guarda
e foi instituída uma ronda escolar.
Mas
o problema de segurança nas escolas não acabou. Começou a existir outro tipo
de violência, a dos guardas em relação aos alunos, aos professores, ou entre
eles próprios e continuou havendo a formação de gangues que constantemente
entravam em confronto com a Guarda Metropolitana.
Quando
se debate o tema segurança nas escolas as soluções que se propõe: aumentar o
efetivo de policiais na escola, instituir a ronda escolar, colocar guarda no
interior e nas proximidades da escola e assim por diante. Isso também não
resolverá o problema.
O
problema de segurança nas escolas é um problema de segurança na sociedade. A
violência que ocorre na escola é a que ocorre na sociedade, proporcionada por
esse modelo de desigualdade que existe na sociedade capitalista.
A
insegurança que tem um trabalhador em garantir seu posto de trabalho, talvez
reflita na atitude dos seus filhos na escola. Este por viver o conflito, em casa
do medo do desemprego do pai, também fica desestabilizado emocionalmente. Isso
se reflete na escola, violência do aluno para com o professor.
Este
tipo de violência vai continuar ocorrendo e está vinculada a todos estes
problemas: a falta de perspectiva dos jovens em relação ao mundo do trabalho,
a ilusão que a mídia vende das facilidades que ele pode ter como acesso aos
bens de consumo que toda juventude desejaria ter, tênis novo, carro... Tudo
isso reflete no ambiente escolar, pela frustração de não ter acesso a todos
os bens oferecidos com tanta facilidade pelos meios de comunicação; reflete a
violência que é proporcionada pela desigualdade social.
Então,
quais são as diretrizes e metas onde se pretende chegar com o modelo
educacional que temos. De um lado os Professores e Especialistas, o quadro de
apoio totalmente desanimado, não somente pela questão salarial, basicamente
por ela, mas por não verem na sua atividade do dia-a-dia a perspectiva de
realizar algum trabalho que tenha retorno, sem contar a falta de estrutura total
dos equipamentos escolares, para atender alunos e profissionais de educação.
Não
é estranho que uma criança atue com atos de violência em relação aos prédios
públicos, especialmente a escola, porque esse é um elemento opressor. A própria
(...)
A
partir dessa época, começa a segurança pública a sofrer uma série de
modificações em suas atividades. Em 1970, extingue-se a Guarda Civil de São
Paulo e o regime militar para continuar dando proteção e assistência àqueles
que participavam do governo militar. Isso abre uma válvula que foi a primeira
privatização que se tem notícia de uma atividade essencial do Estado, que é
a segurança pública.
Negócio
altamente rendoso, que são as entidades que fazem segurança e que ninguém
discutiu até hoje o poder de polícia dessas organizações. Elas nasceram
tendo à testa homens influentes no regime, coronéis da reserva, criando as
suas corporações para ocupar espaços que o Estado tem a obrigação de
ocupar, que é a Segurança Pública.
Então
vê-se, hoje, uma deterioração muito grande na área da segurança pública
com homens despreparados para exercer a função de polícia. Também vê-se a
proteção de cargas e a segurança particular sendo orientadas e acompanhadas
pelo sistema de satélite.
Em
relação à Guarda Municipal, está sendo implantada uma nova filosofia de atuação
e age dentro de uma linha mais humanista e de acordo com as funções que a
Constituição Federal determina: presta proteção ao bem público municipal.
O
tema que está sendo abordado é o problema de segurança nas escolas. Os
professores têm a responsabilidade de não só ensinar o “be-a-bá”, mas
sim de formar cidadãos.
Mas
se o governo não investir na Educação não adianta trazer para esta comissão
pseudo-solu9ões para o problema de violência na escola e na via pública. E
preciso que haja investimento sério na Educação.”
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Expositor:
Major PM Adauto Luis Silva, da Polícia Militar de São
Paulo
“A
Constituição Federal determina que a segurança é também dever do cidadão,
mas sabemos que, em muitos aspectos, é utopia. A sociedade, nesse aspecto, está
acuada, o que dificulta a comunicação que ela deve manter com os órgãos
responsáveis pela segurança.
O Estado está com uma estrutura muito aquém das necessidades. Todos os órgãos têm deficiências para desenvolver sua missão e a legislação vigente deve ser atualizada e dinamizada.
A
estrutura do sistema criminal e a Justiça também têm a sua parcela de
contribuição para esse estado de coisas. Não há como fugir da
responsabilidade dos próprios órgãos.
Quanto
ao tema central, a segurança nas escolas, a droga é um dos fatores da causa da
violência, porque, além dos males diretos e indiretos que traz, o garoto, para
honrar os compromissos com o traficante, perde a noção de ser humano e se
envolve com o sistema do tráfico.
Muitas
vezes a sociedade não compreende a situação e os órgãos de comunicação não
apresentam com clareza, seriedade e honestidade a real situação porque outros
interesses estão envolvidos, ficando a sociedade à margem de um processo em
que ela deveria ser o ponto central e diretor do restabelecimento do sistema de
segurança pública.
Enquanto
a sociedade não se organizar, não soltar a sua voz e não tiver consciência
do que acontece na questão segurança, ela não vai ter segurança pública,
mesmo colocando um milhão de viaturas e policiais nas ruas.
Há
necessidade de envolvimento e organização da sociedade, bem como cobrar para
que seja oferecida educação para todos, no sentido amplo, não somente educação
na escola, deve também estar preocupada com os programas apresentados pela
televisão, que divulgam violência para as crianças, isso é coisa que não se
fala e se esconde embaixo do tapete.
A
solução para o problema de violência é muito mais complexa e abrangente, não
se pode setorizar a forma de enfocar a questão.
Não
podemos mais conviver com esta situação. Vamos sucumbir como sociedade, e não
vai demorar muito, porque a criminalidade está se agravando de uma forma muito
séria.’
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Expositor: Coronel Luiz Gonzaga de Oliveira, da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo.
“A
Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, fundada há nove anos, portanto
anterior à Constituição Federal da 1988.
Ela
tem a finalidade de fazer policiamento dos próprios públicos, dos bens, serviços
e instalações municipais e dentro de suas funções colabora com a segurança
pública.
O
policiamento ostensivo e fardado compete à Polícia Militar.
Mais
de 50% dos 3.500 policiais da Guarda Municipal está a serviço das escolas
municipais. Estão sendo formados mais 400 homens que irão também prestar
serviços junto às escolas.
O
ideal seria dar atendimento às escolas durante 24 horas, mas ainda não é possível.
Então, atendemos no período escolar para dar proteção aos alunos e
professores, e fora do período de aulas, as viaturas fazem a ronda.
Problemas
que encontramos nas unidades escolares: drogas, depredações e roubos, sendo
que os dois últimos acontecem principalmente nos finais de semana.
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