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Fórum - Municipal de Educação
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Relatório Final
TEMA: ANÁLISE, PROPOSTAS E PROJETOS DA SOCIEDADE CIVIL PARA A SEGURANÇA NAS ESCOLAS.
Expositor: Dr. Jairo Gonçalves da Fonseca, Vice Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São Paulo.
A
experiência mostra que, via de regra, quem agride a escola roubando merenda,
quebrando muro e/ou vidros, etc., de alguma forma tem relação com a escola.
Pessoas que gravitam em toma do prédio - ex. alunos, namorados e irmãos. Então,
muda totalmente o enfoque para tratar-se da violência, porque há necessidade
de se tirar a carga de negativismo, da radicalização e da neurose como o
assunto vem sendo trabalhado e verificar quais as medidas a serem tomadas.
No
que diz respeito à violência na escola, é preciso utilizar recursos pedagógicos,
didáticos, para evitar gerar tumultos e não resolver o problema. Isso não que
dizer que se está minimizando o problema.
Quando
acontece da escola ser agredida ou mesmo os alunos e /ou professores, a instituição
chamada escola falhou, porque não soube ministrar a seus alunos e pessoas a ele
ligadas o seu discurso de obediência à regra de vida em conjunto.
Se
o problema de agressão é interno, ou seja, intramuros, a direção da escola não
deve chamar a polícia, pois mostra que não sabe como solucioná-lo. Caso a
agressão seja causada por um estranho, aí pode ser caso de polícia.
Mas
a escola tem que ir além dos muros, de alguma
forma chegar até os pais. Por que não criar um conselho de segurança,
envolvendo professores, pais e alunos? Deve ficar bem claro que os integrantes
desse conselho
não devem usar armas, porque ele não deverá substituir a Polícia Militar,
mas sim a função de pensar, de dialogar e de se envolver com a comunidade.
A
polícia ajuda a resolver os problemas da porta da escola para fora, mas da
porta para dentro é problema da direção com a participação da comunidade
escolar e dos pais.”
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Expositora:
Sra. Sônia Eli Giham, do Projeto “Pela Vida, Não à Violência”
“A
todo momento chegava a Secretaria Municipal de Educação ofícios pedindo
ajuda, porque a escola estava sendo depredada, havia bandidos ao redor da
escola, professores com medo, diretor ameaçado de morte.
A
primeira escola a ser atendida foi a “Vale das Virtudes”, no Campo Limpo,
hoje uma das mais violentas de São Paulo. Lá ouvimos o Conselho de Escola, que
solicitou a presença de policiamento, o mais urgente possível; senão os pais
não mandariam mais os filhos para a escola.
Neste
primeiro momento tem-se que atender a comunidade, pois a mesma estava com medo.
Foi encaminhado um integrante da Guarda Municipal, despreparado naquele momento
e após uma semana de permanência na escola, matou uma pessoa da comunidade que
era irmão de uma das alunas e pessoa bem quista.
Volta-se
a conversar com a comunidade, para colocar outras propostas, pois os pais não
queriam mais a presença do guarda municipal, mas também não sabiam o que
fazer.
Então,
foi feito um contato com a Sociedade Amigos de Bairro e com o padre que já
desenvolvia uma atividade com os meninos daquela comunidade e foi convocada uma
reunião na escola para apresentação de propostas alternativas envolvendo
pais, alunos e comunidade, visando ajudar a solucionar os problemas de violência
que ali ocorriam.
Para
o desenvolvimento dos trabalhos houve necessidade de substituir a diretora da
Escola por outra que era moradora do bairro e que todos conheciam. Assim, a
escola abre suas portas para a participação, envolvimento e compromisso da
comunidade. Então essa comunidade começa a sentir que a escola é sua.
O
problema é que a escola não está acompanhando o que se passa na sociedade.
Precisa ficar bem claro o que se tem dentro da escola é o reflexo do que está
aí fora.
Não
estamos sabendo não só lidar com o entorno da escola, como também lidar com o
próprio aluno que está dentro dela, e ainda a escola quer usar armas:-
atribuir notas/conceitos, chamar o pai, suspender e expulsar o aluno. A política
deve ser outra. O nosso desafio é saber lidar com os “diferentes”, aqueles
que mais precisam da escola e que por pouca coisa colocamos para fora.
Expulsando
alguém que não era bandido, mas que está se colocando para ser, porque, no
primeiro momento, ele vai depredar o prédio, riscar os carros de professores e
do diretor e, daí para frente, ele poderá ir para outros caminhos.
A
comunidade escolar tem um papel fundamental, que é o de saber lidar com os
diferentes.
Importante
colocar o objetivo que a escola quer atingir “quero formar o aluno crítico,
participativo, capaz de entender a sociedade e de modificá-la”.
Mas
logo em seguida vem o sistema disciplinar: o aluno não pode... Não pode..., E
por que não perguntar: por que não pode? O aluno é criativo e sabe participar
e principalmente deverá sentir que a escola é sua.
É
um processo demorado, não se resolvem os problemas de um dia para outro. Mas é
necessário começar pais e alunos aprendendo a participar de escola,
professores e funcionários precisam ser preparados. Urgente e necessário se
faz valorizar o pessoal que trabalha na educação e a valorização que também
se traduz em salário digno.
Não
precisamos de polícia dentro da escola. Ela deve estar aberta e deve repensar
sua prática para poder trabalhar melhor”.
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“Todas
a regiões de São Paulo devem ter um Fórum funcionando, do qual devem
participar elementos da região que estejam interessados em discutir os
problemas das crianças e dos adolescentes.
Os
participantes do Fórum não precisam ser eleitos, mas não é só Fórum da
Criança e do Adolescente, mas dever-se- ia contar também com Fórum da Educação,
da Saúde e de várias outras instâncias.
Encontra-se
muita dificuldade no encaminhamento de questões em alguns Fóruns porque há um
desânimo do pessoal quando houve a retomada dos Conselhos Tutelares. Após a
posse dos conselheiros eleitos em 1992 muitas pessoas que pertenciam ao Fórum não
puderam assumir o cargo ou encontraram dificuldades para um trabalho conjunto
com o Conselho Tutelar.
Então,
sente-se, em algumas regiões, um certo desânimo, mas é contra isso que se tem
de trabalhar atualmente, porque é também um desânimo que está sendo
disseminado na educação em outros setores. E importante a questão da
participação da comunidade nas decisões e que haja respeito a essa participação.
Na
escola deve-se também retomar as funções que lhe são próprias como órgão
educador. Somente quando ela não está podendo assumir sua funções deve
recorrer ao Conselho Tutelar”.
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