Fórum - Municipal de Educação

Espaço permanente de Debates

Comissão de Estudos Sobre Segurança Nas Escolas

Relatório Final - 04/06

TEMA: ANÁLISE, PROPOSTAS E PROJETOS DA SOCIEDADE CIVIL PARA A SEGURANÇA NAS ESCOLAS.

 

Expositor: Dr. Jairo Gonçalves da Fonseca, Vice Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São Paulo.

A experiência mostra que, via de regra, quem agride a escola roubando merenda, quebrando muro e/ou vidros, etc., de alguma forma tem relação com a escola. Pessoas que gravitam em toma do prédio - ex. alunos, namorados e irmãos. Então, muda totalmente o enfoque para tratar-se da violência, porque há necessidade de se tirar a carga de negativismo, da radicalização e da neurose como o assunto vem sendo trabalhado e verificar quais as medidas a serem tomadas.

No que diz respeito à violência na escola, é preciso utilizar recursos pedagógicos, didáticos, para evitar gerar tumultos e não resolver o problema. Isso não que dizer que se está minimizando o problema.

Quando acontece da escola ser agredida ou mesmo os alunos e /ou professores, a instituição chamada escola falhou, porque não soube ministrar a seus alunos e pessoas a ele ligadas o seu discurso de obediência à regra de vida em conjunto.

Se o problema de agressão é interno, ou seja, intramuros, a direção da escola não deve chamar a polícia, pois mostra que não sabe como solucioná-lo. Caso a agressão seja causada por um estranho, aí pode ser caso de polícia.

Mas a escola tem que ir além dos muros, de alguma forma chegar até os pais. Por que não criar um conselho de segurança, envolvendo professores, pais e alunos? Deve ficar bem claro que os integrantes desse conselho não devem usar armas, porque ele não deverá substituir a Polícia Militar, mas sim a função de pensar, de dialogar e de se envolver com a comunidade.

A polícia ajuda a resolver os problemas da porta da escola para fora, mas da porta para dentro é problema da direção com a participação da comunidade escolar e dos pais.”

 

Home Índice Topo Página Anterior Próxima Página

Expositora: Sra. Sônia Eli Giham, do Projeto “Pela Vida, Não à Violência”

“A todo momento chegava a Secretaria Municipal de Educação ofícios pedindo ajuda, porque a escola estava sendo depredada, havia bandidos ao redor da escola, professores com medo, diretor ameaçado de morte.

A primeira escola a ser atendida foi a “Vale das Virtudes”, no Campo Limpo, hoje uma das mais violentas de São Paulo. Lá ouvimos o Conselho de Escola, que solicitou a presença de policiamento, o mais urgente possível; senão os pais não mandariam mais os filhos para a escola.

Neste primeiro momento tem-se que atender a comunidade, pois a mesma estava com medo. Foi encaminhado um integrante da Guarda Municipal, despreparado naquele momento e após uma semana de permanência na escola, matou uma pessoa da comunidade que era irmão de uma das alunas e pessoa bem quista.

Volta-se a conversar com a comunidade, para colocar outras propostas, pois os pais não queriam mais a presença do guarda municipal, mas também não sabiam o que fazer.

Então, foi feito um contato com a Sociedade Amigos de Bairro e com o padre que já desenvolvia uma atividade com os meninos daquela comunidade e foi convocada uma reunião na escola para apresentação de propostas alternativas envolvendo pais, alunos e comunidade, visando ajudar a solucionar os problemas de violência que ali ocorriam.

Para o desenvolvimento dos trabalhos houve necessidade de substituir a diretora da Escola por outra que era moradora do bairro e que todos conheciam. Assim, a escola abre suas portas para a participação, envolvimento e compromisso da comunidade. Então essa comunidade começa a sentir que a escola é sua.

O problema é que a escola não está acompanhando o que se passa na sociedade. Precisa ficar bem claro o que se tem dentro da escola é o reflexo do que está aí fora.

Não estamos sabendo não só lidar com o entorno da escola, como também lidar com o próprio aluno que está dentro dela, e ainda a escola quer usar armas:- atribuir notas/conceitos, chamar o pai, suspender e expulsar o aluno. A política deve ser outra. O nosso desafio é saber lidar com os “diferentes”, aqueles que mais precisam da escola e que por pouca coisa colocamos para fora.

Expulsando alguém que não era bandido, mas que está se colocando para ser, porque, no primeiro momento, ele vai depredar o prédio, riscar os carros de professores e do diretor e, daí para frente, ele poderá ir para outros caminhos.

A comunidade escolar tem um papel fundamental, que é o de saber lidar com os diferentes.

Importante colocar o objetivo que a escola quer atingir “quero formar o aluno crítico, participativo, capaz de entender a sociedade e de modificá-la”.

Mas logo em seguida vem o sistema disciplinar: o aluno não pode... Não pode..., E por que não perguntar: por que não pode? O aluno é criativo e sabe participar e principalmente deverá sentir que a escola é sua.

É um processo demorado, não se resolvem os problemas de um dia para outro. Mas é necessário começar pais e alunos aprendendo a participar de escola, professores e funcionários precisam ser preparados. Urgente e necessário se faz valorizar o pessoal que trabalha na educação e a valorização que também se traduz em salário digno.

Não precisamos de polícia dentro da escola. Ela deve estar aberta e deve repensar sua prática para poder trabalhar melhor”.

Home Índice Topo Página Anterior Próxima Página

Expositora:         Sra. Elaine da Silva Orzari do Fórum da Criança e do Adolescente da Lapa

“Todas a regiões de São Paulo devem ter um Fórum funcionando, do qual devem participar elementos da região que estejam interessados em discutir os problemas das crianças e dos adolescentes.

Os participantes do Fórum não precisam ser eleitos, mas não é só Fórum da Criança e do Adolescente, mas dever-se- ia contar também com Fórum da Educação, da Saúde e de várias outras instâncias.

Encontra-se muita dificuldade no encaminhamento de questões em alguns Fóruns porque há um desânimo do pessoal quando houve a retomada dos Conselhos Tutelares. Após a posse dos conselheiros eleitos em 1992 muitas pessoas que pertenciam ao Fórum não puderam assumir o cargo ou encontraram dificuldades para um trabalho conjunto com o Conselho Tutelar.

Então, sente-se, em algumas regiões, um certo desânimo, mas é contra isso que se tem de trabalhar atualmente, porque é também um desânimo que está sendo disseminado na educação em outros setores. E importante a questão da participação da comunidade nas decisões e que haja respeito a essa participação.

Na escola deve-se também retomar as funções que lhe são próprias como órgão educador. Somente quando ela não está podendo assumir sua funções deve recorrer ao Conselho Tutelar”.

 

Home Índice Topo Página Anterior Próxima Página

Fórum Municipal de Educação agradece a sua participação. 

http://www.geocities.com/fme_sp

Hosted by www.Geocities.ws

1