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Fórum - Municipal de Educação
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Relatório Final
Expositor: Sr. Volner A. Pianca, do Sindicato dos Especialistas de Educação no Magistério do Estado de São Paulo
A
UDEMO, Sindicato dos Especialistas de Educação no Magistério Oficial do
Estado de São Paulo, congrega Diretores de Escola, Vice-diretores e alguns
supervisores de ensino.
Em
relação à segurança da escola estamos sentindo na pele o problema, porque os
associados constantemente pedem sugestões de como proceder devido a problemas
encontrados em cada unidade escolar, fundamentalmente na Capital e na Grande São
Paulo. Temos que explicitar a diferença entre Capital, Grande São Paulo e
Interior.
Capital
e Grande São Paulo pelas peculiaridades físicas, geográficas, populacionais
culminam com a dificuldade da escola de se relacionar, muitas vezes, com a própria
comunidade. A comunidade, a despeito de precisar da escola de reconhecê-la como
fundamental teme pela segurança de seus filhos quando vão assistir aula. As
condições necessárias para os alunos irem para a escola, para o professor
ministrar suas aulas, para os funcionários trabalharem e os diretores
administrarem sua unidade escolar não são seguras. Basta ver semanalmente, na
grande imprensa, informações a respeito de depredações, de roubos, de pichações,
de quebra de vidros e de carteiras e outros.
O término dos
contratos pelo BANESER acabou por atingir a segurança da escola, porque afinal
de contas o salário de um segurança escolar era de R$ 180,00. A alegação é
de que muitas vezes ele ganhava mais que um professor, o que é verdade. Mesmo não
sendo uma pessoa muito bem preparada, colaborava para alguma segurança e também
para que a população marginal que afronta as escolas temesse sua presença
A
situação está realmente péssima, o problema se agrava cada vez mais.
No
Interior, a coisa se modifica um pouco, pois muitas vezes as prefeituras
colaboram e também o índice de marginalidade é menor.
Tudo passa pela educação.
Se não formamos cidadãos conscientes, marginais invadirão nossa sociedade e a
violência atingirá limites inadmissíveis.
A
quem cabe a segurança da escola? Cabe ao Governo do Estado. Se este pretende
passar a responsabilidade para a Secretaria da Segurança Pública ou para a
Guarda Civil Metropolitana, não importa. O que importa é que tem que ser
feito• urgentemente. Estamos pedindo condições para poder desempenhar o
nosso trabalho, e educar cidadãos.
Nós continuamos reivindicando melhores condições de trabalho, de segurança e salariais a fim de que a escola possa voltar a ter o papel de proeminência na comunidade”.
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Expositor: Sr. Luiz Antônio Barbagli, Presidente do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares - SINPRO
“Represento
os professores que trabalham nas escolares particulares e de modo geral os patrões
contratam segurança própria para as escolas, por motivo de interesse próprio.
Entretanto consideramos que a segurança externa aos muros da escola deve ser
feita pelos órgãos governamentais.
Temos
tido muitos casos em que os professores são assaltados fora da escola. Isso tem
gerado grande dificuldade para que os servidores da educação possam exercer
condignamente sua atividade profissional. Por outro lado, acreditamos que existe
um problema de segurança muito sério na questão educacional, porque o aluno
fora da sala de aula, fora da escola, está sujeito a todas essas intempéries
que o mundo exterior à escola traz, questão de drogas, assaltos, gangues que
hoje têm se formado muito em São Paulo.
Há
necessidade de ter-se pelo menos uma ronda passando pelas escolas, não a
“Tobias Aguiar”, vou deixar claro, mas uma ronda que passasse constantemente
nas escolas para poder ajudar a resolver o problema de segurança e isso não
vai afetar diretamente o conceito educacional que a escola está trabalhando.
As
questões externas não fazem parte da escola, mas acabam influenciando de
maneira decisiva na questão do comportamento escolar e no rendimento
educacional do aluno. Acredita-se que a questão segurança deva ser priorizada
pelo governo, quer municipal ou estadual, isto não cabe ao Governo Federal. Mas
o Município e o Estado devem estar atentos a essa questão. Se os nossos alunos
que trabalham são de classe média, em alguns casos até classe alta, a questão
de tráfico de drogas e seu consumo acaba sendo muito preponderante e a porta da
escola tem sido, infelizmente, um foco muito grande dessa questão do tráfico.
Precisamos pensar como o professor deve estar tranqüilo ao entrar e sair da escola bem como o aluno, para aproveitar o máximo do rendimento e do conteúdo programático’.
Expositor: Sr. Cláudio Fonseca, Presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Municipal
“Faço
referência a uma experiência para que não se acredite que as soluções para
a segurança das escolas sejam simples ou fáceis.
(...)
edificação se associa muito mais a uma cadeia pública do que a um ambiente aberto e alegre que satisfaça os alunos no processo de aprendizagem, que lhe permita o trânsito de ir e vir, de procurar informações.
Outra
questão que se apresenta é a necessidade de mais verbas para a educação, de
melhor remuneração para os profissionais da educação.
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Expositor: Sr. Juraci Lopes Duarte, do Sindicato dos Professores da Rede Estadual de Ensino - APEOESP
Os
professores do Estado de São Paulo estão muito magoados com o Governo
Estadual. Primeiro que este Governo tem tomado medidas que se caracterizam como
violência não só contra a categoria dos educadores, mas contra a população
do Estado de São Paulo.
Uma
das primeiras medidas tomadas foi dispensar os 4.500 seguranças escolares o que
trouxe um prejuízo para aproximadamente dois milhões e quinhentos mil alunos.
No primeiro semestre deste ano, aconteceram em tomo de duas mil depredações,
representando um aumento de mais de 100% em relação ao ano passado.
Claro
está que não se resolve o problema de violência com segurança ou policiais,
é um problema da sociedade brasileira.
A
reivindicação deste sindicato é que sejam recontratados os quatro mil e
quinhentos seguranças escolares, porque normalmente eram pessoas selecionadas
na própria comunidade e que estavam preparados para fazer esse tipo de segurança
preventiva.
Violência
nas escolas não se restringe apenas à questão das depredações, mas está
também presente no salário do professor e no investimento em Educação. Hoje
o Brasil é um dos países que menos investe em Educação, isso também se faz
presente nas condições físicas dos prédios.
Temos
diariamente muros caindo, tetos trazendo perigo aos alunos, sendo que, em muitos
casos, resulta na morte de crianças e Professores’.
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Expositora:
Vereadora Ana Maria Quadros, Presidente do Sindicato dos
Supervisores de Ensino do Estado de São Paulo - APASE.
“Nós
vivemos numa cidade violenta, onde a banalização da violência e da pobreza
faz parte do cotidiano. Saímos às ruas, quando vemos, a cada dia, mais pessoas
jogadas nas ruas e isso já não nos causa horror e não saímos voando para
tomar alguma providência.
Como
já foi dito: os países do Primeiro Mundo investem em Educação. Daqueles que
eram do Terceiro Mundo, o Japão, a Coréia e outros só saíram da situação
quando passaram a empatar em Educação.
Dentro
desse cenário, a violência na escola é mais um dado da violência na
sociedade, que não pode gerar nenhum comportamento saudável, porque os
direitos básicos das pessoas não são respeitados, baixíssimos salários e
ausência de mecanismos de substituição levam à falta de professores e de
funcionários.
Hoje,
quando perguntamos para os alunos qual a profissão que pretendem seguir, um ou
dois, entre mil, levantam a mão, são os que seguirão a carreira do Magistério.
A maioria não vai seguir, porque sabe que é uma profissão difícil, por se
estar lidando constantemente com conflitos, sendo cobrado e vigiado.
Acho
que das profissões é a que maior cobrança tem, mas ao mesmo tempo é a pior
remunerada. Os módulos devem ser revistos, estão aquém do desejado, quando o
funcionário se afasta por motivo de doença ou por qualquer outro motivo, há
falta de mecanismos ágeis de substituição.
Além
dos prédios escolares serem construídos precariamente, a escola também,
pratica violências contra o aluno. Não se discutem os critérios de avaliação
com os alunos, e a escola está organizada de tal maneira que somente os alunos
que já têm condições de aprender são valorizados.
Como
deveria ser organizada uma escola para que realmente o aluno pudesse aprender?
Em primeiro lugar deveria a jornada de trabalho do professor contemplar tanto o
horário de trabalho com o aluno como para a preparação das aulas
•
Ora, se o nosso compromisso é com a construção da cidadania, não se
pode permitir a reprovação de alunos. Mas só tirar a reprovação e não
colocar nada no lugar aí estamos mentindo para a população, Isso mostra a
necessidade de se reestruturar a escola de outra maneira: organizada para que o
aluno entre para aprender e ter sucesso nas suas atividades escolares. Mas hoje
está organizada para levar a população a fracassar.
E
o que nós educadores estamos fazendo? Ajudando a resolver problemas e levantar
hipóteses de como vamos formar cidadãos? O aluno tem que entrar na escola e
dizer: - ‘Aqui eu vim para ser querido, para ser amado e para ter chance de
ser gente e desenvolver o meu potencial pleno’. Então, ele aprende a viver na
coletividade, a como conviver em grupo, a como trabalhar em grupo, a como
aprender a se organizar, a reivindicar. A escola não prepara para a cidadania,
mas a Escola Cidadã, forma no dia a dia para a cidadania.
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