Fórum - Municipal de Educação

Espaço permanente de Debates

Comissão de Estudos Sobre Segurança Nas Escolas

Relatório Final - 02/06

TEMA: OS ATORES NO ESPAÇO ESCOLAR E A SEGURANÇA

 

Expositora: Sra. Helena Suzano S.F. OIiveira, da EMPG “Cacilda Becker”

“Discutindo o tema segurança não vamos encontrar a solução para o problema e nem paliativos. Busca-se apenas o curativo para uma ferida cuja origem é diferente.

A origem dos problemas de segurança, de violência, de saúde, enfim de todos os problemas de uma sociedade é a própria escola. Acho que todos os problemas estão na origem da escola, quer dizer, na má formação do cidadão que a escola está tendo.

Professores mal formados e sem condições para trabalhar, originando um cidadão inadequado, temos violência nos estádios, nas ruas.

Agora vou me ater a relatar a experiência na EEPG “Cacilda Becker”, porque tem uma certa especificidade.

Sua escola pode ser considerada como um paraíso em relação ao que se vê por aí. Ela não possui grades, mas raramente há problemas de vandalismo.

Internamente, a escola não apresenta problemas. Existem alguns alunos traficantes e consumidores de drogas, assaltantes a mão armada, mas dentro da escola exercem o seu papel de aluno e não causam problemas de violência para com a comunidade escolar. Os problemas relacionados com a segurança interna são resolvidos com a participação da comunidade.

O problema sério de segurança que se apresenta é em função da localização, próximo a Estação do Metrô Jabaquara, que é terminaL rodoviário e metroviário.

Todos os dias, pelo menos duas ou três ocorrências de violência com alunos, pais e transeuntes que correm para dentro do prédio, isso já é uma rotina. Portanto, os problemas de violência hoje, são causados por fatores externos e na área externa ao prédio escolar.

Em relação ao Policial na escola, acaba por causar mais problemas internos, permanecem na cozinha, paqueram as alunas ou querem ter uma ação policial dentro da escola, havendo como conseqüência mais problemas.

A escola está resolvendo os problemas internos, mas em relação aos externos há necessidade de organização da sociedade e também cobrar mais ação por parte dos nossos dirigentes, porque existe a Guarde Civil Metropolitana e a Polida, que devem responder pela segurança externa”.

 

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Expositor: Sr. Carlos Alberto Pinheiro - Consultor de Segurança

“Porque a sociedade chegou a tal ponto? Há a falta de condições sociais, a falta de trabalho, o pobre cada vez mais empurrado para a periferia, o grande êxodo de outros Estados para São Paulo, que tem um grande polo industrial. Há o problema de renda que é mal distribuída, há a falta de investimento no campo e na área de formação de técnicos, só através dos técnicos que um país pode crescer.

Então para ajudar a controlar a violência que vem acontecendo nas escolas, foi criado em 1992, o Programa de Segurança Escolar na Secretaria de Estado da Educação.

Na época foram contratados para 2.300 escolas estaduais na Capital e na Grande São Paulo, 4.500 Auxiliares de Segurança, para que, junto com o Diretor de Escola e os educadores das unidades escolares, desenvolvessem uma ação de forma educativa e não repressiva, pois foram treinados para atuarem junto a comunidade escolar.

Nesse período de três anos, o índice de criminalidade diminuiu em 85% , os outros 15% aconteceram aos finais de semana, feriados e madrugadas, quando a escola não contava com o trabalho dos auxiliares de segurança.

Este programa teve a duração de três anos, porque esses funcionários foram contratados pelo BANESER-BANESPA, Serviços Técnicos e Administrativos, e no atual Governo com a extinção do órgão contratante – BANESER, o Programa de Segurança Escolar foi também extinto.

Mas nossas crianças e adolescentes têm prioridade em relação à segurança. Então como sugestão a Guarda ?Civil Metropolitana, deveria ser treinada para dar assistência às escolas localizadas no Municiípio de são Paulo”.

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Expositora: Sra. Ivone Bolik França, da EMPG “Armando Arruda Pereira”.

 

“A luta por um ideal, Segurança nas Escolas, talvez esteja longe de ser solucionado, mas continuamos lutando como sempre lado da comunidade, visando a um benefício de um bem estar social.

A EMPG Armando de Arruda Pereira é uma escola alvo de arruaceiros, de traficantes e de assaltantes.

Inicialmente se faz necessário relatar o problema físico da escola. O prédio encontra em estado precário. Com relação a estrutura física, está amarrado com cabo-de-aço e não possui muro de fecho na parte dos fundos

Solicitações para reforma são constantes, mas até a presente data não atendidas.

A situação em que o prédio se encontra contribui para que marginais invadam a unidade escolar, porque têm livre acesso, entram pela frente e saem tranqüilamente pelos fundos, o que acarreta a falta de segurança na escola.

A escola tem sido alvo constante de arruaceiros, traficantes e assaltantes, que no ano passado (1994), adentraram nas sa1as de aula, durante o período noturno, deram coronhadas com o cabo do revolver nos alunos, ameaçando professores e explodiram bombas.

Como providências internas da escola, após reunião com o Conselho de Escola foi montada uma equipe de segurança e solicitou-se o auxilio do Conselho Comunitário de Segurança – CONSEG, passando a contar com a presença da Guarda Civil Metropolitana..

Mas quando deixou-se de contar com a presença de elementos da corporação, os assaltos voltaram a acontecer, ameaças via telefone, dizendo: - que seremos metralhados se novamente houver ação da polícia.

A situação propicia ameaças a todos; o que gera indisciplina e         contrariedade de toda a comunidade escolar, principalmente daqueles que prestam serviços no período das 19h00 às 23h00, que se vêm ameaçados por todos esse aparato de insegurança que se vivencia na unidade escolar”.

 

 

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Expositor: Dr. Ailton da Almeida, Presidente do Conselho de Segurança do Parque Bristol - CONSEG

 

O Conselho de Segurança foi criado por decreto e vem desenvolvendo o seu trabalho com as lideranças locais.

Na verdade, o patrimônio público, seja municipal ou estadual, não está sendo conservado.

Em relação à segurança nas escolas, ela poderia ser feita por guarda-noturno, vigia, que seria contratado pela Associação de pais e Mestres e deveria ser um dos moradores da comunidade em que a escola está inserida.

Poder-se-ia contar também com a Guarda Civil Metropolitana,só que está mais interessada em dar segurança aos mercados, que hoje estão sendo bem atacados.

Outra dificuldade encontrada é que a Polícia Militar não conta com efetivo suficiente para desenvolver essa atividade.

Agora, como resolver o problema da segurança de imediato?

A comunidade escolar, representada pelos senhores pais, contrataria um segurança, que deveria ser muito bem treinado para poder atuar junto aos escolares.

Observem que muitos problemas têm sido resolvidos através de diálogos com a comunidade. Antes de se tomar decisões há necessidade de conhecer o local e seus problemas. Então, a solução dos problemas está na própria comunidade.

 

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