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Fórum - Municipal de Educação
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Relatório Final
TEMA: EDUCADORES, PROFESSORES E A
SEGURANÇA NAS ESCOLAS.
Expositora:
Sra. Marlene Cortese, representante da Secretaria
de Educação do Estado de São Paulo
“A
questão da escola estadual sofreu no corrente ano um impasse. Os seguranças
que trabalhavam nas escolas do Estado foram demitidos, pois eram contratados
pelo BANESER -BANESPA. Serviços Técnicos e Administrativos.
O
importante é que pelos dados de ocorrência policial recebidos pela
Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo - COGSP,
órgão que cuida das escolas da Capital e da Grande São Paulo, observou-se que
desde o ano de 1994 até o presente ano (1995), a incid6encia de ocorrências não
diminuiu, mas também proporcionalmente não aumentou.
Portanto
em relação à presença desses guardas que protegiam as escolas, não se vê
diferença significativa no registro de depredações e invasões nas unidades
escolares da COGSP, pois em 1994 foram registradas 10.893 ocorrências e neste
ano até o final de agosto, 6.072”.
A Secretaria de Estado da Educação conta com a atuação da Segurança Pública, que é a responsável pela segurança nas mediações das escolas, sendo solicitada, cada vez que há uma ocorrência de caráter mais grave ou que a região é apontada como a de maior incidência de ocorrências.
Algumas
medidas foram tomadas pela Secretaria de Estado da Educação: Zeladoras,
Alarme, Iluminação Externa e Vigias:
-
ZELADORIA - está sendo verificada a situação de todas os zeladores das
escolas estaduais, 90% das unidades escolares possuem zeladores. Na legislação
vigente, o ocupante da zeladoria deverá ser funcionário público,
preferencialmente aquele que presta serviços na unidade escolar
Quanto
à zeladoria ocupada por um policial militar, há divergência de opiniões.
Algumas pessoas acham que é ótimo ser um militar, outros que não faz diferença
e ainda há os que acham que o fato de existir morando na escola um policial que
possua arma, que essa pode ser uma ameaça para aquela comunidade.
Deve
ficar bem claro que o policial militar, enquanto morador não tem o direito de
estar usando arma.
O
zelador deverá ser referendado pelo Conselho de Escola, se é adequado ou não
para aquela comunidade e posteriormente pelo Delegado de Ensino.
- ALARME - A Secretaria da Educação está estudando a
possibilidade de estar sendo ligado um alarme na escola diretamente com o 190,
que é da polícia.
- ILUMINAÇÃO EXTERNA - Também está sendo estudada a
necessidade de iluminação externa, para que no período noturno o acesso às
escolas fique mais fácil e mais claro.
- VIGIAS - Constantes estudos estão sendo realizados sobre a
admissão de vigias para as escolas, porque algumas regiões admitiram através
das Associações de Pais e Mestres e essa questão tem apresentado problemas
trabalhistas. A volta do vigia para as escolas ainda não foi confirmada.
Outra
questão que foi levantada e está sendo trabalhada é a dos muros das escolas.
Há muitas queixas sobre o
“muro palito”, diretores e professores reclamam que este tipo de muro
possibilita a entrada de pessoas pelos vãos.
Outro
assunto que não pode ser esquecido é a figura do INSPETOR ESCOLAR. É ele quem
conhece os alunos muito melhor do que os próprios professores, porque permanece
na escola durante muito tempo. Ele consegue ter uma postura de aliança com os
alunos e de intermediação com a direção. Então a Secretaria da Educação
está querendo resgatar a figura do Inspetor Escolar, mais do que qualquer
vigia.
É
preciso lembrar da figura do ALUNO INSISTENTE, aquele que foi excluído da
escola mas pertence à comunidade, então ele volta para a escola com as turmas
de “gang”, trazendo problemas sérios de violência.
A
escola precisa de uma pedagogia de acolhimento, e uma pedagogia de entendimento
desses alunos que são das regiões mais pobres, alunos trabalhadores que trazem
um potencial de marginalidade não porque nasceram dessa forma, mas pela
circunstância em que são colocados.
É importante ter-se claro: se a escola não der acolhimento, não trabalhar com aquele aluno insistente, se continuar a perder aluno como vem perdendo, estamos criando, e fabricando marginais, que são os inimigos da escola.
Todo
trabalho deve ser realizado com a participação da comunidade, no sentido de
abrir a escola e fazer com que a comunidade assuma a escola como sua. Assim
encontrarão modos de interagir com aqueles meninos e meninas que são
marginalizados e que voltam à escola somente para invadir ou depredar. Mas se a
comunidade não tiver acesso àquela escola e sentir que a mesma não lhe
pertence, a comunidade existirá sempre como um pólo de atrito.
A
escola não vai encontrar defensores. Ela vai ficar fechada na sua
intelectualidade e vai deixar de lado os principais usuários que são os alunos
e os pais”.
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Expositor:
Prof. Reinaldo Freitas da Silva Chefe de Gabinete da
Secretaria Municipal de Educação
“A
segurança nas escolas é muito preocupante, principalmente para os educadores.
Não
há como coibir a violência senão pela conscientização da sociedade. É um
trabalho importante para a escola que deve envolver toda a comunidade escolar e
a Associação de Pais e Mestres.
Sabe-se
que é um trabalho demorado, não é de um dia, porque não há prazo marcado
para educar o aluno. Durante vários anos ensina-se a não jogar papel no chão,
mas o aluno continua jogando-o. Então, não sabemos quando esse aluno está
educado.
A
comunidade estará educada quando não depredar mais os prédios escolares,
mandar seus filhos para a escola e ajudar-se a si própria.
Praticamente
os problemas relacionados com a segurança nas escolas da rede pública
municipal não diferem da rede estadual.
As
escolas municipais contam com vigias e de acordo com levantamento realizado em
1994, nas 725 escolas, constatou-se que 61 tiveram algum problema de segurança:
pichação, invasão do pátio e roubo de merenda, que são considerados
pequenos problemas de segurança e 36 escolas foram arrombadas.
Agora
um dado muito significativo, as escolas que foram assaltadas e depredadas
contavam com o módulo completo de vigias.
Necessário
se faz tomar algumas medidas. É evidente que não há condições de se acabar
totalmente com a violência nas escolas. Antes é preciso acabar com a violência
na sociedade.
A
Secretaria Municipal de Educação está partindo para três soluções:
PRIMEIRA
- a abertura da escola para a comunidaade, mas a utilização fica sujeita a critérios
justificados e fundamentados pela direção de cada escola em comum acordo com a
Associação de Pais e Mestres, que é um órgão auxiliar muito importante como
também o é o Conselho de Escola que representa efetivamente a comunidade;
SEGUNDA
- a criação de zeladorias, que não coííbe totalmente a depredação, mas pelo
menos atenua. Um dos problemas que surge é o vínculo empregatício do zelador,
porque a intenção é a de abrir a zeladora para servidores e membros da
comunidade, eleito pelo Conselho de Escola e Associação de Pais e Mestres;
TERCEIRA
- terceirização da vigilância, com trêês milhões atender-se-ão 50 escolas
da rede, situadas em locais bastante propícios à depredação”.
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"Este
projeto atuou em 76 escolas da rede municipal.
As
queixas de violência apresentaram duas categorias: contra a pessoa (agressões
contra a pessoa, agressões aos usuários ou aos funcionários, ameaças,
consumo ou tráfico de drogas) e contra o patrimônio (depredação de toda
natureza, furtos de equipamentos e outros)
A
questão da invasão do prédio tem que ser melhor compreendida, porque muitas
vezes o prédio é invadido não é para nenhum ato infracional, mas para ser
usado como equipamento de lazer, é o espaço para ocupá-lo como espaço de
lazer.
Essas
distinções devem ser feitas, mas no cômputo geral, a violência contra o
patrimônio acaba sendo muito maior do que a violência contra a vida, contra a
pessoa.
A
violência contra o patrimônio é mais gritante, mas o importante é esquecido,
que é a preservação e a proteção da vida.
Por
falta de uma discussão maior e de um entendimento melhor, o Estatuto da Criança
e do Adolescente acabou se apresentando como um inimigo da escola. Na realidade,
ele é um defensor total da criança e a escola se diz a favor da criança, mas
na hora de aplicar o Estatuto, entende que o mesmo é contra a escola.
O
artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente diz que o direito ao respeito
consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança
e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da
autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais das
crianças.
O
Estatuto não consolida uma prática de defesa das crianças, ao contrário ele
aponta um horizonte, uma direção de medidas a tomar para que essa criança
seja preservada e respeitada.
Então,
de repente, há proteção contra agressões de fora para dentro na escola.
Entretanto, do ponto de vista do que se deva fazer com as crianças, a própria
escola é origem de uma série de violências.
As
queixas dos alunos, sobre o que consideram violência também: horário rígido
no início das aulas prejudica o aluno trabalhador, proibição do uso das
dependências da escola; uso de equipamentos; não estão sendo ouvidos; uso
obrigatório de uniforme; agressões verbais.
Atos
de violência contra alunos: tapa no rosto, puxão de orelha, cadeirada, grito e
outros, acusações indevidas.
Soluções
para violência: não há por razão simples, as escolas são o espelho do seu
extramuro, do seu entorno, não são ilhas, mas são a comunidade dentro de
muros.
Pretender
erradicar a violência é impossível, mas ela pode se administrada.
Há que se reconhecer que a Constituição Federal confere aos Estados a competência e responsabilidade pela segurança pública, que é tanto caso de polícia como de política. No Município se deve investir nas políticas que acabam com a violência e gerem segurança. Cabe ao Estado garantir a lei e a ordem, porque a violência atinge níveis perigosos, pondo em risco bens e sobretudo serviços públicos.
A
Guarda Civil Metropolitana deve estar mais voltada à proteção do patrimônio
do que ao combate à violência. Em suma, ela é uma guarda, não tem que ter
poder de polícia”.
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