UNIDADE 1: Mundo Globalizado e a Nova Consciencia Religiosa
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Globalizaçao
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1ª. Aula
a) Análise de Conjuntura
1. Vídeo: Globo Repórter.
2. Aula

- A religião não existe num vácuo, ela esttá incorporada nas sociedades.
- Nos últimos séculos a vida social foi-see tornando cada vez mais complexa, devido a processos associados à modernização e à globalização.
- Exemplos: 
1) Na zona rural: o trabalho agrícola era regulado pelas estações do ano. Atualmente se faz uma produção de grãos de maneira industrial.
2) Na zona urbana: a classe rica dominava o poder e a riqueza (nobres). Agora é na classe média alta (instruída e profissionalmente especializada) que está concentrado o poder.
3) Outrora a religião desempenhava um papel central na sociedade; a modernização contribuiu para a relegar para um papel mais separado e especializado.
4) No moderno Estado-nação a política, a economia, a política social e a educação já não são predominantemente compostos por valores religiosos.
5) As crenças religiosas são consideradas escolhas subjetivas em vez de leis absolutas e o sucesso material é o objetivo do esforço de muitas pessoas.
6) Algumas pessoas afirmam que as modernas culturas industrializadas, divorciadas da religião, tendem a ser ambivalentes relativamente a questões éticas.
7) Afirmam igualmente que se verifica uma pressão cada vez maior, encorajada pela publicidade, para se consumir mais do que exigem as necessidades básicas, e que se nota uma quebra das normas tradicionais, tais como a quebra do respeito pelos mais velhos e pelas estruturas familiares.
- Globalização: processo relacionado à "redução" do globo terrestre a uma pequena vila, onde acontece uma interligação crescente entre as pessoas de todos os cantos da terra.
- Todas as partes do planeta estão interligadas na economia global à medida que os capitais circulam internacionalmente, de forma quase instantânea, em busca de taxas de câmbio mais favoráveis, enquanto que as empresas multinacionais se espalham por diversos países em busca de mão-de-obra mais barata.
- Estas empresas globais controlam atualmente 1/3 dos capitais mundiais e 70% do comércio mundial.
- Há cada vez menos agricultores ou artesãos a criar produtos ou artefatos unicamente para o consumo local.
- A globalização originou a mistura inédita de muitas culturas, seja por meio de migrações, seja por fuga da violência dos sistemas que desmoronam, e que as pessoas lutam para estabelecer novas estruturas.
- Calcula-se que cerca de 2 milhões de muçulmanos emigraram para os USA, provenientes da Europa do Leste, do Médio Oriente, da África e da Ásia. O número de mesquitas aumentou consideravelmente em todas as grandes cidades ocidentais.
- Além das migrações populacionais maciças, as religiões começaram a disseminar-se por todo o mundo devido às atividades missionárias.
- Um dos impactos imediatos da globalização é o fato de as culturas religiosas já não estarem isoladas umas das outras. As pessoas já não vivem as suas vidas sob a influência de um sistema de crença única.
- Pode-se falar hoje de uma "nova realidade georeligiosa": é a aceleração dos processos através dos quais as religiões se espalham geograficamente pelo mundo.
- Falamos hoje de uma "aldeia global", o planeta é uma comunidade única ligada através de telecomunicações, de forma que o que acontece distante de nós, quase imediatamente o sabemos.
- O clássico livro taoísta "Tao te Ching" até o século XX só era conhecido na Ásia Oriental. Hoje ele está traduzido em todas as línguas e encontramos em qualquer livraria do mundo.
- No passado, foram necessários dez séculos até os ensinamentos de Buda, provenientes da Índia, chegarem ao Japão.
- Hoje, qualquer best-seller sobre religião leva no máximo 3 anos para ser traduzido em todas as línguas do mundo.
- Quase todos os movimentos religiosos (e sobretudo os mais recentes) fazem grandes esforços para alcançarem e transformarem a vida no planeta Terra.
- O terreno virtual das redes de computadores também conseguiu transcender as antigas bases geográficas das religiões. As ligações dos computadores tornaram possível a criação e o contato das novas organizações religiosas com as comunidades isoladas de crentes sem ser necessário construir templos dispendiosos, ter burocracias de caráter sacerdotal ou até mesmo editoras.
- Um venerável templo budista perto de Hiroshima criou um cemitério virtual onde qualquer pessoa pode dedicar um "túmulo" virtual aos entes queridos já falecidos e daí em diante visitar o site a partir de qualquer local, de modo a honrar a memória desse ente querido e a rezar por ele.
- Um santuário xintoísta, em Tóquio, oferece peregrinações virtuais aos seus recantos sagrados, onde os crentes podem "passear" pelo recinto, oferecer as suas orações e escolher flores de papel tradicionais com previsões do futuro pelo computador.
- Muitas organizações religiosas têm o seu próprio site na Internet e usam-no para propagar a sua mensagem a nível global. (ver sites na Internet).
- Há grupos neopagãos que se reúnem no ciberespaço e aí celebram cerimônias virtuais, repletas de imagens computadorizadas de altares, chamas e oferendas. (FISHER, Mary Pat.
A religião no século XXI. Lisboa: Edições 70, 1999).
- No passado se falou da morte da religião e da secularização que avançava cada vez mais no meio da sociedade. E é justamente a partir daí que brota o rebento robusto e cheio de vida das mais diferentes expressões religiosas.
- Já houve vários embates entre a religião e a modernidade pós-cristã, numa tentativa de destronar, secularizar, destracionalizar, desqualificar e abalar os seus alicerces, privatizando-a e subjetivando-a.
- Ultimamente sobrepõe-se um revigoramento da subjetivação e privatização da religião. Diante do atual pot-pourri de religiões, é verdade que houve ou não um retorno a religião? Como ela se situa diante da situação marcada pela cultura pós-moderna e pelo sistema neoliberal?
- Há muitas ofertas no campo religioso: das mais plurais, místicas e espirituais até os grupos psicodélicos. Não importa quem oferece (se instituições tradicionais ou denominações religiosas autônomas), o que interessa é o produto oferecido que satisfaça a demanda pessoal.
- A Ilustração (o Iluminismo), com sua forte crítica à religião, anunciava seu lento, mas constante e implacável desaparecimento. O avanço espetacular da tecnologia, o bem-estar social promovido pelos "milagres econômicos" arrematavam um processo de desgaste das instituições religiosas, que pareciam ancoradas no mundo da pré-modernidade.
- Houve uma grande convergência das ciências (naturais, antropologia, psicologia, sociologia política) e da prática das pessoas (ateísmo prático e indiferentismo) que tentaram reduzir a religião ao silêncio e Deus a um retiro afastado de nossa realidade.
- No entanto, várias coisas foram acontecendo, como a desilusão com a razão, vários sinais de transcendência no mundo que foram tornando-se rumores, chamados por Peter Berger de "rumores de anjos", que foram aumentando os seus decibéis a ponto de se tornarem-se um alarido, um gigantesco clamor religioso.
- Aos poucos, foi-se percebendo a relevância da religião, que depois de um longo período de marginalização, a que a submeteu a razão ilustrada, começou a ser vislumbrada também no campo da política.
- No início deste milênio, assistimos também a um trágico combate entre fundamentalismos religiosos que possuem imbricações políticas.
- O abismo que se abriu na década de 90 com o desmoronamento da ideologia marxista (considerada como substitutiva da religião) foi enorme e possibilitou que o neoliberalismo triunfasse sozinho e os USA sentirem-se vitoriosos e donos do mundo. - Eis que, porém, o seu coração simbólico foi atingido de cheio pela derrubada das Torres Gêmeas e o ataque ao Pentágono.
- Embora a absoluta hegemonia americana não tenha sido atingida nem física nem economicamente, simbolicamente apareceu um adversário à altura: o terrorismo diluído.
- No entanto, o que não era de esperar é que uma das nações mais secularizadas do mundo se vestisse da túnica fundamentalista cristã para enfrentar o novo adversário do terrorismo.
- Temos um simulacro da frase evangélica com a ameaça do castigo para quem não seguir o chamado vindo da potência considerada encarnação do bem. Atitude tipicamente religiosa.
- A explosão religiosa manifesta-se, entre nós, por uma multiplicação exuberante de novas denominações religiosas. Censo 1991/95: surgiram 4 mil denominações. Entre 1990 e 92 foram cridas 627 novas igrejas, só no Rio de Janeiro, sendo que a maioria é pentecostal (91,27%).
- No censo de 2000, diante da pergunta "qual sua religião?" foram encontradas mais de 35 mil respostas diferentes, que reduziu-se a 5 mil, eliminando repetições e equívocos, e finalmente agrupadas em 144 respostas.
- Além disso, há um ressurgir das Grandes Tradições religiosas monoteístas, especialmente da religião muçulmana. Também o budismo tem penetrado muito na sociedade ocidental, por meio do bom acolhimento das obras do Dalai Lama, das virtudes por ele pregadas (sobriedade, serenidade, domínio sobre a agitação dos desejos humanos). Além disso muitos artistas têm feito peregrinações à Índia e se "convertido" ao budismo, o que influencia bastante outras pessoas.
- Há ainda um grande crescimento do que se denomina de "neopaganismo": magia, ocultismo, gnosticismo, Wicca (ou bruxaria), astrologia, tarô, quiromancia, i-ching, budismo zen, ufologia, hare krishna, moon (Igreja da Unificação), cientologia, baha'í etc.
- Fala-se também de neocristianismo para designar pessoas que se sentem ligadas aos princípios fundamentais de Cristo, sem, no entanto, vincular-se a nenhuma denominação cristã institucionalizada. Elas buscam vivenciar em suas vidas novas formas cristãs.
- As religiões mediúnicas (espiritismo, religiões afro-brasileiras) têm presença no cenário religioso brasileira, marcando um certo sincretismo religioso.
- A influência religiosa indígena, xamanista é mais forte em outros países da América Latina do que no Brasil. Mas crescem aqui o Santo Daime de raízes indígenas, que usam em seus ritos a bebida da ayahuasca (cipó jagube e a folha chacrona) de efeitos alucinógenos.
- Há formas religiosas ecléticas, que não se enquadram em nenhuma tipologia, que fazem, refaze e desfazem ao sabor dos indivíduos que compõem a religião com elementos de todas as religiões, sem nenhuma preocupação com a coerência doutrinal de seus elementos internos. Tal fenômeno reflete a atual privatização da esfera religiosa.
- Paralelamente a isso, há um crescimento de templos, lugares de culto e freqüência de fiéis: Assembléia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus são exemplos disso. Também faz parte a Igreja Internacional da Graça (do pastor R.R.Soares).
- É a chamada "igreja eletrônica": elas aumentam as possibilidades de igrejas e denominações religiosas crescerem o clima religioso dominante. Ajuda-as na divulgação de sua fé, a nossa sociedade do espetáculo: os programas de auditório dos domingos, nos quais personagens religiosos fazem aparições.
- A matriz criadora de tal igreja é, sem dúvida, os Estados Unidos: exportam religião e ideologia, de tal modo que esse fenômeno religioso tem também íntimas conexões com a dominação economicocultural dos Estados Unidos (LIBANIO, João Batista. 
A religião no início do milênio. São Paulo: Loyola, 2002).
1º Trabalho de Grupo: composição dos grupos  cooperativos.
A aprendizagem cooperativa é  uma prática de aprendizagem onde pequenos grupos de estudantes, trabalhando em  equipe, trabalham conjuntamente e ajudam uns aos outros. Pesquisas têm mostrado  que a aprendizagem cooperativa promove melhores técnicas de raciocínio e  pensamento nos estudantes em relação a ambientes que promovem a aprendizagem  individual e/ou competitiva.
O professor dará informações  essenciais sobre os tópicos do conteúdo relacionado ao assunto, em uma aula  dialógica, com questionamentos encadeados por professor e alunos.
TEMA: A  Religião e a Ciência
Um paciente  vive de hospital em hospital, de Centro de Saúde em Centro de Saúde, buscando  auxílios para uma doença grave que não tem cura.
Este paciente  já fez diversos exames sofisticados, com vários médicos especializados, mas  ninguém soube lhe dizer qual é a sua doença e muito menos qual o medicamento  indicado.
Um belo dia,  conversando com uma vizinha, ele descobre que uma determinada religião está  curando diversas pessoas de doenças consideradas incuráveis. E ele pensa em  também buscar a cura nesta religião. E de fato a encontra.
Religião e Ciência
O senso crítico  precisa estar aguçado para não se deixar levar pelas insinuações que podem  ocorrer por parte da ciência em desprezar a religião. Acontece muitas vezes de  se haver duas medidas, uma para julgar a religião, acusada até por simples  aparências de erros, e outra para julgar a ciência, jamais acusada, nem mesmo  quando flagrada em erro.
Não se pode deixar  levar pela alegação de que religião e ciência se opõem, porque de um lado está a  religião com seus mistérios e do outro está a ciência com as suas certezas.
Alguns falsos  cientistas vocifera: "Religião não vale nada. Religião não resolve nada. Só a  ciência resolve tudo. A religião só nos propõe mistérios. A ciência sempre nos  dá certezas". Na verdade, o que falta aqui é conhecimento da religião e  conhecimento da ciência. Bastam elementares conhecimentos científicos para saber  que a ciência, muitas vezes, não nos dá certeza nenhuma, está cheia de dúvidas,  de hipóteses e de mistérios. Há muito mais mistérios na ciência do que na  religião. A ciência sabe que anda muito longe de explicar tudo, sabe que não dá  a explicação última de coisa alguma, e reconhece os seus erros e deficiências.
Na área da  medicina:
Na história da Medicina, muitas  pessoas morreram por causa de tratamentos errados, porque não se sabia que  bactérias patogênicas são causadoras de muitas doenças, mesmo depois de Pasteur  (que descobriu tais bactérias) aconteceram diagnósticos errados e receitas  inadequadas. Ninguém por isso condena a Medicina no seu ingente esforço de curar  doenças e prolongar vidas.
Na medicina há muitas  especializações, mas ninguém tem o direito de discorrer sobre temas religiosos  sem se quer ter estudado um pouco sobre o assunto. Não basta dissecar o corpo  humano para se dizer que se conhece o seu funcionamento, porque a anatomia  clássica nos dá apenas um esquema puramente estrutural e completamente irreal do  ser humano. Como explicar fenômenos somáticos ou psciossomáticos que transcendem  a anatomia? Como explicar o câncer, se a Citologia (ciência que estuda as  células) onde se confessa ignorante de muitas verdades referentes à estrutura e  funcionamento das células? Outra coisa é a verificação do fenômeno, outra coisa  é a sua explicação.
Conhecem-se os sintomas das  doenças mentais e os diversos tipos de debilidade do espírito, mas ignora-se  completamente a natureza destas perturbações. Não se sabe se essas doenças são  devidas a lesões estruturais do cérebro, ou a modificações na composição do meio  interior, ou se ambas as causas simultaneamente (FEITOSA, Antonio. A religião  e a ciência. Aparecida: Santuário, 1993).
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