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OBS: A LUTA PELA INDEPEND�NCIA (EM CONSTRU��O) A INDON�SIA INVADE O TIMOR LESTE (*) No dia 7 de dezembro de 1975, a invas�o temida h� tanto tempo come�ou. �s 2 da madrugada, navios da Indon�sia come�aram a bombardear a periferia de Dili, onde pensavam que o bra�o militar da Fretilin , Falintil, tinha baterias de artilharia. �s 5 da madrugada avi�es j� estavam despejando p�ra-quedistas na zona portu�ria. Soldados da ABRI come�aram a se espalhar com viol�ncia atrav�s da cidade. De acordo com o bispo cat�lico de Dili, D. Martinho Lopes, "Os soldados que chegaram come�aram a matar todas as pessoas que encontravam. Havia muitos cad�veres nas ruas - s� o que pod�amos ver eram o soldados matando, matando, matando."(...) Depois dos massacres iniciais, os soldados come�aram a saquear casas e igrejas, carregando tudo o que tinham roubado - mob�lia, carros, motos e at� janelas - em navios que iam para Java (base da maioria dos oficiais da ABRI). As tropas da ABRI tamb�m come�aram a procurar por "garotas".(...) Refugiados relatavam que os soldados estavam estuprando as mulheres diante de seus maridos ou pais, espancando muito, prendendo e �s vezes matando os homens que se recusavam a entregar suas esposas ou filhas. As mulheres e mo�as que participavam ativamente de organiza��es ligadas � Fretilin, ou que eram parentes de membros da Fretilin, eram submetidas ao pior tratamento. Os soldados detiveram e prenderam a maioria delas; muitas tamb�m foram torturadas e estupradas repetidas vezes. Muitas pessoas de Timor Leste fugiram para as montanhas, para escapar das tropas que chegavam.(...) Nos primeiros dias da invas�o, duas mil pessoas foram massacradas em Dili. Destas, de 500 a 700 eram chineses �tnicos ( a indon�sia tem uma longa hist�ria de sentimento anti-chin�s). Alguns dias depois do assalto a Dili, os soldados indon�sios atacaram outras cidades importantes e eventualmente foram para o interior. No dia de Natal, o n�mero original de 10 mil soldados da ABRI, recebeu um suplemento(refor�o) entre 15 a 20 mil soldados. Em meados de fevereiro - pouco mais de dois meses depois da invas�o ter come�ado - 60 mil pessoas de Timor Leste estavam mortas. Depois da invas�o, a Indon�sia estabeleceu uma assembl�ia legislativa (fantoche), cujos 28 membros - descritos pela Indon�sia como "cidad�os eminentes de Timor Leste"- tinha sido escolhidos a dedo pelo funcion�rios do servi�o secreto indon�sio, com a ajuda da Apodeti, que se certificou de que eles n�o tinham nenhuma liga��o anterior com a Fretilin ou a UDT. No dia 31 de maio de 1976, esta assembl�ia fantoche declarou que Timor Leste queria se tornar parte da Indon�sia. Observadores presentes a este evento declaram que foi totalmente montado pelas autoridades indon�sias. Os poucos jornalistas e diplomatas de escal�o inferior de outros pa�ses que compareceram n�o tiveram permiss�o para falar com nenhum dos delegados da Assembl�ia do Povo. Em Julho de 1976, o presidente Suharto assinou a Lei formalizando a "integra��o" de Timor Leste ao Estado Unit�rio da Rep�blica da Indon�sia. (*) texto retirado do livro: TIMOR LESTE - Este Pa�s Que Ser Livre, organizado por S�lvio L. SantAnna, 1997, Editora Martin Claret, S�o Paulo, SP A LUTA PELA INDEPEND�NCIA (*) No final de abril de 1974, grupo de oficiais militares esquerdistas, estacionados em Lisboa, capital de Portugal, derrubou o governo fascista do pa�s atrav�s de um golpe de estado, praticamente sem derramamento de sangue. Havia certo desacordo entre os oficiais ( que se chamavam Movimento das For�as Armadas, ou MFA) sobre o que fazer com as col�nias de Portugal. O chefe conservador do MFA era a favor daquilo que chamava de "autonomia progressiva... dentro de uma estrutura portuguesa", mas outros oficiais, muitos dos quais tinham voltado recentemente da luta contra movimentos de liberta��o nas col�nias africanas, defendiam "algum tipo de independ�ncia". Em junho de 1974, Portugal tinha apresentado tr�s op��es poss�veis para Timor Leste: continuar associado a Portugal, tornar-se independente, ou se tornar parte da Indon�sia. Mas o governo portugu�s n�o empreendeu nenhuma a��o imediata em rela��o a qualquer dessas op��es. No pr�prio Timor Leste, no entanto, a resposta ao golpe de estado n�o foi t�o lenta. Dentro de pouco mais de um m�s, tr�s partidos pol�ticos tinha sido formados: a UDT, a ASDT (que mais tarde se transformou na Fretilin) e a Apodeti. O primeiro partido a ser fundado, a UDT (Uni�o Democr�tica Timorense), era de modo geral conservador e a favor de Portugal. No come�o defendia a continua��o da liga��o com Lisboa, mas com o aumento da oposi��o ao colonialismo passou a apoiar a id�ia de uma eventual independ�ncia total. 0 segundo partido, ASDT (Associa��o de Sociais Democratas Timorenses), advogava "as doutrinas universais do socialismo e da democracia". Totalmente comprometido com a independ�ncia desde o come�o, imaginava um per�odo de descoloniza��o de oito a dez anos, durante o qual Timor Leste teria a oportunidade de desenvolver as estruturas pol�ticas e econ�micas necess�rias para a independ�ncia. A lideran�a tanto da UDT quanto da ASDT vinha em grande parte das classes m�dia e alta - timorenses que tinham estudado no col�gio dos jesu�tas em Soibada e no semin�rio nos arredores de Dili, e que eram administradores coloniais ou professores. Os cidad�os timorenses mais ricos tendiam a apoiar a UDT. Inclu�am oficiais administrativos mais graduados, l�deres nativos e importantes donos de planta��es. Um dos l�deres da UDT - na realidade, seu primeiro presidente - foi mais tarde nomeado governador de Timor Leste pelos indon�sios, cargo que ocupou de 1981 a 1992. Um terceiro partido, Apodeti (Associa��o Popular Democr�tica Timorense) era a favor de uma "integra��o aut�noma" com a Indon�sia. (Seu nome original - Associa��o para Integra��o de Timor com a Indon�sia - foi logo mudado devido a rea��es p�blicas). A Apodeti, que nunca teve mais de umas poucas centenas de membros, parece ter sido em grande parte um projeto do servi�o de intelig�ncia militar da Indon�sia. A �ltima coisa que a Indon�sia queria era mais um pa�s independente nas suas fronteiras, e estava empenhada em garantir que isto nunca acontecesse. Tr�s homens que estavam cooperando com os militares indon�sios havia anos se tornaram os l�deres principais da Apodeti. E logo depois da funda��o da Apodeti, a Indon�sia come�ou a fornecer apoio financeiro a agentes de Timor Leste. A UDT no come�o era o grupo maior e mais popular, mas logo come�ou a perder terreno para ASDT, que estava mais bem organizada e era mais inovadora. Quando o presidente interino do parlamento da Indon�sia disse que era favor�vel ao controle de Timor Leste pela Indon�sia, a ASDT mandou um enviado, Jos� Ramos-Horta, a Jacarta, onde ele recebeu garantias do ministro de Rela��es Exteriores da Indon�sia de que a Indon�sia defendia, sem d�vida, a autodetermina��o de Timor Leste. Em seguida Ramos-Horta foi para a Austr�lia, mas o governo australiano n�o quis se encontrar com ele ou fazer qualquer declara��o oficial em favor da autodetermina��o de Timor Leste. Ele conseguiu, no entanto, o apoio de grupos de Igreja, sindicalistas, intelectuais e membros do parlamento. Como seus membros - e a popula��o de Timor Leste em geral - estavam se tornando mais radicais, a ASDT mudou seu nome, em setembro de 1974, para Fretilin (Frente Revolucion�ria por um Timor Leste Independente) e exigiu de Portugal a independ�ncia imediata. Volunt�rios da Fretilin come�aram a sair de Dili, indo para as �reas rurais, ensinando os habitantes das aldeias a ler e escrever em tetum, estabelecendo cooperativas agr�colas, ajudando a organizar sindicatos e outros grupos, e promovendo a cultura local, incentivando a cria��o de poesias, cantos e dan�as nacionalistas. Gra�as a estas atividades, a Fretilin se tornou, no in�cio de 1975, o mais popular dos tr�s partidos. Enquanto o presidente de Portugal dizia que a independ�ncia total de Timor Leste "n�o era realista", o novo governador de Timor Leste, que era do MFA, e oficiais locais do MFA queriam ajudar o pa�s a conquistar sua liberdade. Em dezembro de 1974, convidaram os tr�s partidos a aconselhar Lisboa sobre a maneira de descolonizar Timor Leste. A UDT e a Fretilin se uniram durante este processo e formaram uma coaliz�o. A Apodeti se recusou a participar, dizendo que s� reconhecia o governo indon�sio, e n�o o portugu�s. Em maio de 1975, a UDT, a Fretilin e o MFA concordaram que um governo de transi��o seria estabelecido at� outubro e que elei��es para uma assembl�ia nacional constituinte seriam realizadas no outono de 1976. Mas a Indon�sia tinha outros planos. Em meados de 1974 tinha sido desenvolvida a Opera��o Komodo - assim chamada devido aos drag�es Komodo, lagartos gigantes que comem pessoas, e que vivem em outras ilhas da Indon�sia. A Opera��o Komodo tinha o objetivo de fortalecer a Apodeti e enfraquecer a Fretilin, e obteve certo n�mero de sucessos diplom�ticos. Num encontro com o presidente da Indon�sia, Suharto, em setembro de 1974, o primeiro-ministro da Austr�lia, Gough Whitlam, declarou que um Timor Leste independente seria "invi�vel" e "uma amea�a em potencial para �rea". Ele apresentou seu apoio a uma uni�o volunt�ria entre Timor Leste e Indon�sia. Embora tenha acrescentado que a Austr�lia n�o aprovaria o uso da for�a em Timor Leste, seus coment�rios, de maneira geral, foram considerados por Jacarta como sendo muito favor�veis � sua posi��o. Quando a Fretilin e UDT come�aram a trabalhar juntas, a Indon�sia incrementou a Opera��o Komodo. Em meados de fevereiro de 1975, os militares indon�sios (comumente chamados pela sigla ABRI) realizaram exerc�cios em Sumatra que simulavam um ataque por ar e mar a Timor Leste. Logo depois disto a Indon�sia come�ou a divulgar relat�rios falsos de um golpe planejado pela MFA e Fretilin, e uma suposta persegui��o a membros da Apodeti. A opera��o Komodo, juntamente com a crescente popularidade da Fretilin, enfraqueceu a coaliz�o UDT-Fretilin. A Indon�sia conseguiu convencer os membros mais conservadores da UDT de que, se fosse permitida a perman�ncia de esquerdistas na coaliz�o, isto resultaria em isolamento internacional. No final de maio de 1975, a UDT se retirou formalmente da coaliz�o. L�deres da UDT se encontram com representantes do governo indon�sio em Jacarta e se convenceram de que a Indon�sia n�o permitiria que Timor Leste se tornasse independente sob a Fretilin e provavelmente nem mesmo sob a UDT. Eles achavam que s� limpando o territ�rio da influ�ncia "comunista" poderiam ter alguma possibilidade de evitar uma invas�o da Indon�sia. Finalmente, em meados de agosto de 1975, a Indon�sia passou � UDT not�cias falsas do servi�o secreto sobre uma iminente tomada do poder pela Fretilin, completadas com informa��es sobre carregamentos clandestinos de armas chineses e a entrada em Timor Leste de "terroristas vietnamitas" para ajudar a Fretilin. A UDT lan�ou um golpe, capturando rapidamente a esta��o de comunica��es e o aeroporto de Dili. Mas a UDT subestimou muito a for�a da Fretilin, que conseguiu persuadir a maioria das unidades timorenses do ex�rcito portugu�s a ficar do seu lado. Logo a Fretilin controlava toda Dili e no final de setembro tinha expulsado 500 soldados da UDT e 2.500 refugiados (na maioria fam�lias de l�deres e soldados da UDT) para Timor Ocidental. A breve guerra civil tinha terminado. A Indon�sia s� permitia que os refugiados entrassem em Timor Ocidental se assinassem uma peti��o em favor da integra��o de Timor Leste � Indon�sia. Conforme declarou um antigo l�der da UDT: "Era a �ltima coisa que quer�amos, mas com as for�as da Fretilin se aproximando e sem comida, realmente n�o t�nhamos outra alternativa a n�o ser concordar". A Fretilin imediatamente come�ou a estabelecer um governo de fato para preencher o vazio deixado pelos portugueses, que tinham fugido durante a guerra civil. O antigo c�nsul da Austr�lia em Dili, James Dunn, assim descreveu a rea��o do povo: "Esta estrutura administrativa tinha limita��es evidentes, mas gozava claramente de amplo apoio e coopera��o da popula��o, inclusive de muitas pessoas que antes apoiavam a UDT... Na realidade, os l�deres do partido vitorioso foram recebidos de bra�os abertos, espontaneamente, nos principais centros por multid�es de timorenses. Em minha longa associa��o com o territ�rio, nunca tinha presenciado tais demonstra��es de calor e apoio espont�neo por parte das pessoas comuns." A fim de completar o processo de descoloniza��o, a Fretilin convocou um confer�ncia de paz entre eles, Portugal e Indon�sia, mas os cont�nuos adiamentos por parte de Portugal impediram que as conversa��es se realizassem. Enquanto isto, a ABRI ( for�as militares indon�sias ) estava realizando incurs�es atrav�s da fronteira, a partir de Timor Ocidental, para dar a impress�o de que a guerra civil continuava. ( A Indon�sia negou estas incurs�es, mas at� a CIA as confirmou ). A ABRI logo capturou algumas cidades perto da fronteira entre Timor Leste e Timor Oeste. Sua campanha culminou num ataque de duas semanas por terra, ar e mar a uma cidade chamada Atabae, a apenas 56 quil�metros de Dili. Finalmente, a ABRI tomou Atabae no dia 28 de novembro de 1975. Confrontada com uma invas�o iminente, global, a Fretilin declarou a independ�ncia da Rep�blica Democr�tica de Timor Leste nesse mesmo dia. A Fretilin esperava que esta declara��o proporcionasse alguma prote��o internacional a Timor Leste, mas somente quatro antigas col�nias portuguesas da �frica, reconheceram o novo pa�s imediatamente. As na��es ocidentais, que sabiam tudo sobre os planos de invas�o da Indon�sia, permaneceram em sil�ncio, ( ou forneceram algumas colabora��o para esta invas�o). (*) texto retirado do livro: TIMOR LESTE - Este Pa�s Que Ser Livre - Organiza��o S�lvio L. SantAnna, 1997, Editora Martin Claret, S�o Paulo, SP.
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