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Est� p�gina foi atualizada pela �ltima vez em:  25-abr-2001.

 

 

2�  Guerra Mundial

Pre�mbulo:

        Declarada oficialmente, logo no come�o do conflito, em Setembro de 1939, a neutralidade de Portugal, a sua long�nqua possess�o de Timor viveu relativamente em paz os dois anos que se seguiram, mas uma paz j� sobressaltada pela p�rfida pol�tica externa do Jap�o que n�o ocultava ali�s, as suas ambi��es e afinidades com as Pot�ncias do Eixo. Mais fazia avolumar suspeitas e receios ao governo local a capciosa infiltra��o de pretensos comerciantes, industriais e t�cnicos japoneses que, desde 1936, a pretexto de neg�cios e coloca��o de capitais aportavam continuamente a Dili, percorriam a ilha e, por fim conseguiram que o governo de T�quio requeresse a instala��o de uma carreira a�rea que ligasse diretamente Dili com a capital nip�nica.
        Sem fundamentos s�rios para recusar, o governo portugu�s ao mesmo tempo que autorizava aos japoneses alguns v�os de ensaio e reconhecimento, consentia tamb�m, para contrabalan�ar a exig�ncia, que os avi�es de uma companhia australiana fizessem escala por Dili, numa carreira Austr�lia-Singapura, e que um avi�o fretado, com as cores portuguesas, estabelecesse liga��o de Dili com os avi�es holandeses da carreira Austr�lia-Jap�o que tocavam em Cup�o.
        Muitos foram os irritantes incidentes suscitados por esta surda competi��o das avia��es comerciais da Austr�lia e do Jap�o e pelas atividades e pretens�es cada vez mais suspeitas de agentes comerciais japoneses que � boca pequena se dizia serem oficiais do ex�rcito. A situa��o por�m, agravou-se subitamente com o inesperado ataque de surpresa e � falsa f� da avia��o japonesa � base naval americana do Porto das P�rolas (Peor Harbor), a 7/12/1941. A partir de ent�o n�o mais houve sossego no Timor portugu�s. Dois barcos japoneses que deviam chegar a Dili com aparelhagem v�rias foram logo afundados, dias depois, por avi�es militares australianos.
        A guerra que ardia j� por todo o Pac�fico, at� Singapura, come�ava a rondar Timor. Dez dias depois do rompimento de hostilidades do Jap�o com a Am�rica, Austr�lia, Holanda, China e Filipinas, o Comando Aliado, por uma s�rie de equ�vocos ainda mal averiguados, enviava de Cup�o, sede do Timor holand�s, � ba�a de Dili um cruzador, tr�s avi�es e um transporte de tropas holandesas e australianas, sob o comando de um tenente-coronel holand�s que, de acordo com pr�vias negocia��es entre os respectivos governos, dizia trazer ordem para efetuar o desembarque das suas tropas e tomar posi��es em Dili e no seu campo de avia��o.
O governador, sem instru��es de Lisboa nem for�a bastante para resistir, mesmo simbolicamente convocou um conselho de oficiais que, perante a critica situa��o criada, foi de parecer un�nime que se consentisse o desembarque. O corpo expedicion�rio aliado, de cerca de 1.600 homens - 1.280 holandeses e indon�sios e 380 australianos - desembarcou, aquartelou-se e tomou as suas posi��es no aer�dromo e nas montanhas vizinhas de Dili.
c�nsul e os outros japoneses foram logo reduzidos � situa��o de prisioneiros; o governador portugu�s constituiu-se tamb�m, por si pr�prio, prisioneiro na sua resid�ncia, ordenando a todas as autoridades e reparti��es a mais estrita neutralidade e absten��o de qualquer ato de hostilidade ou colabora��o.
        Come�ava praticamente o longo calv�rio de tr�s anos e meio. A ex�gua guarni��o militar portuguesa - uma companhia ind�gena - foi destacada para Aileu; as fam�lias dos militares e funcion�rios dispersaram-se pelo interior; e uma relativa calma, sem incidentes de maior com essas cordatas e corretas tropas de ocupa��o, se seguiu durante cerca de sete semanas. Pouco durou essa inquieta situa��o de expectativa.
A 08/11/1942 dava-se o primeiro ataque da avia��o japonesa �s posi��es holandesas em Dili. Mas como a todo o momento eram esperadas de Mo�ambique tropas portuguesas, num total de 600 homens, para renderem as tropas estrangeiras, confiava-se em que a situa��o se esclarecesse muito em breve.
        A 19 de Fevereiro, por�m, precedido de um furioso bombardeamento da sua avia��o, os japoneses operavam por seu turno um desembarque em for�a a 7 km. de Dili. Os breves assaltos que se lhes seguiram �s fr�geis posi��es aliadas, em poucas horas, em coroados de �xito e ao fim do dia a ocupa��o militar japonesa era um fato irremedi�vel.
A partir dessa data e at� Agosto de 1945, toda a ilha de Timor, sob a brutal ocupa��o nip�nica , era teatro das consabidas atrocidades da soldadesca japonesa que, ao que parece, chegou a atingir cerca de 40.000 homens.
        Os sobreviventes australianos e holandeses, internando-se nas montanhas que constituem a espinha dorsal da ilha, passaram ent�o a uma encarni�ada e intr�pida luta de guerrilhas, auxiliados pelas popula��es gent�licas, que se mantiveram fi�is a Portugal e a que se juntaram muitos civis portugueses.
        N�o foi, infelizmente, geral essa atitude da popula��o nativa, mormente a da fronteira e da Maubisse. V�rios r�gulos, aliciados pela intensa propaganda nip�nica, rebelaram-se logo contra o dom�nio portugu�s, fato de que o comando japon�s tirou todo o partido, incitando e armando a organiza��o de colunas negras que preparavam os assaltos �s povoa��es fi�is ou onde quer que se suspeitasse de n�cleos de resist�ncias anti - nip�nica.
Em Dili, onde o governador procurava manter um simulacro de funcionamento de servi�os administrativos, a coberto da declarada neutralidade, come�aram em meados do ano os raids da avia��o australiana, j� bombardeando a cidade, j� reabastecendo por p�ra-quedas as guerrilhas nas montanhas.
        Resolveu ent�o o governador transferir-se, com todos os servi�os e funcionalismo para o interior (S. Domingos) ainda ent�o afastado do teatro da guerra. O comando japon�s, por�m, op�s-se brutalmente, reduzindo-o praticamente � condi��o de prisioneiro na sua resid�ncia. Perante a funda turba��o causada pelas popula��es rebeladas, as autoridades portuguesas, invocando a atitude de neutralidade de Portugal, conseguiram do comando japon�s autoriza��o para que tr�s colunas portuguesas fossem sufocar essas rebeli�es, mas cedo se desmascarava a hipocrisia japonesa, pelo ataque noturno de um coluna negra, em fins de setembro, ao aquartelamento da Companhia ind�gena em Aileu, onde perderam a vida onze oficiais e funcion�rios portugueses.
        Como os australianos n�o afrouxassem na sua luta de guerrilhas, causando graves danos aos japoneses, em Outubro foi proposto ao governador pelo comando japon�s a cria��o de uma zona neutral em Liqui�a, onde n�o se realizariam opera��es militares, a fim de que todos os portugueses neutrais se pudessem ali refugiar com suas fam�lias, ao abrigo dos ind�genas rebeldes e das conting�ncias da luta dos japoneses contra os australianos.
As guerrilhas australianas, por�m, � que n�o se consideraram obrigadas a respeitar essa zona neutral, e, por seu turno, ofereceram prote��o e aux�lio aos portugueses que quisessem refugiar-se na Austr�lia, embarcando em praias da costa Sul, onde iriam busc�-los navios australianos ou aliados.
        De fato, desde fins de Novembro at� princ�pios de Fevereiro de 1943, navios de guerra australianos vieram ao porto de Alas buscar os portugueses e suas fam�lias que preferiram o ref�gio da Austr�lia ao campo de concentra��o de Liqui�a.
Pouco depois, chegava aos resistentes portugueses a not�cia de que o comando Aliado na Austr�lia desistira de um projetado desembarque em for�a, por tropas aliadas, para a liberta��o de Timor.
        Uma poderosa ofensiva nip�nica na Nova Guin� impunha o emprego de todas as for�as dispon�veis do Norte da Austr�lia. A miss�o militar e as guerrilhas australianas em Timor deviam tamb�m retirar. E assim aconteceu.
        Os �ltimos australianos e holandeses abandonaram a possess�o portuguesa. A essa data (princ�pios de 1943) j� as for�as japonesas tinham ocupado toda a ilha, e � ent�o que se registra o admir�vel ato de lealismo do chefe ind�gena D. Aleixo, Nai-Sesso, r�gulo de Suro, que nas montanhas de Suro-Lau, cercado com o seus s�ditos, por mais de 15.000 homens, de tropas japonesas e nativos das colunas negras, resistiu durante semanas a todas as intima��es, at� que a resist�ncia foi esmagada e, aprisionado, o velho r�gulo reuniu os filhos e, dando um viva a Portugal, preferiu cair varado de balas e de golpes de catana, a submeter-se ao invasor nip�nico.
        Em Agosto conseguiu evadir-se para a Austr�lia um �ltimo grupo de portugueses que pretendiam treinar-se nos m�todos de ataques dos famosos "comandos" para voltarem um dia a Timor, com tropas aliadas ou portuguesas para restaurarem a soberania.
Foi s� em princ�pios de 1944 que puderam come�ar a ser enviados da Austr�lia a Timor, em arriscadas miss�es de reconhecimento, e os primeiros "comandos" australianos, de que participavam j� volunt�rios portugueses convenientemente adestrados.
        Eram miss�es arriscadas de que poucos conseguiam voltar. Cientes desses atos de aud�cia, os japoneses guarneceram ent�o toda a Costa Sul, com in�meros postos de observa��o e rondas constantes, servidos por tropa regular e rebeldes ind�genas. Assim a situa��o de Timor se manteve ainda mais onze meses at� que em Agosto de 1945 as bombas at�micas de Hiroshima e Nagasaqui for�aram o Jap�o � suspens�o de hostilidades e rendi��o incondicional aos Americanos.
        A 11 de Setembro o brigadeiro australiano Dyke recebia a bordo de um navio de guerra, na ba�a de Cup�o, a rendi��o do general japon�s comandante das tropas de ocupa��o de Timor. Na manh� de 22, Dili era libertada, com o seu governador e todas as autoridades sobreviventes, de uma ocupa��o japonesa de mais de tr�s anos e meio.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E DEPOIS (*)

        Quando os aliados ocidentais declaram guerra contra o Jap�o, decidiram usar a ilha de Timor como linha de defesa contra o avan�o japon�s em dire��o ao sul ( apesar dos protestos de Portugal, que era neutro ). Em meados de dezembro de 1941, apenas dez dias depois do ataque a Pearl Harbor, aproximadamente 400 soldados das �ndias Ocidentais Holandesas e da Austr�lia chegaram � parte ocidental de Dili.
        Dois meses mais tarde, o Jap�o atacou a ilha e rapidamente expulsou os holandeses da metade ocidental. Em Timor Leste, algumas centenas de comandos australianos e alguns timorenses conseguiram encurralar uns vinte mil soldados japoneses durante quase um ano. Mas em janeiro de 1943 o Jap�o controlava toda a ilha.
        A ocupa��o japonesa foi uma das �pocas mais sombrias da hist�ria de Timor Leste ( s� ultrapassada em crueldade e devasta��o pelos indon�sios ). Eis como Iwamura Shouachi, que comandou um pelot�o japon�s em Timor Leste durante mais de dois anos, descreveu os sofrimentos impostos pelos militares japoneses:
"� doloroso falar hoje dos sacrif�cios e fardos que impusemos ao povo do Timor Leste... Ordenamos a chefes que mobilizassem pessoas em massa para a constru��o de estradas...para trabalharem sem receber comida ou compensa��o.
Devido � escassez de alimentos, pessoas morriam de fome todos os dias. A comida para os soldados japoneses e cavalos para transportar muni��o eram confiscados do povo e alguns soldados da tropa sob meu comando estupraram mulheres timorenses."
        Se os australianos e aliados tivessem deixado a ilha em paz, � bem poss�vel que os japoneses tivessem ignorado Timor, ou no m�ximo mandado um contingente simb�lico de soldados. Em vez disto, uns 60 mil timorenses orientais perderam suas vidas em conseq��ncia da brutal ocupa��o japonesa e dos bombardeios aliados que procuravam expuls�-los. A guerra danificou muito Dili e destrui parcialmente muitas das principais vilas e aldeias do territ�rio.
Com a derrota do Jap�o em agosto de 1945, Portugal voltou e reafirmou seu controle sobre Timor Leste, que gradualmente voltou ao estado anterior � guerra. Os portugueses come�aram a reconstruir a infra-estrutura colonial que tinha sido devastada, empregando muitas vezes os mesmos m�todos brutais de trabalhos for�ados que tinha usado antes da guerra.

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