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Est� p�gina foi atualizada pela �ltima vez em:  26-abr-2001.

 

 

TIMOR

Ilha da Oceania, no Arquip�lago Malaio, a maior e mais oriental das Pequenas Sondas, Localizada entre os paralelos 8O. 20` 15`` e 10O. 22` 19`` de latitude Leste os meridianos 123O. 37`34`` e 127O. 0` 32`` de longitude Leste do Meridiano de Greenwich. A sua forma oblonga, em ferro de lan�a, orienta-se na dire��o Sudoeste/Nordeste, desalinhada sensivelmente e como que desgarrada, em �ngulo agudo, ao Sul de Flores e a Leste de Sumba, da cadeia de grandes e pequenas ilhas do extenso Arquip�lago das Sondas que em arco de circulo quase regular, se estende desde Sumatra at� ao Mar de Banda. A sua ponta Sudoeste fica a 1.000 Km em linha reta, a Leste do extenso Sudeste, da ilha de Java, e por ser a mais pr�xima do Continente Australiano, apenas cerca de 500 Km. Do seu Cabo Bougainville. Ao Sul e Leste � banhada pelo Oceano �ndico (Mar de Timor); ao Norte pelo Mar de Banda. Est� rodeada pelas ilhas Rotti e Saval, sobre o estreito de Rotti, pelas ilhas de Lomblem Pantar e Alor ou Ombai, sobre o estreito de Ombai, pelas ilhas Pulo-Cambing (Ata�ro) e Wetter sobre o estreito do mesmo nome, e na extrema oriental pelo ilh�u Kissar.Mede cerca de 450 Km, no seu eixo maior e uns 100 Km, na maior largura. A sua �rea total � de cerca de 32.350 km2., O seu nome, de origem malaia, significa "Oriente", diferen�ando-se dos ilh�us mais a Leste pela designa��o de Timor Tesar (Oriente Grande ).

Pelo tratado de 20/04/1859 a ilha de Timor foi definitivamente dividida entre Portugal e a Holanda - reservada a Portugal a banda oriental (regi�o dos Belos), com um pequeno enclave, Ambeno (Ocussi), e a ilha Pulo-Cambing numa �rea total de 16.250 km2., e reconhecida � Holanda a metade ocidental (regi�o de Servi�o), de �rea um pouco menor, com 16.100 Km2. Essa partilha foi retificada mais tarde, em 1902, por nova linha de fronteiras que reconheceu a Portugal 16.384 Km2. De territ�rio e o restante � Holanda que depois de 1949 passou a fazer parte dos Estados Unidos da Indon�sia. A parte portuguesa, com o enclave de Ambeno e a ilha Pulo-Cambing, tem a capital em Dili e contava com cerca de 450.000 habitantes; o resto da ilha que pertencia � Holanda e agora � Indon�sia, tem a capital em Cup�o (Cupang).

As ribas do mar s�o escarpadas em muralha alterosa. A costa Sul, sobre o Oceano �ndico - banda de fora - muito mais regular que a do Norte - banda de dentro - � batida pelos grandes vagalh�es que se arremessam contra as suas escarpas, oferece poucos e seguros abrigos � navega��o; na costa Norte, o Mar de Banda, muito mais tranq�ilo, permite a navega��o das pequenas embarca��es, por oferecer mais f�ceis abrigos. Todo o litoral � por vezes eri�ado de recifes de coral, o que o torna pouco hospitaleiro. Mas h� bons ancoradouros - a Sudoeste. A ba�a de Cup�o entre os cabos Balmutung e Pucula; mais ao Norte a ba�a de Barata ou Barati, entre o Cabo Barata e a Ponta Curus; na costa Norte a ba�a de Tulary Ican, no enclave de Ambeno, com 37 m. de calado de �gua, mas mal resguardado da mon��o de Oeste; a ba�a ou enseada de Atapupo; e finalmente, o melhor ancoradouro da ilha, a ba�a de Dili, aberta ao Norte e abrigada por uns baixios de coral que deixam duas entradas para o ancoradouro, sendo a do Oeste, a mais utilizada. Mais para Leste h� ainda os pequenos portos de Lif�o e Bacau para embarca��es de pequeno calado. Na costa Sul, muito menos acidentada, h� apenas calhetas de pouca import�ncia, como Suai, Alas, Luca, etc. Os cabos principais s�o, al�m dos j� mencionados (Balmutung, Pucula e Barata) o Ghemek ou Varkenshook, o Mabara, o Subang. Ao Norte, o Cabo Nordeste na ponta oriental, e na Costa Sul os cabos Nei Mina e Bato Putik (Pedra Branca) entre os quais, em frente da costa, h� bancos de ostras.

A ilha de Timor, como a sua vizinha Flores, � de um modo geral, constitu�da por uma linha cont�nua de cristas, com alguns ind�cios de forma��es vulc�nicas, em espinha dorsal de cumeadas e p�ncaros, que dominam mesetas ou cordilheiras paralelas, separadas por estreitos vales longitudinais, de forma��es arcaicas (mormente do carbon�fero) e debru�ados sobre contrafortes litorais, tamb�m sulcados por ribeiras fundas, que sobre uma e outra costa des�guam no mar. De forma��o vulc�nica, como todo o arquip�lago, a sua estrutura tect�nica � em parte de xistos argilosos, gredas e calc�rios; numa e noutra banda depositaram-se nas rochas sedimentares coberturas mais recentes de calc�rios e argila de forma��es secund�rias (jur�ssico e tri�dico), sendo as camadas argilosas muito espessas. Nas mesetas da regi�o oriental assinalam-se os calc�rios e forma��es terci�rias. Tanto os montes centrais, como os da periferia, s�o de natureza vulc�nica, mas n�o h� em Timor vulc�es em atividade, nem mesmo o Pico Turiscain (Lacubar) donde se exalam apenas vapores inflam�veis. Teria havido uma irrup��o vulc�nica em 1856, na montanha llumbano, e no ano seguinte o Bilibuto teria tamb�m expelido cinzas que seriam apenas lodo. Os vest�gios mais antigos de atividade vulc�nica encontram-se na vertente Norte, a meio da ilha. Em v�rias zonas de p�rfiros, os quartzo e as serpentinas atravessam as rochas sedimentares. S�o freq�entes os sismos, sobretudo no sentido longitudinal ou eixo da ilha. O estudo estratigr�fico das rochas permite determinar a Noroeste de Timor uma linha n�tida de separa��o entre as outras ilhas do arquip�lago e as do grupo australiano, pelo que � de presumir que Timor seja da mesma idade da Austr�lia, tendo-se elevado a costa Nordeste da ilha e as rochas coral�feras do Sudoeste. A v�rias centenas de metros sobre o n�vel do mar. O relevo do solo � extremamente caprichoso. Rochas da cordilheira central elevam-se bruscamente em obeliscos, cujas massas de calc�rio dominam os grupos vizinhos e se designam pelo nome ind�gena de fattu , ao passo que os montes de largo pendor s�o chamados netem. As orlas de toda a ilha s�o verdadeiras muralhas - ao Norte os merl�es de Sarau, laga, Bicoque, Manatuto, Manhara, Kalabeli, Bimanari, Sulamu, etc.; ao Sul os de Bau-Lobo, Nau-cou, Uata, Manupai, Nancatar, e outros. No interior, desde os fattu que se v�em do Cup�o, a Sudoeste da ilha, o Leu ou Leoe, (l.200 m.), e mais a Nordeste as montanhas Timau, Conaiki, Malo, o grupo de Montes Panoi F�ti, no Sinebaiti, nenhum dos picos ultrapassa os 1.500 m., e o Laquaren (Fialarung) que se eleva a 1.800 m., at� � linha continua de cristas da banda oriental, oferece-se a mais variada multiplicidade de perspectivas, no seu d�dalo de acidentes de terreno que cont�m os picos de maior altitude, como o calabaqui, e o Ramelau, o de maior impon�ncia, com 2.950 m. de altitude.

Deste atormentado relevo orogr�fico facilmente se deduz a tamb�m complicada rede hidrogr�fica. � da cordilheira central que brotam as principais ribeiras (motas) precipitando para o mar pequenos volumes de �guas no tempo seco, mas que na �poca das chuvas crescem torrencialmente, convertendo-se ent�o de simples fios de �gua, perdidos em parte na permeabilidade dos leitos, em caudais mais ou menos impetuosos. N�o h� em toda a ilha rios naveg�veis nem ribeiras importantes. Das duas vertentes da ilha � a banda de dentro (Norte) a mais irrigada, nela se achando os ribeiros mais largos, as matas mais densas e a popula��o mais numerosa. As ribeiras mais extensas s�o: a Oeste, a Nei-Sutram ou Fule, que nasce na montanha Micomofo, recebe v�rios afluentes, e des�gua perto da povoa��o de Sutram; a Nei-Mina, que se forma da Koper River ou Nita(Leste) que desce dos montes Koinaki e Noni; a Bitoi ou Guud Riber (a Oeste) que procede do Fatu Leu, corre para Noroeste e des�gua no mar de Timor ao Sul do Cabo Varkenshook; uma outra menor, tamb�m chamada Mina que irriga Cup�o. A Leste a ribeira mais extensa � a Lois, com v�rios afluentes, que des�gua a Oeste de Dili, e a Lado que desemboca tamb�m no Estreito de Ombai, perto de Manatuto. A vertente Sul, ou banda de fora, � a menos irrigada, mais �rida, menos rica; os cursos de �gua s�o arroios onde apenas as barcas ind�genas pouco se internam. Mas uma terceira ribeira tamb�m chamada Mina, que procede do monte Sonebait e desemboca na costa Sul, perto do cabo Noi Mina, � talvez o maior curso de �gua da ilha. Mais para Leste, em territ�rio portugu�s, correm ainda as ribeiras Talas, Uelulik, Suai, Lacluta, etc.

A ilha de Timor, pela sua proximidade da Austr�lia, tem as esta��es mais definidas que as grandes ilhas do arquip�lago, e o seu clima, injustamente considerado menos salubre do que o das ilhas circunvizinhas, deve a m� reputa��o ao paludismo das zonas baixas da costa. A mon��o terral ou do Sudeste (Maio-Outubro), vinda do continente australiano faz secar a vegeta��o e d� � vertente sul, mais �rida, o tom pardo e amarelo das regi�es adustas. Em novembro, com o mon��o do mar (Noroeste) carregada de umidade, chegam as primeiras chuvas benfazejas que tudo fazem reverdecer e reflorir. A temperatura � das regi�es tropicais, bastante elevada. Tanto em Cup�o, como em Dili, na esta��o seca, de 24o. de manh�, eleva-se a 32 ou 33o. ao meio-dia e a 35o. mais para a tarde; na esta��o �mida (Dezembro - Abril) dos 22o. de manh�, sobe a 31o. ao meio-dia, para descer a 21o. ao p�r do sol. As noites, em regra, s�o frescas - por vezes a 11o.. No interior, pela sua natureza montanhosa, o clima � muito vari�vel e irregular. As temperaturas variam entre os 20o. e 26o. C.; �mido e quente nas zonas baixas, moderado nas regi�es costeiras de meia altitude, quase constante nas montanhas e altos plat�s. Regularmente chuvoso na �poca pr�pria � uma clima saud�vel; a irregularidade das temperaturas durante o dia com diferen�as t�rmicas m�dias que n�o excedem os 2o. a 6o. nas duas esta��es, assemelha-o ao clima continental australiano.

A flora e a fauna s�o naturalmente resultantes do seu clima equatorial, da natureza do solo, da altitude e da vizinhan�a do continente australiano e das ilhas de Sonda. A vegeta��o n�o �, por�m, t�o rica e luxuriante como na maioria das ilhas do Arquip�lago. As colinas costeiras, cobertas de vastos prados, recordam as paisagem inglesas da Austr�lia. Pouco arborizada, fora das fundas margens das ribeiras, onde viceja a vegeta��o tropical, s�o raros os grandes palmares de todas as zonas costeiras do Arquip�lago. � flagrante o contraste entre as duas vertentes do maci�o montanhoso que se reflete no aspecto e nas esp�cies da flora e da fauna. A costa Sul, virada � Austr�lia, � mais abundante nas esp�cies continentais; na costa Norte vingam sobretudo as das Sondas e das Malucas. Mais dependente da Austr�lia que da Mal�sia, abundam os eucaliptos, as casuarinas, as ac�cias, o s�ndalo branco, de madeira arom�tica t�o caracter�stica e um dos grandes produtos de exporta��o desde sempre; no interior e sobretudo na faixa Norte, a flora evoca a de �frica, com as palmeiras Contar (Barassus flabelliformins) e ghebang (Corypha gebanga) que � um dos grandes recursos alimentares do ind�gena, o pau-rosa (vitex leuxaxylon), a glava ou ghelam (melala�ca minor), o caju meirah (trocarpus indicus) e outras. O caf�, de excelente cota��o, o milho ou jagung, o trigo, que se cultiva acima dos 1.000 m. de altitude, o arroz, as batatas e todos os legumes da Europa, o algod�o, a cana-de-a�ucar e o tabaco, s�o as esp�cies mais generalizadas nas culturas. Mas o solo �, em geral, pouco f�rtil e causticado pelas secas de quase seis meses, que tornam as culturas irregulares.

A fauna � tamb�m pouco rica e marca a transi��o das esp�cies da Austr�lia para as da Mal�sia. N�o abundam os mam�feros - o macaco(Macacus cynomolgues), o gato de algalia (Paradoxeorus fasciatus); um javali (Sus timoriensis); um marsupial, esp�cie de oppossum (Cuscus orientalis) e o morcego. De cerca de 20 g�neros de aves, 4 pertencem ao dom�nio da Insul�ndia e 16 � fauna australiana. Dos r�pteis, assinalam-se o crocodilo, a terr�vel serpe trigonoc�falo verde e os lagartos, de que o Scincus melanopagon � caracter�stico de Timor, por n�o o haver em qualquer outra ilha da Insul�ndia. Abundam os insetos e moluscos terrestres, de esp�cies comuns �s Malucas e �s Celebes, e sobretudo a abelha selvagem (Apis sorsata) fecunda em mel que � outro artigo de exporta��o da ilha.

N�o � muito rica em min�rio a ilha. N�o h� explora��es em grande, apesar ter assinalado jazidas de ferro e ferro cr�mico no monte Raikatar (Atapupo) e noutros locais, e dos muitos ind�cios de petr�leo no subsolo terem tentado capitais australianos. Assinala-se veios de cobre em Fialarung (LamaKoreu). Atapupo (junito), Usu e Maubara. H� um pouco de sal-gema e min�rio de mangan�s. As famosas minas de ouro e prata que se presumiam no s�c. XVII pelos holandeses, n�o se descobriram.

Os censos demogr�ficos mais recentes nas duas bandas da ilha aproximam dos 800.000 os habitantes nativos de Timor - os atulli cupang, da regi�o de Cup�o e da ilha Smau, os toh Timor, timorenses propriamente ditos da banda ocidental, os belos ou ema-velu, da parte central e oriental e ainda, nas regi�es costeiras, buguis, malaios, chins e negros mo�ambicanos, particularmente no enclave portugu�s de Ambeno. N�o h� na ilha popula��o negra ou papua, mas ind�cios de mesti�agem negro�des em andung, na costa Noroeste. Os belos s�o talvez de origem indon�sia e pretendem ter vindo das Malucas e atribuem a mesma origem aos timorenses ocidentais, embora os designem por ema-java (javaneses). Dada, por�m a inextric�vel mesti�agem que se verifica no estudo de v�rios cr�nios e nos in�meros dialetos, � muito vago e conjectural ainda tudo quando se refere � etnografia timorense. O seu habitat, muito adulterado j� com o conv�vio de europeus, n�o difere do de todos os povos primitivos. Aguerridos e sanguin�rios, antes da pacifica��o e submiss�o definitiva a portugueses e holandeses, as guerras entre tribos eram permanentes. Em certas tribos os homens n�o eram admitidos nas assembl�ias dos seus aldeamentos nem autorizados a arranjar esposas enquanto, como os dayaks de Born�o, n�o tivessem, em guerra declarada ou em cerim�nias funer�rias, cortado duas cabe�as. A tatuagem � um h�bito ancestral; limam os dentes em ponta e pintam-nos muitas de vermelho ou orna-nos, os ind�genas ricos, com lamelas de ouro ou prata.

Variam enormente, consoante os ritos, os usos matrimoniais e o direito sucess�rio. Em certas tribos as uni�es s�o endog�micas e o direito sucess�rio � patrimonial e de heran�a de pai a filho; na maioria, por�m, as mulheres podem casar fora da tribo e as heran�as s�o por linha matriarcal, de tios para sobrinhos, filhos de uma irm�.

O direito penal � b�rbaro e sanguin�rio, por ser a pena de morte quase a �nica san��o para todos os delitos; mas como as penas se podiam resgatar a dinheiro, s� os pobres sofriam as grandes puni��es. Os chefes ind�genas chamados reis em territ�rio portugu�s, eram considerados "filhos do sol" e, como tal, n�o morriam, apenas adormeciam, sendo sempre enterrados, em grandes festas funer�rias, s� muito tempo depois do come�o do seu sono. Em certos reinos as esposas conservavam-nos mortos entre os joelhos durante meses, at� se dissecarem como m�mias para se lhes poder dar sepultura, em que eram postos de p�. Os seus tesouros acompanham-nos e, muitas vezes, uma escolta de escravos. Noutros reinos os cad�veres s�o expostos no alto das �rvores para n�o deixarem de ver o sol.

A sua mitologia n�o � feiticista. Os timorenses e os belos, ainda n�o cristianizados por mission�rios cat�licos ou protestantes, prestam culto a um Ser universal - Maromac, absoluto e incognosc�vel, que � rei supremo dos bons - ou, noutras regi�es, um Ussi-Nend, "Senhor da Lua", que mora no Sol e desposou a Lua. Mas, no seu fundo animista, ao mesmo tempo que v�em nos astros a mans�o de outras divindades menores, prestam culto aos elementos da Natureza, a montanhas e penhascos, fontes e �rvores; fazem oferendas �s almas dos mortos, intermedi�rios entre os vivos e os deuses superiores, sobretudo aos mortos que eles pr�prios assassinaram, para os apaziguar ou tornar inofensivos. Acreditam tamb�m em g�nios maus, a quem oferecem em sacrif�cio animais de pelagem negra, reservando aos g�nios protetores os animais de pelagem vermelha e castanha. A sua mitologia animista e necr�foba entra no quadro gen�rico das mitologias e �ticas primitivas do mundo indon�sio, pouco diferindo, na ess�ncia, do grosseiro feiticismo e �tica escatol�gica dos povos negros. Cada povoa��o tem o seu lugar de culto num bosque sagrado, junto de uma fonte; e em cada reino h� uma esp�cie de tabern�culo, local terr�vel em que os profanos n�o se atrevem a penetrar logo que tenham avistado os cr�nios de b�falo que encimam as suas sinistras portadas. S�o as resid�ncias dos Lulic, g�nios protetores da tribo ou reino, que se acham sobre as pedras sagradas, vindas do Sol. Os locais sagrados s�o para os timorenses de O, pocuali e neles n�o podem entrar sem licen�a dos seus sacerdotes. Banhar-se numa fonte tabu ou arrancar um ramo de um bosque sagrado � crime pun�vel com a morte. "As leis do tabu - escreve um observador - s�o observadas em Timor, como nas ilhas da Polin�sia e entre os sacalaves de Madagascar, com tal rigor e tantas semelhan�as de ritual, que devem ver-se nelas os ind�cios de um est�dio de civiliza��o remotamente comum aos ilhotas da Oceania, de Timor e de Madagascar, mais do que o efeito de uma evolu��o paralela do esp�rito de homens primitivos.

O com�rcio n�o � muito intenso, e as ind�strias em Timor s�o rudimentares. Os principais artigos de exporta��o s�o: o caf�, madeira de s�ndalo, laranjas, garranos, cera e mel. A importa��o consiste principalmente em arroz, licores, objetos de metal, tecidos de l�, armas. O movimento comercial restringe-se a Dili e Atapupo. Dili esta aberta a toda a navega��o mercante do mundo.

Os estudos sobre a pr�-hist�ria da ilha de Timor nada ensinam ainda, por car�ncia de s�ria base cientifica, apesar das investiga��es de alguns s�bios holandeses no s�culo XIX. A hist�ria da ilha � praticamente a do seu descobrimento e ocupa��o pelos portugueses, no primeiro quartel do s�c.XVI, em data que n�o se p�de ser ainda exatamente averiguada. Presume-se que se trata, no fundo de um dos in�meros e banais epis�dios da livre explora��o dos mares do Extremo Oriente por mercadores e mareantes portugueses do s�c. XVI, depois de conquistada Malaca em 1.511.

SITUA��O GEOGR�FICA

Na mais oriental das ilhas do Arquip�lago das Pequenas Sondas, no Mar de Banda. Acha-se inscrita num quadril�tero dos paralelos 8O.20’15" e 9o.30’ de Latitude Sul e os meridianos 125o. e 127o.O’30" de Long. Este de Greenwich. A sua configura��o pontiaguda, orientada no sentido Sudoeste/Nordeste, constitui a parte oriental da ilha. Pelo Tratado de 20/04/1859, a ilha ficou definitivamente dividida entre Portugal e a Holanda. A Portugal ficou reservada a banda oriental (Regi�o dos Belos) contendo um pequeno enclave holand�s - o Manacatar - e em territ�rio holand�s, na sua costa Norte, dois enclaves portugueses - Ocussi e Ambeno - e o outro enclave, tamb�m portugu�s, da jurisdi��o de Ambeno - Naimuti - mas separado desse territ�rio. Como tal manta de retalhos trouxesse embara�os e incidentes irritantes na a��o administrativa, sobretudo pelo contrabando para territ�rio portugu�s atrav�s do porto holand�s de Atapupo, procedeu-se por Conv�nio de 10/07/1893 a nova revis�o de fronteiras para elimina��o dos respectivos enclaves.

Em 1902 uma comiss�o luso-holandesas de fronteiras reuniu-se em Haia para estudar nova linha de fronteira, com permuta dos respectivos enclaves. O novo conv�nio, aprovado e ratificado pelos governos dos dois pa�ses, manteve para Portugal o enclave Ocussi-Ambeno, a ilhota Pulo-Cambing e os ilh�us Ata�ro e Jac�, e fixou a nova linha divis�ria de limites, assinalada por acidentes naturais de terreno: Ribeira Bicu - We Bedaire - Ribeira Asudaat - vertentes dos Montes Cacatum - talvegue da Ribeira Sorum e Tua Naruc at� �s Ribeiras Telau e Maliboca - Mantibe e Pepies at� ao Monte Bulo-Hulo e Carava Cotum - Ribeira Lolu e Tafara at� � Ribeira Tiburo� - Monte Dato Miet - talvegue das ribeiras Alum, Sucaer e Bancama at� � foz do Calau F�han, continuando pelos Montes Tali F�u, Fato Suta, Fato Rusa, Uas Lulic, conflu�ncia das ribeiras We Meroc e We Nu, at� � pedra Fate-Rocon - Montes Fitu Monu, Delan Cansabac, Ainim Maton, Lao Fuin - conflu�ncia da ribeira Hali Salme e Hatiboi at� � sua origem - nascente da ribeira Bebela at� � sua conflu�ncia com We Diec - montes Ai Cacar - toquis - ribeira de Masin ao mar na embocadura Mata Talas. O enclave Ocussi-Ambeno ficou tendo por limites: ribeira Noel B�si - Noel Niena - Bidjael Sunan - Noel Min Navo - montes Banat e Quinta - Nivo Nun P� - ribeiras Nono Boni - Passab, Novo Susu - montes Celus e Subina - ribeiras Faru Basin Qu�n Na e Nai Nan - Tut Nomic - Noel Bilomi - O� Sunan e Noel Meto at� ao mar.

TIMOR LESTE

AREA E POPULA��O:

A �rea total do territ�rio portugu�s � a soma de: Regi�o dos Belos (16.384 Km2) reinos Ocussi e Ambeno (2.461 km2) e a ilha de Pulo Cambing (144 km2) ou sejam 18.989 km2. A extens�o longitudinal do territ�rio portugu�s � de cerca de 300 km, por 80 km na sua maior largura. A �nica povoa��o de import�ncia � Dili, capital do territ�rio, que brevemente ser� transferida para Nova Dili, em constru��o, perto da antiga Dili, porto de mar, mas de melhores condi��es de salubridade.

O Anu�rio Estat�stico das Na��es Unidas para 1954 d� como quantitativos calculados da popula��o de Timor Portugu�s no meio de 1953 e de 1954, respectivamente, 459 mil e 465 mil habitantes, o que corresponde �s densidades respectivas de 24,2 e 24,5 hab/km2. O Censo de 1950 der� para Timor Portugu�s a popula��o de 442.378 hab., o que corresponde � densidade de 23,3 hab./km2. No quantitativo global que abrange os dois sexos, 232.018 s�o indiv�duos do sexo masculino e 210.360 do sexo feminino. Como em recenseamento anteriores, verifica-se predom�nio num�rico do sexo masculino. Nesta popula��o distingue-se, segundo o mesmo censo 568 brancos, 3.128 amarelos, 48 indianos, 2.022 mesti�os, 54 negros, 228.750 timorenses e 54 doutros tipos som�ticos ou de tipo som�tico desconhecido. A popula��o civilizada � calculada em 7.471 hab., dos quais 1.541 timorenses. Ainda segundo o censo de 1950, habitavam o conselho de Dili 43.589 indiv�duos, dos quais 23.018 do sexo masculino e sendo 330 brancos e 1.742 amarelos. A popula��o nas diferentes circunscri��es era: Baucau 60.290; Bobonaro 60.383; Cova Lima 18.621; Ermera 86.929; Laut�m 30.196; Manatuto 31.217; Ocussi 17.476; Suro 52.711; Viqueque 41.966. Depois de Dili, o maior n�mero de brancos localiza-se em Ermera (72), o que deve estar ligado �s explora��es agr�colas ali existentes. Ermera �, tamb�m, depois de Dili (860 mesti�os), a circunscri��o com maior n�mero de mesti�os (475). Os amarelos - 1.742 no conselho de Dili - s�o 454 em Ermera, 338 em Baucau, 278 em Bobonaro, etc.

Sobre o povoamento de Timor, ainda se sabe pouco. Em 1953 investigadores portugueses, enviados a Timor pela Junta de Investiga��es de Ultramar, descobriram em v�rios pontos do territ�rio esta��es paleol�ticas, com abundante esp�lio, o que testemunha o povoamento remoto da ilha por gentes que viviam na idade da pedra lascada. Estes achados foram postos em justo relevo no Congresso de Pr�-hist�ria do Extremo Oriente, realizado no mesmo ano em Manila. � que at� ent�o apenas se conheciam vest�gios de ind�stria neol�tica (idade da pedra polida) no extremo oriental do arco da Insulinda. As descobertas portuguesas, levadas tamb�m ao Congresso Internacional de Pr�-hist�ria, de 1954, em Madrid, fizeram recuar para datas muito anteriores a presen�a do Homem na Insul�ndia oriental. Deve recorda-se que em Java, na Insul�ndia ocidental, se fizeram as descobertas do Pithecanthropus, do Homo soloensis, etc. Sobre a popula��o nativa de Timor, seus tipos f�sicos e seus costumes existe vasta bibliografia portuguesa (Cf. Mendes Correia, ob.cit., e do mesmo autor - Ra�as do Imp�rio - Porto, 1943, p.601 e 602). Naturalistas de categoria, como Wallace, Forbes, etc., deram as suas impress�es sobre aquela popula��o, cujo estudo antropol�gico foi feito por Barros e Cunha, T.Kate, Fonseca Cardoso, Nyessen, Bijlmer, Vroklage e outros, havendo tamb�m trabalhos sobre a respectiva ling��stica e etnografia. Entre os �ltimos s�o de citar, do lado portugu�s, os de Os�rio de Castro, Pinto Correia e Jos� Martinho. Em mat�ria ling��stica, mencionem-se os trabalhos de Leite de Magalh�es, padre Apar�cio da Silva, Rafael das Dores, Alves da Silva, Capell, etc. No ponto de vista f�sico ou racial, n�o h� homogeneidade perfeita entre as popula��es das v�rias regi�es da ilha. Do lado Indon�sio (Timor ex-holand�s) aparecem, com freq��ncia, nos nativos, cabelos frisados (por vezes, mesmo, grandes trunfas) e outros caracteres que revelam afinidades melan�sias ou papuas. O mesmo se observa no territ�rio portugu�s de Ocussi, na costa norte. Mas, na �rea portuguesa, mais extensa, chamada dos Belos (Belu significaria "amigo" e opor-se-ia ao lado ocidental da ilha, territ�rio dos Servi�o, dos nossos antigos textos), os tipos afins de melan�sios e papuas s�o raros; h� alguns vedo-austral�ides, mesmo alguns pigm�ides (porventura de escassas influ�ncias de Negritos). Mas o predom�nio pertence nitidamente ao tipo ou ra�a indon�sia ou protomalaia, figurando ainda com certa abund�ncia os deutero-malaios, ou malaios no sentido restrito, que s�o considerados mais mongol�ides e menos europoides do que os malaios propriamente ditos ou indon�sios (do tipo dos Batas de Sumatra, dos Daiaques de Borneu,etc.) A miss�o antropobiol�gica e Timor, chefiada pelo prof. Ant�nio de Almeida, reuniu muitos elementos sobre tipo f�sico, sa�de, robustez, grupos sang��neos, etc., dos naturais de Timor Portugu�s.

Sobre a etnografia desta prov�ncia h� numerosos informes. Ainda nesse aspecto, a popula��o n�o � uniforme. Existem muitos grupo etno-lingu�sticos, que na por��o portuguesa da ilha, quer na por��o indon�sia. Mas, em muitos pontos, no mesmo reino nativo existem elementos de 2 ou 3 daqueles grupos, embora subordinados aos mesmos r�gulos ou liurais (chefes). � poss�vel repartir o territ�rio em v�rias �reas segundo a distribui��o, por exemplo, dos v�rios tipos de habita��o. No entanto, no aspecto geral das suas culturas atuais, o territ�rio de Timor Portugu�s, ultrapassa as culturas primitivas, pigm�ide, tasman�ide e austral�ide (ou do bumerangue) e as culturas inferiores dos ciclos tot�mico, p�leomatriarcal (das m�scaras ou das duas classes) e neo-matriarcal (ou do arco achatado).

O conhecimento do ferro, da piroga de dois flutuadores, e a organiza��o social enquadrariam, em s�ntese, a atual cultura ind�gena de Timor no n�vel superior ou malaio propriamente dito do dom�nio indon�sio-malaio do ciclo austrones�ide (malaio-polin�sio) de Montandon. Mas este autor reconhecia a mistura topogr�fica deste n�vel com o indon�sio antigo, do qual talvez seja uma sobreviv�ncia ainda, em alguns pontos, o uso de zarabatana (canudo de bambu, aberto dos dois lados, e no qual se coloca uma fibra de bambu terminada de um lado por um ferro pontiagudo e do outro por um feixe de penas de galinha; soprando deste �ltimo lado, a seta parte, veloz e certeira, pelo outro lado). Esta arma, que os ind�genas chamam ai-hahuc, gugu ou subu, seria sobreviv�ncia da cultura matriarcal anterior, da qual representaria o arco. A metalurgia do ferro em Timor � prec�ria; os ferreiros ind�genas, escreve Jos� Martinho, mal sabem temperar uma catana ou uma faca. Um grande atraso na ind�stria metal�rgica; por�m, ensinados pelos chinas ou pelos europeus, alguns nativos mostram progressos na ourivesaria e no fabrico de pe�as de bronze.

Tamb�m, em rela��o � navega��o, a grande maioria dos timorenses, mesmo os do litoral, se mostra pouco propensa � sua pr�tica. Usam-se beiros - escavados simplesmente em troncos de �rvore - e os pr�s ou r�s com os seus flutuadores de madeira ou de bambu, mas s� entre os poucos pescadores das regi�es costeiras, ali�s longe de uma competi��o, na amplitude dos empreendimentos n�uticos, com as c�rearas �rabes, os juncos chineses, os pangaios da Mal�sia. A pesca ao candeio em �guas pouco profundas � usada em alguns pontos do litoral.

Sem grandes estados ind�genas, mas dando quase caracter sagrado (n�i l�lic- senhor sagrado) aos seus chefes, os Timorenses mant�m castas sociais, um regime quase feudal, a fam�lia paterna, uma agricultura rudimentar - o ai-suac - embora, aqui e ali, com pr�ticas mais progressivas, ensinadas pelos portugueses ou mesmo como os terra�os, do engenho nativo), os animais dom�sticos (especialmente o porco), o uso do b�tele ou da areca para mascar, o pente, a exogamia geralmente sem duas classes r�gidas, a mitologia lunar (usam, suspensos do pesco�o, luas ou crescentes de ouro ou de prata), e outros fatos pertencem ora � cultura patriarcal ora � neo-matriarcal. Entretanto, a condi��o da mulher nativa, fora do meios em que se exerce mais intensamente a a��o educadora dos mission�rios e das autoridades, �, geralmente, bastante subalterna. H�, por�m, cl�s, e ao contrato com a fam�lia respectiva para nela se tomar esposa chama-se barlaque.

A escravatura e a pr�tica cruel de degola��o dos prisioneiros ou dos vencidos que se teriam manifestado em Timor, no passado, como na cultura autrones�ide em geral, desapareceram totalmente sob a influ�ncia portuguesa. Dos costumes cru�is tradicionais subsiste apenas o arreigado, dos combates de galos, que apaixonam n�o apenas os propriet�rios dos contendores e as suas fam�lias, mas quase todos os nativos. Os combates de galos s�o n�meros inevit�vel em feiras e mercados e nas festas gent�licas ou estilos.

No ponto de vista ling��stico, Timor � um verdadeira Babel. Se algumas l�nguas ou dialetos s�o ali falados por dezenas de milhares de indiv�duos, n�o faltam, a par daquelas e dos dialetos, os falares circunscritos apenas a escassos centenas de indiv�duos. Localizam-se sobretudo a leste e no interior estes falares usados por menor n�mero de pessoa. Na parte Indon�sia ou ex-holandesa da ilha falam-se, o davan l�ngua dos Atoni, o h�lang (dos Atuli-Helong), Sonabal-Ana, Oematau(ou Amakono), o Dzenilo-na, o Taipena e perto da fronteira portuguesa, alguns falares j� comuns ao nosso territ�rio, como o tetum ou teto, o qu�maque, o b�naque e o mara�. No territ�rio portugu�s dos Belos, as l�nguas mais faladas s�o: o tetum, o falar mais espalhado e com maior expans�o, o encontrado-se na costa Norte na costa Sul e a Oeste, o mambai que segundo Jos� Martinho, � falado por mais de 80.000 indiv�duos e se estende do Sul de Dili quase at� � costa oposta; o qu�maque, localizado a Oeste perto da fronteira, e que, segundo o mesmo autor n�o abrange menos de 54.000 indiv�duos; o b�naque tamb�m falado a Oeste, por uns 50.000 indiv�duos; o tucud�de, na costa do Noroeste, por uns 45.00; o macassi, de baucau � costa Sul, por umas dezenas de milhares; o dogadd no estremo Este, por mais de 30.000 (como os anteriores, este n�mero � dado por Jos� Martinho). No territ�rio de Ocussi, o baiqu�nio � falado por mais de 15.000 indiv�duos. O t�tum � quase a "l�ngua franca" no territ�rio portugu�s de Timor. Ao contr�rio, algumas l�nguas e dialetos mostram tend�ncia a desaparecer. O lovai-epulo, do Este, � falado por 200 ou 300 indiv�duos. Al�m das l�nguas e dialetos j� referidos, falam-se ainda em Timor Portugu�s o caimi, o nau�ti, o m�dique(osso moco,etc), o idal� (=habo), o lacalei, o neg�-neg�(que se indetifica com o b�naque), o beca�s (talvez dialeto do tetum), o uaim�, o s�-ane, o lolei, o macalere e o socolore. Em Pulo Cambing (ou ilha de At�uro) falam-se o rahessu, o racluma e o ressu. O estudo destas diferentes l�nguas est� apenas no in�cio. Al�m de dicion�rios e gram�ticas do tetum e do galoli, h� os trabalhos de conjunto de Leite de Magalh�es e de Capell, que procuraram sistematizar em v�rios grupos ling��sticos alguns dos falares timorenses. Para de Leite de Magalh�es, em 24 destes, 16 seriam malasianos, outros - em menor n�mero - teriam afinidades melan�sias ou papuas. Os resultados do australiano Capell n�o coincidem, em tal mat�ria, com os de Leite de Magalh�es, mas suscitam, eles pr�prios, d�vidas fundadas (Cf. Mendes Correia, L�nguas de Timor, na Revista do Ultramar, no. 15, ano 2o., 1949, p.18). As investiga��es ling��sticas sobre Timor prosseguem, por�m, por iniciativa do Instituto de L�nguas Africanas e Orientais, anexo ao Instituto Superior de Estudos Ultramarinos, especialmente a cargo do Ver. Artur de S�, autor de trabalhos sobre o tetum.

GEOGRAFIA F�SICA

- Geologia -

A ilha � de forma��o vulc�nica, como ali�s todo o arquip�lago. Nas montanhas aflora o p�rfiro, o micaxisto, o quartzo, o xisto e a argila; nas plan�cies da regi�o oriental v�em-se os calc�rios e as forma��es terci�rias que para ali foram repelidas por uma linha que vai da ribeira Lacl� (vertente Norte) a Claco (vertente Sul). A serra Bundura, onde fica Bacau, � um levantamento de recife de coral que atinge mais de 300 m. de altura. Em Bui-Riba(Tututuro) afloram massas de xisto, quartzo e m�rmore, aglomerados por um cimento argiloso; e na ribeira Tardai, nascida em Turiscain, e na de Diro, nascida de Matabel, encontra-se o quartzo cristalino, n�o cariado, e os xistos corados, vermelhos, pretos e verdes, pelos sais de ferro e de magn�sio. � mistura com o s xistos, quartzo e p�rfiros, abundam blocos de m�rmore brancos e rosados. De origem vulc�nica, h� jatos de lama(g�iser) em Bacau e Ocussi, na vertente Norte. S�o freq�entes os sismos. Tanto os montes centrais como os da periferia, s�o de natureza vulc�nica. Mas as erup��es peri�dicas de lamas quentes(g�iser), de 6 a 7 metros de altura, s�o devidas � decomposi��o gasosa ou � presen�a de hidrog�nio fosforado, e n�o a um trabalho plut�nico. O de Turiscain (Laclubar) n�o � mais que um jazigo de petr�leo que, em contato com o ar, produz vapores inflam�veis. Deve haver, por isso, no subsolo, fil�es de ouro, cobre e jazigos de petr�leo. Diversas nascentes de �guas termais, minerais, n�o foram ainda suficientemente analisadas para a devida classifica��o.

- Orografia -

Como no resto da ilha o revelo do solo � extremamente atormentado e caprichoso. Um linha cont�nua de cristas, desde a Ponta Jaco, constitui, como na vizinha Flores, a espinha dorsal da ilha. As orlas litor�neas s�o verdadeiras muralhas - ao Norte os merl�es de Sarau, Laga, Bicoque, Manatuto e Maubara; ao Sul os Bau-Lobo, Nau-Cau, Uata, Manupai e Naucatar. O p�ncaro Ramelau, na cordilheira, atinge 2.950 m. de altitude. Transpostos os r�pidos declives da periferia para o centro, entra-se no planalto, donde emergem outros picos, como torres de vigia que no sentido longitudinal s�o os Teta-mailau, Cabelac, Mata-bia, Cailaco, Laclubar, Mundo Perdido e Laritane, com plat�s como os de Baucau e Tuilaro, donde rompem as ribeiras de regime torrencial, em fundos vales de eros�o, como em Cabo Verde e S�o Tom�, derivando do talude plan�tico em leitos contorcidos at� ao mar. Irrompem da espinha dorsal, como p�ncaros dominantes, o Ramelau (2.950 m.) de onde nascem as ribeiras (motas) Balmou e Libata que formam depois o Mata Marobo, afluente da ribeira Lois na Costa Oeste e a ribeira U�bulique que corre para a Costa Sul; seguem-se outros picos de cota superior a 2.000 m., o Abla� (2.340 m.), o Mancoil (2.300 m.) e uma s�rie de cumeadas de 2.500 m. que na dire��o SO., do Ramelau vai terminar no pico Duralau (2.322 m.), fazendo parte da divis�ria das �guas entre as Costa Norte e Sul, compreendida entre as regi�es de Cablaque, Mano Tasi, Atsalei e Leimean.

Mais para Oeste, a atingir a fronteira indon�sia, a espinha dorsal atinge ainda alturas respeit�veis, como as do centro de Lamaquitos, como pontos dominantes (picos Leo-Hito de 1.925 m. e Lacos de 1.916 m.) que dividem as �guas correntes para a ribeira Lobo Mean, e seguindo ao Sul dos que correm para a ribeira Malibaco, que se dirige para Norte a engrossar a ribeira Lois, se d�vida a maior bacia hidrogr�fica da prov�ncia a SO., destas alturas, em Fobo-Lefai�que, envolvidos por dois bra�os da Ribeira Tafara que corre ao Sul, eleva-se outra serra de que fazem parte os picos Taroman (1.744 m.) e Sabi(1.662). A Norte de Lamaquitos pelo reino de Cailaco, alonga-se outra serra, incidindo sobre a linha dorsal da ilha, onde se erguem ainda cumes como Fatu-Lulique (1.235 m.) e Ra�laco (1.916 m.) a separarem os ribeiros Marobo e Beba, que a Norte se juntam para formarem a famosa ribeira Lois. N�o faltam pois as grandes altitudes que tanto contribuem para a salubridade e formosura alpestre do interior, em contraste coma regi�o baixa, palustre, insalubre e sufocante, na orla do mar.

- Hidrografia.

�, como se disse da cordilheira central que irrompem as principais ribeiras que na �poca seca s�o simples veios da �gua entre cavados sulcos e na �poca das chuvas s�o caudais impetuosos. N�o h� em todo o territ�rio portugu�s da ilha ou ribeiras importantes, naveg�veis. A maior das ribeiras � a do Lois que de modo nenhum � naveg�vel. Nasce nas alturas de Fatu-Mean, corre a Norte e a Nordeste, volta para Oeste, perto j� da foz, e des�gua na Costa Norte, entre os reinos de Maubara e Atabai, tendo por principais afluentes da margem direita, a partir do Sul, as ribeiras (ou motas) Malibaco e Mazobo e a ribeira Lan-Ile que nasce perto de Salvi a 1.320 m., pois desde a origem, consoante as regi�es que atravessa � chamada no seu curso superior Mota Bancama e no curso m�dio Taibu e B�ba. Al�m desta h�, as ribeiras C�mor, a leste de Dili, que separa os reinos de Matabel, C�moro e Tibai, recebendo �guas do monte Soloi e do Fatu-Masin pela ribeira Hare e desaguando na costa Norte a 6 Km de Dili; a ribeira ou Mota Lacl� que nasce na lagoa Bericute, ao sul de Dili, corre a Nordeste e vai sair no mar entre a ponta de Subaio e a ba�a de Lanessana; a ribeira ou Mota Vemor com as nascentes no monte Uataca, atravessa os reinos de Cairubu e de Laleia e des�gua na costa Norte, junto de Matebalo(Laleia). Na costa Sul des�guam outras pequenas motas ou ribeiras de menor import�ncia e regime torrencial.

- CLIMA

Clima � muito irregular e vari�vel em todo o territ�rio, desde as regi�es baixas, pal�dicas, at� ao interior montanhoso. Em Dili a temperatura m�dia � de 26o.C., que se mant�m que se mant�m quase todo o ano, por n�o oscilarem as diferen�as al�m de 1o. grau para mais ou menos, de m�s a m�s. Manatuto (27o.) e Barique (27o.) em m�dia, tem constantes t�rmicas pouco superiores � m�dia anual de 26o.. Hatoba (24o.) e Raimera (24o.) podem tamb�m equipara-se. A mesma const�ncia t�rmica se verifica em todas as regi�es baixas ou de altitude m�dia. Nas de altitude acima de 800 m., as constantes s�o mais baixas. Em Aileu(866 m.) a temperatura m�dia de 22o.C., a m�xima 23o. em Dezembro, e a m�nima 20o. em Junho; em Suri (130 m.) s�o da mesma ordem as m�dias de temperatura e suas variantes. A umidade do ar em Dili e nas zonas baixas � em m�dia de 69o. e a quantidade de chuva 810 mm., com excep��o de Julho a Setembro. O m�ximo de chuva mensal cai em Abril. As remiss�es de chuva t�m lugar de Junho a fins de Outubro, exceto em Raimera, de Agosto a princ�pios de Novembro, em que a quantidade de chuva anual � de 3.283 mm. Trata-se pois de um clima equatorial constante, moderado na zona baixa, quase temperado e constante na zona acima de 800 m., e regularmente chuvoso. A sua m� reputa��o prov�m-lhe da p�ssima situa��o da sede do governo - Dili. N�o se deve, por�m, generalizar, porque logo a poucos quil�metros de Dili, para Sul, nas abas da regi�o central montanhosa, o clima � relativamente saud�vel, mais seco, menos quente. Como na �ndia e em Macau, as esta��es do ano s�o caracterizadas pelo regime de mon��es - a de Oeste, do mar, e de Leste ou terral. A de Oeste ou do mar - de Novembro a Maio - � a de fortes ventanias, trovoadas e grandes chuvas, em que mais se sente a temperatura pela densa umidade do ar e n�o soprar o vento terral. A mon��o de Leste ou terral - de Junho a Outubro - � a dos ventos moderados, da Austr�lia, quase secos, com poucas chuvas e frescos, que refrescam a const�ncia de altas temperaturas, sobretudo � noite.

GEOGRAFIA POLITICA

ORGANIZA��O POL�TICA E DIVIS�O ADMINISTRATIVA

As primeiras autoridades portuguesas em Timor foram, por dom�nio espiritual, frades dominicanos destacados, como mission�rios, do Vicariato Superior das Miss�es Dominicanas que se instalara, por meados dos s�c. XVI, em Larantuca (Ilha Flores(, depend�ncia j� de Malaca. Foi talvez um Fr. Ant�nio Taveira, ido de Larantuca num parau, que abriu caminho a outro mais famoso pioneiro tonsurado, Fr. Ant�nio da Cruz, que, ao constar em S�lor que o sult�o de Ternate se propunha invadir Timor, foi nomeado Superior da Miss�o. Para l� partiu num batel e, sem armas, de cruz de al�ada, desembarcou na praias de Mabaputo(Ataputo?) impressionando a tal ponto os nativos que, pouco depois, convertia o rei de Amarasse. E n�o havendo ainda, como � �bvio, nessa ilha inocupada, qualquer autoridade r�gia ou de nomea��o do vice-rei da �ndia, e sendo o Geral da Prov�ncia de S. Domingos quem nomeava livremente o vig�rio superior da Ordem para o Arquip�lago, Timor tornava-se verdadeiramente um feudo ou depend�ncia do Geral da Ordem ou, .. por extens�o, da pr�pria Ordem de S. Domingos, que por muito tempo exerceu nessas long�nquas ilhas uma autoridade indiscut�vel, � latere e por vezes sobrepondo-se � autoridade da Coroa.

S� em 1585 o vice-rei da �ndia, por ordem de Lisboa, tornou extensiva a sua autoridade �s ilhas ocupadas pelos mission�rios dominicanos, entre as quais Timor. Em 1641 j� um capit�o-mor, com alguns mosqueteiros, come�ou a exercer, juntamente com os frades dominicanos, certa atividade.

Dez anos depois os holandeses apossaram-se da parte ocidental da ilha; e desde ent�o a autoridade portuguesa passou a exercer-se, ainda que precariamente a sua parte oriental, com a sede em Lif�o, numa fortaleza.

Em 1702 foi nomeado o primeiro governador do territ�rio portugu�s. Foi desde ent�o que a soberania passa a exerce-se mais regularmente atrav�s das mais dram�ticas vicissitudes, em regime militar. Constitu�da, depois de 1834, em distrito dependente do governo da �ndia, em 1844 passava a constituir com Macau uma Prov�ncia Ultramarina, como distrito destacado; e assim andou at� 1897, ora como distinto do governo de Macau, ora adstrito ao governo da �ndia, at� que depois da sua pacifica��o definitiva pelo coronel Celestino da Silva, foi reorganizada em governo aut�nomo, como Prov�ncia Ultramarina primeiro, depois como Col�nia, e finalmente, pela nomenclatura adotada em 1951, outra vez Prov�ncia Ultramarina de governo simples, do mesmo tipo e organiza��o que as de Cabo Verde, Guin� Bissau, Macau, S. Tom� e Pr�ncipe.

Timor era dirigida por um governador, nomeado em Conselho de Ministros por proposta do Ministro do Ultramar, de quem ficava dependendo, esse alto funcion�rio. No territ�rio era o representante do Governo da Rep�blica, o administrador da Fazenda P�blica, o protetor nato dos ind�genas e, nos termos da Carta Org�nica do Imp�rio, exerce as fun��es do cargo, fixadas na Reforma Administrativa Ultramarina, diretamente pelo seu gabinete ou por interm�dio dos servi�os, autoridades e funcion�rios seus subordinados, nos mesmos termos e dispondo de organismos similares aos das Prov�ncias cong�neres..

Na cidade de Dili, capital do Timor Leste, reerguida pr�xima dos escombros da Dili invadida pelos japoneses est�o instaladas todas as Reparti��es Centrais e T�cnicas de Servi�os e: a Administra��o do Conselho, a C�mara Municipal e Imprensa Nacional.

A divis�o administrativa consta desde 1947, de 1 conselho, 9 circunscri��es civis e 50 postos administrativos de 1a., 2a. e 3a. classes; Concelho de Dili, capital da Prov�ncia, com os postos de 1a. classe de Aileu e Ata�ro, Intend�ncia, de Fronteira, criada por motivos pol�ticos, com: Circunscri��o Civil de Bobonaro, com a sede em Tap� e os postos administrativos de Balib�, Bobonaro, Cailaco, Lolo-Toi e Atabai; a subdelegacia de sa�de da zona Oeste, em Marobo, uma esta��o tel�grafo-postal, uma escola rural e uma miss�o cat�lica; Circunscri��o Civil de Cova-Lima, com a sede em Fohorem e os postos administrativos de Fatu-Mean, Suai, Fatu-Lulic, Tilomar e Naucatar. Circunscri��o Civil de Oe-Cusse, com a sede em Porto Macassar e os postos de Passabe e Ntibe r�dio-tel�grafo-postal; Circunscri��o Civil de Ermera, com a sede em Ermera e os postos administrativos de Atsabe, Liqui�a, Hato-Lin, Maubara, Boibau, Bazar-Tete e Lete-Foho, com uma esta��o tel�grafo-postal, um col�gio feminino e uma escola rural; Circunscri��o Civil de Baucau, com a sede em Baucau, e os 4 postos administrativos de Venilale: Baguia, Laga, Quelicai e Vanasse; e a subdelegacia de Iande da zona Leste, a esta��o radiotelegr�fica de Baucau, uma esta��o tel�grafo-postal e uma miss�o cat�lica; Circunscri��o Civil de Lautem, com a sede em Lospalos e os postos de Luro, Iliomar, Laut�m e Tutuala; uma escola agr�cola em Fuiloro e uma miss�o cat�lica; Circunscri��o Civil de Manatuto, com a sede em Laclubar e os postos de Fatu-Berliu, Manatuto, Barique, Lacl� e Laleia, uma esta��o tel�grafo-postal, duas miss�es cat�licas, uma escola rural e a sub-delegacia de sa�de de Laclubar; Circunscri��o Civil de Suro, com a sede em Ainaro e os postos de Same, Maubisse, Mape, Alas, Hato-Builico, Turiscai, Betano, Maubessi e Hato-Hudo; a subdelegacia de sa�de de Ainaro; Circunscri��o Civil de Viqueque, com a sede em Viqueque e os postos administrativos de Ossu, Lacluta, Uato-Carbau, uma miss�o cat�lica, uma escola rural. A cargo dos chefes de posto funcionam esta��es tel�fono-postais ou esta��es Telef�nicas, onde n�o existem servi�os tel�grafo-postais privativos dos Servi�os Centrais.

 

OBS: ESTAMOS PROVIDENCIANDO PARA BREVE A ATUALIZA��O DESTA P�GINA.

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