Máscara
de Jaguar Huichol.
Feita
com madeira e miçangas coladas com cera de abelha.

Queimando
seus apegos.
Passamos
parte da nossa infância em um jogo de trocas, onde aprendemos
pelos adultos que tudo que se dá tem um preço, um valor. Crescemos
aprendendo que se damos algo a alguém, esse alguém tem que
nos dar de volta. Isso gera muitos apegos, damos algo e queremos
algo equivalente em troca do que demos, nos habituamos a viver
assim. Na verdade recebemos de volta tudo o que damos, pois
o universo funciona em uma grande troca de energias, mas não
podemos esperar que volte do mesmo lugar para onde doamos,
o que doamos pode voltar a nós de lugares e maneiras inesperadas.
A Vida é um grande circulo, e tudo que fazemos retorna a nós,
mais cedo ou mais tarde.
Nossa
sociedade ocidental a muito tempo se afastou dos ritos de
passagem e rituais, tão importantes para compreendermos as
transformações que se passam dentro de nós em vários momentos
da vida, gerando apegos infindáveis. Conflitos familiares,
amorosos, de amizade, raivas, culpas, julgamentos, medos,
ansiedades, angústias e etc. Tudo isso consome de nossos corpos
energéticos uma demanda imensa de energia, são ancoras feitas
de nossas atitudes, que se prendem ao passado, ou se projetam
para o futuro, isso faz com que fiquemos defasados da nossa
própria energia no momento presente, que é onde vivemos.
Os
Hicholes preservaram em sua cultura esses ritos, tendo suas
raízes ancestrais influenciadas pelos, Aztecas, Zapotecas,
e Toltecas. Para os Huicholes o único momento que existe é
o presente, o passado não pode ser modificado, eles só o vêem
como uma historia para contar sobre fatos ocorridos, exemplos
de vida que servem como aprendizado, o futuro não existe,
pois quando ele chega já é presente. Então toda nossa energia
tem que estar direcionada para o presente, não podemos desperdiçar
ela no passado ou no futuro, é no momento presente onde precisamos
disponibiliza-la.
É
preciso então que seja feito um resgate dessa energia,
fazendo uma recapitulação do passado, desvinculando-se
dos sentimentos negativos relativos a relacionamentos, isso
faz com que o passado não prenda mais sua energia tão
necessária para o momento presente.
Ritual
com Tatewari
Você
vai precisar:
Lenha,
tabaco, Água, salvia ou insenso.
Antes
de começar o ritual é importante você procurar estar com seus
opostos equilibrados, o Fogo é o elemento Masculino, e a Água
elemento Feminino, quando for acender o Fogo coloque um copo
com Água perto dele para lembra-lo de honrar seus dois aspectos
opostos internos, Masculino e Feminino e vice versa.
O
ideal é fazer em meio a Natureza, quando for fazer um retiro.
É bom que se prepare para ficar a noite toda, chegue durante
o dia antes que o sol se ponha, então escolha um local onde
você se sinta bem, depois peça permissão e agradeça aos seres
que vivem ali por permitir que você passe a noite no território
deles, faça isso com uma oferenda de Tabaco.
Coloque
suas coisas no local escolhido e saia em busca de lenha, ao
coletar a lenha já é começado o ritual, você vai procurar
a lenha como se estivesse procurando coisas do seu passado
que o incomodem, pegue o que você pode carregar, e volte ao
sítio onde você escolheu, deposite a lenha, volte para pegar
mais, lembre-se que você vai passar a noite e poderá
precisar de mais lenha. Não se esqueça de agradecer a lenha
recebida com uma oferenda de Tabaco.
Quando
for acender Tatewari (Fogo), peça para que seu espirito o
acompanhe e o proteja a noite toda, não se esqueça da Água,
é bom que ele seja aceso na hora do por do sol, hora em que
as energias opostas se encontram e Niericas (portais para
o mundo espiritual) são abertas. Comece acendendo Tatewari
com gravetos, depois respingue um pouco D'água como os dedos
em Tatewari, simbolizando a união de seus opostos. Acenda
a sávia ou o incenso e purifique-se com a sua fumaça.
Vá
acendendo Tatewari, chamando seu Espírito, colocando
gravetos e pensando em coisas pequenas do dia a dia que te
incomodem. Quando a chama de Tatewari começar a subir respire
fundo, imagine que sua Luz está penetrando seu ser, olhe para
os gravetos como se fossem as coisas que o incomodem, expire
essas coisas, profundamente... tentando senti-las sem se apegar
a elas. Continue respirando fundo, observando como Tatewari
transforma a lenha (seus apegos) , respire a Luz, expire seus
apegos, ouça como é o som que ele faz ao crepitar. Tatewari
vai falar com você através dos seus sons, suas imagens e sua
Luz. Aos poucos vá pegando gravetos maiores, pausadamente,
meditando sobre o que você relembrou, fazendo um paralelo
entre a lenha e apegos maiores, cada graveto daquele é uma
apego seu que vem a sua memória naquele momento, respire Luz,
expire os apegos. Segue-se
fazendo isso aumentando o tamanho da lenha até que você sinta
que já queimou o bastante por aquela noite, sempre respirando
Luz expirando apegos.
Lembre-se
você está na Natureza, e ela é sagrada, respeite os animais
e as plantas, tome cuidado com o Fogo, faça um circulo de
pedras ao redor e certifique-se de que ele não tem como se
espalhar, pela manhã se ele ainda estiver aceso, apague-o
com Água, desmanche o circulo e espalhe as pedras pelo local,
deixe tudo como você encontrou.
Ritual
com a Vela

pequeno
Lobo "Luz"
Você
vai precisar:
Vela,
água, barbante, salvia ou incenso.
Este
ritual é mais simples e pode ser feito diariamente em casa,
substitui-se a Fogueira pela Vela, e a lenha por um barbante
de uns 30cm ou o tamanho que você achar suficiente. Pegue
o copo d'água e coloque ao lado da Vela, acenda Tatewari e
equilibre seus opostos internos, respingue Água com os dedos
em Tatewari simbolizando a união entre seus opostos. Acenda
a salvia e purifique-se com sua fumaça (você também pode usar
incenso se não encontrar salvia).
Depois
pegue o barbante, respire fundo e sinta a Luz penetrando seu
ser, lembre-se dos apegos que te incomodam no seu dia a dia,
de um "nó cego", de maneira que o nó fique no meio
do barbante, expire os apegos, sinta-os sem julga-los, apenas
sinta, a medida em que o nó for se fechando imagine que seu
apego está se prendendo ao nó. Sempre respire a Luz,
e quando o nó for se fechando expire os apegos, sinta-os se
prendendo ao nó. Faça isso pausadamente, observando,
respirando a Luz e expirando apegos. Uma bolota de nós vai
se formar no meio do barbante, quando sentir que já prendeu
o bastante por aquele dia queime o barbante no Fogo, respirando
fundo e vendo Tatewari transformar seus apegos.
É
bom fazer este ritual com frequência, sempre quando
sintir que estiver apegado demais aos sentimentos e as coisas.
Tome
cuidado para não se queimar, você pode usar uma pinça ou uma
tesoura para segurar o barbante enquanto queima.
pequeno
Lobo