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PAZ
E GUERRA

A
Paz é uma coisa que o homem sempre buscou através dos tempos,
fala-se muito de paz hoje em dia, todos querem a paz. Vemos
nos noticiários todos os dias que apesar de querermos tanto
a Paz ela está cada vez menos presente no nosso dia a dia, parece
que quanto mais a queremos mais cresce a violência, a guerra
e a corrupção. Eu não quero ser pessimista e apenas apontar
coisas negativas, sei que tem crescido o número de pessoas que
trabalham seriamente pela Paz, mas vemos que cresce em uma proporção
maior a violência e a guerra. Por que isso está acontecendo?
Onde está então a Paz que tanto queremos? Quais os caminhos
que devemos percorrer para chegarmos a Paz?
O
que poderá acontecer se não encontrarmos esse caminho? São questões
difíceis de se responder, nossa sociedade ocidental está fundamentada
e enraizada em crenças e filosofias muito antigas e talvez a
Paz tenha sido perdida em suas raízes. Muitos dos povos da América
e outros lugares do mundo apesar do subjugo, a duras penas conseguiram
se manter a parte dessas crenças e filosofias, e talvez alguns
de seus ensinamentos possam nos levar a perceber onde está a
Paz.
Desde
que tive contato com essa sabedoria, passei a entender muitos
dos ressentimentos que habitavam meu coração e a olhar as coisas
de muitos pontos de vista diferentes, eu também queria muito
ser respeitado para que pudesse respeitar. Mas será que é assim
que funciona? Primeiro exijo respeito depois respeito? E se
eu não respeitar e o outro não respeitar? Teremos uma guerra?
Por
muito tempo essas questões me atormentaram. Quem dará o primeiro
passo em direção a Paz, eu ou o outro? De quem é a responsabilidade
pela Paz? Aprendi com a sabedoria desses povos que quando você
se torna consciente de alguma coisa sua responsabilidade sobre
ela se torna maior, portanto acredito que o primeiro passo tem
que ser dado por aquele que tem consciência. Essas sabedorias
antigas me fizeram perceber muitas coisas sobre isso.
Uma
das primeiras coisas que me levaram a perceber isso foi a sabedoria
de interiorizar-se, olhar para dentro, conhecer-se melhor. Pensamos
nos conhecer, e pensando isso achamos que conhecemos o necessário
para entender o mundo a nossa volta... sim seria, se realmente
nos conhecêssemos poderíamos ter uma noção melhor do sentido
da vida e do ambiente que nos cerca. É fundamental para nossa
Paz interior que tenhamos uma boa relação conosco e com o ambiente
que nos cerca, mas antes que possamos ter uma boa relação com
esse ambiente precisamos nos conhecer primeiro, conhecer nossa
sombra, ou seja, nossos medos, ansiedades, angustias, dúvidas,
raivas, culpas e nossos julgamentos, a contraparte do nosso
ser que rejeitamos, mas que quando perdemos o equilíbrio se
manifestam descontroladamente.
Então
o que seria esse equilíbrio?
Se
percebemos que dentro de nós existem duas polaridades opostas
e tentamos negar uma delas então estamos negando uma parte do
nosso ser, isso pode ser considerado um desequilíbrio já que
somos constituídos dessas duas polaridades e rejeitamos uma
delas, estamos em uma guerra interna incessante. Se estamos
em guerra interiormente como podemos querer que haja Paz exteriormente?
A Paz então começa pelo lado de dentro?
Quando
percebemos esse desequilíbrio interno e passamos a trabalhar
conscientemente para que haja a integração dessas duas forças,
para que uma não se sobreponha a outra e sim trabalhem juntas,
escolhemos a unificação interior, pois vivíamos internamente
separados, nosso Masculino e Feminino brigando, então podemos
pensar que a união equilibrada dessas partes seja um Casamento
Sagrado interior.
O
Cachimbo Nativo Americano (Shanupa) representa a Paz interior
e esse Casamento Sagrado interno. Ele é composto de duas peças,
uma Feminina que é o Fornilho, e uma Masculina que é o Tubo,
eles tem as representações simbólicas referentes a cada gênero;
O Fornilho tem um orifício onde será introduzido o Tudo representando
a vagina da Mulher, o outro orifício maior representa seu útero,
também é onde será colocado o tabaco para as orações. O Tubo
representa o falo Masculino, por onde passa a fumaça. Nenhuma
das duas peças funciona separadamente, somente quando são unidas
é que se tornam inteiras, uma é tão importante quanto a outra,
essa união do cachimbo representa a Paz e a união dos nossos
opostos complementares. Quando fazemos essa união interna estamos
estabelecendo Paz e equilíbrio interior. O Cachimbo (Shanupa)
representa essa união.
Percebemos
essa união entre os opostos complementares também na antiga
filosofia chinesa do TAO;
"TAO
TE KING"
Quando
o homem conhece o formoso,
conhece
também o não formoso,
Quando
conhece o bom,
Conhece
também o não bom,
Porque
o pesado e o leve,
o
alto e o baixo,
o
silêncio e o som,
o
antes e o depois,
o
ser e o não ser,
engendram-se
um ao outro
O
Espaço Sagrado também é uma sabedoria Nativa Americana que nos
ensina a respeitar-nos a respeitar as outras pessoas e outras
formas de vida. Para se ter noção do Espaço sagrado é preciso
perceber que todas as formas de vida tem um papel a cumprir
na Criação e que o Criador está presente em todas elas, cada
forma de vida é uma parte do Criador, neste conjunto de seres
com um papel a cumprir também existe um equilíbrio regido pelas
leis da natureza onde todos os seres trabalham em simbiose.
Por
vezes achamos que não, quando vemos um Lobo caçando uma pequena
e frágil Lebre, podemos achar um ato violento, estamos por muito
tempo afastados da natureza e da nossa essência para perceber
de outra forma, se os Lobos não caçassem Lebres para se alimentar
e aos seus filhotes a população de Lebres aumentariam tanto
que elas acabariam com a vegetação, que serve de alimento para
outros animais também, causando assim um desequelíbrio.
Isso tem uma função de equilíbrio na natureza, e mesmo os animais
respeitam várias regras estabelecidas pela natureza. Cada ser
tem seu Espaço Sagrado e seu papel a cumprir.
E
o que é Espaço sagrado na esfera humana? Como ele pode ajudar-nos
em nossa busca pela Paz? O nosso Espaço Sagrado está relacionado
aos nossos pertences, nossos corpos, nossos sentimentos e ideais,
se alguém rouba algum pertence ou invade sua casa, invade seu
Espaço sagrado, se alguém viola seu corpo invade seu Espaço
Sagrado, se alguém desrespeita seus sentimentos agride seu espaço
sagrado, se alguém discorda dos seus ideais também faz o mesmo,
mas isso não quer dizer que devemos agir da mesma forma com
a outra pessoa, devemos mostrar a outra pessoa como queremos
ser tratados através dos nossos atos, se nossos atos forem de
desrespeito receberemos de volta o desrespeito. Existe um cumprimento
Maia que diz respeito a isso;
"IN
LAK'ECH"
Eu
sou você e você sou eu.
O
que você faz aos outros, você faz a você.
Como
você ajuda os outros, é como você se ajuda.
Quando
você ajuda os outros, é quando você se ajuda.
Nós
estamos todos conectados debaixo do Sol.
As
vezes procuramos o respeito e a Paz fora de nós, mas o respeito
e a Paz começam de dentro, é preciso rever o conceito de amor
próprio, é preciso se amar e se respeitar, muitas vezes somos
invadidos pelo medo de não sermos queridos, aceitando que nossos
sentimentos e ideais sejam desrespeitados apenas para nos sentirmos
amados, mas isso é desrespeitar-se, é negar seus próprios sentimentos.
Fazendo isso você está deixando que seu Espaço Sagrado seja
invadido e desrespeitado.
O
importante não é que as pessoas gostem de você, o importante
é que você se sinta em Paz consigo mesmo, assim você estará
atraindo para perto de você as coisas e as pessoas que você
quer em seu Espaço Sagrado, quando você não respeita seu próprio
Espaço Sagrado você vai atrair somente pessoas que vão desrespeita-lo.
Acredito ser esse o caminho para a Paz, cada um trabalhando
com ela dentro do si mesmo, buscando o equilíbrio interno, cada
um fazendo sua parte.
Hoje
você pode ver a violência em quase todos os lugares, no pensamento
das pessoas, nos pais das crianças, nas crianças, no trabalho,
no trânsito das cidades grandes, entre as religiões, dentro
da casa das pessoas, no próprio conceito de sociedade que agride
a natureza achando que ela está aí para nosso proveito e uso.
Essas são as sementes de onde brotam o ódio e a guerra. Vivemos
uma situação limite, com superpopulação, violência contra a
natureza, guerras intermináveis por todo o mundo, violência
urbana, violência familiar.
Somos
vitimas dos nossos próprios métodos, mas se não encararmos isso
como uma coisa real, e enfrentarmos com intento forte, será
difícil evitar um colapso, é isso que queremos para nossos filhos,
e os filhos de nossos filhos?
Acredito
que algo deve ser feito, e que isso deve brotar de dentro.
Gostaria
de complementar esse assunto com uma profecia muito antiga dos
Nativos Americanos, muitos a profetizaram.
Esta
é uma das mais conhecidas, O Green Peace se inspira nela para
defender a natureza.
"Um
dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares
vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos
rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito.
Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência
pela Terra Sagrada. Aí, então, todas as raças vão se unir sob
o símbolo do Arco-Íris para terminar com a destruição. Será
o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."
Profecia
feita há mais de 200 anos por "Olhos de Fogo", uma velha índia
Cree
Muitas
pessoas acham que profecias são ilusões e nada tem a ver com
a realidade, pode até ser, quem é que sabe, mas será que nós
mesmos não trabalhamos no sentido de tornar essas profecias
reais? Olhemos o mundo a nossa volta.
AHO
Paz,
Amor e Luz irmãos!
Da'naho
(assim seja)
pequeno
Lobo

Wampum
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