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Num
Mundo Redondo

"O
Olho da Phenix" pequeno Lobo
Carta
escrita após atentado do dia 11 de setembro de 2001.
Num
mundo redondo, não há lados. Por Tom Pinkson.
Quando
o horror do dia 11 de setembro explodiu na minha consciência,
tive a sorte de estar protegido do seu impacto porque eu estava
a muitas milhas de distância e muitas milhas de altitude na
Sierra Yosemite, no meu retiro anual em busca de visão.
Estava
no meu primeiro dia de jejum e solidão quando os aviões colidiram.
As enormes montanhas de granito à minha volta formaram um círculo
protetor no qual eu via e escutava apenas a magnífica beleza
da rocha, do céu e do agreste, um céu azul claro, riachos borbulhantes
e o sopro dos pássaros em rasantes sobre minha cabeça. Os últimos
botões de verão das flores selvagens descansavam sob o calor
do sol da Sierra e os ventos frios de inverno já estavam quase
ali, atrás do próximo desfiladeiro. Era um cenário sereno de
uma calma pacífica imersa na criatividade espantosa da natureza
em qualquer direção onde meus olhos tocassem.
Aquela
terça-feira à noite tive um sonho onde vi jovens se reunindo
em círculos por todos os Estados Unidos cantando um hino pela
paz. Eles conseguiam força para sua missão fazendo, primeiro,
peregrinações a lugares de poder na natureza, tais como aquele
onde me encontrava, e participando em rituais baseados na espiritualidade
dos nativos americanos, em especial do povo Hopi, o povo da
paz. No final do cântico, eles pegavam o tabaco da bolsinha
de couro amarrada com corda na cintura, diziam uma oração de
agradecimento ao Grande Espírito, ao Grande Mistério, pelo presente
da Vida e pelo presente da paz, e então jogavam o tabaco para
frente como uma benção às pessoas presentes e à gente do mundo
todo. Essa canção ficou ecoando na minha mente a noite inteira
mesmo depois do sonho ter terminado.
Estamos
rezando, estamos rezando, estamos rezando - Paz para o Mundo
Estamos rezando, estamos rezando, estamos rezando - Paz para
nossos Corações Estamos rezando, estamos rezando, estamos rezando
- Paz para Toda Gente Paz para Toda Gente. Estamos rezando...
No
alvorecer do dia seguinte o cântico começou a ecoar dentro de
mim de novo desde que me sentei para saudar o sol nascente.
Quatro dias depois os outros 4 buscadores e eu saímos do nosso
retiro na montanha, entramos no carro e dirigimos 45 minutos
até um posto de gasolina para abastecer. Entrei na pequena loja
para pagar o combustível e perguntei ao caixa, se por acaso
ele sabia o resultado do jogo do último domingo. Ele me olhou
como se eu fosse um louco mas me respondeu assim mesmo. E aí,
perguntou "Você não ouviu as notícias?" "Que notícias?", perguntei,
"Eu estive nas montanhas toda essa semana e você é a primeira
pessoa, além dos meus companheiros, com quem falo desde então".
"Você
não escutou sobre os terroristas?" exclamou, " Os que explodiram
o World Trade Center em Nova York e atacaram o Pentágono?"
Desnecessário
dizer, que ficamos estatelados. Nós nos pusemos a par de todos
os detalhes através do radio, nas cinco horas de viagem de volta
a São Francisco. Antes da nossa re-entrada na civilização fizemos
uma última oração juntos por todas as graças, pela beleza, paz
e ensinamentos que tínhamos recebido durante nosso tempo a sós,
pedindo força para integrar esses ensinamentos quando retornássemos
às nossas vidas em casa. Mal sabíamos então, que a confusão
tinha aumentado, e maiores desafios nos aguardavam.
Desde
que voltei tenho observado cuidadosamente minhas próprias reações
bem como das pessoas próximas a mim. Também tenho acompanhado
a mídia convencional e alternativa, e a enorme quantidade de
comunicações via e-mail que inundou a Internet.
Sofro
pelas pessoas boas que perderam a vida e por suas famílias,
que agora precisam continuar a viver sem elas. Sofro pelas crianças
pequenas naqueles vôos. O que será que faz com que alguém chegue
a tal ponto que possa conduzir as vidas de crianças inocentes
diretamente para um fim tão horroroso, aterrador, um pesadelo
real e violento? O que aconteceu com o instinto que procura
evitar perigos para uma criança? O que aconteceu para se privilegiar
um instinto nos soldados Nazi que os faz encaminhar mães e crianças
até os fornos? O que levou o americano ao calvário, quando no
auge do inverno empurraram os cherokees para aquilo que veio
a se chamar a "trilha das lágrimas" ? Qual o curto circuito
que levou Harry Truman a passar imune sobre o fato que centenas
de milhares de mulheres, crianças e velhos seriam vaporizados
se ele soltasse a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki?
O que existe dentro de nós que passa por cima do amor e justifica
o assassinato?
Com
certeza, todos os perpetradores desses atos horríveis devem
ser trazidos à justiça. Os atos são um crime contra a humanidade
e eles devem responder por isso e serem devidamente punidos
por seus feitos. Mas isso não trará paz ou segurança às nossas
praias. E isso é o que desejo acima de tudo. Quero segurança
para podermos continuar com nossas vidas, sem ter a preocupação
de ser explodido, envenenado, sufocado por gás, ou o que quer
que os terroristas imaginem para sua vingança. Tenho um neto
que vai nascer em poucas semanas, e quero que ele seja capaz
de crescer e realizar sua missão por ter assumido a vida. Acredito
que a melhor aposta para se conseguir esse tipo de segurança
é criar um mundo no qual não haja condições que levem pessoas
a cometer atos tão horrendos. Em outras palavras, precisamos
criar um mundo que seja melhor para todos e para cada um, senão
nunca estaremos livres da violência que envolve o planeta, que
envolvia nossa sociedade antes dos aviões colidirem com o World
Trade Center.
Martin
Luther King colocou isso muito bem quando disse - "Estamos todos
presos em uma rede inescapável de mutualidade, atados em um
único traje do destino".
Aquilo
que afeta alguém, indiretamente afeta todos ... na batalha pela
dignidade humana ... não podemos sucumbir à tentação de tornarmo-nos
amargos ou nos engajarmos em campanhas de ódio. Ao longo da
estrada da vida, alguém precisa ter o bom senso suficiente e
moralidade suficiente para quebrar a cadeia do ódio. Isso pode
ser conseguido se projetarmos a ética do amor ao centro de nossas
vidas... Luther King nos lembra "que a medida máxima de um homem
não é como ele se posiciona em momentos de conforto e conveniência,
mas como ele se posiciona em tempos de desafio e controvérsia.
"Levando
avante nossa posição Dr.Luther King diz "o amor é a arma mais
forte para a espécie humana promover transformação pessoal e
social" e acrescenta, "a lei da vingança não soluciona os problemas
sociais" e "somente a bondade pode expulsar o mal e somente
o amor pode conquistar o ódio". Porque "retribuindo ódio por
ódio somente se multiplica o ódio, adicionando mais trevas a
uma noite já sem estrelas".
A
escuridão não consegue expulsar escuridão... Forças que ameaçam
negar a vida devem ser desafiadas pela coragem... a coragem
de uma garra interior que vai além, a despeito de obstáculos
e das situações amedrontadoras... Isso requer o exercício de
uma vontade criadora que nos possibilite esculpir um pedregulho
de esperança a partir de uma montanha de medo". Dr. Luther King
afirma que "ódio se enraíza no medo e a única cura para o medo-ódio
é o amor" , porque "raiva paralisa a vida; e o amor a libera.
Raiva escurece a vida; o amor a ilumina".
Os
atos dos terroristas são o toque de despertar para nós como
nação, começarmos a lidar com as condições que levaram pessoas
de tantos países a nos detestar. Penso que a grande maioria
dos cidadãos americanos tem vivido na ignorância e na recusa
em admitir o verdadeiro papel que nossa política externa desempenhou
desde a Segunda Guerra Mundial. Penso que devemos nos informar
sobre como são esses programas, e o violento impacto e o sofrimento
que causaram em pessoas inocentes, exatamente como aquelas no
World Trade Center, no Chile, na Colômbia, na Guatemala, no
Iraque, na Palestina, e a lista continua. Se realmente queremos
a cura, se realmente queremos um mundo pacífico, então devemos
abrir caminho através da nossa própria negação e encarar nossa
sombra histórica e as verdades que geramos como nação.
Enquanto que a Declaração de Independência, a Constituição e
a Carta de Direitos representam uma filosofia nobre e merecem
nosso total apoio pelos ideais democráticos e afirmação da liberdade,
liberdade individual e justiça para todos, de fato, temos vivido
num tipo de transe esquizofrênico desde o começo.
Para
despertar precisamos escutar os sábios anciões como Martin Luther
King e o Dalai Lama que diz: "ao invés de apenas acusar, devemos
procurar causas e tentar compreender". Devemos praticar "uma
escuta com compaixão", especialmente com o "outro" - aqueles
que estão bravos conosco, para aprendermos sobre sua dor e sua
raiva, para identificarmos de onde elas vêm. Devemos ouvir os
americanos pretos, e os povos nativos das Américas, devemos
ouvir o povo do Afeganistão, Síria, Líbano, Palestina, Porto
Riquenhos e Havaianos, cujas ilhas bombardeamos; e confrontar
os efeitos danosos colaterais para 500.000 mulheres e crianças
do Iraque por nosso bombardear indiscriminado e nosso boicote
econômico de dez anos.
Devemos
escutar as crianças do terceiro mundo que trabalham por uns
míseros dólares por dia fazendo tênis atléticos extravagantes
para que possamos ser "guerreiros de fim de semana" e os executivos
das corporações possam encher seus bolsos. Devemos escutar as
mães dos desaparecidos na Argentina que perderam seus maridos,
filhos e pais para um governo que apoiamos e que conduziu milhares
de pessoas a um estádio para serem brutalizados, torturados
e depois eliminados - são 10.000 desaparecidos. Mas agora olhamos
com horror os fanáticos islâmicos que cometem atos terroristas
contra "nossos" inocentes. Qual é a diferença?
Nosso
investimento de capital estava em jogo na Argentina por isso
a nossa política foi de ignorar aquele terror, visto que servia
a nossos interesses econômicos. Que moralidade é essa?
Devemos
ouvir a verdade que, enquanto nossa nação foi forjada com ideais
elevados também foi forjada com violência, racismo, genocídio,
e usurpação em alto grau - tanto das terras dos povos indígenas
quanto da liberdade de milhões de negros africanos escravizados
ao nosso jugo com o objetivo de ganharmos dinheiro através do
seu trabalho sem remuneração.
Os
efeitos desses atos ainda estão conosco hoje e até que possamos
assumi-los nunca teremos paz e segurança nesta terra. Adicione-se
a esta mistura o fato de que usamos 60% dos recursos energéticos
mundiais mas constituímos apenas 6% da população mundial, e
os usamos para nosso proveito enquanto o resto do mundo sofre.
Isto é, milhões de crianças morrem anualmente de fome enquanto
continuamos a gastar milhões de dólares em carros do último
modelo, produtos cosméticos, cereais, roupas, etc., isso sem
mencionar os milhões de dólares gastos em propaganda para nos
levar a comprar coisas que nem precisamos. Será que não vemos
que nosso país desde o início, assassinou inocentes, aqui e
fora, mas quando alguém de fora tem o mesmo desrespeito assassino
contra nossos inocentes, os condenamos como o satã encarnado,
sem nunca encarar ou assumir nosso próprio lado sombrio?
Não
deveria ser uma surpresa que tanta gente em outros países nos
veem como bandidos, opressores, e até mesmo terroristas. Somos
incentivados por nossos líderes em Washington a "continuar nossas
vidas", "voltar ao normal", começar a voar novamente, viajar,
comprar, gastar.
Ei,
só eu estarei pensando que justamente aquilo que consideramos
"normal", é grande parte do problema em primeiro lugar? A normalidade
explodiu no dia 11 de setembro e a morte de 7.000 inocentes
grita não por vingança, ou por justiça, mas sim pela criação
de um mundo onde algo desse tipo nunca mais volte a aconter;
para ninguém, em lugar algum. Concordo com o político que diz,
"Em vez de voltar a fazer as coisas normais de novo, devemos
fazê-las melhor!" Agora é a hora de avançarmos para o que significa
este "melhor".
E
para quem isso seria melhor? Somente para as pessoas dos Estados
Unidos? Somente para meu neto? Ou incluiria toda a gente, todos
os netos por todo o globo? O único jeito de termos um mundo
melhor em paz e segurança é se todos estiverem incluídos em
uma distribuição de recursos mais equiparável. Se deixarmos
alguém de fora, é exatamente esse abandonado, que dada a tecnologia
atual, terá a habilidade de empregá-la com objetivos destrutivos
tornando-se o terrorista de amanhã.
Portanto,
agora é a nossa chance, nossa oportunidade de honrar a memória
daqueles eliminados pela violência, trabalhando juntos para
criar um mundo que resulte da "projeção da ética e do amor para
o centro de nossas vidas" como frisou Dr. Luther King tão poeticamente.
Para que isso aconteça serão necessárias algumas mudanças no
nosso modo de pensar, atitudes e consciência. Urge que sejamos
mais do que simplesmente contra alguma coisa- seja antiterrorismo,
antiviolência, ou mesmo antiguerra, ou anti-racismo. Precisamos
ir atrás do que nós somos a favor! Da nossa visão mais elevada,
nosso sonho maior de como este mundo poderia ser, usando toda
nossa criatividade, imaginação, inspiração e "ética do amor"
?
Não,
esta não é a hora de voltarmos ao "normal", mas de criarmos
um novo modo de ser e viver que não esteja baseado em "eu-ismo",
mas em vez esteja baseado em todos, do reconhecimento que toda
a humanidade está entrelaçada em uma rede de conexões na qual
cada nó que é tocado vibra de forma a ecoar em todos os outros,
afetando a todos nós- "a rede de mutualidades"!.
Então
por onde começamos? Em primeiro, curando a percepção de que
somos separados uns dos outros, separados do ambiente, das pessoas
que estão longe e não podemos ver, que se vestem diferente de
nós e falam outra língua ou porque rezam de um modo que nos
parece estranho. Devemos re-conectar com a realidade primordial
de nossos ancestrais, expressa na religião de Ur - o animismo-
que entende que toda a criação é viva, consciente e entrelaçada
em um inescapável círculo de relações.
Como
a saudação Lacota, tão eloqüentee, "Mitakuye oyasin" que significa-
"Somos todos relacionados". Nós ocidentais perdemos nossa percepção
que toda vida existe dentro de um círculo de relações, o que
alguns povos indígenas chamam
"O Arco Sagrado".
Nossa
própria lingua, o inglês, reflete esta quebra do Arco. A maior
parte do vocabulário inglês consiste de substantivos e adjetivos-
palavras sobre coisas e suas qualidades. E como sabemos que
a linguagem é que nos dá a fundação para nossa percepção da
realidade sobre o que consideramos mais importante, é muito
instrutivo percebermos que própria lingua nos condiciona a perceber
a realidade como composta de partes não relacionadas entre si,
objetos distintos, coisas e que estas coisas é que são importantes
na vida. Quase todas as línguas indígenas tem uma ênfase diferente,
os verbos e as palavras exprimem as relações entre as partes
- como as várias formas de vida estão realizando suas interações
umas com as outras. A espiritualidade indígena também enfatiza
o valor de viver em harmonia e equilíbrio com toda a vida em
vez da busca em acumular "coisas".
A
nossa ênfase social no materialismo- coisas- juntamente com
o impacto provocado por uma ética protestante do trabalho que
valoriza o fazer sobre o ser, e um sistema econômico capitalista
que põe o lucro acima das pessoas e serve de viveiro para a
ganância, arrogância, falta de sensibilidade, competitividade
e a violência contra o meio-ambiente e as pessoas, junto com
religiões patriarcais baseadas no medo e na culpa, tudo isso
constitui uma poderosa mistura que resulta em uma sociedade
que explora a natureza, as pessoas, os paises com o objetivo
de um avanço contínuo do orçamento, visíveis nos rendimentos
corporativos do próximo semestre. Esse tipo míope de visão baseada
no lucro financeiro é o que nos colocou na situação difícil
de nos depararmos com terroristas enquanto bebemos nosso café
matinal. Não nos enganemos, estamos no Oriente Médio e em outros
lugares, não para defender a democracia, mas sim pelos nossos
interesses econômicos dos quais somos dependentes para manter
"nosso modo de vida" no seu jeito "normal".
Qual
o preço que o resto do mundo paga para levarmos uma vida normal?
Não acho que precisamos ir muito longe hoje para responder a
essa questão.
Precisamos
consertar Arco Sagrado e desenvolver um novo Equilíbrio - que
não seja baseado na ganância, no ganho de capital, no consumismo,
ou materialismo.
Devemos
construir um Equilíbrio baseado no amor, no carinho, no cuidar,
no compartilhar, na justiça social e econômica para todos os
cidadãos do mundo, educação, assistência médica, e sistemas
de suporte que reconheçam toda a criação como sagrada e merecedora
de dedicação e suporte para realizar seu potencial criativo
inteiro.
Temos
a boa fortuna de contarmos, nestes tempos de desafio, com a
sabedoria dos ensinamentos da espiritualidade indígena, que
contém leis de relacionamentos certos, encontradas nas suas
histórias da criação, que trazem alguma luz para um possível
modo de re-entrar no Arco Sagrado; com a intenção de curar,
respeitar e celebrar o dom da vida em toda sua diversidade e
maravilha. Estas "leis" não são feitas pelos homens. Vêm das
forças criativas do universo o Grande Espírito e o Grande Mistério,
como está espelhado na natureza. Estas "leis" têm a ver com
a hierarquia da criação. E nesta hierarquia evolucionária a
Terra vem primeiro. Depois vem as plantas que dependem da Terra.
Depois vem os animais que dependem das plantas. Depois vem a
humanidade que depende de todos. A terra, as plantas, os animais
não precisam de nós. Nós precisamos deles. Assim, no esquema
das coisas nós humanos somos os mais dependentes e portanto
temos a maior responsabilidade - aprender como viver em harmonia
com aquelas forças das quais somos dependentes.
Somos
também "determinantes". As plantas, animais e terra vivem em
harmonia básica entre si. Nós por outro lado, temos o poder
de destruir todos eles. Nós somos aqueles que desenvolveram
uma tecnologia cujo uso determina qual será o destino do planeta.
Portanto é imperativo que possamos re-aprender a viver em harmonia
e equilíbrio com a terra, o reino das plantas e o reino animal.
Isso se inicia com o reconhecimento de que somos dependentes
deles para a continuidade de nossas vidas e portanto devemos
reconhecer a reciprocidade, como sagrada. Isto é, não podemos
mais só pegar, consumir, pegar, consumir, pegar.... Devemos
também aprender a dar, retribuir- com respeito, amor, carinho
e generosidade.
O
povo nativo o faz através de cerimônias elaboradas e rituais
que os ajudou a manter sua conduta em um relacionamento mais
harmonioso com a totalidade da vida por dezenas de milhares
de anos. Muitas dessas sociedades nativas também têm profecias
com previsões sobre os desafios deste tempo que estamos vivendo
e estas profecias antecedem a vinda da força invasora européia.
Elas falam sobre povos que não vivem mais numa relação certa
com a Mãe Terra e as forças da natureza a quem eles chamam de
"Espíritos, Deuses e Deusas" .
Falam
sobre povos que violam e profanam os lugares sagrados de poder
e esquecem suas obrigações espirituais que devem ser devolvidas
à fonte, onde se originam suas vidas. Pois essa é nossa responsabilidade
como "determinantes"- devemos nutrir as forças criativas da
natureza- os espíritos, por assim dizer- em troca eles nos alimentam.
Pois, em última instância a vida diz respeito às relações e
à qualidade das relações, e não sobre coisas.
Mesmo
dentro da estrutura sub-atômica subjacente ao nosso mundo físico,
existe uma relação de complementaridade entre elétrons, nêutrons
e prótons, todos trabalhando junto em cooperação e harmonia.
Sem essa harmonia nas relações, não há nada, nada. Tudo sobre
a vida é relacionamento. Precisamos desesperadamente de um novo
Equilíbrio que reconheça isso honrando no modo como levamos
a vida e solucionamos nossas necessidades.
Para
conseguir a segurança que todos desejamos e para sustentar um
mundo em paz, precisamos criar um outro tipo de "normalidade"
que viva em harmonia com o Arco Sagrado que inclua todos os
povos, todos os paises, todas as nações, todas as partes da
criação. Um "normal" que erradique a pobreza, o racismo e a
discriminação, que envolva uma democracia participativa para
todos os cidadãos do mundo, e que apóie condições de vida sustentáveis
através da proteção, restauração e integridade do meio-ambiente,
e um "normal" que realmente suporte "liberdade e justiça para
todos".
Assim
seja!
Com orações pela paz no mundo, paz em nossos corações e paz
para todos os povos
Tom
Pinkson (Tomás) Outubro de 2001.
(Traduzido
do inglês por Lucila Machado Assumpção
Revisado
por Billy Gibbons).
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