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Algonquins
- Como
foi dado o Milho aos Índios
Um
jovem de catorze ou quinze anos morava com os seus pais, irmãos
e irmãs numa pequena e muito bem situada tenda. A família, embora
pobre, era muito feliz em bem disposta. O pai era um caçador
a que não faltava coragem e habilidade, mas havia alturas em
que mal conseguia sustentar a família. Visto seus filhos nenhum
Ter idade suficiente para o ajudar, por vezes as coisas tornavam-se
difíceis. O rapaz era uma criança feliz e bem disposta, tal
como o seu pai, sendo o seu maior desejo o de ajudar o seu povo.
Tinha chegado a altura de abstinência, obrigatória para todos
os rapazes índios da sua idade. A sua mãe construiu-lhe uma
tenda, preparada para tal, num local remoto, onde ninguém o
pudesse incomodar durante a sua provação.
Lá,
o rapaz meditou sobre a bondade do Grande Espirito que tornou
as florestas e os campos bonitos para o prazer do homem. O desejo
de ajudar os outros estava nele fortemente implantado e rezou
para que lhe fosse revelado, em sonho, a maneira de o fazer.
Ao
terceiro dia de jejum, quando estava já demasiado fraco para
se poder passear pela floresta e, deitado, se sentia entre o
sono e a vigília, um belo jovem veio até ele, ricamente vestidos
com mantos verdes e bonitas plumas da mesma cor na cabeça.
"O
Grande Espirito ouviu as tuas preces", disse o rapaz como a
voz soou como o vento passando por entre a erva. "Escuta-me
atentamente e o teu desejo será concretizado. Levanta-te e luta
comigo."
O
rapaz obedeceu. Embora os seus membros estivessem fracos, o
seu cérebro estava lúcido e ativo e ele pensou que não poderia
fazer outra coisa senão obedecer aquele estranho de voz suave.
Depois de uma longa e silenciosa luta o belo jovem disse:
"Já
chega por hoje. Amanhã estarei de volta"
O
rapaz estendeu-se no chão, estoirado, mas, no dia seguinte,
o estranho de verde reapareceu e o conflito foi retomado. À
medida que a luta continuava, o jovem sentia-se cada vez mais
forte e confiante. Antes de o deixar pela Segunda vez, o visitante
sobrenatural dirigiu-lhe algumas palavras de elogio e coragem.
No
terceiro dia, o rapaz, pálido e fraco, foi de novo chamado para
combater. Ao agarrar o seu adversário, o próprio contato parecia
conferir-lhe nova força, o que o fez com que continuasse a lutar
com mais bravura, até que seu companheiro foi forçado a gritar
que já bastava. Antes de partir, porém, o belo jovem disse que
no dia seguinte poria fim as suas provocações.
"Amanhã
o teu pai vai trazer-lhe alimento, o que te ajudará", disse.
"Á noite, noite voltarei para lutar contigo. Sei que estás destinado
a ganhar e a obter o teu desejo. Quando me tiveres derrubado,
despe-me dos mantos e das plumas e enterra-me no local onde
eu cair, nunca esquecendo de manter a terra que me tapa úmida
e limpa. Uma vez por mês certifica-te de que os meus restos
mortais não cobertos são terra nova. E ver-me-ás de novo, vestido
com os meus mantos verdes e com as minhas plumas." Dizendo isto
desapareceu.
No
dia seguinte, o pai do rapaz levou-lhe comida; mas o jovem suplicou-lhe
que a comida fosse guardada até a noite. Mais uma vez o estranho
apareceu. Embora não tivesse comido nada, a força do herói,
como antes, parecia aumentar à medida que a luta ia se desenrolando
até que, por fim, derrubou o seu adversário. Depois, despiu-o
dos seu mantos e plumas e enterrou-o, não sem sentir pena de
Ter matado um tão belo jovem.
Estando
a sua missão cumprida, voltou para junto de seus pais e depressa
recuperou toda sua força, nunca esquecendo, porém, a sepultura
do seu amigo. Nem uma erva sequer conseguia lá crescer e, finalmente,
ele foi recompensado. As plumas verdes começaram a aparecer
ao cimo da terra, transformando-se em graciosas folhas. Quando
o outono chegou, ele pediu ao pai que o acompanhasse ao local.
Por essa altura, a planta já estava no seu auge, alta e bela,
com folhas esvoaçantes e bolas douradas. O seu pai ficou surpreso
a admirado.
"É
o meu amigo, - murmurou o rapaz - o amigo dos meus sonhos."
"É Mon-da-Min,, - disse o seu pai - o grão do espírito, a dádiva
do grande espírito."
E
foi desta forma que o milho foi concedido aos índios.
Retirado
do livro; Mitologia Norte Americana - Lewis Spence
Editorial
estampa / Circulo de Editores - Lisboa
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