|
História
da Antiga Tradição Adão: O Primeiro
Diz a Antiga Tradição que a vida surgiu em Thulé, quando Elfou
(provavelmente a mais antiga palavra para designar “Deus”) moldou uma forma
e lhe conferiu o sopro da vida. A essa forma deu o nome de “Adão”
(palavra aramaica que quer dizer “o primeiro”), e para consumar a Sua Obra
instruiu-o nos “Mistérios da Vida”, que consistiam no conhecimento de “Tudo
em Tudo". Quando se diz que "a Maçonaria é tão antiga quanto a própria
humanidade” está-se a fazer alusão a esta mítica transmissão do “Segredo” ao
Primeiro homem. Com efeito, o conhecimento de “Tudo em Tudo” continua a ser o
mais antigo mistério da Maçonaria. Desde sempre, o homem teve necessidade de se agrupar com outros homens da
sua mais absoluta confiança, num espírito de solidariedade sem limites, com
quem se sentia seguro e apoiado, e onde podia expor os seus conhecimentos e
ideias sem receio de ser incompreendido ou mal interpretado. Não é difícil
imaginar que grupos desta natureza se reunissem secretamente (para não
indignar aqueles que não tivessem sido considerados dignos de os integrar), e
que a sua preocupação pouco teria a ver com o simples bem-estar dos seus
membros, pois o que provavelmente mais interessava a estes grupos
discretos e filantrópicos era lutar pelo bem-estar de toda a comunidade,
assegurar os princípios básicos da justiça social e promover o seu
desenvolvimento cultural. Para a sua própria segurança e discrição, os membros destes grupos
tiveram necessidade de criar uma linguagem secreta, com recurso a símbolos,
só por eles compreendida, a qual podia ser utilizada em praticamente todos os
lugares e situações sem comprometer o seu sigilo. Foi também nestes grupos restritos que, muito mais
tarde, se viriam a desenvolver, preservar e transmitir as “Sete Ciências
Livres”, também designadas por “Sete Artes”. Estas “Artes” são, em primeiro
lugar, a Gramática, a Dialéctica e a Retórica (grupo de saberes designado por
“Trivium”), e depois, a Aritmética, a Geometria, a Música e a
“Astronomia” (o “Quadrivium”). O conjunto destes dois grupos (as Sete
Artes) era designado por “Grande Ciência Sagrada”. |
|
|
|
Caim: O Filho da Luz
Recorrendo de novo à Tradição, constatamos um aspecto
importante e pouco conhecido: Eva foi mãe de Caim, Abel e Seth (este último
nascido em 930 da era antiga, no final da vida de Adão), mas apenas Abel e
Seth eram filhos de Adão. Na verdade, Caim não pertence a uma pura genealogia
terrena, mas sim a um cruzamento desta com a espiritual, tendo como pai Eblis
(designado na Bíblia por Lúcifer). Enquanto Caim é um “Filho da Luz”, um ser celestial
ligado ao Cosmos, à investigação, ao desenvolvimento intelectual, à
liberdade, ao domínio da natureza (agricultura, inventos, construção), Abel é
um simples filho da matéria, portador de todos os defeitos humanos e dominado
por preconceitos e superstições, não passando de um escravo da sua própria
ignorância. O Ser Radioso Eblis (ou Iblis), o pai de Caim, torna-se
assim o progenitor de uma extensa dinastia paralela à humana e que se
reproduz de forma idêntica. É a dinastia dos Filhos da Luz, que deu origem a
Enoch, Hermes, Imhotep (construtor do templo de Edfou e da grande pirâmide de
Kéops), Hiram Abif (construtor do Templo de Salomão), e a muitos outros Seres
da mais elevada intelectualidade e espiritualidade. Por se recusar a obedecer a Adão, um simples humano, O
Espírito da Luz (Eblis, Lúcifer) foi expulso do paraíso terrestre. Porém, era
tanto o seu brilho que só no firmamento encontrou local onde pudesse
alojar-se. Por isso, converteu-se na estrela Polar, para irradiar alguma luz
e ajudar a dispersar as trevas da humanidade. Foi imensa a dor de Caim, que também era odiado pela
família, a qual queria, a todo o custo, subjugá-lo e transformá-lo num ser
acorrentado às limitações humanas. Quem o perseguia mais insistentemente para
lograr estes propósitos era o seu irmão Abel, incumbido de tal missão por
Adão. Por esta razão Caim foi obrigado a lutar pela liberdade da linhagem
espiritual, negando-se a vê-la acorrentada à imperfeição e às fracas
limitações humanas. Saiu vencedor desta luta, tendo sucumbido o seu irmão. Esta passagem refere-se, como é óbvio, à luta que cada
ser humano deve travar internamente, consigo próprio, no sentido de se
libertar dos erros e vícios que são inerentes à condição humana. Caim e Abel são designações de diferentes estados da
evolução humana, os quais são antagónicos e irreconciliáveis. Representando
Caim o BEM, a VIRTUDE e o ALTRUÍSMO, e Abel o MAL, o EGOCENTRISMO e a INVEJA,
tudo isto no ser humano, é obrigação de cada um de nós “matar o mal” que em
si reside. Por isso, Caim era filho do Espírito da Luz, de genealogia não
humana. Fora despertado pelo seu “Pai Celeste”. Era o “novo homem” que
despontava. E é também por essa razão que, explorando as antigas escrituras,
chegamos ao terceiro filho de Adão – “Seth” –, que corresponde ao culminar da
perfeição. Percebemos assim que todos estes estados devem ocorrer em cada homem:
começa por ser Abel (o profano), depois Caim (o iniciado), e mais tarde Seth
(o iluminado). É por esta razão que a Maçonaria é “caimita”. A incapacidade de interpretar o verdadeiro sentido (filosófico) dos
textos dos antigos livros sagrados, levou ao estabelecimento de religiões
contra-iniciáticas, que têm contribuído para perpetuar a ignorância. |
|
|
|
Henoch: O Profeta
Voltando à lenda bíblica….. Dos descendentes de Caim e de sua esposa (Zila), que foram
muitos e seria impossível mencionar todos, vamos agora referir o primeiro
filho de Jared: Henoch (que por sua vez foi pai de Matusalém). Henoch foi o sétimo patriarca de Israel. Nasceu no ano 1422 da era
antiga. Segundo a tradição, durante um sonho foi-lhe revelado o verdadeiro
nome de Deus, na condição de nunca o poder transmitir a ninguém ou sequer
pronunciar, e noutro sonho foi informado acerca do dilúvio e da destruição
que o mesmo implicava. Perante isto, resolveu preservar da catástrofe a revelação do primeiro
sonho, e gravou uma representação simbólica sobre um delta de ouro, que
incrustou numa pedra cúbica (uma ágata). Esta relíquia foi guardada numa
abóbada que escavou no interior de uma montanha. |
|
|
|
Jabal: O Artista; Tubalcaim: O Mestre dos
Metais ou Alquimista
Continuando na “dinastia” de Caim, vamos destacar dois
dos filhos do patriarca Lamec: Jabal e Tubalcaim (Lamec foi pai de Noé, aos
182 anos). A Jabal (o filho mais velho) foi revelado o segredo das
Sete Artes e a Tubalcaim foram confiados os segredos da Ciência Secreta de
forjar e transmutar os metais (a Alquimia). Para preservar todos estes conhecimentos e impedir que fossem perdidos
com o Dilúvio que se avizinhava (e cujos sinais os Sábios sabiam captar), os
dois irmãos gravaram-nos sobre duas colunas, uma de pedra e a outra de
tijolo. O dilúvio teve lugar no ano 1657 da era antiga (2378 anos a.C.), quando
as chuvas caíram ininterruptamente durante 40 dias e provocaram uma inundação
que durou 160 dias. |
|
|
|
Misraïm: O Divulgador da Tradição Antiga
Misraïm era neto de Noé (filho de Cam). Mas antes de falarmos de Misraïm torna-se necessário
dar uma breve explicação da nossa interpretação de alguns aspectos
importantes relativos à transmissão iniciática. É frequente dizer-se que Adão foi o primeiro Maçom,
pelo facto de ter recebido instrução sobre os Mistérios da Vida (o “Tudo em
Tudo”). Para nós, Adão não representa apenas um homem, mas a
própria humanidade… de uma Era muito anterior à nossa. Alguns destes primeiros homens não se resignavam com o
que os cinco sentidos físicos lhes permitiam perceber, e desejavam
ardentemente saber mais. Devia haver uma explicação para a “Vida”, para o
“Universo”, para a “Morte”. Enfim… deram-se conta da sua total e absoluta
ignorância acerca de quase tudo o que se relacionava com a sua existência
(situação que hoje ainda se mantém). Servindo-se das faculdades mais importantes do ser
humano – a capacidade de pensar e de meditar – foram procurando explicação
para muitos dos fenómenos, e alguns destes homens terão atingido estados de
“elevada espiritualidade” que lhes proporcionou experiências místicas muito
gratificantes. É durante este processo transformativo, do homem rude
para o homem superior, que ocorre o conflito interno “Abel” – “Caim”. È
quando o homem superior (Caim) desponta em plenitude, e nele já não há lugar
a vícios nem baixezas humanas (designadas por “Abel”). Purifica-se totalmente
(mata “Abel”). É evidente que estas preocupações não atingiam todos os
homens, e os que optaram por continuar nas trevas da ignorância achavam que
estavam certos (e que os “iniciados nos mistérios” deviam ser dissuadidos das
suas pesquisas e voltar a ser como eles). Isto é referido na lenda bíblica quando refere que a
família estava contra ele, por ter “morto Abel”. Foi por isso que a transmissão dos segredos inerentes
ao processo que conduz à “iluminação espiritual” teve que passar a
efectuar-se secretamente (para evitar o confronto, inútil e desagradável, com
os que preferem viver nas trevas da ignorância e cultivar os vícios e os
prazeres insanos). Vamos agora, finalmente, falar de Misraïm. Os historiadores maçónicos da tradição “noaquita” afirmam que aquilo que
veio a conhecer-se como Maçonaria Egípcia foi transmitido secretamente, pelos
iniciados de todas as épocas, de geração em geração, até chegar a Noé. Este,
por sua vez, transmitiu os ensinamentos aos seus filhos, e a cadeia
iniciática nunca se perdeu. Misraïm levou o conhecimento secreto para o
Egipto. Com ele criou o mais antigo Rito Maçónico e estabeleceu-o nas margens
do Nilo. Os filhos de Misraïm prosseguiram a cadeia iniciática e instalaram o
Rito nas cidades por eles fundadas no Egipto e na Palestina (a Bíblia
refere-se à fundação de cidades pelos filhos de Misraïm (Génesis: 10, 13). Hermes (a que nos referiremos a seguir) descobriu os segredos antes de
ser formalmente “iniciado”. |
|
|
|
Hermes Trimegisto (Thoth, Mercúrio, Sírio ou Lugh)
Júpiter (ou Zeus), o mais poderoso dos
deuses, teve sete esposas, para além de incontáveis amores com ninfas e
mortais, de quem foram gerados diversos filhos. Hermes nasceu dos seus amores com Maya (uma das filhas
do Deus Atlas) e Lúcifer dos amores com Aurora. Por esta razão, Hermes e Lúcifer são irmãos (ou melhor,
meio-irmãos. Hermes foi preceptor de Ísis (que era a filha mais
velha do mais antigo dos deuses referidos na antiguidade: Cronos (ou Saturno,
o Deus Humano e o Pai do Tempo). Diz-nos Plutarco que Hermes foi o inventor
da linguagem secreta, foi o primeiro legislador, e foi quem ensinou à
humanidade o culto dos deuses e o modo de construir os templos para a sua
adoração. Após o abaixamento das águas diluvianas, coube a Hermes
a descoberta das duas colunas onde Jabal e Tubalcaim registaram o
conhecimento das Ciências e das Artes Secretas. Compreendendo a importância de tais conhecimentos,
Hermes toma a iniciativa de os transmitir a um reduzido número de homens que ele
considera suficientemente preparados, não apenas para os manter em segredo,
mas para lhes dar utilidade, de forma discreta (e por sua vez transmiti-los a
outros, que se encontrassem preparados para os receber). Após a avaliação dos escolhidos para transmissão do
conhecimento “hermético” (palavra que deriva do seu nome, e que entrou no
léxico comum com o significado de "vedado", "selado",
"bem fechado", mas que em sentido iniciático quer dizer
"secreto" ou "desconhecido dos profanos"), Hermes dá os
primeiros passos nas revelações secretas, processo que culmina na ordenação
dos seus discípulos como Sacerdotes do “Deus Vivo”. Estes homens
tornam-se os detentores de todos os segredos das Ciências, das Artes, e dos
Mistérios dos Símbolos. Alguns destes sábios vieram a tornar-se os mais altos
dignitários do Estado egípcio e ocuparam cargos de relevo na administração do
país. Com o famoso aforismo “O que está em cima é como o
que está em baixo”, Hermes revela a Lei da Analogia que permite
compreender o macrocosmos a partir das observações do microcosmos e encerra a
síntese de todo o saber hermético. Ele referia-se também a uma força misteriosa, que
designava por «forte força da força», a qual se encontra em todos os
homens, mas que poucos se preocupam Diz a tradição que foi o próprio Deus (seu pai) quem
iniciou Hermes no conhecimento das ciências e das artes e o designou por
“Trimegisto” ou "Três Vezes Grande" (Grande em qualidades
humanas, Grande Sábio e Grande Mestre), inspirando-o a receber as mais
altas iniciações em todos os templos de sabedoria do mundo (Índia, Tibete,
Pérsia, Etiópia e Egipto), onde se tornaria conhecedor de todas as doutrinas
e cerimónia sagradas. O propósito era torná-lo instrutor da humanidade e
habilitá-la a deixar registos escritos dos seus saberes, pensamentos e
emoções. De acordo com a mesma tradição, Hermes terá sido o
autor dos hieróglifos, que permitiram aos egípcios registar a sua cultura e a
sua teologia. Hermes (Thoth) é citado no Livro dos Mortos como
“o que pesa as almas”: «...A tua alma foi pesada e foi encontrada falta de
peso...». Hermes foi também instrutor dos Gregos e venerado pelos
Celtas. Para os antigos egípcios Thoth foi classificado como o
Deus da Sabedoria e da escrita, o guardião dos arquivos sagrados e da magia (que
integrava a própria religião); para os gregos, Hermes foi o mais excelso
de todos os Sábios. Também integrou o panteão celta, como “Lugh”, o Ser
Superior e Mestre de todos os saberes, protector das almas dos mortos que
passavam a barreira do desconhecido, e dos vivos que o evocavam pedindo a
Sabedoria Ancestral. A corrente iniciática tradicional da Maçonaria não é
outra coisa que o «Hermetismo», porque em toda a sua história se tem
ocupado da filosofia tradicional e da síntese de todos os conhecimentos,
desde as épocas mais recuadas, reconhecendo no homem a síntese microcósmica
de todas as cosas, como parte de um «Todo» Macrocósmico, e que está
latente nele a capacidade para compreender as Verdades Superiores. O estudo das primeiras civilizações da humanidade permite compreender a
existência de uma espécie de hierarquia oculta. Diz a tradição que esta
hierarquia é constituída por Reis Sacerdotes, iniciados nos mistérios, a qual
forma uma fraternidade teocrática de Sábios. Esta fraternidade mereceu a
designação genérica de «Grande Loja Branca», e a sua chefia esteve a
cargo de Melquisedek (Melchisedech ou Melquizedech), “Rei Sacerdote”, “Rei de
Salem”, “Mestre do «Deus Altíssimo»” (estas coisas devem ser
interpretadas e compreendidas…). Ao longo dos séculos, a Grande Loja Branca (ou Grande Fraternidade
Branca) tem sido a fiel guardiã de todos os segredos e mistérios do Universo e
a transmissora da Doutrina Sagrada. Os “Magos” Melchior, Gaspar e Baltasar,
citados na tradição Cristã, eram “Reis Sacerdotes” desta fraternidade. |
|
|
|
O Tradicional Uso dos Símbolos na Maçonaria
Os obreiros especializados nas grandes obras de arquitectura
encontravam-se espalhados por todos os povos e culturas, falando diferentes
línguas. Phalec (nome dado também ao anjo Camael), um famoso
arquitecto da antiguidade (relacionado com a construção da torre Etemenanki,
ou “Babel”, (que em assírio que dizer “confusão”), vendo-se impossibilitado
de comunicar com os mestres e obreiros com as palavras da sua língua natal,
estabeleceu códigos através de símbolos e sinais. Esta tradição de comunicar por símbolos é uma das mais
antigas características da maçonaria egípcia, e terá sido justamente Misraïm
quem a levou para o Egipto, tendo sido grande valia para a construção das
pirâmides. Misraïm foi o fundador da primeira dinastia egípcia, a
que se refere a tradição quando fala do mitológico “rei escorpião”. Vinte e cinco séculos antes da era Cristã, no reinado
de Kéops, o uso dos símbolos e sinais, associado ao conhecimento astronómico,
cosmológico e geométrico, permitiu revelar na grande pirâmide um manancial de
impressionantes conhecimentos (nas medidas arquitectónicas, na estrutura, no
aproveitamento dos espaços interiores, e na própria decoração). Todos os construtores egípcios integravam sociedades
secretas iniciáticas, destacando-se uma delas, fixada em Deir el Medineh,
onde era praticada a antiga Maçonaria. Estas sociedades funcionavam não
apenas com finalidade iniciática-ritualística, mas também como agremiações do
tipo “sindical”, sendo ali estudadas as reivindicações a apresentar pelos
obreiros e também todas as leis e códigos de actuação que lhes serviriam de
guia. No museu do Cairo existe documentação comprovativa
destes factos, respeitante ao ano 29 do reinado de Ramsés II, na 19ª
dinastia. Todas as obras eram consagradas ao “Soberano Arquitecto dos Mundos”. Para a Maçonaria Egípcia, a data da construção da grande pirâmide marca o
primeiro ano do calendário Maçónico. E esta data corresponde ao ano |
|
|
|
Início do Rito Primitivo na Europa
Terá sido o patriarca Balaám (citado na Bíblia em Núm:
22, 8) quem trouxe o Rito para a Etrúria, instalando-se no local que hoje
corresponde à cidade de Florença. Este facto explica o motivo da forte
implantação do Rito em Itália, e dali ter sido difundido por todo o mundo
civilizado. Muitos dos “cruzados” não eram simples mercenários, mas
sim iniciados no Rito. E com a primeira cruzada tiveram a oportunidade de
conhecer os mais importantes lugares citados na tradição de Misraïm.
Infelizmente, alguns historiadores fanáticos do cristianismo, viam o mundo
árabe como uma civilização que devia ser destruída. Por isso relataram
façanhas sanguinárias, atribuídas aos cruzados, as quais só existiram na sua
imaginação. O Rito é pré-Cristão, e por isso não será de estranhar que tenha
interessado a personagens importantes do mundo árabe, como o sultão Saladino,
com quem estes iniciados contactaram. Nicolas Flamel (o famoso alquimista) e Giotto (o pintor) foram iniciados
no Rito. |
|
|
|
Século XVIII
|
|
|
|
Saint Germain
Em 1718 instala-se em Paris o conde de Saint Germain. Os seus
conhecimentos das ciências herméticas, dos quais deu aplicações práticas no
campo da química (principalmente na tinturaria das cedas) e na mineralogia
(feitura artificial de pedras preciosas e de ouro) têm relação com a antiga
sabedoria egípcia. Ele próprio o declarou, ao ser interrogado sobre o
assunto, respondendo que aprendeu com os antigos egípcios. Além disso, o
conde revelou uma impressionante longevidade. Sem nos determos no facto de
relatar factos históricos da antiguidade como se os tivesse presenciado, há
testemunhos de que o conde manteve sempre o aspecto de um homem de 40 / 45
anos, sem o menor sinal de envelhecimento, quer em 1760 (42 anos mais tarde),
quando a Madame de Pompadour o instalou no castelo de Chambord e o rei o
incumbiu de missões diplomáticas internacionais, quer em 1776 (58 anos mais
tarde, partindo de 1718), quando se encontrava na corte de Federico II da
Prússia, para apresentar projectos químicos. Os testemunhos são dados
por elementos da nobreza que o conheceram quando eram muito jovens e voltaram
a reencontrar-se com ele no fim da sua vida, mantendo-se o conde com o mesmo
aspecto. Saint Germain frequentou a maioria das Lojas Rosacruzes e Maçónicas
existentes na Europa. Dando crédito a certos testemunhos, poder-se-ia supor
que este homem enigmático continua vivo... |
|
|
|
Swedenborg e
Martinez de Pasqually
Entretanto, em 1733,
Swedenborg influenciou alguns ritos maçónicos (entre eles o egípcio) com
interessantes teorias, segundo as quais se deve partir da tradição para
chegar ao culto, e não o contrário (as religiões fazem o contrário). Esta
influência foi notável na Suécia, Inglaterra e Alemanha, devendo-se isto, em
parte, a Martinez de Pasqually (o autor do “Tratado da Reintegração dos Seres
Criados”).
|
|
|
|
A Crata Repoa ou o Tratado das Iniciações Egípcias
Antes do final do século XVIII começa a circular nos
círculos iniciáticos um Tratado Secreto das Iniciações Egípcias, conhecido
como “O Silencio dos Deuses”, mas cujo verdadeiro título é "CRATA
REPOA". Espalha-se na Alemanha em 1770, sob a responsabilidade de
Friedrich Von Koppen (1734-1797) e Johan Wilhelm Bernhard Von Hymmen
(1731-1787), e é editado em Francês em 1821. As antigas iniciações egípcias
explicadas nesta obra são adoptadas pela Ordem dos Arquitectos Africanos e
estão sintetizadas em 7 graus principais, que são: 1. Pastophoro (com as viagens simbólicas ainda hoje
adoptadas pelo 1º de todos os ritos maçónicos); 2. Neocoris; 3. Melanophoris; 4. Cristophoris; 5. Balahate (Alquimista); 6. Astrónomo; e 7. Profeta |
|
|
|
Louis Claude de Saint Martin
Em 1775, com o pseudónimo de
“Filósofo Desconhecido”, Louis Claude de Saint Martin desenvolveu uma
doutrina mística profundamente fundamentada, em parte baseada nos conceitos
de Martinés de Pasqually. Com a muerte de Pasqually, a transmissão desta
corrente iniciática separou-se em dois ramos, sendo um dirigido por Willermoz
e o outro por Saint Martín. Para Willermoz, a ordem Maçónica deve conter
valores que unifiquem o esoterismo cristão e as práticas ocultas, com o fim
de fazer entender aos seus seguidores que o materialismo e a filosofia
racional devem ser combatidos; para Saint Martin, Martin, não têm utilidade
nem o culto, nem o rito, nem a igreja. Ambos os ramos mantém forte vínculo à
mística antiga, cuja fonte é egípcia.
|
|
|
|
Schroeder
Um ano mais tarde (1776),
Schroeder (maçom e ocultista alemão) fundou, em Marbourg o capítulo dos
“Verdadeiros e Antigos Maçons Rosacruzes”, onde eram praticadas a magia,
a teosofia e a alquimia. O “Rito de Schroeder” (ou Rito Rosacruz Rectificado)
foi praticado até meados do século XIX e está actualmente a merecer um
crescente interesse. Alguns historiadores pretenderam identificar Schroeder
com o mestre de magia de Cagliostro, mas tudo indica que não, pois este
último terá sido Kölmer (um mercador austriaco), que foi iniciado no Egípto e
de onde veio com o nome místico de “Altotas”
|
|
|
|
Cagliostro
Em 1777 foi iniciado em Londres um dos personagens mais
fantásticos de todos os tempos (do mundo iniciático): o Conde de Cagliostro
(que alguns identificam com Joseph Bálsamo e outros não). No mesmo ano, Cagliostro fundou em Bruxelas um rito
Maçónico Mágico e tornou-se frequentador das lojas de todos, em praticamente
todas as metrópoles europeias. Em 1779, em Lyon, faz levantar colunas à Loja
“Sabedoria Triunfante”, dedicada totalmente aos ritos mágicos, e em 1784 já
era conhecido com excepcional mago e curandeiro. Passa a dirigir a sociedade
de «Saint Jakin», aberta a gnósticos, rosacruzes e templários, que durou até
à revolução francesa. Em 1784, Cagliostro fundou, também em Lyon, um templo designado por “Loja
Mâe do Rito Egípcio”, como um revivalismo do culto de Ísis, estabelecendo
aqui um pilar da moderna Maçonaria Egípcia. Estes trabalhos tinham por fim
libertar o homem da “queda” e levá-lo à reconquista da dignidade perdida. A
filosofia inerente ao rito foi por ele designada por “Doutrina do Grande
Copta”. Depois de uma série de incidentes, mal contados e mal interpretados pelos
historiadores, nos quais a sua reputação se vê irreparavelmente denegrida,
chegando a conhecer a prisão (Bastilha, em 1785) e culminando na condenação à
morte, pela inquisição de Roma, em 1791 (na fortaleza de San Leo. Há
registo da sua morte por estrangulamento, mas também existem outras
versões... |
|
|
|
Mesmer
Em 1779, o médico e maçom austríaco Franz Anton Mesmer,
após experiências profundamente influenciadas por Saint Germain, publicou a
obra "Memóire Sur Convicto da grande importância que esta descoberta
poderia ter para a cura dos enfermos, fundou em Paris a Loja Maçónica
“Sociedade da Harmonia Universal”, a qual tinha por finalidade iniciar
pessoas na arte da cura, segundo os seus postulados. Mesmer não fez outra coisa do que dar uso à sua
interpretação pessoal dos antigos ensinamentos egípcios, que relacionavam o
homem com o cosmos, como aliás acontecia em toda a medicina antiga (indiana,
chinesa, tibetana, etc.). Se a Maçonaria é uma sociedade perfeita e se uma parte
importante do seu saber tem relação com o antigo Egipto, haveria toda a razão
para fazer uso dos conhecimentos médicos daqueles sábios! E com efeito, há
muito por explorar dos antigos mistérios. O Faraó, “rei do duplo país”, representava Amon-Ra. Não se tratava de uma
mera representação simbólica, pois havia cerimónias próprias para a recepção das
energias. E esta recepção tornava-o possuidor de uma força misteriosa, que os
egípcios designavam por “Ka”. Era a própria essência da força vital, a
energia da vida, e cabia aos sacerdotes – “os servidores do lugar da verdade”
– a responsabilidade de a manter activa e a fluir através do Rei, mediante
persistentes rituais. Esta força revelava-se quando os adeptos elevavam os
braços, formando um esquadro sobre a cabeça. A representação do “Ka” é a serpente... (e ficamos por aqui nesta
descrição...). |
|
|
|
O Rito Primitivo
Em 1780, o Marquês de
Chefdebien fundou o “Rito Primitivo” (em Narbonne, França).
|
|
|
|
Gad Bédarride
Em 1782, um misterioso
“iniciador egípcio”, de nome místico “Ananiah” (“O Sábio”), de visita a
Cavaillon (França), inicia Gad Bédarride. Este, por sua vez, inicia os seus
filhos, que vêm a tornar-se nos principais difusores do Rito Egípcio naquele
país.
|
|
|
|
O Rito dos Perfeitos Iniciados do Egipto
Em 1788, em Veneza, foi
criado o “Rito dos Perfeitos Iniciados do Egipto, ou Rito de Misraïm”. Este
Rito deu continuidade aos trabalhos iniciados por Cagliostro e funcionava com
uma Carta Constitutiva que ele passara a um grupo protestante (os Socisienos)
por ele iniciados no Rito Egípcio. Estes trabalhos foram difundidos em França
por alguns Maçons que tinham participado na campanha de Napoleão no Egipto.
|
|
|
|
Século XIX
|
|
|
|
A Autentica
Tradição
1801 marca a data em que surgem numerosos ritos
reclamando a autentica tradição egípcia e são constituídas muitas Lojas com
esta finalidade. |
|
|
|
A Grande Loja
Francesa de Misraïm
Foi em 1810 que os três irmãos, Michel, Marc e
Joseph Bedarride fundaram a Grande Loja Francesa de Misraïm, com poderes
outorgados pelo Grande Comendador Italiano De Lassalle. Fiéis à tradição,
enfatizaram na sua ritualística a história do primeiro rei do Egipto
(detentor dos segredos da Ordem): Misraïm. |
|
|
|
Samuel Honis e
Marconis de Négre
Em 1815, também em França (Montauban), Samuel Honis e
Marconis de Négre, cavaleiros templários iniciados pelo egípcio Ormuz,
sacerdote de Memphis (convertido ao Cristianismo por São Marcos), fundaram
uma outra obediência do Rito de Memphis. |
|
|
|
Garibaldi
Em 1881 Garibaldi fundiu os dois Ritos (o Rito de
Memphis e o Rito de Misraïm) num rito único – o Rito de Memphis e Misraïm –,
do qual foi o primeiro Grão-Mestre. Longe de desagradar ao mundo maçónico,
disperso numa infinidade de Obediências e Lojas (algumas Lojas sem pertencer
a qualquer obediência), este evento foi excepcionalmente bem acolhido e neste
rito se fundiram todos os graus iniciáticos das antigas obediências
esotéricas, tais como o “Rito de “Philalethes”, o “Rito de Philadelphes”, o
“Rito dos Irmãos Africanos”, o “Rito Hermético” e o “Rito Primitivo” (fundado
em 1.780 pelo Marques de Chefdebien (Narbonne, França). |
|
|
|
Papus
Em 1888, um século depois de Saint Martin, Gerard
Encausse (Papus) voltou a afirmar que “o espírito do homem é o único e
verdadeiro templo”, revivescendo a doutrina de Saint Martin e criando a
“Ordem Martinista” |
|
|
|
Século
XX |
|
|
|
O Rito Oriental
Antigo e Primitivo de Memphis
Em 1947, alguns maçons assumiram uma postura
revivalista e insistiram em fazer ressurgir O Rito de Memphis
(independentemente de continuar a existir o rito unificado de Memphis e
Misraïm), com a designação de “Rito Oriental Antigo e Primitivo de Memphis”. Apresentaram-no
como tratando-se de uma síntese de todos os ritos filosóficos, herméticos e
alquimistas, e disseram ser uma continuação do Rito Primitivo de Philalethes. |
|
|
|
Rito Antigo e
Primitivo de Memphis Misraïm
Em 1959 foi criado o “Supremo Conselho Mundial das Ordens Maçónicas de
Memphis e Misraïm”, agremiando todos os Ritos Egípcios antigos. Em 1963, passou a existir somente a designação de «Rito Antigo e
Primitivo de Memphis Misraïm». A partir desta data surgiram Potencias (Soberanos
Santuários) Nacionais, Continentais, Internacionais, e outros com Jurisdições
definidas por idiomas (também com carácter internacional). |
|
|
|
Bibliografia
Consultada para a História da Antiga Tradição
|
|
|
·
Dejean,
Raymond Francois Aubourg – Los Hijos de ·
Infinito, Perpua - Historia del Rito de Memphis y
Mizraim; · Site “O BEM E O MAL”: http://www.marcus.rat.nom.br/obemeomal.htm; ·
Revista
Internacional “SYMBOLOS”: http://www.geocities.com/symbolos/cain_hiram.htm; · Sadoul, Jacques – O
Ouro dos Alquimistas; ·
Tovar,
Sofía Torallas – Tres Estados de Conciencia en Filón de Alejandría: Sueño,
Vigilia e Éxtasis: http://www.labherm.filol.csic.es/Sapanu1998/Es/Actas/Torallas.htm; ·
Ciodi,
Antonio Orlando - Franz Anton Mesmer; ·
http://www.universoespirita.org.br/novos_textos/vanessa/novos%20textos%20diagramar%202/mesmer.htm; R.’. L.’. S.’. "Estricta Observancia n.º 33": http://ssmmperu.tripod.com/oti01.htm
|
||