MENSAJE DE NAVIDAD 1971
EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAEL AUN WEOR
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O Bagavad-Guita, o livro sagrado do Senhor Krishna, diz, textualmente, o seguinte:

“O ser não nasce, nem morre, nem se reencarna. Não tem origem; é eterno, imutável, o primeiro de todos e não morre quando lhe matam o corpo.”

Que nossos leitores gnósticos reflitam, agora, no seguinte versículo antitético e contraditório:

“Como se deixa as vestes gastas e se põem outras novas, assim o Ser corpóreo deixa seu corpo gasto e entra em outros novos.”

Dois versículos opostos do grande Avatara Krishna. Se não conhecêssemos a chave, é óbvio que ficaríamos confundidos.

“Ao deixar o corpo, tomando o sendeiro do fogo, da luz, do dia, da quinzena luminosa da lua e do solstício setentrional, os conhecedores de Brahma vão a Brahma.”

“O iogue que, ao morrer, vai pelo sendeiro do fumo, da quinzena obscura da lua e do solstício meridional, chega à esfera lunar (o mundo astral) e logo renasce (retorna, reincorpora-se).”

“Estes dois sendeiros, o luminoso e o obscuro, são considerados permanentes. Pelo primeiro, emancipamo-nos e pelo segundo, renascemos (retornamos).”

Declaremos que o Ser, o Senhor encarnado em alguma criatura perfeita, pode voltar, reencarnar-se...

“Quando o Senhor (o Ser) toma um corpo, ou o deixa, Ele se associa com os seis sentidos ou os abandona e se vai como a brisa que leva consigo o perfume das flores.”

“Dirigindo os ouvidos, os olhos, os órgãos do tato, gosto e olfato e também a mente, Ele experimenta os objetos dos sentidos.”

“Os ignorantes alucinados não O vêem quando Ele toma um corpo; Ele o deixa ou faz experiências associando-se com as Gunas; em compensação, os que têm os olhos da sabedoria, O vêem.”

Como documento extraordinário para a doutrina da Reencarnação, vale a pena meditar no seguinte versículo do Senhor Krishna: 

“Ó Bharata! Toda vez que declina a religião e prevalece a irreligião, eu me encarno de novo (quer dizer, reencarno-me) para proteger os bons, destruir os maus e estabelecer a religião; encarno (ou reencarno) em distintas épocas.”

De todos estes versículos do Senhor Krishna se deduzem, logicamente, duas conclusões:

A) – Os conhecedores de Brahama vão a Brahama e podem, se assim o quiserem, voltar, incorporar, reencarnar para trabalhar na Grande Obra do Pai.

B) – Aqueles que não dissolveram o ego, o eu, o mim mesmo, vão, depois da morte, pela senda do fumo, da quinzena obscura da luz e do solstício meridional, chegam à esfera lunar e logo renascem, retornam, reincorporam neste doloroso vale de Samsara.

A doutrina do Grande Avatara Krishna ensina que só os Deuses, Semi-Deuses, Reis Divinos, Titãs e Devas reencarnam.

Retorno é algo muito diferente. É Inquestionável o Retorno de Kalpas, Yugas, Mahamvantaras, Maha-Prayalas, etc., etc., etc.

A Lei do Eterno Retorno de todas as coisas combina-se sempre com a Lei de Recorrência.

Os egos retornam incessantemente, para repetir dramas, cenas, acontecimentos, aqui e agora. O passado se projeta para o futuro através da estreita passagem do presente.

A palavra Reencarnação é muito exigente; não se deve usar de qualquer maneira: ninguém poderia reencarnar-se sem ter, antes, eliminado o ego; sem ter, de verdade, uma individualidade sagrada.

Reencarnação é uma palavra muito venerável; significa, de fato, a reincorporação do divinal em um homem.

Reencarnação é a repetição de tal acontecimento cósmico; uma nova manifestação do divino...

De nenhuma maneira exageramos conceitos ao enfatizar a idéia transcedental de que a Reencarnação só é possível para os embriões Áureos que já lograram, em qualquer ciclo de manifestação, a união gloriosa com a Superalma.

Absurdo seria confundir a Reencarnação com o Retorno. Seria cair num desatino da pior classe, afirmar que o ego, legião de eus tenebrosos, sinistros e esquerdos, possa reencarnar.
 
 
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