MENSAJEDE NAVIDAD 1971
ELMISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAELA UNWEOR
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Falando claramente e sem rodeios, podemos e devemos afirmar que três formas humanas vão ao sepulcro:

A)  O cadáver físico.
B)  O corpo vital ou Lingam Sarira
C)  A Personalidade

É inquestionável - e qualquer um o sabe - que a forma densa, em processo gradativo, desintegra-se dentro da forma sepulcral.

É ostensível que o segundo aspecto, vital, ou Lingam Sarira, flutuando ante o sepulcro, qual fantasma fosforescente, às vezes visível para as pessoas muito psíquicas, desintegra-se lentamente, junto com o corpo físico.

Interessante resulta, para os clarividentes, a terceira forma; quero referir-me à personalidade energética...

Certamente seria um desatino enfatizar a idéia de alguma possível reencarnação para a personalidade. Esta última é filha de seu tempo, nasce em seu tempo, morre em seu tempo... Não existe nenhum amanhã para a personalidade do morto...

Em nome da verdade, devemos dizer que a personalidade se forma durante os primeiros sete anos da infância e que se robustece com o tempo e as experiências...

Após a morte do corpo carnal, a personalidade vai ao sepulcro; entretanto, costuma escapar do mesmo, para perambular pelo cemitério.

Nossa compaixão deve, também, estender-se muito amplamente até estas personalidades descartadas que fizeram do sepulcro sua morada.

Os povos antigos não ignoravam isto e, por isso, metiam, dentro da tumba de seus seres adoráveis, coisas e alimentos relacionados com estes últimos. Isto puderam verificar muitos arqueólogos ao descobrir jazigos, túmulos, cenotáfios, nichos, moradas, sarcófagos...

As flores e visitas dos aflitos alegram muito as personalidades descartadas.

O processo de desintegração de tais personalidades soe, em verdade, ser espantosamente lento.

Nos instantes em que escrevo estas linhas, vêm à minha memória meus companheiros caídos nos campos de batalha durante a Revolução Mexicana. É indubitável que suas personalidades sepulcrais saíram de suas tumbas, para receber-me, quando os visitei num velho panteão; é óbvio que me reconheceram e que me interrogaram, inquirindo, indagando sobre minha existência e forma de vida no presente.

Devi Kundalini,  a Rainha consagrada de Shiva, nossa Divina Mãe Cósmica particular, individual, assume, em cada criatura, cinco aspectos místicos transcedentes, que urge enumerar:

1) A Imanifestada Prakriti.

2) A casta Diana, Ísis, Tonantzin, ou melhor disséramos, RAM-IO.

3) A terrível Hécate, Prosérpina, Coatlicue, rainha dos infernos e da morte, terror de amor e lei.

4) A Mãe Natura particular, individual, criadora e artífice de nosso organismo físico.

5) A Maga Elemental a quem devemos todo impulso vital, todo instinto.

A bendita Deusa Mãe Morte tem poder de castigar-nos, quando violamos a lei e a potestade para tirar-nos a vida.

É indubitáve que Ela é tão só uma faceta magnífica de nossa Dúada Mística, uma forma esplêndida de nosso próprio Ser. Sem seu consentimento, nenhum Anjo da Morte se atreveria a romper o fio da vida, o cordão de prata, o Antakarana.

Aquilo que continua mais além do sepulcro é o ego, o eu, o mim mesmo, certa soma de eus-diabos que personificam nossos defeitos psicológicos.

Normalmente, ditos agregados psíquicos se processam nos mundos astral e mental. Raras são as Essências que logram emancipar-se, por algum tempo, de tais elementos subjetivos, para gozar de umas férias no mundo causal, antes do retorno a este vale de lágrimas.

Por estes tempos tenebrosos do Kali-Yuga, a vida celeste entre a morte e o novo nascimento se faz cada vez mais impossível... A causa de tal anomalia consiste no robustecimento do ego animal; a Essência de cada pessoa está demasiado presa pelo eu pluralizado.

Os egos, normalmente, submergem dentro do reino mineral, nos mundos infernos e retornam, de forma imediata ou mediata, num novo organismo.

O ego continua na semente de nossos descendentes; retornamos, incessantemente, para repetir sempre os mesmos dramas, as mesmas tragédias.

Devemos fincar pé nisto de que nem todos os agregados psíquicos logram tal humano retorno. Realmente, muitos eus-diabos se perdem, porque ou bem submergem dentro do reino mineral, ou continuam reincorporando-se em organismos animais; ou, resolutamente, se aferram, aderem a determinados lugares.

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