MENSAJE DE NAVIDAD 1971
EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAEL AUN WEOR
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Em sublime êxtase inefável, Goethe  proclama a sua Divina Mãe Kundalini como autêntica liberadora:

“Levantai os olhos até a visão salvadora.

Vós, todas ternas almas arrependidas, a fim de transformar-vos, cheias de agradecimento para um venturoso destino.

Que cada sentido purificado esteja pronto para o seu serviço.

Virgem, Mãe, Rainha, Deusa.

Sê propícia!”

Bem sabia Goethe que, sem o auxílio de Devi Kundalini, a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes, seria algo mais que impossível a eliminação do ego animal.

É inquestionável que as relações amorosas mais conhecidas de Goethe, excluindo, naturalmente, a sustentada com Cristina Vulpius, foram, sem exceção alguma, de natureza mais erótica que sexual.

Waldemar diz: “Não cremos pretender demasiado ao dizer que, em Goethe, o desfrute da fantasia era o elementar em suas relações com as mulheres; esforçava-se por perceber a sensação da consolação entusiástica, em uma palavra, o excitante elemento musa da mulher que lhe inflamava espírito e coração e que, em absoluto, devia buscar satisfação para a sua matéria.”

“O apaixonado enamoramento que teve por Carlota Buff, Lili, ou Frederica Brion, não podia propagar, correspondentemente, toda situação ao sexual.”

“Muitas histórias literárias tentaram já expor, lisa e francamente até que ponto chegaram as relações de Goethe com a senhora Von Stein. Os fatos examinados abonam a idéia de que se tratou de uma correspodência ideal.”

“O que Goethe não viveu, como é sabido, em completa abstinência sexual na Itália e que, em seu regresso à pátria, ligou-se prontamente em vínculo com Cristina Vulpius, que nada lhe recusava, permite a conclusão que deveria antes carecer de algo.”

“Indubitavelmente – continua dizendo Waldemar – Goethe amou de maneira mais apaixonada quando se achava separado do objeto do seu anelo; só na reflexão tomava seu amor corpo e lhe insuflava ardor.”

“Invariavelmente, quando deixa brotar de sua pena as efusões de seu coração à senhora Von Stein, está, realmente, perto dela... mais perto que jamais pudera estar fisicamente.”

Hermann Grimm diz com razão: “Temos visto com sua relação com Lotte só é compreensível, quando remetemos toda sua paixão às horas em que não está com ela.”
Não está demais, neste capítulo, enfatizar a idéia de que Goethe aborrecia o coito dos fornicários: “Omne animal post coitum triste est.”
 

“Assim que trazes a meu amor
um desdidato desfrute.
Leva-te o desejo de tantas canções,
volta a levar-te o breve prazer.
Leva-o e dá ao triste peito,
ao eterno triste peito, algo melhor.”


Que fale agora o poeta! Que diga o que sente! Em verdade e poesia escreve: “Eu saía raramente; porém, nossas cartas – referindo-se à Frederica – trocavam-se cada vez mais viventes. Punha-se ao corrente de suas circunstâncias... para tê-las presentes de modo que tinha ante a alma, com afeto e paixão, seus merecimentos. 

“A ausência me fazia livre e toda a minha inclinação florescia, devidamente, só pela prática, na distância. Em tais momentos podia eu, propriamente, deixar-me deslumbrar pelo porvir.”

Em seu poema “Dita da Ausência” expressa claramente sua propensão a erótica metafísica:
 

 “Liba, ó jovem, da sagrada dita a flor
 ao longo do dia nos olhos da amada !...
 Mas sempre esta dita é maior do que nada,
 estando afastado do objeto do amor.
 Em parte alguma olvidá-la posso,
mas, sim, à mesa sentar-me tranqüilo,
com espírito alegre e em toda liberdade.
E o imperceptível engano
que faz venerar o amor
e converte em ilusão o desejo.


Waldemar comentando diz: “O poeta não se interessava nada – e isto deve ser consignado – pela senhora Von Stein, como era ela realmente, senão em como a via através da pressão de seu próprio coração criador.

“Seu anelo metafísico pelo eterno feminino projetava-se de tal modo sobre Carlota que nela via a Mãe, amava-a, em uma palavra, o princípio universal ou, expressando-o melhor, a própria idéia de Eva”. Já em 1775 escrevia: “Seria um magno espetáculo ver como se reflete nesta alma, o universo. Ela vê o universo tal como é e, por certo, mediante o amor.”

“Enquanto Goethe pudesse poetizar a moça que amava, ou seja, criar um ente ideal que correspondesse ao vôo de sua fantasia, era fiel e afeiçoado; mas, enquanto relaxava o processo de poetizar, bem fosse por própria culpa ou da outra pessoa, retirava-se. Invariavelmente, procurava suas sensações erótico-poéticas até o momento em que a coisa ameaçava converter-se em séria, pondo-se a salvo, então, nos Patbos da distância.”

Permita-se-nos a liberdade de dissentir de Goethe neste ponto espinhoso de sua doutrina.

Amar alguém a distância, prometer muito e olvidar depois, parece-nos demasiado cruel; no fundo disso existe fraude moral...

Em vez de apunhalar corações adoráveis, melhor é praticar o Sahaja Maithuna com a esposa sacerdotiza, amá-la e permanecer-lhe fiel durante toda a vida.

Este homem compreendeu o aspecto transcedental do sexo; porém, falhou no ponto mais delicado; por isso não logrou a Auto-Realização Íntima ...

Goethe, adorando sua Divina Mãe Kundalini, exclama cheio de êxtase:
 

 Virgem pura no mais belo sentido,
 Mãe digna da veneração,
 Rainha eleita por nós
 e de condição igual aos Deuses!...


Anelando morrer em si mesmo, aqui e agora, durante o coito metafísico, querendo destruir a Mefistófeles, exclama:
 

 “Flechas, transpassai-me!
Lanças, submetei-me!
Maças, feri-me!
Tudo desapareça!
Desvaneça-se tudo!
Brilhe a estrela perene,
foco do eterno amor!


Inquestionavelmente possuía este bardo genial uma intuição maravilhosa; se, exclusivamente, tivesse redescoberto em uma só mulher, se nela tivesse achado o Caminho Secreto; se com ela tivesse trabalhado, durante toda a vida, na Nona Esfera, é óbvio que teria chegado à Liberação Final.

Em seu Fausto expõe, com grande acerto, a fé na possibilidade da elevação do Embrião Áureo liberado a uma superalma (o Manas Superior da Teosofia).

Quando isto sucede, dito princípio teosófico penetra em nós e, fusionado com o Embrião Áureo, passa por transformações íntimas extraordinárias; então se diz de nós que somos Homens com Alma.

Ao chegar a estas alturas, alcançamos a maestria, o adeptado; convertemo-nos em membros ativos da Fraternidade Oculta.

Isto não significa perfeição no sentido mais completo da palavra. Bem sabem os divinos e os humanos, o difícil que é alcançar a perfeição na maestria.

Dito seja de passagem: é urgente saber que tal perfeição só se consegue depois de haver realizado esotéricos trabalhos de fundo nos mundos Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

De todas as maneiras, a encarnação da alma humana ou terceiro aspecto da Trimurti indostânica, conhecida como Atman-Budhi-Mas, em nós e sua mescla com o Embrião Áureo é um evento cósmico extraordinário que nos transforma radicalmente.

A encarnação do Manas Superior em nós não implica no ingresso dos princípios átmico e búdico ao interior de nosso organismo. Este último pertence a trabalhos ulteriores sobre os quais falaremos, profundamente, em nosso futuro livro intitulado: “AS TRÊS MONTANHAS”.

Depois desta pequena digressão, indispensável para o temário em questão, continuaremos com o seguinte relato.

Há muito tempo sucedeu0me, no caminho da vida, algo insólito e inusitado. Uma noite qualquer, enquanto me ocupava em meus interessantíssimos trabalhos esotéricos fora do corpo físico, tive que acercar-me, com o Eidolon, da gigantesca cidade de Londres.

Recordo com clareza que, ao passar por certo lugar daquela urbe, pude recordar, com assombro místico, a aura amarela resplandecente de certo jovem inteligente que em uma esquina se encontrava.

Penetrei num café muito elegante daquela metrópole e, sentando-me a uma mesa, comentei o supradito caso com uma pessoa de certa idade que, lentamente, saboreava, numa xícara, o conteúdo daquela bebida arabesca.

De repente, algo inusitado sucede; um personagem se acerca de nós e se senta ao nosso lado; ao observá-lo detidamente, pude verificar, com grande assombro, que se tratava do mesmo jovem de resplandecente aura amarela que, momentos antes, tanto me assombrara.

Depois das costumeiras apresentações, vim a saber que tal sujeito era nada menos que aquele que em vida escrevera “O Fausto”; quero referir-me a Goethe.

No mundo astral sucedem maravilhas, fatos extraordinários, prodígios; não é raro encontrar-se, ali, com homens já desencarnados, com personagens como Victor Hugo, Platão, Sócrates, Danton, Moliére, etc.

Assim, pois, vestido com o Eidolon, quis conversar com Goethe fora de Londres e às margens do imenso mar; convidei-o e é óbvio que ele, de modo algum, declinou tal convite.

Conversando juntos, nas costas daquela grande ilha britânica, onde se encontra situada a capital inglesa, pudemos ver algumas ondas mentais de cor vermelho-sanguinolenta que, flutuando sobre o borrascoso oceano, vinham até nós.

Tive de explicar àquele jovem de radiante aura que ditas formas mentais provinham de certa dama que, na América Latina, me desejava sexualmente; isto não deixou de nos causar certa tristeza.

Brilhavam as estrelas no espaço infinito e as ondas enfurecidas, rugindo espantosamente, golpeavam, incessantemente, a arenosa praia.

Conversando sobre os alcantilados do Ponto, ele e eu, trocando idéias, resolvi fazer-lhe, à queima-roupa, como dizemos aqui no mundo físico, as seguintes perguntas: Tens agora, novamente, corpo físico? A resposta foi afirmativa. Teu veículo atual é masculino ou feminino? Então respondeu: “Meu corpo atual é feminino”. Em que país estás reencarnado? “Na Holanda”. Amas a alguém? “Sim – disse- amo a um príncipe holandês e penso casar-me com ele em determinada data (Desculpe o leitor que não mencionemos esta última).”

Pensava que teu amor seria estritamente universal; amai as rochas – lhe disse – as montanhas, os rios, os mares, a ave que voa e o peixe que desliza nas profundas águas. “Não é acaso o amor humano uma chispa do amor divino?” Este tipo de resposta a modo de pergunta pronunciada por aquele que em sua passada reencarnação se chamara Goethe, me deixou, certamente, aniquilado, perplexo, assombrado. Indubitavelmente, o insigne poeta me havia dito algo irrefutável, incontrovertível, exato. 
 
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