MENSAJE DE NAVIDAD 1971
EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAEL AUN WEOR
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A realidade (Li, em chinês) pode ser vista de maneira repentina; porém, a matéria (Shih, em chinês) deve ser cultivada de forma progressiva e ordenada.

Em outras palavras, depois de ter chegado ao êxtase, tem que se cultivá-lo até seu completo desenvolvimento e maturidade.

Assim, o trabalho esotérico consiste em dois aspectos principais: a Visão e a Ação.

Para ter uma visão, é preciso subir até o mais alto da montanha e olhar dali; para iniciar a viagem, é preciso descer até o fundo do abismo e começar a caminhar dali.

Ainda que o Templo Zen, que é uma forma maravilhosa do Budismo Mahayana, esteja sustentado pelos dois pilares da Visão e a Ação, é ostensível que põe ênfase muito especial no primeiro.

Isto é reconhecido, claramente, pelo Guruji I Shan que disse: "Tua visão e não tua ação é o que me importa."

É por isto que os Mestres Zen põem toda ênfase no êxtase, no Samadhi, no Satori e concentram todos os seus esforços em levar diretamente seus discípulos, ou chelas, até ele.

A escola tibetana Jinayana é diferente e, ainda que suas duas colunas torais sejam, também, a Visão e a Ação, é inquestionável que põe especial solenidade na segunda e luta incansavelmente para levar os seus devotos à Nona Esfera (o sexo).

Não é demais, neste capítulo, afirmar que os aspirantes da escola Mahayana anelam, de verdade e com ânsia infinita, a experiência direta do Vazio Iluminador.

De nenhuma maneira exageramos conceitos se afirmamos com certa veemência que os discípulos da escola Jinayana trabalham, tenazmente, na Forja dos Cíclopes (o sexo), com o propósito inteligente de lograr a Auto-Realização Íntima do Vazio Iluminador.

Quando a mente está quieta, quando a mente está em silêncio, por dentro e por fora e no centro, advém a experiência mística do Vazio; porém, é óbvio que, Auto-Realização é algo muito diferente.

O Vazio não é muito fácil de explicar. Certamente vos digo que não é definível ou descritível.

A linguagem destes humanóides, que povoam a face da Terra, tem sido criada para designar coisas e sentimentos existentes; não é adequada para expressar aquilo que está mais além do corpo, dos afetos e da mente.

O Vazio Iluminador não é assunto de conhecer ou não conhecer; experimentá-lo diretamente é o indicado.

Visão e Ação se complementam mutuamente. As duas escolas citadas resultam indispensáveis.

Ver com lucidez infinita só é possível na ausência do ego, do mim mesmo, do si mesmo; dissolvê-lo é urgente.

Ação consciente é o resultado do trabalho progressivo na Forja dos Cíclopes (o sexo).

A Flor Áurea estabelece o equilíbrio harmônico perfeito entre a Visão e a Ação.

O Embrião Áureo, a Sublime Flor, é o embasamento extraordinário do Buda Íntimo.

Arcaicas tradições milenares dizem que existem duas classes de Budas:

a) Budas transitórios

b) Budas permenentes

É ostensível que os primeiros se encontram em trânsito, de esfera em esfera, lutando por realizar, em si mesmos, o Vazio Iluminador.

É inquestionável que os segundos são os Budas de Contemplação; aqueles que já realizaram, dentro de si mesmos, o Vazio Iluminador.

No estudo esotérico do Zen - forma maravilhosa da escola Mahayana - existem dois termos chineses muito interessantes: Chien e Hsing.

Utilizado como verbo, Chien significa ver ou mirar; utilizado como substantivo, significa a visão, o entendimento ou a observação.

Hsing significa a prática, a ação, o trabalho esotérico. Também se pode usar como verbo ou substantivo.

Chien, em seu sentido mais íntimo, significa todo o entendimento místico do ensinamento budista; porém, no Zen, não só denota o entendimento claro e evidente dos princípios e da Verdade-Prajna, senão que, também, implica na visão desperta que surge da Experiência Wu (Satori, Êxtase, Samadhi).

Chien, neste sentido transcendental e divinal, pode ser entendido como realidade vista ou uma visão da realidade. Ainda que isto signifique ver a realidade, não implica na possessão ou no domínio da mesma.

Hsing, o trabalho fecundo e criador na Frágua Acesa de Vulcano, é fundamental quando se quer a possessão e o domínio do Real.

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