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Nesta se��o voc� encontra exemplos de pessoas que fizeram uso de drogas e contam suas hist�rias para voc�, n�o perca ! Se voc� tem opini�o formada sobre alguma droga, Envie sua Mat�ria para avaliarmos e quem sabe at� mesmo publicarmos nesta se��o. |
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Depoimento retirado da revista "Querida"
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"Parei aos poucos, mas o primeiro passo foi n�o comprar mais cigarros. Minha m�e fumava e eu filava dela. At� que fui viajar e fiquei duas semanas sem p�r um cigarro na boca. Foi decisivo. Troquei esse lance por um esporte. Comecei a nadar todos os dias. Acho que � uma coisa que a gente faz pra tapar o buraco que o cigarro deixa." |
Depoimento retirado da revista "Querida"
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"Em novembro de 1997, depois de cinco anos fumando, larguei de vez o cigarro, Por ver e ouvir tanta coisa horr�vel sobre fumo, comecei a ficar incomodada. Saquei que estava maltratando meu pr�prio corpo. De vez em quando ainda sinto vontade, principalmente quando estou com amigos que fumam ou quando fico nervosa e n�o sei o que fazer com as m�os. O problema � que o cigarro vira um "amigo" do dia-a-dia. Mesmo assim, nunca mais traguei um." |
Depoimento retirado da revista "Querida"
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"Comecei a fumar com 15 anos. No in�cio fumava muito pouco, mas fui aumentando cada vez mais at� chegar a um ma�o por dia. Mesmo com todo mundo falando para eu parar, s� decidi durante uma viagem onde n�o havia ninguem me presionando. Havia coisas que para me distrair. Quando voltei, senti um al�vio, me percebi limpa e saud�vel." |
Depoimento retirado da revista "Querida"
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"Cheguei a fumar dois ma�os de cigarro por dia. Decidi parar porque achei que estava me fazendo mal. Eu andava com um pique de quem tinha 40 anos, ao contr�rio das minhas amigas. Moro em uma ladeira, e foi ficando cada vez mais dif�cil de chegar em casa. Passei a fumar um ma�o por dia, mas a� percebi que tinha de ser de vez. Nos primeiros dias n�o foi nada f�cil tive de chupar muita bala e beber muita �gua. Ainda sinto muita vontade, mas acho que agora sou mais feliz." |
Depoimento retirado da revista "Querida"
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"Comecei a fumar com 15 anos. Antes de parar, estava fumando de um ma�o a um ma�o e meio por dia e tinha fortes dores de est�mago. Parei aos 20 anos. N�o tive mais dor de cabe�a, gastrite nem dor de est�mago. Passei a dormir bem, meu cabelo melhorou e eu n�o tive mais espinhas. O melhor de tudo � que n�o tenho mais aquele cheiro horr�vel. Quanto a essa de engordar, sou modelo e sei que n�o engordei nada: isso � conto do vig�rio." |
Depoimento retirado da revista "Querida"
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"Parei h� dois meses. Decidi largar num dia e no seguinte j� n�o comprei nenhum cigarro. Quando sinto vontade de fumar, vou tomar banho, passear com meu cachorro, nadar ... estou mais disposta, fico menos cansada, e meus interesses mudaram. Hoje em dia me imcomoda ir a lugares onde todo mundo fuma. Prefiro ir para o clube e fazer gin�stica." |
Depoimento retirado da revista "Querida"
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Me refugiei no quarto da empregada, pus alguns m�veis contra a porta, mas meu pai foi mais forte. For�ou a entrada e me arrastou pelo ch�o. No show de horrores em que a minha vida havia se transformado este foi um dos piores momentos. At� ent�o meu pai nunca tinha perdido o controle. Na maioria das vezes eu gritava como uma louca, fazia acusa��es e pedia para ser deixada em paz. Ele ouvia, tentava conversar, mas eu n�o queria saber de nada. Queria morrer. Pouco depois quase consegui. Tudo come�ou no dia em que uma tia, m�dica, me deu uma receita de um rem�dio para emagrecer. Tinha 17 anos, 1,58 metros e pesava 60 quilos. Me achava gorda e feia. Depois de tomar meio comprimido por dia, durante tr�s meses, decidi ir a um endocrinologista que prescreveu uma dr�gea di�ria. Mas meu apetite n�o diminu�a e comecei a aumentar a dose por conta pr�pria. Morria de medo de voltar a engordar , como na primeira vez em que tinha parado com o rem�dio. Quando vi, j� estava tomando quatro rem�dios por dia. Na verdade, entrei nessa de gaiata. Estava passando por uma crise de adolesc�ncia, n�o muito mais grave do que a maioria das garotas de 15 ou 16 anos. Como centenas delas, me olhava no espelho e n�o gostava do que via :uma menina desajeitada, que se sentia mal s� de pensar em por biqu�ni e ir para qualquer praia do Rio de Janeiro, onde moro. No fundo, era isso : a busca de auto - afirma��o, junto com problemas familiares. Quase toda adolescente passa por algo parecido e n�o � um drama t�o grande assim. No meu caso, foi em grande parte por causa do abuso dos rem�dios. Os inibidores de apetite s�o coquet�is que misturam subst�ncias da fam�lia da anfetamina, altamente estimulantes , com calmantes. Em geral, esses rem�dios deixam a gente "ligada", acelerada. Mas ,se voc� abusar, com o tempo a agita��o desaparece para dar lugar � depress�o. Um ano e meio depois do primeiro comprimido, eu estava mergulhada na apatia sem perceber que o rem�dio tinha muito a ver com isso. Larguei o piano, parei o curso de ingl�s, comecei a faltar na academia de gin�stica. Quando ia, vez ou outra, malhava como doida. Nessa �poca, meados de 1991, estava terminando o colegial. Mas n�o tinha motivo nenhum para estudar. De farm�cia em farm�cia S� tinha for�as para tentar arrumar comprimidos. Precisava deles e n�o me perguntava por qu�. Era uma coisa mec�nica, compulsiva, um pavor de engordar. Hoje consigo ver que tamb�m estava em busca do efeito excitante do rem�dio. Depois de ir a mais um m�dico, para pegar receita, descobri que algumas farm�cias vendiam o produto sem ela. Bastava pagar 50% a mais. Eu sa�a de casa e ia de farm�cia em farm�cia, at� conseguir o que queria. Sentia uma necessidade neur�tica de fazer estoques. Em casa, as coisas foram piorando. Brigava muito com meus pais, que n�o desconfiavam de nada. Tudo o que eles sabiam � que , �s vezes, eu tomava um inibidor de apetite, receitado pelo m�dico. Viam que eu estava mal, que n�o tinha interesse por nada, que chorava muito. Mas atribu�am a uma crise de adolesc�ncia. Minha rela��o com eles nunca foi muito boa. Eu achava que davam mais aten��o � minha irm� Liliana, dois anos mais velha. Como os dois sempre trabalharam, eu tamb�m sentia falta de uma conviv�ncia mais pr�xima. O ambiente em casa, no entanto, n�o era de forma alguma carregado- nada que justificasse minha neurose. Viv�amos como uma fam�lia normal de classe m�dia. Tinha cinco irm�os, tr�s homens e duas mulheres, que nunca tiveram esse tipo de problema. Mas, na minha cabe�a, o modelo de fam�lia era representado por uma amiga e por sua m�e, separada do marido. Via a intimidade delas e me achava a �ltima das criaturas. Quando sa�a do meu torpor, jogava isso na cara dos meus pais, aos berros. Punha a culpa da minha situa��o nas costas dos dois, agredia-os at� a raiz dos cabelos. Descontrolada, dizia que s� pensavam em dinheiro, que eu queria aten��o. "Voc�s pensam que criar filho � dar conforto material", acusava. Nesse ponto, eles sempre foram impec�veis. Filhos de lavradores, viveram uma inf�ncia e uma juventude de muitas dificuldades, e n�o queriam que a fam�lia passasse por isso. Depois de cursar a faculdade, conseguiram bons empregos, ficaram bem de vida e nos deram tudo o que foi poss�vel: os melhores col�gios, aulas particulares, carro, roupas boas. Mag�rrima - e pior do que nunca Al�m dos pais, eu culpava o mundo por n�o me adaptar a ele. Olhava para os lados e s� via pessoas preocupadas em ganhar dinheiro, sem dar a m�nima para o crescimento interior. Aos meus olhos eram problemas enormes; me sentia impotente diante deles. Mas, acima de tudo, culpava a mim mesma. N�o me suportava. Para piorar, se parava de tomar o rem�dio por uns dias, comia excessivamente e provocava v�mito logo em seguida. � o que chamam de bulimia: com o tempo, a gente nem precisa induzir o v�mito, ele acontece automaticamente. Nos momentos mais cr�ticos, meus irm�os reagiam, dizendo que eu fazia cenas para chamar aten��o. Me sentia p�ssima porque sabia que era verdade. Mas n�o conseguia escapar desse c�rculo. Algumas amigas sugeriram que fosse fazer terapia, mas eu me recusava. N�o tinha for�as para sair de casa, quanto mais para contar meus problemas a um estranho. Em julho de 1992, estava pesando 46 quilos e tomando dez comprimidos por dia. Com anfetamina em todos os meus poros, me puxando para baixo, ia dormir. No dia seguinte, acordava do mesmo jeito. At� que numa noite n�o aguentei mais. Depois de discuss�o com meus pais, me tranquei no quarto e tomei montes de caixas de calmante. N�o suportava mais a gritaria, os atritos, a loucura. Desta vez, era s�rio. Em duas outras ocasi�es, nos dois anos e meio que durou meu pesadelo, j� tinha tentado suic�dio. Mas era para chamar aten��o. Agora n�o. At� hoje n�o sei o que se passou logo depois. S� sei que "apaguei" num s�bado � noite, deitada no ch�o do quarto, e acordei numa ter�a feira em cima da minha cama. Por isso, deduzo que algu�m na casa tomou alguma provid�ncia. Mas nunca perguntei nada a ningu�m, n�o tenho a m�nima vontade de remexer essas coisas com minha fam�lia. Tonta ainda, levantei e fui para a aula. Nessas alturas, eu tinha desistido da faculdade de artes pl�sticas, depois de fazer apenas um semestre, e estava no cursinho para biologia. Sempre sonhei ser pintora, mas vi que n�o tinha condi��es de seguir em frente e resolvi partir para uma coisa mais pr�tica. No cursinho, mal a professora entrou na classe duas colegas viram meu estado de torpor e chamaram o bedel. Ele me levou para uma salinha e ligou para os meus pais, que vieram logo. Desmaiada, fui acabar num hospital, onde passei duas semanas desintoxicando. O estalo, no hospital Numa noite em que n�o conseguia dormir, levantei para dar uma volta pelos corredores. De repente uma porta entreabria, eu olhava para dentro e via um doente em estado grave. Mais adiante, passava perto da UTI e sentia que havia algu�m � morte. Pela primeira vez, percebi que meu drama n�o era real. Comparei a minha situa��o, uma garota de 18 anos que queria morrer, com a de doentes sem nenhuma perspectiva. E me deu um click. Estava jogando fora os anos mais legais da vida. Sa� do hospital e parei de tomar os rem�dios. No come�o, a recupera��o se deu meio aos trancos e barrancos. Embarcava em qualquer atividade que aparecesse, s� para me agarrar a algo concreto. Mas com o tempo as mudan�as internas foram se solidificando. Prestei vestibular no fim de 92 e em mar�o de 93 comecei a faculdade de biologia. J� estava me sentindo outra. Ent�o resolvi ir morar sozinha e trabalhar, assumindo a responsabilidade pela minha vida. Na verdade, sa� muito forte disso. Sinto uma vontade de viver como nunca senti, uma obsess�o de fazer as coisas, de recuperar o tempo perdido. De certa forma, tamb�m sinto orgulho de ter superado a depend�ncia. Agora sei que n�o � qualquer bobagem que vai me derrubar. N�o canalizo mais meus problemas para a autodestrui��o, mas, sim, para coisas criativas: pinto, escrevo, converso com amigas. Ao mesmo tempo, a rela��o com meus pais melhorou muito. At� hoje, eles n�o sabem que fui dependente de anfetaminas. Ao m�dico que cuidou de mim no hospital eu s� contei que tomava um ou outro comprimido. Ele insistiu muito para que eu fizesse terapia. Mas eu n�o quis. Como entrei nisso sozinha, quis sair sozinha. E acho que consegui. |
Depoimento retirado da revista "Viver"
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Quando se fala em droga, uma das primeiras perguntas � o que pode fazer o pai quando descobre o filho est� experimentando ou usando. Em princ�pio, o mesmo que faria se verificasse que o filho tirou tirou dinheiro da carteira dele, ou pega o carro escondido, ou seja, constatar que houve uma transgress�o. Transgress�o tem n�o pode passar em branco. Transgress�o tem que ser contatada, tem que ser punida que ser punida. A postura de muitos pais surge muito mais de sua pr�pria incapacidade de assumir a situa��o com tranq�ilidade do que em fun��o do momento que o filho est� vivendo. Vou ilustrar essa quest�o da transgress�o com a experi�ncia que um pai me contou. O filho, de 12, 13 anos, torcida para um time de Minas, que � chamado galo. O time perdeu, e a crian�ada de scola come�ou a chamar o moleque de galinha. De onde surgiram uma s�rie de d�vidas do tipo "ser� que sou bicha?". Ele contou para o pai, que lhe deu uma super-for�a "enfrenta, mete a m�o neles, vai l� e bate". At� chegar ao ponto em que um professor chamado o menino de galinha. No pr�ximo colega que chamou, ele bateu. O pai foi falar com a dire��o da escola sobre a gravidade da situa��o. Diante disso, para amenizar o ,caso, a escola n�o suspendeu o menino. O pai voltou e exigiu uma suspens�o: afinal, tinha ou n�o tinha sido cometido um ato contra o regulamento? Essa hist�ria ilustra algo em que eu acredito: para que exista a transgress�o e, conseq�entemente, a puni��o - mas o jeito de punir vai p�r conta de cada fam�lia, de acordo com seus padr�es. Muitas pessoas encaram a quest�o como se problema se resumisse no jovem estar usando ou experimentando a droga. E o problema est� muito mais em que a fam�lia faz de conta que n�o existe transgress�o, nega-se a enxergar ou diz: "� uma fase, logo passa". Insisto em que a droga tem que ser encarada como transgress�o. No momento em que algu�m transgride e � punido punido, ganha um dado de realidade e tem chance de aprender. P�r isso, eu at� diria que � depois de experimentarem e serem punidos que muitos jovens se livram do risco de se tornar drogados. Ningu�m v� a seringa no banheiro � comum os pais s� tomarem conhecimento da situa��o quando ela j� vai bem adiantada. Ora, numa conviv�ncia �ntima, nenhuma experi�ncia importante do outro pode passar despercebida. A n�o ser que n�o se olhe para ele com real interesse, com verdadeira vontade de enxerga-lo. Enxergar o filho n�o � t�o dif�cil assim. � s� acompanhar seu desenvolvimento no dia a dia. Hoje, h� pais que pagam para o psicomotricista treinar habilidades da crian�a, que ela poderia ter aprimorado em casa, fazendo um bolo, passando os cord�es nos sapatos, aprendendo a se vestir. Sem o h�bito de um contato mantido desde a inf�ncia, o pai n�o estar� aparelhado para enxergar nuances no comportamento do filho, nem ser� capaz de discutir com naturalidade um assunto com sexo ou drogas. Numa reuni�o na escola, os pais se diziam confusos, com questionamento dos seguintes tipos: os filho iam a festinhas que acabavam �s 3 da manh�. O que o pai faz? Levanta de madrugada para buscar? Manda o filho voltar de taxi? A p�? De carona? Ou seja, o pai n�o conseguia decidir uma estrat�gia para proteger o filho de maneira que ele pudesse participar da festa e estar seguro. O jeito � o pai ir buscar, sim. A aparen200te abertura "voc� arranja o jeito melhor de voltar" n�o � mais que a nega��o da viv�ncia do filho. Nas fam�lias mais sad�as, os filhos falam de suas d�vidas e questionamentos. Um adolescente � capaz de dizer "experimentei, n�o gostei, ser� que algo errado comigo?" ou " experimentei e gostei, ser� que corro perigo?". A dificuldade n�o � tanto o jovem falar, se comunicar, e sim o adulto ouvir, perceber. Mesmo quando o jovem n�o se manifesta, explicitamente, de alguma forma transmite sua experi�ncia. H� at� que "esque�a" o fumo no criado-mudo ou a seringa no banheiro sem que a fam�lia tome conhecimento. Tenho o caso de um menino que com 3 anos engoliu todos os anticoncepcionais da m�e, trancou a m�e no banheiro e foi assistir TV na sala. Ficou ali horas, at� o pai chegar. Outra vez, enquanto a m�e estava na cozinha, se fechou no quarto e p�s fogo. De novo, o pai chegou e tirou, quase asfixiado. N�o h� d�vida de que estava dando sinais de alguma coisa grave estava acontecendo com ele. Mas, at� 16 anos, foi indo. Nessa �poca, apesar da �tima condi��o econ�mica da fam�lia, arranjou um trabalho e abandonou os estudo. A fam�lia aprovou integralmente, aplaudindo, n�o a habilidade que lhe permitiu arranjar trabalho, mas sua capacidade de ganhar dinheiro. Nessa �poca, ele passou a se drogar com os demais do grupo, que assim atravessavam a noite trabalhando. Segundo ele mesmo conta, durante dois anos se drogando e alcoolizou dentro de casa, muitas vezes com amigos. Estava cheirando cola, a m�e entrava e perguntava "que cheiro � esse?" " Que cheiro, m�e, cheiro nenhum?". "Que seringa era aquela, no banheiro?" "Sei l�, n�o vi". At� que chegou a tal degrada��o - mais um pouco, morria - que ele mesmo decidiu parar. A abstin�cia provocou um tipo de agita��o nele que, a� sim, os pais perceberam. S� ent�o o levaram. Um m�s depois de ele ter parado de se drogar. Uma s�rie de pistas podem alertar os pais para o fato de o filho estar envolvido com drogas. O rendimento escolar �: sempre baixa. � verdade que na adolesc�ncia isso costuma acontecer em fun��o de outros interesses. No entanto, no caso da droga, a diferen�a � muito sens�vel. Certa irritabilidade tamb�m � um dado a observar. Mas o mais importante � o isolamento. Relacionar-se socialmente torna-se muito dif�cil para o drogado, que s� se d� com o grupinho com o qual se droga. E tamb�m h� altera��es gerais no humor, no sono - no ritmo de vida. Algo como se a crise da adolesc�ncia se intensificasse e prolongasse demais. Mesmo a maconha, que se costuma julgar in�cua, provoca modifica��es. Experimentos provam que, sob efeito da maconha, ocorre, por exemplo, uma altera��o temporo-espacial. Muito pequena, mas suficiente para n�o deixar perceber a dist�ncia entre dois carros e provocar um acidente. Mas o mal imediato e maior que a maconha causa � um estado de apatia. Nesse sentido, serve a um objetivo social, que pode explicar a condescend�ncia com que � tratada, ou o mito de que mal n�o faz. Mesmo que uma pessoa consiga ficar mais calma, ou aumentar sua percep��o, s�o aquisi��es estritamente pessoais, sem utilidade social. Basta ver o n�vel de protesto dos jovens atuais. Eles se submetem a tudo. N�o questionam. O jovem pode at� desprezar o professor, a institui��o. No entanto, n�o questiona. N�o exige respostas. Experimentar, fica viciado? N�o � bem assim. A primeira droga costuma ser a maconha. Mas s� da classe m�dia para cima. Da� para baixo, � cola mesmo. Mas n�o trata, como muitos pensam, de um percurso fatal, definitivo: experimentou, est� condenado � depend�ncia. Uma pessoa criativa, participante, acordada para o mundo, pode experimentar ou usar a droga sem tornar-se dependente, assim como h� quem goste de vinho ou cerveja sem ser alcoolista. De qualquer forma, a droga nunca aparece como um dado isolado, assim como nunca estoura uma �lcera em algu�m que jamais teve dor de est�mago. Se a impress�o � que a toxicomania apareceu de repente, � apenas que os pais foram incapazes de detectar ind�cios, de enxergar os precedentes. Parte da dificuldade do adulto em se comunicar com o jovem a respeito da droga est� no fato de ela estar ligada ao prazer. E qualquer assunto ligado ao prazer, o sexo ou droga, � mais dif�cil de abordar. Experi�ncias negativas s�o sempre as mais presentes, as mais marcantes, quase n�o deixando lugar para o prazer. Os pais tem medo de acenar com a possibilidade de um prazer que fa�a os filhos desandar, virar vagabundos. E a� se cai no equ�voco de passar a mensagem de quer ser adulto representa s� responsabilidades, preocupa��es - desprazer. O pai diz: "olha, eu at� que gostaria de ficar aqui com voc�, mais tenho que ir trabalhar, que chatice, h�?" E isso, nem sempre � verdade. Vai ver, ele gosta de trabalhar; vai ver, tem uma hora em que ficar louquinho para sair de casa, fazer outra coisa. Por outro lado, os pais de classe m�dia, com o filhos hoje adolescentes, facilitaram-lhe muito a vida no sentido de enviar-lhes frustra��es. E s�o coisas interligadas, a possibilidade de estar frustrado, de vencer a frustra��o e ent�o vir ter prazer. Outra dificuldade est� desinforma��o. Se o filho fala de drogas, e o pai toma conhecimento de suas experi�ncias, este se assusta com de que ele acabe numa total degrada��o. Desorientado , n�o sabe como agir. Primeiro passo � o pai se posicionar claramente, afirmar que � contra, que n�o est� disposto a permitir ou facilitar, ou ent�o acompanhar o filho, observando-o de perto. Se, na pior das hip�teses, o filho continuar, ser� por decis�o pessoal. A situa��o fica menos amea�adora na medida em que a refer�ncia sadia, representada pelo pai, est� maneira, clara. Perigoso, nesse momento, � n�o assumir uma postura definitiva, ou de alguma forma mostrar-se conivente. Pai careta, que se assume, faz muito menos mal que o "compreensivo". Se o filho continuar, o pr�ximo passo � observar o contexto geral, tentando determinar at� que ponto o v�nculo com a droga est� sendo significativo. A�, cada caso � um caso. A situa��o do jovem usando a droga, mas mantendo outros v�nculos de forma produtiva, � muito diferente da situa��o daquele que come�a a privilegiar demais o v�nculo com a droga, em detrimento demais atividades. O mecanismo n�o � exclusivo da droga. Uma paciente comentou que , sendo a primeira da classe, a boazinha, a perfeita durante a inf�ncia inteira, era espantoso que ningu�m tivesse preocupado com ela. De fato, ela viveu enfiada numa situa��o que n�o deixou outros v�nculos floresceram. Ficar trancado no quarto estudando ou jogando xadrez 24 hora por dia, nesse sentido � t�o grave quanto ficar trancado puxando dia e noite. O educador se omite, resta a pol�ticaEm parte pela falta de posicionamento claro e de informa��o dos pais, em em parte pelo fato de ser legalmente proibida, a droga acaba tornando-se tabu, assunto que n�o se aborda em fam�lia: vira quest�o policial, ou psiqui�trica. Coisa de especialista. Para mudar esse panorama, uma iniciativa importante seria um programa de super-informa��o para os pais (e n�o s� a respeito de droga, mas de outros temas que os preocupam, como sexo, anticoncep��o etc). mas uma informa��o de modo a mobilizar uma ansiedade, uma inquieta��o, que impelisse a procurar uma mudan�a, um protesto, uma sa�da. Por exemplo: um grupo de pais j� conscientizado procuraria mobilizar pais de uma escola, com com um programa que se difundiria para outras escolas. Da� surgiram outras iniciativas em outras institui��es. Talvez at� se colocasse a necessidade de a escola particular reformula sua postura paternalista, maternalizante. Porque, de modo geral, a escola tamb�m trata da droga como se n�o fosse um problema, resolvendo cada caso com muita "compreens�o", numa abordagem superprotetora em que n�o � raro os pais serem antagonizados de modo mais ou menos sutil. Como uma grande m�e, a escola "adota" a crian�a, o adolescente que, coitadinho, tem "aquela" m�e, "aquele" pai, t�o inadequados. A fam�lia, por lado, tende a transmitir aos filhos a id�ia de que qualquer institui��o, entre ela e a escola, n�o � l� uma coisa em que se possa confiar muito. O que n�o � verdade. A possibilidade de as pessoas se agregarem para questionar, para reformular a realidade, num grupo organizado, � sua chance de serem produtivas, transformadoras. Mas, do jeito que est�, em vezes de a escola e os pais somarem esfor�os, cada um age por seu lado, de uma forma que acaba dando muito pouco resultado. De modo geral, a atitude de educadores, psic�logos, comunicadores � achar " n�s � que somos os bons, n�s � que entendemos disso". Mas, quem acaba agindo no campo da droga n�o s�o essas pessoas interessadas e esclarecidas e sim a pol�tica. Se esses profissionais, junto com os pais, somassem esfor�os para fazer um trabalho de preven��o, passariam a ser respons�veis pelas necess�rias mudan�as, deixando � pol�cia apenas o papel da repress�o - cuja necessidade, ali�s, se reduziria muito. � por falta dessa preven��o desse controle, que a a��o da pol�cia vai muito al�m das atribui��es que lhe cabem. |