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Conheci o mágico num dia de tempestade. Alto
e muito magro, carregava um guarda-chuvas, o que fazia com que
parecesse uma enorme flor preta. Foi com um movimento ágil que fechou o guarda-chuvas
e se colocou ao meu lado, debaixo da marquise . - Você
deve ser um mágico - falei e ele me olhou com olhos de
mágico. Que ele não fazia mágicas eu descobri bem depressa.
Mas era tão esforçado, se empenhava tanto, que
pelo menos duas conseguiu fazer: A primeira aconteceu lentamente.
Dia após dia ele repetia o quanto eu era linda e eu me
tornava linda. Passava horas intermináveis diante de espelhos
e a tal ponto me tornei linda, que ele, alto, magro e feio, não
servia mais para mim. Ele não servia. Encontrei homens jovens e belos que me amaram. Para o mágico,
sobravam restos de noite, pedaços pequenos de tarde, horas
de tédio. Os jovens belos me absorviam e eu olhava para
o mágico até com preguiça, quando ele tentava
tirar flores do bolso do paletó. Eu, tão linda, adivinhei que ele fazia uma falta enorme.
Sem ele, os jovens não tinham nenhum sentido. Fiquei só, num vazio revestido de espelhos, onde ele
nunca mais vai entrar.
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