Capítulo
1- A Revolução de Shura
Um ano havia se passado desde o fim do torneio de unificação
do Makai (Mundo das Trevas). Yusuke havia voltado ao Ningenkai
(Mundo dos Humanos) junto com Kurama, enquanto Hiei permaneceu
no Makai, como subordiando de Mukuru. Entretanto, ninguém
poderia esperar que, logo, estariam enfrentando uma gigantesca
guerra que rapidamente envolveria os três mundos: Ningenkai,
Makai e Reikai ( Mundo espiritual).
Enki, o vencedor do Torneio do Makai, estava em sua sala,
assinando e preenchendo alguns papéis, como fazia diariamente.
Então, rapidamente a porta de sua sala se escancarou
e por ela, entrou um homem, com orelhas pontudas e de bigode,
parecendo ser um dos soldados do Rei das Trevas:
- Senhor Enki! – gritou o homem – Uma guerra está
ocorrendo na zona leste de Himã.
- Como é?! – perguntou Enki – Que tipo
de guerra? Eu não recebi nenhuma informação
sobre isso!!!
- Nós também não sabemos, senhor Enki!
Acreditamos que possa ser uma simples batalha entre youkais
por interesses pessoais, mas não sabemos de nada ainda.
De qualquer forma, já enviei unidades do nosso exército
para a região. Logo receberemos informações
sobre essas batalhas!
- Muito bem, Linu – disse Enki – Vocês sabem
quantos youkais estão envolvidos nisso?
- Pela dimensão territorial em que esta guerra está
acontecendo, senhor Enki, acredito que seja cerca de uns cem
ou duzentos youkais de classe A e S.
- Impossível!!! – gritou Enki – Como vocês
só me informam isso agora?! Se esta guerra continuar,
outras regiões do Makai também serão
envolvidas!
- Exatamente por isso, eu mandei tropas para a região,
senhor Enki. Elas se encarregaram de capturar esses youkais,
prendê-los e interrogá-los. Afinal de contas,
essa guerra começou a quase uma hora e ainda não
sabemos o motivo que a ocasionou.
- Está certo! Bom, eu acho melhor você convocar
as tropas de elite. Se existem tantos youkais de classe S
e A envolvidos, talvez as tropas enviadas por você não
dêem conta do caso. Vá! Convoque as tropas de
elite e mande-as direto para a região.
- Sim, senhor Enki!
Linu saiu correndo da sala. Enki começou a ficar com
uma expressão muito apreensiva e começou a suar.
- Que coisa mais estranha! Uma guerra que acontece do nada?!
Eu nunca vi isso acontecer! Linu disse que pode ser uma simples
batalha entre youkais, mas eu acho que não se trata
disso. Provavelmente deve ter alguma coisa por trás
dessa guerra. De todo caso, eu não estou gostando nada
deste mau pressentimento...
Enquanto isso, na zona leste de Himã, o país
onde ficava o castelo de Enki, o cenário era de guerra
total. Muitas cabeças voavam e muito sangue era espirrado
para todos os lados. A cada segundo, cerca de dez ou vinte
youkais estavam sendo mortos. Rapidamente, as tropas de Linu
chegaram ao local.
- Parem com isso agora!!! – gritou o capitão
da tropa.
Todos os youkais que se encontravam no local, pararam de lutar
e se voltaram para a tropa.
- Qual é o motivo desta bagunça? O Rei Enki
está muito insatisfeito com esse acontecimento! Por
que estão fazendo isso?
Os youkais se entreolharam, ficaram um tempo parados e depois
de alguns, segundos, todos lançaram fortes golpes de
youki (energia maligna) contra a tropa, que rapidamente evaporou.
Então, a guerra continuou. Cabeças, braços
e pernas voltaram a voar pelos ares e a quantidade de sangue
derramado aumentava a cada segundo.
Depois de alguns minutos, as tropas de elite de Enki, chegaram
ao local, mas se mantiveram escondidos atrás das rochas
e árvores que rodeavam a região.
- Capitão Rikotu, o que vamos fazer? – perguntou
um dos soldados pelo rádio.
- Não há jeito – respondeu o capitão.
– Com essa quantidade de youkais, as nossas tropas serão
exterminadas em um segundo. Nós temos que lançar
um ataque surpresa para matar alguns deles e depois, capturamos
o resto.
- Mas, capitão Rikotu, o senhor Enki disse que não
deveríamos matar ninguém, só capturá-los!
- Pense, Ywanai! Se nós deixarmos essa guerra continuar,
muito mais youkais vão morrer! É melhor matarmos
alguns agora, do que todos esses morrerem. Infelizmente não
há outra alternativa!
- Então está bem, capitão Rikotu! –
disse Ywanai.
A tropa foi se aproximando lentamente e logo, todos os membros
deram um grande salto e soltaram, juntos, uma grande quantidade
de Youki contra os youkais. Uma grande luz tomou conta do
local. Depois que ela se dispersou, quase todos os youkais
que estavam guerreando, estavam caídos. Um deles, começou
a se comunicar por telepatia:
- Pronto, senhor Shura! Nossa missão foi concluída!
- Muito bem!!! - disse a voz fina do filho de Yomi, que estava
em uma sala escura.
Enki continuava apreensivo em sua sala, assinando alguns papéis.
Depois de algum tempo, ele ouviu um forte barulho na base
do castelo.
- O que é isso?! – gritou ele. – Droga!
Será que essa guerra já chegou até aqui?
Neste momento, dois homens encapuzados entraram na sala de
Enki e rapidamente, lançaram um ataque fulminante contra
o Rei das Trevas. Ele deu um grito e caiu no chão,
morto.
Enquanto isso, no Ningenkai, Yusuke Urameshi estava deitado
em sua cama. Já estava de noite, o relógio marcava
oito horas. Ele olhou pela janela, pensando em seu velho e
falecido pai, Raizen. Desde que voltara para o Ningenkai,
após o torneio do Makai, ele não visitou mais
o túmulo de seu pai. O toque do telefone dispersou
seus pensamentos.
- Alô.
- Urameshi!
- Fala Kuwabara. O que você quer?
- O que eu quero?! Você se esqueceu de que nós
tínhamos combinado de ir ao cinema hoje?
- Ih! Cara! Eu esqueci mesmo! Onde você está?
- Eu estou aqui na porta te esperando, seu miserável!
- Caramba! Eu esqueci que eu convidei a Keiko também.
Ela deve estar me esperando lá na porta da escola dela.
Agüenta aí Kuwabara!
Yusuke desligou, calçou os sapatos, vestiu sua roupa
e rapidamente saiu.
- Droga! – exclamou, antes de sair.
- Esse idiota do Urameshi nunca muda mesmo! – disse
Kuwabara. – Bom eu acho melhor ir comprar os ingressos,
por senão eles vão acabar e aí eu acabo
com a vida do Yusuke.
Yusuke corria por uma rua com bastante gente, até que
ele viu uma entrada para a direita que dava num beco escuro.
“Se eu for por aqui, acho que vou chegar mais rápido
na escola da Keiko. Ai, ai, ai, ela já deve estar muito
furiosa” pensou Yusuke.
Ele entrou correndo no beco. Ele estava completamente escuro
e vazio. Yusuke começou a sentir uma sensação
estranha e parou. Olhou a volta e para cima. Começou
a sorrir.
“Deve ser algum assaltante idiota. Eu tô sem tempo,
não vou poder me divertir com ele não. Vou acabar
com ele com um golpe só!” pensou Yusuke.
Ele começou a andar lentamente pelo beco e, por cima
de sua cabeça veio um vulto de um punho que o atingiria
diretamente no rosto. Yusuke deu um pulo recuando para trás.
“Estranho! Ele é rápido!” pensou
Yusuke.
O vulto começou a disparar vários socos contra
Yusuke, que se desviava com bastante velocidade e habilidade,
até que ele agarrou um dos braços do vulto e
lhe desferiu um forte golpe na cara. O vulto voou e caiu no
chão.
- Quem é você, miserável? – perguntou
Yusuke.
- Hehehe! Estou satisfeito que você não perdeu
seu talento para lutas! – disse o vulto que se levantava.
Yusuke começou a sorrir.
- Não pode ser... Você por acaso é...
