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1 –Absorção da nicotina
A absorção da nicotina através das membranas celulares depende do pH. Se o pH
é ácido, a nicotina é ionizada, não atravessando facilmente as membranas.
A pH fisiológico (pH ~ 7.4), 31% da nicotina não é ionizada passando
facilmente através das membranas. Na sua forma básica, a nicotina é fortemente alcalina e é facilmente solúvel tanto em água como em lípidos. Na sua forma ionizada, a nicotina é mais difícil de ser absorvida. Por isso, nos estados alcalinos, nos quais a nicotina é menos ionizável, aumenta a biodisponibilidade. Nos fumadores, a nicotina é administrada por via oral. Nas pessoas que não inalam o fumo do tabaco, a principal via de administração da nicotina é através da mucosa nasal. No entanto, a absorção através desta via é altamente dependente do pH (Benowitz 1986, Sversson 1987). Os fumadores que inalam o fumo do cigarro conseguem uma maior absorção de nicotina através das vias aréas de pequeno calibre e dos alvéolos, independentemente do pH, o que não se compreende completamente o mecanismo.
2 – Acção da nicotina nos receptoresA forma activa da nicotina é um catião cuja carga se encontra localizada no nitrogénio do ciclo de piridina. Esta forma activa é muito próxima da acetilcolina. Tem sido demostrado que a nicotina interfere com a acetilcolina que é o maior neurotransmissor do cérebro. A acetilcolina pode ligar-se a dois tipos diferentes de receptores: receptores da nicotina, que são activados por esta, e receptores muscarina, que são activados pelo receptores colinérgicos. A nicotina e a muscarina são assim os agonistas específicos de um tipo de receptores colinérgicos (um A nicotina liga-se competitivamente a receptores colinérgicos. A ligação dos agonistas ao receptor nicotínico provoca uma mudança conformacional do receptor, que abre o canal iónico durante alguns milissegundos. Este canal é selectivo para catiões (especialmente o sódio), a sua abertura conduz assim a uma despolarização breve. Depois, o canal fecha-se e o receptor torna-se transitoriamente refractário aos Ciclo
operacional dos receptores da nicotina:
Condições fisiológicas normais: Depois da abertura do canal por ligação à acetilcolina, o receptor torna-se inactivo antes de voltar ao estado de descanso ou é regenerado
Exposição contínua ao tabaco: a acetilcolina quando substituída pelos substituintes da nicotina, estimulam igualmente o receptor da nicotina. Então, o receptor é inactivado a longo prazo e a sua regeneração é impedida pela nicotina. 3 – Tolerância e dependência da nicotina
A nicotina aumenta a estimulação dos receptores nicotínicos. A excessiva e crónica
activação destes receptores é contra balançada por uma diminuição do número
de receptores activos. A redução do número de receptores activos reduz o
efeito psicotrópico da nicotina. Devido ao fenómeno da tolerância, o fumador
necessita de fumar cada vez mais cigarros para manter um efeito psicotrópico
constante. A nicotina activa o sistema da dopamina no interior do cérebro. A dopamina é um neurotransmissor que é directamente responsável pela mediação da resposta ao prazer. A nicotina desencadeia a diminuição de produção de dopamina no accumbens do núcleo. Uma exposição prolongada deste receptor à nicotina reduz a eficiência da dopamina, por diminuir o número de receptores disponíveis. Consequentemente, mais e mais nicotina é necessária para alcançar o mesmo nível de prazer.
Depois de um breve período de abstinência (durante uma noite por exemplo), a
concentração de nicotina no cérebro diminui e permite a recuperação da
sensibilidade de uma parte dos receptores. O retorno para um estado activo
aumenta a neurotransmissão para uma taxa anormal. O fumador sente-se assim
desconfortável, o que o induz a que fume novamente. O primeiro cigarro do dia
é aquele que proporciona maior prazer pois a sensibilidade dos receptores da
dopamina é máxima. Depois, gradualmente os receptores são novamente
dessensibilizados e o prazer diminui. Este é o ciclo vicioso
do consumo de tabaco.
4 – Transformações químicas da nicotina.
A nicotina é maioritariamente transformada no fígado, mas também nos pulmões
e nos rins. O metabolismo primário da nicotina e da cotimina N-oxida,
que são alguns produtos da oxidação hepática da nicotina pelo citocromo
P-450.
Como
pode a nicotina ser perigosa para o corpo?
A nicotina e o seu metabolismo podem ser perigosos para o corpo. Actualmente, a
nicotina é considerada como um factor de aumento da probabilidade de cancro. De
facto, a nicotina pode levar a um grande número de transformações como a
abertura do ciclo do pirol. O grupo metil do ciclo pode tornar-se um muito
potente agente acilante quando removido do ciclo.
A amina funcional da nicotina pode reagir com monóxido de nitrogénio ou com ácido
nítrico, formando uma molécula do tipo “nitrosonium”. Este composto
pode depois ser transformado pelo organismo, ou seja, oxidado e aberto. Esta
operação leva a dois isómeros, duas moléculas “nitrosaminas” (R2N-N=O),
onde um dos grupos R é um metil. Esta reacção ocorre como descrito de
seguida:
A = 4 (N-metil-N-nitrosamino)-1-(3-piridil)-butano-1-ona B = 4 (N-metil-N-nitrosamino)-4-(3-piridil)-butanal
Em meio ácido, o oxigénio do grupo “nitrosamina” é protonado e a
ligação dupla desloca-se para o nitrogénio central, que passa assim a ter uma
carga positiva. Esta nova molécula é uma fonte de metil. O grupo
“nitrosamina” pode assim reagir com outra amina, que remove a carga positiva
do nitrogénio. Se a amina que reage é uma parte da estrutura de ADN, ocorre
uma acilação irreversível:
Esta acilação é realmente nociva, pois pode ajudar o desenvolvimento de cancro ao inibir o desenvolvimento normal da célula. |
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Criado e desenvolvido por Artur Abreu
e Sofia Venceslau.
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